Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Várias pessoas têm comentado a nossa "peculiar" (chamemos-lhe assim) selecção cinematográfica durante a quarentena. Na verdade, embora não pareça, isto tudo nasce de um daqueles típicos sentimentos de culpa de mãe. Como os putos passam o dia inteiro entregues à playstation e ao telemóvel, eu instituí uma regra que é: depois de jantar não há jogos para ninguém e vemos televisão juntos - o que, não sendo bom (eu sei, eu sei), sempre dá para variar um bocadinho. Esta regra é sobretudo para o Pedro, que é mais novo, e por isso é ele que escolhe os filmes, de entre os que estão disponíveis nos muitos canais que temos. É por isso que um dia sai um filme de animação e noutro uma xaropada de tiros. O António fica ali no sofá a ver cenas no telemóvel e se o filme lhe interessar acaba por se juntar a nós. E eu, que bem preferia estar a ver alguma coisa melhor, lá tenho que gramar o Robocob e o Segurança do Shopping, sem pegar no telefone (é a regra, só nos intervalos) e fazendo comentários e tal que é para fazer disto uma "actividade em família". Isto, se não adormecer pelo meio, claro.

Claro que eu podia escolher uns filmes melhores mas... não me apetece. A vida já está tão complicada como está. Quando aterro no sofá só quero mesmo não pensar em nada.

Agora a sério, os filmes têm sido péssimos mas até têm sido uns serões bem fixes.

publicado às 09:59

(Spoiler alert: se não viram o Jojo Rabbit não vejam este post. E vão ver o filme que vale muito a pena)

 

 

O que vais fazer quando isto terminar e puderes, finalmente, sair de casa?
Tanta coisa. Mas seguramente isto: dançar.

publicado às 09:34

No outro dia fomos ao cinema ver o 1917. Eu e os meus dois filhos.

É engraçado. Para o António ir ao cinema não é sequer uma hipótese de programa com os amigos. Os amigos servem para jogar à bola ou playstation ou para ficarem horas a fio na conversa, a dizer parvoíces e a deambular por aí. Ir ao cinema? Eles estão habituados a ver os filmes e as séries nos telemóveis (ou, na melhor das hipóteses, no computador), com phones nos ouvidos, sozinhos. É uma experiência completamente diferente da que eu tive, quando ir ao cinema ao sábado à noite era não só a única maneira de ver algum filme como era também a única coisa que havia para fazer com os meus amigos. Já para estes miúdos, ir ao cinema é um desperdício de tempo útil com os amigos (certamente porque ainda não descobriram as maravilhas do "escurinho do cinema") e um desperdício de dinheiro. Uma pessoa argumenta com a qualidade da imagem e do som mas não é fácil. Talvez tenham de crescer mais um pouco.

De maneiras que, por agora, parece que ir ao cinema é um programa com a mãe. Uma coisa de cota. Que seja. Não me parece mal se isto se tornar "a nossa coisa em conjunto". Apesar de cada vez ver mais filmes em casa (é inevitável) eu gosto muito de ir ao cinema. E mal posso esperar pelo momento em que poderei ir com eles ver todos os filmes. Neste momento estamos numa fase complicada. O António já poderia ver tudo mas o Pedro ainda só tem 11 anos -  ele é um valente e não protesta nem mesmo quando numa das nossas noites de cinema em casa vemos o Platoon e ele não percebe grande parte do que se passa. Mas, ainda assim, não convém exagerar. Gostou do 1917, não se queixou nem se aborreceu, mas pediu para da próxima vez irmos ver um filme "de acção". É justo.

Isto tudo é só um pretexto para dizer que o meu filho mais velho fez 16 anos. Ele não gosta de tirar fotografias e mesmo quando me deixa fotografá-lo não me deixa partilhar as fotos. E também não gosta muito que eu escreva sobre ele. Tenho que respeitar. Por isso só posso dizer-vos isto: o meu filho fez 16 anos e tem sido o maior desafio da minha vida. Em bom e em mau. Aliás, isto de ser mãe sozinha de dois rapazes tem sido uma aventura e pêras, uma daquelas coisas que só quem passa por elas é que pode entender. Um dia, quando isto tudo passar, talvez vos conte. 

