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Fomos passar o fim-de-semana a Sevilha. Fomos - eu e um grupo de amigas. Foi espectacular. Por estarmos juntas. Pelas conversas e pelas partilhas e pelas gargalhadas. Porque é muito fixe ver como esta amizade entre seis pessoas tão diferentes e tão parecidas tem evoluído. Porque é bom ter pessoas que são casa. Eu já tinha algumas pessoas assim e, nos últimos anos, ganhei mais estas pessoas-casa e sinto uma enorme alegria por isso. Foi muito fixe também porque comemos maravilhosamente e passeámos e porque (do pouco que vi) achei Sevilha uma cidade muito bonita. Agradável, animada e com poucos carros. Num momento em que em Lisboa se discute tanto esta questão, foi bom passear no centro de Sevilha com tantas ruas sem carros. Não são uma nem duas, são muitas. Ruas largas, ruas estreitas, ruas antigas, ruas novas. E não há carros a passarem nem carros estacionados em cada canto nem carros de pessoas que vão só ali e já vêm nem carros de lojistas nem carros de moradores nem carros de ninguém. Há eléctricos e bicicletas e trotinetes e pessoas a andarem a pé. Muitas pessoas na rua, muitas lojas, muita vida. Todo o centro sem carros. Acho que o Moedas devia ir lá, e os seus acólitos também. Para verem que é possível. Que até pode ser difícil ao início, que é preciso garantir que os transportes públicos funcionam e é preciso todo um trabalho de educação para o civismo mas, sabem, não é assim tão complicado não chegar de carro até à porta da Louis Vitton ou da escola ou do escritório ou do cinema ou do que for. E que é bom passear e parar numa das muitas esplanadas, aproveitando o silêncio e o ar puro.

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publicado às 18:18

Sempre que vou à Avenida da Liberdade no 25 de Abril encontro amigos. São encontros inesperados. Olha, tu, aqui. E é uma festa. Amigos que já não via há que tempos e que me aparecem à frente de braços abertos. No meio daquela gente toda, encontramo-nos. São esses momentos que me fazem acreditar que isto tudo há-de ter um sentido. Que o sentido disto tudo talvez seja só dar abraços e sorrir de felicidade por estarmos nisto juntos. E por nos emocionarmos, todos os anos, a cantar o Grândola. 

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publicado às 11:53

Viajei. Mas o importante não foi a viagem em si nem os passeios que demos por Bruxelas. O importante foi, primeiro, poder partilhar esta experiência com o Pedro e passarmos tempo os dois e voltarmos a andar de avião e tentar explicar-lhe que é bom sair de casa e descobrir o mundo (e também irritar-me um bocadinho com ele, que está naquela fase aborrescente mas, pronto, faz parte). E, depois, visitar a minha amiga Aline e a sua família. Já não nos víamos há quase um ano e foi bom demais voltarmos a partilhar as nossas alegrias e as nossas angústias e comer os seus cozinhados e desfrutar da sua alegria e da sua energia. E depois da viagem ainda deu para ir ao Alentejo e para passear por Lisboa, para ir ao MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia ver as "Interferências" e a fantástica instalação do Vhils (por favor, não percam), para ver as maravilhosas "Bacantes" da Marlene Monteiro Freitas, para dar um passeio na praia, para ir dançar no Incógnito (as saudades que eu tinha disto), para fazer isto tudo ao mesmo tempo que estava com amigos bons e conversávamos e ríamos e chorávamos juntos. Porque o mais importante são sempre as pessoas que estão connosco neste caminho e os abraços todos que damos.

Foram 10 dias bons, depois de muitos dias difíceis, ou melhor, no meio de muitos dias difíceis. Não tem sido fácil, por vários motivos, muito diversos, muito meus. Mas, como diz, a canção

"Tem vez que as coisas pesam mais
Do que a gente acha que pode aguentar
Nessa hora fique firme
Pois tudo isso logo vai passar

Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar"

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publicado às 19:18

Dançar. Amigos. Conversas. Dançar. Rir. Cumplicidades. Dançar. Não pensar. Só ser. 

