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23
Jul20

Onde vais?

Uma das coisas más que aconteceu connosco durante esta pandemia foi a perda de privacidade. Primeiro porque nunca ninguém consegue estar verdadeiramente sozinho em casa. Não é que a nossa casa seja muito pequena, não tenho motivos para me queixar. Mas também não é assim tão grande. Nem temos varandas nem jardins nem nada disso. E portanto vivemos todos aqui entre a sala e os quartos. E, sim, é possível cada um estar na sua divisão e fechar a porta e isolar-se e até ter conversas telefónicas sem ser incomodado mas estamos sempre todos à distância de um grito e quatro passos. Além disso, antes (no antigamente de há quatro meses), todos nós passávamos muito tempo fora de casa e tínhamos cada um a sua vida e a sua existência individual. Agora estamos em casa, sem muitos motivos para sair. Somos como uma unidade e todos sabem sempre o que os outros estão a fazer. Então, quando eu quero sair de casa, como é uma coisa tão rara, há sempre alguém que pergunta: onde vais?, fazer o quê?, com quem?, quando tempo demoras? E não é que eu me importe de dizer aos meus filhos onde vou, nada disso, é só esta constatação de que perdemos a nossa privacidade. E apesar de isso não ser um drama (há coisas muito piores, eu sei) também não é uma coisa boa - nem para mim nem para os miúdos que, sobretudo nesta idade, deveriam ter direito ao seu próprio mundo longe de mim, para se descobrirem e para asneirarem longe do olhar da mãe.

São pequenas coisas que se vão alterando na nossa vida por causa do vírus. Não são só as máscaras e o gel. São estas coisas, quase invisíveis, mas que, estou certa, nos estão a mudar e moldar por dentro de maneiras que talvez só mais tarde iremos compreender completamente.

publicado às 20:43

Tínhamos o covid-19, tínhamos restrições financeiras e tínhamos um adolescente em plena fase tudo-o-que-for-com-a-família-é-um-aborrecimento.

Mas, por outro lado, tínhamos uma semana de férias em julho que, com a ajuda do layoff e das folgas devidas por trabalho no fim-de-semana anterior, se transformaram em 12 dias de descanso.

Pesando prós e contras, decidi que desta vez não iríamos ao Algarve e ficaríamos por casa. Em agosto logo se vê.

Para mim, só o facto de não ter horários, nem trabalhos da escola, nem nenhuma obrigação já é um descanso enorme. Eliminamos os principais focos de stress da nossa vida e tudo fica mais fácil. Mesmo. Aproveitei, então, para tratar de algumas burocracias que estavam pendentes e para fazer umas arrumações em casa (e muito ainda ficou por fazer). Os putos aproveitaram para dormir até mais tarde e jogar muita playstation. E depois tentámos, apesar do calor abrasador, sair de casa, apanhar sol e estar com alguns amigos. O António só se juntou a nós por um dia (tanto que havia a dizer sobre isto...) mas eu e o Pedro fomos várias vezes à praia na Costa da Caparica ou em Carcavelos, ao final do dia (depois das 17.00, às vezes depois das 18.00), só os dois ou com amigos, até ao pôr-do-sol, e por três vezes até conseguimos jantar na praia, ainda com areia nos pés e muitas gargalhadas à mistura. O Pedro está numa fase óptima (é aproveitar que isto vai passar, já se percebeu) e entre a prancha de bodyboard, os óculos de mergulho e a prancha de skimboarding, entretém-se na boa durante umas três horas.

Pelo meio, deixei o adolescente ir passar uns dias ao campo com os amigos, à sua vontade, e cometi duas extravagâncias:

Fomos os três por duas noites a um turismo rural perto de Santarém. Marquei isto há já algum tempo, aproveitando uma promoção, e ficou francamente acessível. Não era nada luxuoso mas tinha uma piscina e internet (foram as duas exigências dos miúdos), uma cozinha para preparar as refeições, muito silêncio e ar puro - tudo o que eu precisava para desintoxicar destes últimos meses fechada em casa.

E, neste último fim-de-semana, quando os miúdos estavam com o pai, fui passar uma noite a Tróia com um grupo de amigas. Éramos seis, todas a deixar maridos e/ou filhos, para conseguirmos pôr a conversa em dia, espairecer a cabeça e desfrutarmos deste tempo juntas, depois de tanto afastamento. Fomos no sábado logo de manhã, aproveitámos a piscina e a praia e voltámos a casa no domingo já à noite, todas bastante queimadas e muito felizes. Não me lembro da última vez que tinha feito uma coisa deste género mas já combinámos que havemos de fazer isto mais vezes. Porque foi mesmo muito bom.