Por agora fiquem a saber que fomos ao cinema os três ver um filme de adultos. Não foi a Velocidade Furiosa nem o Homem Aranha. Foi um filme de crescidos, escolhido por mim. E isso, parecendo tão pouco, deixa-me muito feliz. São assim, tontas, as mães.

publicado às 16:29

Parece que não vou conseguir ver O Irlandês a tempo dos Óscares. Talvez conseguisse se me esforçasse muito mas tenho outras coisas para fazer este fim-de-semana e não me apetece esforçar-me. Verei depois. Portanto, tendo visto os outros oito filmes nomeados para o Óscar de Melhor Filme, acho que posso dizer com alguma certeza que o meu filme preferido este ano é... Jojo Rabbit.

Eu sei, eu sei. Os críticos sérios não gostaram de Jojo Rabbit. Os críticos sérios geralmente não gostam de comédias, é verdade. E depois ainda há o problema de este ser um filme sobre o fascismo, que é um tema difícil, sobretudo nos dias que correm. Como é que um filme que não se leva muito a sério e que não tem pretensão a ser uma obra-prima pode ousar falar do pior dos fascismos com esta leveza? Pois. A verdade é que eu própria não sabia bem o que esperar. E se calhar isso foi o melhor que me aconteceu, pois não tinha qualquer expectativa em relação a este Jojo Rabbit. Não sei se já repararam mas não se falou muito sobre este filme. De todos os que estão nomeados aos Óscares, este é talvez aquele de que se tem falado menos. Anda toda a gente a discutir se o Óscar vai para o 1917 ou para os Parasitas e parece que não há mais nada para além disso. Mas há.

O filme começa com uma versão do I Want to Hold Your Hand, dos Beatles, em alemão, ao mesmo tempo que passam imagens antigas de comícios com gente de braço estendido saudando o Hitler. E só com isso eu já estava conquistada. Jojo Rabbit é uma comédia. Também podemos dizer que é uma fábula. Seja como for, não há ali qualquer intenção documental, de fazer uma reconstituição histórica ou sequer de nos levar a acreditar que alguma daquelas personagens pudesse realmente existir ou que aquelas situações seriam possíveis. É preciso entrar naquele III Reich colorido e estilizado, onde as personagens falam inglês mas com "pequenos apontamentos" de alemão, como se estivéssemos dentro de uma banda-desenhada onde tudo é possível. 

Esta é a história de um menino de 10 anos, Jojo, na Alemanha, na fase final da Segunda Guerra Mundial. Ele é um pequeno fanático nazi, membro da Juventude Hitleriana, que vive só com a mãe (Scarlett Johannsson), pois o pai está na guerra, e tem Adolf Hitler como seu amigo imaginário (papel interpretado pelo próprio realizador neo-zelandês, Taika Waititi).

Jojo Rabbit tem tantas coisas fixes. Temos os miúdos (e os dois pequenos atores, que interpretam Jojo e o seu amigo Yorki, são maravilhosos) e aquela necessidade que os miúdos têm de se sentirem integrados no grupo e de por isso terem de provar que são os maiores e de fazerem coisas que na verdade não queriam fazer. Os miúdos que inventam histórias na sua cabeça para justificarem e darem sentido ao mundo (e às vezes, já crescidos, continuamos a fazer isso).

Temos a mãe. A mãe que nunca critica ou corrige o filho, apesar de não concordar com os seus ideais. A mãe que brinca, que ama, que ensina, que protege Jojo, sempre com um sorriso no rosto, ainda que passe o dia, muito provavelmente, em arriscadas actividades anti-fascistas e, à noite, depois de pôr o filho na cama, tire a maquilhagem da cara e beba uns copos de vinho enquanto pensa na vida e se sente sozinha.

