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A Gata Christie


Segunda-feira, 22.10.18

Três dias, duas canções e a felicidade nas coisas pequenas (XXXVI)

Sexta-feira. Uma amiga com quem partilhar as angústias e as alegrias.

E um gin tónico de pijama.

Sábado. Uma amiga com quem partilhar um filme sobre o amor, A Star is Born.

E esta canção:

Bradley Cooper e Lady Gaga, Shallow

Domingo. Uma amiga que me dá abraços bons.

Um concerto para me aquecer a alma.

E esta canção:

Tribalistas, Sem você 

Há sempre coisas boas a acontecerem. Todos os dias. Só temos que estar atentos. 

E as coisas más a gente esquece.

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por Gata às 08:55

Domingo, 03.06.18

Junho

Fui comer sardinhas com duas amigas do trabalho. Estávamos a terminar o dia e de repente estás livre? eu também, que coisa rara, bora. Fomos. Esta espontaneidade. É uma das coisas de que tenho saudades da minha vida pré-filhos. Não que eu tivesse uma vida assim tão preenchida e fizesse assim tantas coisas, mas poderia fazê-las, se quisesse, e isso faz toda a diferença na minha cabeça. Agora há sempre que ter atenção aos horários, os horários da escola, do futebol, de estudar, de dormir, de acordar. Os horários e as vontades deles. Se quero fazer alguma coisa fora da rotina tenho que tomar tantas diligências que acabo por desistir.

Fui comer sardinhas a Alfama com duas amigas, só isso, uma coisa tranquila, beber sangria, conversar, comer pimentos assados, ficar com as mãos a cheirar mal, rir com gosto. Nem era meia-noite quando apanhámos o metro de volta para casa. E foi tão bom como se tivesse ido desbundar para uma praia paradísiaca longe daqui.

E isso lembra-me que já falta pouco para os putos estarem de férias e para entrarmos nos melhores três meses do ano. São só mais duas semanas. E estamos em contagem decrescente.

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por Gata às 20:13

Quarta-feira, 29.11.17

Preparem-se para a Super-Miúda

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As Incríveis Aventuras da Super-Miúda é o novo livro do meu amigo João Miguel Tavares e do ilustrador Luís Levy Lima (o desenho em cima é dele). Cá em casa somos fãs dos livros infantis do João Miguel (já falei deles AQUI e AQUI) e este também já foi devidamente explorado e aprovado pelo Pedro. Além disso, como a história nasceu de uma canção feita pelo pai para a Rita, o livro traz também um CD - e que nos perdoe o Samuel Úria, que é músico que aprecio e fez um belo trabalho, mas nós preferimos a versão caseira, interpretada pela família Tavares. 

O lançamento é amanhã, na Fnac Chiado, às 18.30.  

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por Gata às 11:24

Domingo, 17.09.17

"É tão bom, uma amizade assim"

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25 anos, mais coisa, menos coisa. Já temos mais anos juntas do que separadas. E é como diz o Sérgio Godinho: "Ai, faz tão bem, saber com quem contar".

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por Gata às 16:51

Sexta-feira, 05.05.17

Força aí, minhas amigas malucas

No próximo domingo, duas das minhas grandes amigas vão fazer o triatlo.

Eu acho que elas são malucas, obviamente. Só mesmo uma grande dose de loucura faz com que uma pessoa se ponha a treinar durante quatro ou cinco meses para uma prova duríssima como é esta em que se tem de nadar 1,5Km e depois pedalar 45km de bicicleta e depois ainda correr mais 10,5km.

Mas, enfim, são as minhas malucas e eu tenho um orgulho imenso nelas. Porque são ambiciosas e determinadas. Elas impuseram-se um objectivo difícil e têm se esforçado imenso para o alcançar. O treino é intenso e doloroso e obrigou-as a deixar de lado muitas coisas boas e importantes para se dedicarem a isto. Não é um sacrifício, porque elas fazem-no por gosto, mas é um esforço enorme. 

