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Pessoas que põem fotos de filmes (ou de actores ou de realizadores ou de escritores ou de outra coisa qualquer) nas redes sociais sem dizerem o que são. E depois escrevem legendas como "gosto tanto disto". E depois vão lá os amigos comentar e concordar, sem nunca dizerem do que estão a falar. É aquele snobismo do somos tão cultos, não somos? E se vocês não sabem do que estamos a falar, azar o vosso.

Por exemplo, hoje diriam: parabéns a esta senhora que faz anos.

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Mas como eu sou uma querida digo-vos já que é a atriz Kim Novak. Não custa nada, pois não? E assim podemos todos participar na conversa. 

 

(* palpita-me que isto ainda é capaz de dar uma série..)

publicado às 12:37

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A primeira meia hora foi um sufoco. Senti as dores de Martha tal e qual como se fossem as minhas. Tantas memórias que ressurgiram. Tive vontade de passar à frente mas ainda bem que não o fiz. A primeira meira hora é o que dá sentido ao filme. Na primeira meia hora estamos em trabalho de parto com aquele casal, Martha (interpretação de Vanessa Kirby) e Sean (Shia LaBeouf). Partilhamos com eles o entusiasmo e as dores. O parto é em casa e tudo parece correr bem até que tudo corre mal (lamento mas não dá para evitar os spoilers, se não quiserem saber mais pormenores é melhor não continuarem a ler). 

Como continuar depois de um trauma destes? Isso é o que vemos no resto do filme. 

Pieces of a Woman, do casal húngaro Kornél Mundruczó (realizador) e Kata Wéber (argumentista), tem muitas coisas boas, a começar pela extraordinária interpretação de Vanessa Kirby (como sou um pouco despistada demorei imenso tempo a perceber de onde conhecia aquela cara: era a princesa Margaret das primeiras temporadas de The Crown). Tem o inverno rigoroso e o rio que vai ficando cada vez mais gelado. Tem o verniz estragado, a loiça suja na pia, o cabelo desgrenhado. Tem aquele sofrimento maior do que o mundo. Tem as explosões de choro e fúria e desorientação dele. Tem uma cena de intimidade do casal que é tão realista que é impossível não nos sentirmos violadas. Tem a contenção e a força dela, que se recusa a ser uma vítima e a ficar paralisada pelo sofrimento. Martha quer seguir em frente, contrariando a vontade da família e até a vontade do seu corpo que não sabe que a bebé morreu, o corpo ainda é o corpo de uma mãe mesmo que ela não o seja.

O que me irrita um bocadinho em Pieces of a Woman é o exagero, parece que os argumentistas não souberam onde parar. Não bastava a morte da bebé, ainda é preciso o pai ser ex-alcoólico. Não bastava que o casal se afastasse e cada um deles procurasse um escape à solidão, o marido tinha que se envolver com a advogada que também é prima da mulher. Não bastava isto, tinha que haver uma mãe/avó que é extremamente crítica com a filha e que odeia o genro. E ainda por cima essa mãe/avó é uma sobrevivente do Holocausto. Ah e não bastava isto tudo ainda por cima a senhora começa a dar sinais de ter Alzheimer. A mim parece-me que todos estes pormenores eram dispensáveis. E até seria mais verosímil ver o casamento a acabar sem a intervenção da sogra, digo eu.

Ainda assim, vejam que não se vão arrepender. E venha de lá esse Óscar de Melhor Atriz.

publicado às 15:34

08
Jan21

"Fofinhas"

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Vi, finalmente, nas férias de natal, o polémico filme Mignonnes (Cuties, na versão inglesa), da francesa Maïmouna Doucouré. A realizadora, filha de senegaleses, cresceu dividida entre a cultura muçulmana da sua família e a cultura ocidental da cidade de Paris, e foi buscar muita dessa experiência para fazer a sua primeira longa-metragem. O filme acompanha Amy, uma rapariga franco-senegalesa que, além de viver neste caldo de culturas, tem 11 anos, ou seja, está a deixar de ser criança e, como todos os adolescentes, tem na cabeça um turbilhão de dúvidas, de insatisfações e de vontades. Faz parte do crescimento.

Tendo filhos adolescentes, consigo identificar perfeitamente alguns dos problemas por que os miúdos passam nestas idades, seja pela pressão de pertencer a um grupo e de se identificarem com os outros, seja pela dependência das tecnologias e pelo papel exagerado que as redes sociais têm na sua visão do mundo. Mas claro que os rapazes sofrem menos pressão em relação à sua imagem. A hiperssexualização das raparigas na adolescência, visível no modo como se vestem e nas fotografias que publicam, é um dos aspectos que é focado no filme. Elas têm muita pressa de crescer mas continuam a dormir com peluches e a perder a cabeça por um saco de gomas.