Temos a guerra. Os bons e os maus. Os judeus. A perseguição. O medo. Os nazis. O ódio. Está lá tudo. Mas depois os elementos das SS e da Gestapo parecem todos saídos de Alô Alô. São ridículos. Se as suas ideias são irracionais, então a melhor maneira de as criticar é ridicularizá-las.

O filme faz lembrar um pouco o A Vida é Bela, de Benigni, embora visto do lado oposto do campo de batalha. E talvez por isso, por nos pôr a gostar de um dos maus, seja menos demagógico. Embora em ambos o amor seja a salvação, aqui o amor não é um dado à partida, é algo que Jojo tem de encontrar por si próprio. Ainda há tempos eu falava aqui que para evitarmos o ódio temos de ver o outro como um igual - e este filme também é sobre isso. Jojo vai descobrir que o verdadeiro inimigo é, afinal, a ignorância. 

Mas, bom, isto sou eu a pensar no filme depois de o ter visto. Na altura eu não pensei nada disto. Só me deliciei com os diálogos fabulosos e aquele miúdo traquinas e as suas borboletas na barriga e os pormenores das roupas e a música (a música é muito boa - o filme começa com Beatles e acaba com David Bowie, ainda que em alemão, e lá pelo meio também ouvimos uma versão de Everybody's gotta live e faz todo o sentido). Ri e chorei, porque o filme é para rir mas também é para chorar (e se forem lamechas como eu vão chorar muito).

E, no final, ainda com as lágrimas nos olhos, voltamos a sorrir e trazemos connosco a grande lição: dancem. Dançar é bom. Dançar é liberdade. Dançar é felicidade. Dançar faz bem.

E, pronto, foi assim que, para grande surpresa minha, na recta final da corrida, Jojo Rabbit chegou ao primeiro lugar da minha tabela de preferências. Este ano não foi fácil organizar esta lista. Para dizer a verdade, não tenho muita certeza sobre esta ordenação. Talvez o 4 pudesse ser o 3. Talvez o 3 pudesse ser o 2. Isto tem muito a ver com o prazer que cada filme me deu e o prazer, como se sabe, não é uma coisa muito fácil de medir. Talvez noutro dia isto estivesse ordenado de outra maneira. Mas é dia de fechar as votações. E ao dia de hoje a coisa vai mais ou menos assim:

1. Jojo Rabbit
2. Marriage Story
3. Mulherzinhas
4. Parasitas
5. 1917
6. Joker
7. Era uma vez... em Hollywood
8. Le Mans'66: O Duelo
9. (não vi O Irlandês)

Tags:

publicado às 17:27

05
Fev20

Mulherzinhas

Li o livro há muito tempo. Li-o mais do que uma vez. Depois das Gémeas de Enid Blyton, as Mulherzinhas de Louisa May Alcott foram as miúdas que nós queríamos ser. É claro que vi o filme de George Cukor (1933) com a Katharine Hepburn, e depois o filme de Gillian Armstrong (1994) com a Winona Ryder, todas as vezes que os apanhei na televisão. E é claro que de todas as vezes me desfiz em lágrimas. Aconteceu de novo. Este Mulherzinhas, da Greta Gerwig com Saoirse Ronan (que já nos tinham dado Lady Bird), é uma pequena delícia. E o que é realmente extraordinário é como uma história de raparigas do século XIX continua a falar-nos tão directamente. É impossível não adorar aquela indomável Jo March, cheia de sonhos e vontades, ao mesmo tempo tão determinada e tão frágil, tão independente mas a querer muito ser amada (não queremos todos?), tão contraditória e complexa como qualquer pessoa. E, sim, é só a vida de um grupo de miúdas que brincam e crescem e apaixonam-se e sofrem juntas. Mas isso já é tanto. 

Leiam AQUI uma crítica ao filme que diz tudo o que eu gostaria de dizer.

Tags:

publicado às 10:42

03
Fev20

Le Mans'66

Este fim-de-semana vi Le Mans'66: O Duelo, realizado por James Mangold, com os atores Matt Damon e Christian Bale.