Sobre isto eu tenho uma opinião nem sempre bem entendida: acho que as pessoas que correm maratonas ou que fazem triatlos não são necessariamente melhores do que as outras, o esforço delas é tão valioso quanto o esforço de outras pessoas para fazerem outras coisas que são mais importantes para si. Costumo dizer que cada pessoa corre a sua própria maratona. Cada um tem os seus desafios. Eu, por exemplo, tenho dias em que só de conseguir cumprir todas as minhas tarefas como trabalhadora e mãe e dona de casa acho que merecia uma medalha. Haverá outras pessoas que têm outros objectivos, tão ou mais difíceis do que correr maratonas, noutras áreas bem diferentes. Na verdade, não se trata de uma competição para ver quem é que é melhor. A competição que é verdadeiramente importante é connosco próprios: será que eu consigo superar-me? Será que eu consigo ir mais além? Seja no que for. 

A Sónia e a Lina, as minhas amigas malucas, decidiram fazer este triatlo e eu tenho um orgulho imenso nelas porque sei que estão a dar o seu máximo e estão a superar-se todos os dias. E sei que vão conseguir terminar a prova. Só espero conseguir lá estar, na meta, para ver o vosso sorriso.

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por Gata às 17:16

Segunda-feira, 10.04.17

A pretexto de uma açorda

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A pretexto de uma açorda juntaram-se 14 colegas de curso e suas famílias num monte em Reguengos de Monsaraz. A pretexto de uma açorda, e aproveitando as férias da Páscoa, houve quem viesse dos Açores e houve quem viesse de Londres. Vieram amigos próximos, amigos distantes, gente que não se via há mais de 20 anos, gente de quem eu já não me lembrava. Era, à partida, o grupo mais improvável. Mas se há sítio bom para fazer amigos ou para retomar amizades antigas é à volta de uma mesa, com uma poejada com feijão e bacalhau, ovos com espargos, ovos com silarcas, favinhas, muitos queijos, pão maravilhoso e, claro, a prometida açorda de alho. Vinhos da terra. E até um gin produzido ali bem perto. Chegámos a ser 21 adultos à mesa, 16 crianças e dois cães. Conseguem imaginar? A Márcia e o Zé, nossos anfitriões, receberam-nos com uma generosidade e uma alegria enormes (a trabalheira que devem ter tido a preparar aquilo tudo). Visitámos a adega de Reguengos e a Herdade do Esporão, fomos passear a Monsaraz, houve quem molhasse os pés no Guadiana ao entardecer, houve quem se atrevesse numa moda alentejana. E conversámos e gargalhámos. Havia mesmo muita conversa para pôr em dia. E enquanto isso, os miúdos brincaram na terra, andaram de tractor, correram atrás das galinhas, ficaram bronzeados do ar do campo.

A pretexto de uma açorda, passámos um fim-de-semana mesmo bom. Longe de tudo. Sem pensar na vidinha. Só a aproveitar as coisas boas da vida. E esta felicidade de estarmos uns com os outros. 

Nem eu sabia, mas estava mesmo a precisar disto.

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por Gata às 18:02

Segunda-feira, 06.03.17

Disto de ser mãe sozinha ou não tão sozinha assim

Aconselharam-me o filme Mulheres do Século XX, de Mike Mills, com a Anette Benning a fazer de mãe solteira de um rapaz de 15 anos, sem saber muito bem como é que se educa um homem bom. Está bom de ver porque é que toda a gente achou que o filme tinha a ver comigo. E tem. É engraçado porque as questões que ela se coloca eu também as coloco, de tempos a tempos. Será que é necessário um homem para educar um rapaz? Será que eu vou conseguir fazê-lo sozinha? Será que vou conseguir entender as suas necessidades e as suas angústias masculinas? Ou, para sermos mais práticos, como raio é que o vou ensinar a fazer a barba? Enfim, esse tipo de coisas. Mas a mim parece-me que o filme vai muito além disto. É sobre todas as mães e todos os filhos e sobre aquele momento em que os filhos nos fogem das mãos e começam a ter uma vida só sua, e que, por melhores mães que sejamos, não nos inclui. Há um momento em que ela diz que tem inveja das amigas do filho, porque elas têm oportunidade de vê-lo como ele realmente é, como ele se comporta quando não está com a mãe. Acho que todos sentimos um bocadinho isso e vai-se adensando à medida que eles crescem.

O filme é de facto muito engraçado e tocante. Além da Annete Benning, naquela mãe cheia de dúvidas mas sempre com uma tranquilidade desarmante (quem me dera), a Elle Fanning e a Greta Gerwig também estão muito, muito bem. O puto é muito giro. E, depois, passa-se no final dos anos 70 e há aquele ambiente todo do pós-mundo-hippie, pós-guerra do vietname, da guerra fria e do punk. As músicas e as imagens da época completam o retrato. A voz que se ouve no trailer é do presidente Jimmy Carter no seu discurso da "crise de confiança", em 1979. E tem tudo a ver.