Cuties é bastante realista e isso é algo que me agrada. Percebe-se que Maïmouna Doucouré conhecia a realidade que estava a filmar e escolheu bem as atrizes, sobretudo a protagonista Fathia Youssouf e a sua melhor amiga, Médina El Aidi-Azouni. As cenas do quotidiano das raparigas, em casa e na rua, são as mais bem conseguidas do filme. No entanto, e sem querer ser spoiler, eu achei o final um bocadinho moralista.

Sobre a polémica: é preciso lembrar que ela foi provocada acima de tudo pelo modo como o filme foi promovido pela Netflix, que usou no cartaz uma imagem que explorava a sexualização do corpo das miúdas (precisamente um dos aspectos que o filme pretende criticar) e é uma pena que, como sempre, tantas pessoas embarquem em críticas e petições sem primeiro ver o filme e construir a sua própria opinião.

Podem ler AQUI algumas das explicações que a realizadora deu nessa altura.

Vendo o filme, não me parece que haja motivo a tamanhas indignações, embora haja motivo para grandes reflexões. Mesmo. Eu confesso que apesar de ter gostado senti algum desconforto. Primeiro, não é despropositado questionar se, ao reproduzir a estética dos videoclipes no modo como filma as cenas de dança das raparigas, Doucouré não estará a perpetuar o tal male gaze que tanto nos incomoda. Há, de facto, demasiados grandes planos de rabos e de boquinhas. E também é importante lembrar que as atrizes que ali vemos a fazer twerking e a imitar posições sensuais tinham 12 e 13 anos na altura - sim, sabemos que de uma maneira geral as raparigas dessa idade não são assim tão inocentes, mas isso não faz com que seja legítimo colocá-las nessa situação (são, para todos os efeitos, crianças e por isso não terão a capacidade de perceber o alcance e o significado que aquelas imagens podem ter, logo, é suposto serem protegidas - em vez de expostas - pelos adultos). 

publicado às 09:56

Li críticas muito más a Lamento de uma América em Ruínas (Hillbilly Elegy no original), filme de Ron Howard que se estreou há pouco na Netflix. Houve até quem dissesse que era um dos piores filmes do ano, o que me parece um daqueles exageros típicos dos críticos. Não será uma obra prima, mas não o achei assim tão mau. 
 
No centro do filme está uma família onde tudo o que pode correr mal corre mal (pobreza, violência, gravidezes indesejadas, namorados que não prestam, vícios, desemprego...) e onde até é difícil encontrar aquele amor incondicional entre mãe e filho que geralmente serve de redenção na ficção. Achei um bocado a descair para o melodrama familiar mas, tirando isso, eu gosto deste tom realista e gostei das interpretações da Glenn Close (irreconhecível) e da Amy Adams, apesar de serem claramente a puxar ao Óscar.

Entretanto, já depois de ver o filme, fui descobrindo, ao ler as críticas, que me tinham escapado algumas subtilezas.
 
Desde logo por causa do título: hillbily é um termo pejorativo usado para as pessoas que moram nas regiões rurais e montanhosas dos Estados Unidos - em particular na Appalachia. Portanto, para mim, o filme retratava uma situação de pobreza extrema, que existe na América profunda mas não só. Para mim era uma localização abstracta. Mas os americanos vêem o filme como um retrato muito específico de uma determinada região ou de um certo grupo de pessoas - e não hesitaram em apontar-lhe erros.
 
Depois, porque o filme se baseia no romance autobiográfico de JD Vance, que foi um bestseller em 2018 e que foi visto por muitos como uma espécie de "guia para entender os apoiantes de Trump". Ora, apesar de esse ser o contexto da história, a crise económica, o desemprego, aquele sentimento de abandono que as populações rurais sentem, tudo isso não está de facto muito presente no filme. Está tudo explicado no The Guardian.
 
Portanto, provavelmente, o segredo para gostar é ver o filme antes de ler as críticas, como eu fiz, que nem sequer sabia o que aquilo era, apareceu-me ali, gostei da apresentação e decidi experimentar.
 
Isto nos filmes, como na vida, corre sempre melhor se não se tiver grandes expectativas. 
 

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publicado às 15:48

São apenas 12 minutos e quanto menos souberem sobre a história melhor. If anything happens I love you é um filme de animação escrito e realizado por Michael Govier and Will McCormack. A mim fez-me chorar. 