Este é aquele filme que ninguém esperava ver entre os candidatos ao Óscar de Melhor Filme e que à partida não tem grandes hipóteses de ganhar, digo eu. Mas Le Mans'66: O Duelo não é um mau filme. Sobretudo para quem gosta de filmes de carros. O que não é de todo o meu caso. As cenas das corridas aborrecem-me de morte. Mas tem uma coisa boa (spoiler alert): é que como se baseia em factos verídicos, o final não é exactamente como seria de esperar. 

Faltam poucos dias para os Óscares e ainda me faltam alguns filmes, portanto, tenho uma semana muito ocupada pela frente...

Tags:

publicado às 19:04

1917-1.jpg

1917, o novo filme de Sam Mendes, ganhou os Globos de Ouro para melhor filme e melhor realizador e está nomeado para dez Óscares. Os prémios, só por si, não são garantia de nada. Pelo menos para mim. O que me faz gostar ou não gostar de um filme são coisas às vezes tão subjectivas (e até emocionais) que é óbvio que nunca poderia ser crítica de cinema. Mas, ainda assim, há coisas que me encanitam. Por exemplo um crítico que dá uma estrela a 1917. Uma singela estrela. Não são as três do suficiente nem sequer as duas do medíocre. É mesmo só uma a dizer que este filme é dos maus. Às vezes acho que os críticos de cinema deviam ir mais vezes ao cinema. A sério. Deviam ver mais filmes maus, mais filmes variados, mais filmes banais, mais filmes comerciais que é para depois poderem relativizar um bocadinho. Um crítico que dá uma estrela a 1917 dá o quê ao Vingadores: Endgame? Ai, espera, os críticos sérios não foram ver o Vingadores. Então e ao Homem Aranha: Longe de Casa? Parece que também "não existem votos dos nossos críticos" para este filme. Pois. E depois admirem-se que a malta queira saber cada vez menos do que dizem os críticos. 

Mas, bom, estou a desviar-me do meu assunto.

Portanto, os críticos foram ver o 1917 e houve quem gostasse muito, pouco ou nada.

Eu também fui ver 1917 e gostei. Não acho que seja uma obra-prima. Mas acho que é um filme bastante bom. Muito bem feito. Muito bonito. Com bons actores (não conhecia este George McKay). Não é aborrecido. Para mim, melhor do que Dunkirk. Para mim, mais surpreendente do que O Herói de Hawksaw Ridge. É uma espécie de O Regaste do Soldado Ryan só que passado na Primeira Guerra Mundial - e isso é uma vantagem porque não há assim tantos filmes bons sobre esta guerra e1917 pode muito bem servir como aula de história para mostrar aos miúdos como eram as trincheiras. Peca, talvez, por ter uma história demasiado óbvia e alguns momentos lamechas e absolutamente dispensáveis (estou a lembrar-me da cena do bebé). É aquele lado hollywoodesco que tanto irrita os críticos. Mas não acho que seja péssimo. E, embora não seja o meu preferido, não me admiraria nada que ganhasse alguns Óscares.

Tags:

publicado às 20:52

18
Jan20

"A Despedida"

Há filmes que nos devolvem a esperança na humanidade. Como A Despedida, de Lulu Wang. Apesar de o tema ser um bocadinho triste - os elementos de uma família chinesa decidem não contar à avó que ela está a morrer com cancro nos pulmões e, em vez disso, inventam o casamento de um dos netos para justificar virem dos sítios onde estão (EUA, Japão) e durante alguns dias reunirem-se todos em família, fazendo a avó feliz - este é um filme cheio de amor. No fim de contas (e no fim da vida), é isso que importa, não é?

Tags:

publicado às 09:58

06
Jan20

Joker

Andei a adiar. Porque tenho um bocadinho de mau feitio e quando toda a gente anda a dizer muito bem (os críticos, os amigos, a malta do facebook, toda a gente) eu começo a desconfiar. Mas também porque, por aquilo que fui lendo, já previa que eu não fosse delirar.