Mas, por algum motivo, não consegui identificar-me tanto com aquela mãe como estava à espera. Talvez porque eu tenha dois filhos e ela só um, talvez porque os meus sejam ainda muito novos. Ou talvez porque senti ali falta da vida como ela é. Claro que temos dúvidas e que andamos sempre a tentar fazer o melhor para eles e educá-los para que sejam homens bons, mas isso acontece com todos os pais, sozinhos ou acompanhados. O mais complicado nisto de ser mãe sozinha, digo eu, é, acima de tudo, a logística. O facto de uma pessoa ter de trabalhar oito horas por dia, de os putos terem de ir para a escola, de ser preciso ir às compras e cozinhar e limpar a casa e lavar a roupa e fazer o irs e ajudar nos trabalhos de casa e ir ao médico e tratar das merdinhas todas. Na vida-que-não-é-dos-filmes uma pessoa fica tão assoberbada com isto tudo que, admitamos, não resta muito tempo para questionamentos metafísicos. Ou quando temos esse tipo de pensamentos não nos resta outra alternativa a não ser dizermos a nós próprias: estou a fazer o melhor que posso. Caso contrário corremos o risco de nos sentirmos umas falhadas e termos um esgotamente nervoso.

Numa coisa, no entanto, aquela mãe tem razão. É muito mais fácil quando se tem ajuda. Veja-se o que aconteceu connosco no fim-de-semana passado. Eu tinha que trabalhar e tinha horários esquisitos e tudo se avizinhava bastante complicado. E, afinal, tudo se resolveu. Ter amigos é, de facto, uma das coisas mais preciosas do mundo. Eu tenho a sorte de ter pessoas mesmo especiais à minha volta, cada uma de sua maneira. Amigos que acolhem os meus filhos em sua casa e lhes dão colinho bom. Amigos que me ajudam na logística do leva e traz e com quem ainda posso ficar um bom bocado a conversar e a comer sushi ou pizza. Amigos com quem posso contar.

E, ainda por cima, como bónus, acho que os meus filhos só ficam a ganhar com o facto de estas pessoas (estas e outras pessoas) estarem nas suas vidas. É mesmo um daqueles casos em que uma falha se transforma num benefício.

Como forma de dizer obrigado, este é o Randy Newman a cantar You've got a friend in me, a música que ficou conhecida no filme Toy Story. (a minha primeira ideia era pôr aqui aquele vídeo fofinho da "Claire and dad" a cantarem isto mas, entretanto, percebi que a Claire está a ser transformada pelos pais numa daquelas estrelas infantis ao estilo da Shirley Temple e achei que não tinha nada a ver com o que eu queria dizer neste post, antes pelo contrário)

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por Gata às 14:52

Segunda-feira, 23.01.17

Trump merece o nosso desprezo mas será isso o melhor a fazer?

A Lina senta-se ao meu lado ou à minha frente ou pelo menos perto de mim há... quanto tempo?... eu vou dizer há uma meia dúzia de anos, mas sem grandes certezas. Conversamos quase todos os dias e temos vindo a descobrir que temos muito em comum para além do lugar onde trabalhamos. Nas preocupações que temos com os miúdos. Naquilo que pensamos do jornalismo. Na luta contra a discriminação das mulheres. Partilhamos muitos pontos de vista. Mas nem sempre concordamos. Por exemplo, temos gostos muito diferentes no que toca à roupa que usamos. E a homens. E há ainda aquela questão dos pullovers (private joke). E há o Trump.

O inominável, diz ela.

E desta vez, amiga, por muito que goste de ti, já deves ter reparado que não vou concordar contigo. Eu percebo o que queres dizer. Achas que estamos a dar-lhe demasiada atenção e a amplificar gestos e palavras desprezíveis. Eu percebo e concordo contigo se estivermos a falar de um desses bloguistas ou gurus ou outra gente armada ao pingarelho que aparece de repente na televisão e nas revistas a botar postas de pescadas. São opiniões que não interessam. E dar-lhes tempo de antena só vai dar-lhes mais poder e enriquecer as suas contas bancárias. É preciso ignorar mesmo.