The Cure, Close to Me

publicado às 11:36

01
Mar22

Aos meus amigos

Agradeço a todas as pessoas que, nesta última semana, nos fizeram chegar o seu apoio e o seu carinho, das mais variadas formas. Mas agradeço em especial aos meus amigos. Foram e são todos importantes à sua maneira. E acima de tudo agradeço àqueles, vocês sabem quem são, que são os meus mais-que-tudo de todas as horas, boas e más, que me dão a mão e me amparam as quedas, que me fazem rir, até nas situações mais difíceis, que percebem as minhas palavras e os meus silêncios, que me chamam a atenção quando é preciso e me ajudam a tentar ser melhor, que estão sempre comigo, até mesmo quando estão longe.

No meio de toda a tristeza, é muito bom sentir tanto amor. E, sinceramente, acho que sem vocês não conseguiria.

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publicado às 10:29

Dar abraços a uma amiga, conversar, rir, falar de coisas sérias e outras nem por isso, comer bolo de morangos com chantilly sem pensar em calorias, ir ver o filme A Pior Pessoa do Mundo e ficar a pensar na vida e nisto das relações, das pessoas que encontramos por aí e o que elas significam para nós.

Este é o meu tipo preferido de gala.

publicado às 10:25

Eels, "That look you give that guy"

 

Tenho saudades de ter disponibilidade (não é tempo, tempo eu tenho, é mesmo disponibilidade) para ouvir música e sobretudo tenho muitas saudades de me sentar ao lado de pessoas como o JMT, o JP Oliveira, o Moço e o Galopim, que me davam a conhecer músicas novas para eu gostar. Isto sozinha é muito mais complicado. 

publicado às 11:17

Não sejamos injustos. Houve coisas boas em 2021.

Novos trabalhos, novos desafios.

Voltei a fazer yoga. Sou péssima mas estou a esforçar-me.

A viagem a Paris.

Os bons momentos com os meus putos.

Caminhar, voltar aos transportes públicos, andar a pé sempre que possível.

Voltei à terapia. Também sou péssima nisto mas estou a esforçar-me.

Os meus amigos (vocês sabem quem são). Não estive com eles tanto quanto gostaria mas aproveitei todas as oportunidades para encontrá-los, abraçá-los e mostrar-lhes o quanto são importantes para mim.

Fiz uma amiga nova ("e coisa mais preciosa no mundo não há").

Os espectáculos que vi, os filmes e as séries, os livros (poucos mas bons), as músicas que descobri e todas as outras coisas boas da vida.

A família reunida e feliz no dia do meu aniversário.

Os sonhos do natal.

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Para 2022 só queria isto tudo mas mais. 

publicado às 13:31

A viagem a Paris foi marcada durante o almoço de aniversário da Paula, enquanto bebíamos uma garrafa de um fantástico vinho branco, por isso é provável que não tenha sido uma decisão muito racional. Mas, vamos lá ver, estávamos há mais de oito meses em confinamento, eu tinha sido despedida há pouco tempo e a perspectiva era ficar durante os meses seguintes sem emprego ou, pelo menos, sem emprego fixo, ou seja, continuar fechada em casa com os meus filhos e os meus pensamentos e, muito provavelmente, a entrar em depressão. Vem comigo, disse-me ela, naquele seu jeito decidido. Está bem, respondi num impulso. Ela pegou no telefone e dois minutos depois já estava tudo marcado. Pronto.