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publicado às 10:36

22
Nov20

Sophia, a Loren

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Vi a quarta temporada de The Crown em poucos dias e não achei nada de especial. Nem a Thatcher de Gillian Andersen nem a Diana de Emma Corrin, actrizes demasiado preocupadas em compor bonecos, me cativaram. Nem as tricas dos palácios e dos amantes. Os melhores episódios da série, para mim, são sempre aqueles em que a história acontece - o acidente nas minas, por exemplo, os dilemas do Churchill, o espião russo, a viagem à Lua. E, claro, todos os detalhes da reconstituição histórica, os cenários, as roupas, as músicas, os ambientes, seja uma caçada lamacenta ou um baile de gala, tudo isso é fascinante, mais ainda porque a série é muito bem feita, muito bem filmada e editada. Mas não consigo imaginar com que tretas vão encher mais duas temporadas. Que pena.

Depois, este fim-de-semana confinei com um bolo de chocolate delicioso, as agulhas de tricot a todo o vapor e o novo filme de Sophia Loren, The Life Ahead, realizado pelo filho, Edoardo Ponti. É um filme competente, talvez um pouco lamechas, admito, mas que nos fala de uma realidade actual, de uma Itália porto de abrigo de imigrantes vindos de África, local onde se juntam línguas e religiões diferentes, refugiados de muitas guerras e de muitos tempos. Ibrahima Gueye é o excelente actor que interpreta Momo, um rapaz de 12 anos, vindo do Senegal, que perdeu toda a sua família, e Sophia Loren é Madame Rosa, uma antiga prostituta que ajuda outras prostitutas recebendo os filhos delas em sua casa. Sophia Loren tem 86 anos e continua a olhar-nos com os seus olhos vibrantes, para lá das rugas, das peles caídas, dos movimentos lentos. Tão linda.

Não vou contar pormenores mas vou dizer-vos isto: uma das melhores cenas é aquela em que madame Rosa e a amiga transexual Lola (a atriz Abril Zamora) dançam ao som de Elza Soares. Puro deleite.

publicado às 19:30

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No fim-de-semana, apanhei num TVCine o filme Anatomia de um Crime, de Otto Preminger, com música de Duke Ellington. James Stewart interpreta um advogado que aceita defender um homem (Ben Gazzara) que cometeu um assassínio: matou o violador da sua mulher (Lee Remick). O filme, de 1959, passa-se em grande parte no tribunal. E se é verdade que tem bastantes pormenores morais que nos fazem sorrir de tão antiquados (pode-se falar de cuecas em tribunal?), não deixa de ser triste perceber que ainda hoje, em 2020, poderíamos ouvir alguns daqueles comentários: afinal a mulher, lindíssima, não terá tido um pouco de culpa da violação uma vez que se veste de forma provocante e sai sozinha à noite?  Ah, pois.

Entretanto, descobri o trailer e vale a pena por si só:

E, já que estamos a falar de tribunais, também vi, na Netflix, The Trial of the Chicago 7, o filme de Aaron Sorkin que recorda o julgamento de sete líderes de protestos juvenis contra a guerra do Vietname que foram acusados de conspiração e de dar início aos motins que ocorreram nas ruas de Chicago durante a Convenção Democrática de 1968. Tem Eddie Redmayne, Joseph Gordon-Levitt, Mark Rylance, Frank Langella, Sacha Baron Cohen,  Michael Keaton e outros. Este é o típico de filme de tribunal, com pouca acção e mesmo essa acontece em flashback. Mas tem muito ritmo, os diálogos são óptimos e faz-nos rir, apesar de a situação não ser propriamente divertida. O juiz parece começar o julgamento com a decisão já tomada e a acusação (leia-se o governo) está disposta a tudo, incluindo cometer algumas ilegalidades, para garantir a condenação destes jovens esquerdalhos e incómodos.

É um belo retrato da justiça americana que, quer-me parecer, também não há de estar muito desactualizado (afinal, hoje é aquele "dia histórico" em que Amy Barrett chegou ao Supremo Tribunal para defender a ilegalização do aborto e do casamento homossexual...).

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publicado às 15:45

23
Out20

"Listen"

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É um aperto no coração, aviso já, sobretudo para quem tem filhos. E ainda mais porque, infelizmente, sabemos que histórias como esta, de portugueses a quem a Segurança Social britânica retira os filhos, acontecem realmente. Ali é tudo muito real. Aqueles pais imperfeitos, que amam os filhos e fazem o que lhes parece melhor, enfrentando problemas, claro, cometendo erros, claro, como todos nós, mas sempre a tentar fazer o melhor para a sua família. Aquela casa, aqueles espaços, aquelas roupas, aquelas pessoas, aquelas lágrimas, aqueles diálogos, aqueles silêncios, aquele sofrimento, sim, é tudo muito real. Eu gosto disso.