Não me interpretem mal. Joker é um grande filme. Muito bom mesmo. O Joaquin Phoenix merece todos os prémios que lhe derem e os outros que não lhe derem. E o filme não é só bom por causa dele. Aquela Gotham City que é tal e qual a Nova Iorque dos anos 80 e que é tal e qual uma cidade qualquer do nosso tempo é um retrato perfeito dos males, das injustiças e das incongruências da sociedade. Quase conseguimos sentir o cheiro do lixo que se acumula nas ruas. Depois há o riso. Aquele riso de Arthur, tão despropositado e incontrolável, tão desconfortável ao mesmo tempo. O riso triste dos palhaços. O riso forçado dos espectadores do talkshow. O riso falso do candidato a presidente da câmara. Há a pobreza. A riqueza. A corrupção. A frustração. A degradação. O espectro da doença mental. O bullying.  A solidão. A marginalidade. A loucura. A maldade. O que fazer quando se está completamente sozinho no mundo? Onde está a sociedade que nos devia amparar quando alguém se afunda na sua própria tristeza e loucura? Essas são perguntas que não podemos deixar de fazer. E está tudo muito bem filmado e muito bem feito. Não sendo um filme realista, mesmo quando é claramente exagerado não chega a ser cartoonesco (não, isto não tem nada a ver com o mundo de Batman e isso, para uma espectadora como eu, só pode ser bom).

Ainda assim, eu gostei bastante de Joker mas não achei que fosse um murro no estômago (leiam AQUI um texto interessante do Vítor Belanciano sobre isso). 

Além disso, gostei bastante de Joker mas com um distanciamento. É que, gradualmente, ao longo do filme, vai-se impondo a ideia de que a injustiça social pode servir de justificação para a violência. E essa é uma ideia que me afasta. A injustiça social é justificação para muita coisa - para a falta de educação, para a falta de oportunidades, para a pobreza, para um sentimento de revolta - mas, para mim, não pode servir de justificação para assassínios e para a violência indiscriminada. Mesmo que o seja só na cabeça dele.

E ainda estou a decidir se perdoo ao Todd Phillips por ter usado o tema That's Life, do Frank Sinatra, que assim ganha um sentido completamente diferente daquele que eu lhe dava...

Tags:

publicado às 08:25

Sem surpresas: gostei bastante de Marriage Story, de Noam Baumbach, com Scarlett Joahnsson e Adam Driver. Sem surpresas: emocionei-me em algumas cenas (por exemplo, quando ela lhe corta o cabelo) e chorei em toda a parte final. Era previsível. Não por causa do tema do filme mas porque gosto muito de filmes que mostrem a vida como ela é e a vida como ela é  geralmente é emocionante. Não é preciso ter passado por um divórcio para entender o que ali se passa, até porque este, tal como o nome indica, é tanto um filme sobre um divórcio como é um filme sobre um casamento e sobre relações de uma maneira geral. 

Podia fazer agora aqui uma longa reflexão sobre o tema mas, para já, não me apetece. 

Deixo-vos esta música. Porque sim.

"Someone to hold me too close,
Someone to hurt me too deep,
Someone to sit in my chair
And ruin my sleep
And make me aware
Of being alive,
Being alive.

Somebody need me too much,
Somebody know me too well,
Somebody pull me up short
And put me through hell
And give me support
For being alive,
Make me alive.

Make me confused,
Mock me with praise,
Let me be used,
Vary my days.
But alone is alone, not alive.

Someone you have to let in,
Someone whose feelings you spare,
Someone who, like it or not,
Will want you to share
A little, a lot.

Somebody crowd me with love,
Somebody force me to care,
Somebody make me come through,
I'll always be there,
As frightened as you,
To help us survive
Being alive,
Being alive,
Being alive!

(Being Alive, de Stephen Sondheim)

publicado às 17:43


Mais sobre mim

foto do autor