Mas Trump é o presidente dos Estados Unidos da América e, quer queiramos, quer não, este homem foi eleito pelos americanos, é apoiado por muita gente e tem, de facto, muito poder. Tem poder para estragar a vida aos americanos e tem poder para estragar a nossa vida, de tantas maneiras, directas e indirectas, que é assustador. Por isso, sinto que temos que estar vigilantes. E que devemos denunciar as suas mentiras. E que não podemos calar-nos perante frases e tomadas de posição que vão contra aquilo em que acreditamos. Não, não devemos perder tempo com o seu penteado, a sua mulher, os seus passos de dança e todo o folclore em volta da figura. Mas temos que prestar atenção ao que de facto interessa, que são as suas decisões e actos políticos. Se em dois dias já aconteceu tanta coisa - foram apagadas as referências ao aquecimento global no site da Casa, foi decretado o fim do Obamacare, foi eliminada a versão em espanhol do site da Casa Branca (que tinha sido criada por Obama), foi decretada uma guerra aos jornalistas que não alinhem na versão oficial da verdade de Trump e aprendemos o que são "factos alternativos" - temo que coisas muito piores virão a acontecer à medida que o senhor tomar efectivamente o poder nas suas mãos. 

Claro que não adiantará de nada aquilo que eu digo ou escrevo aqui ou no meu facebook, mas, como costumo dizer, uma voz é como um voto, sozinha é impotente mas se formos muitos há de ter algum efeito. Nem que seja só alertar meia dúzia de pessoas à minha volta. Isto quer dizer que, amiga, ou mudas de lugar ou vais levar com Trump mais vezes do que gostarias :) (smile)

E ainda:

- um texto para nos fazer pensar sobre os motivos que levaram tantas pessoas a votar em Trump. temos de pensar sobre isto, tentar perceber para tentar encontrar uma saída.

- foi lindo ver as marchas das mulheres no sábado. a iniciativa superou em muito as minhas expectatitvas (e as expectativas da própria organização). mesmo que não sirva para mais nada, já serviu para que os opositores a Trump nos vários cantos dos EUA e nos vários cantos do mundo saibam que não estão sozinhos. vejam algumas imagens AQUI.

- uma exposição em Nova Iorque com fotografias de outros protestos. parece que não tem nada a ver, mas tem. 

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por Gata às 14:20

Quarta-feira, 28.12.16

Os meus joões

"Vou estar pelos teus lados, queres almoçar?" Bastou uma mensagem assim para estar com o único amigo que tenho no Porto. Raramente nos vemos, para falar a verdade podemos até passar anos sem falarmos, mas quando nos encontramos é bom como sempre. Falamos de tudo e de nada, calamo-nos, abraçamo-nos muito, dizemos umas parvoíces, discutimos o sentido da vida, ou pelo menos o sentido das nossas vidas. É uma daquelas amizades sem merdas, sabem? Uma coisa rara entre homens e mulheres: uma amizade sem equívocos. Tenho a sorte de ter alguns (poucos, não chegam a uma mão cheia) bons amigos homens assim. 

Curiosamente, chamam-se todos João.

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por Gata às 21:04

Quarta-feira, 28.12.16

George Michael (1953-2016)

Calhou estar na noite de natal em casa de uma amiga, ela ter recebido um gira-discos de presente e nós estarmos naquele momento a explorar os discos de vinil da nossa juventude. Calhou ela ter, ali, o Last Christmas e o Careless Whisper em 45 rotações e, de repente, sabermos que George Michael tinha morrido e ficarmos todos meio nostálgicos. A lembrarmo-nos. Aos 10 anos, dançávamos assim, aos saltinhos, a agitar os braços, muito leves, muito felizes. Mesmo crescida, sempre gostei mais do George Michael que se dançava do que daquele que sofria em melosas baladas românticas. Não posso dizer que tenha sido um músico assim muito importante para mim mas admito que, muito por causa do trabalho mas não só, tenho ouvido as suas canções nos últimos dias e é verdade que as conheço quase todas e até sei cantar os refrões. Acho mesmo que é preciso ter crescido nos anos 80 para entender isto. 

Wake Me Up Before You Go Go (1984)

I Want Your Sex (1987)

Faith (1987)

Too Funky (1992)

Outside (1998)

 

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por Gata às 08:35



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