Listen, o filme premiado em Veneza de Ana Rocha de Sousa, com interpretações de Lúcia Moniz e Ruben Garcia, passa-se no Reino Unido e é falado em português, em inglês e em Língua Gestual mas é um filme português, não tenham dúvidas disso. E, se tiverem, vão vê-lo e tirem as vossas próprias conclusões. 

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publicado às 10:21

07
Out20

Sempre o diabo

Vi, por estes dias, Sempre o Diabo, de Antonio Campos, um filme baseado no livro The Devil All the Time, de Donald Ray Pollock (que dá voz ao narrador), que nos transporta para a América profunda nos anos 1945-1965: sobre os perigos do fanatismo religioso e de como a violência está sempre latente e pode surgir a qualquer momento. 

Como não costumo ver filmes de super-heróis, acho que não conhecia este Tom Holland.

Gostei bastante deste filme. Foi uma boa surpresa.

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publicado às 13:52

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Esta ilustração linda é do André Carrilho e foi publicada no DN do sábado passado (espero que ele não se importe que eu a publique aqui).

Eu sei que não sou velhinha de bengala mas já tantas vezes, ao passear pela rua, olhei para os pares de namorados aos beijos nos bancos de jardim, aquela urgência que só tem quem está perdidamente apaixonado, como se os beijos não pudessem esperar, como se tivéssemos que estar juntos, juntos, pele com pele, o máximo possível, como se nada mais à volta importasse, como se nada mais existisse, e eu, passando, olhando para eles e a pensar para mim: lembras-te como era?

Lembro-me bem.

E agora? Irá acontecer-me outra vez?

A acompanhar aquela ilustração, a Fernanda Câncio escreveu um texto muito bonito sobre isto do amor depois de uma certa idade. Ela escolheu os 60 anos. Ainda me falta um bocadinho, é verdade. Mas não consigo evitar sentir-me um pouco retratada. Um dos seus entrevistados diz, a certa altura: "Para mim o desejo está na paixão, e o amor tem sempre de resultar da paixão. Levei a vida a perceber essa coisa que vinha já de Platão e que só a partir do século XX desaparece - que não há um lado animal e racional, e que as coisas estão misturadas em nós. Que a pessoa amada é real, a pessoa que amamos por coisas tão pequeninas como um cheiro ou uma forma de andar. O que é sentir esse amor - não sei responder muito bem, não. É como se os corpos se equivalessem. É um amor de pequeninas coisas quotidianas, de vontade de anichar, de andar de mão dada, de dormir abraçada". 

Outro diz: "Nos últimos dez anos não tive nenhuma paixão. Tive sexo ocasional, tive enfatuações - que é uma palavra que vem do inglês infatuation [neste caso podendo traduzir-se por arroubo, encantamento], que não existe em português mas faz falta, porque não foram paixões." E acrescenta: "A paixão é uma coisa que ocupa muito espaço e tem um potencial de sofrimento imenso. Não sei se quero passar por isso outra vez."

Mas eu ainda acho que quero passar por isso outra vez.

Gostava muito, confesso, gostava muito de encontrar alguém com quem envelhecer. Tranquilamente. Mas feliz e acompanhada.

Quando José Saramago conheceu Pilar, ela tinha 36 anos, ele 64. Ao ver o filme José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, e vendo-os tão apaixonados, fiquei animada: é possível, ainda há esperança. 

Admito que à medida que o tempo passa essa esperança vai perdendo fôlego. Parece cada vez mais difícil voltar a apaixonar-me e ainda mais difícil que, apaixonando-me, consiga ter uma relação feliz com alguém (porque uma coisa não leva necessariamente à outra, infelizmente). 

Ainda não desisti. Não é que ande por aí à procura, não é isso que me move, mas não desisti. E sempre que vejo uma hipótese - por muito vaga que seja - não consigo virar-lhe as costas. É assim que sou. Hei de acreditar e tentar e entregar-me e aproveitar todos os momentos bons que houver para aproveitar e depois desiludir-me, espalhar-me ao comprido e sofrer. E hei de repetir tudo de novo se acreditar que vale a pena. E acredito algumas vezes. Sim, o potencial de sofrimento é enorme. Mas...e se? 

Em Call Me By Your Name, de Luca Guadagnino, o pai diz a Elio que a vida é para ser sentida, que de outra maneira não faz sentido: "Os nossos corações e os nossos corpos são-nos dados só uma vez. E antes que dês conta disso, o teu coração está gasto. Quanto ao teu corpo, chega um dia em que ninguém olha para ele, quanto mais chegar-lhe perto".

Quanto ao corpo, é o que é. Mas haverá alguma maneira de evitar que o nosso coração fique gasto?

Mistery of Love, de Sufjan Stevens

 

(uma coincidência de que só me apercebi agora: hoje é 6 de outubro.)

publicado às 11:05


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