Nunca tinha tirado férias sem filhos. O máximo que tinha feito tinha sido passar um fim de semana fora, uma noite. Geralmente, quando estou sem filhos estou a trabalhar (o que também é bom mas não é a mesma coisa). Nunca tinha gastado dias de férias para estar sem eles. Desta vez ia estar cinco noites fora. Depois de ter marcado a viagem fui várias vezes assaltada por aquele sentimento de culpa que as mães conhecem tão bem. Logo este ano em que, afinal, vou ter menos dias de férias, é que me deu para isto. E o dinheiro que vou gastar. Se calhar devia desmarcar tudo e ir com os putos para algum lado. Enfim. O grilo falante a atormentar-me o juízo todas as noites. Mas, vendo bem, não havia motivos para tal. E, convenhamos, os miúdos estão crescidos e isto vai ter de acontecer cada vez mais, por isso é bom que me comece a habituar.

A verdade é que estava mesmo a precisar disto. Estava a precisar de sair de casa, de não cozinhar, de não pensar, de descansar a cabeça, de me deixar ir. Depois deste ano e meio de confinamento, estava também a precisar de estar sem eles.

Podia ser Paris ou outro lado qualquer, acho que teria sido bom de qualquer maneira. Mas ainda bem que foi assim porque foi muito, muito fixe. 

Foi a quarta vez que estive em Paris (a última tinha sido com os miúdos) mas deu para ver várias coisas pela primeira vez - o Palácio de Versalhes com o seus jardins, o enorme Museu do Louvre (e a Mona Lisa), a maravilhosa livraria Shakespeare and Company, um lugar onde apetece ficar um dia inteiro, o Museu Rodin (com o bónus de ter uma exposição que junta Picasso e Rodin). É muito engraçado estar nestes sítios todos, que já conhecemos dos filmes, e ver como são na realidade. Deu para passear sem pressas, para andarmos muito a pé, para ficarmos só paradas a ver, para rirmos que nem perdidas, para conversarmos e conversarmos, para, por uns dias, esquecermos a nossa vidinha e simplesmente passar o cartão sem fazer contas ao preço do almoço. Paris é uma cidade muito bonita e vibrante, onde sabe bem passear, ver os prédios, as janelas, as varandas, os jardins, os cafés, os artistas de rua.

Uma das coisas que mais nos espantou foi ver que, à exceção dos transportes públicos e do museus, onde todos usam máscara, quase nem dávamos pela pandemia. Na rua, não se viam máscaras nem havia distanciamento. Havia multidões, filas, ajuntamentos. Restaurantes cheios. Gente a dançar nas praças. (E eu, que nem sou nada de ter medos de doenças, andava sempre de máscara, a desinfectar as mãos como uma maluquinha e a recusar-me a entrar nos bares lotados. Tenho muitas saudades de dançar, que tenho, mas ainda não estou preparada para isto...)

Foi tão bom que quando demos por nós já estávamos a fazer planos para a próxima viagem.

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publicado às 10:39

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O meu pai mandou-me esta foto em jeito de prenda de anos. Há 46 anos eu era assim, pequenina e tranquila ao colo da minha avó.

Agora já não sou pequenina. Mas estou tranquila. 

Este foi um fim-de-semana cheio de emoções. Um confinamento. Um despedimento. Um aniversário. E uma bela TPM. A tempestade perfeita. E, afinal, correu tudo bem. Pela primeira vez desde que me lembro não fiz nenhum bolo mas tive dois bolos deliciosos. E, de longe ou de perto, tive muitos abraços. Porque tenho amigos dos bons (os amigos salvam-me todos os dias, já o sabia, e posso sempre recorrer a um texto lamechas lido na adolescência e trazê-lo para aqui e está tudo certo). E, para terminar em grande, levei os meus filhos a ver todas as coisas maravilhosas e só o facto de termos ido e de eles terem gostado (principalmente o adolescente) foi maravilhoso. 

Nem de propósito, uma das músicas do espectáculo é esta, do Jorge Palma, que cantei em coro com o Ivo Canelas e as lágrimas a embaciarem-me os óculos. 

Acho que é mesmo a música perfeita para hoje.

"Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo"

publicado às 12:51


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