Resumindo e concluindo: esta espécie de férias acabou por correr muito bem, muito melhor do que eu estava à espera, dentro do contexto. Descansei verdadeiramente a cabeça, estive com os miúdos sem zangas nem stresses, estive com alguns amigos de quem ainda estou a matar saudades e acabámos por nos divertirmos todos, eu e os putos, cada um à sua maneira.

Posso repeti-lo todos os anos e todos os anos será verdade: somos sempre mais felizes nas férias. Mesmo com uma pandemia e um baixo orçamento.

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publicado às 07:47

Estamos a dias do fim das aulas. Finalmente. Os miúdos estão oficialmente fartos da escola e esta semana já está a ser muito difícil convencê-los a trabalhar. Mas, respiremos, está quase.

Desde o início, fui muito crítica deste sistema de telescola. Por vários motivos. Desde as questões práticas (ter computadores, internet e espaço de trabalho para todos) até às questões familiares (isto só é possível com pais que tornam o ensino viável) e, sobretudo, porque me parece que este sistema pode até funcionar com alguns bons alunos (que os há e devem ser incentivados) mas é insuficiente para todos os outros e aprofunda ainda mais a já grande desigualdade social que existe nas escolas.

Está tudo explicado NESTE post e ainda NESTE, NESTE e mais NESTE.

Ainda assim, acho importante voltar ao assunto, em jeito de balanço. 

Para mim, o grande erro foi cometido logo no início. Aquela ânsia de continuar, de não dar descanso aos preguiçosos dos professores e aos ainda mais preguiçosos alunos, de continuar as aulas e os programas como se tudo estivesse dentro da normalidade. Não houve sequer um momento para parar e pensar nas circunstâncias especiais em que estávamos (estamos) todos. Dos efeitos que uma pandemia e que um confinamento prolongado poderiam ter nas nossas vidas. Nada disso. O mundo pode parar mas a escola continua, dê lá por onde der. Distribuam-se computadores e ensine-se os professores a usar o zoom e siga. Como se fosse assim fácil. 

Portanto, isso é o que deveria ter sido feito naquelas duas semanas no fim do segundo período. Parar. Pensar. Estabelecer prioridades. Equacionar soluções. Dar orientações às escolas e aos professores.

Do meu ponto de vista, o Ministério da Educação preocupa-se excessivamente (não é de agora, é de sempre) com aquilo que não deveria ser uma prioridade: cumprir programas e fazer avaliações. E preocupa-se de menos com a educação entendida de uma maneira abrangente: na formação de pessoas que estão a crescer, no seu enriquecimento intelectual e emocional. A escola não deveria ser um sítio onde se empinam calhamaços e conceitos que se despejam em exames para obter graus académicos. A escola deveria ser um lugar de aprendizagem, de crescimento. Sobretudo para aqueles que têm na escola a sua única (ou principal) forma de aprender e de cumprirem os seus sonhos. 

Posto isto, a primeira coisa que deveria ter sido feita era suspender os programas e as metas curriculares. Já que estão sempre a dar tudo a correr, olha que bom momento para parar, para consolidar as matérias já dadas, explicar outra vez, com calma, aquilo que se deu à pressa em janeiro. Retirar aos professores esse fardo - dando-lhes a autonomia para, se quisessem, se vissem que tinham condições e que os alunos respondiam positivamente, poderem de facto dar matérias novas. Mas nunca fazendo disso uma obrigatoriedade. 

E depois dar indicações aos professores para serem, naquele primeiro momento, mais do que tudo, facilitadores, comunicadores, companheiros em vez de serem professores de matemática ou de química. Sinceramente. Em cada nível de ensino deveria ter havido essa preocupação. Antes de mais, de perceber como estão os miúdos - como estavam eles a viver esta situação e o que poderia ser feito para ajudá-los. São crianças e adolescentes e jovens fechados em casa, privados das suas rotinas, dos seus amigos, das suas brincadeiras e dos seus desportos. Como é que os professores, atrás de uma câmara, poderiam ajudar? (e ajudar também as suas famílias - porque os miúdos estão em casa com irmãos, com pais, com outros familiares e todos eles estão a viver os seus próprios dramas, todos juntos, ou não).

A seguir: ter plena noção de que dar aulas à distância não é como dar aulas presenciais e, portanto, não insistir em querer fazer tudo igual. As aulas não podem ser dadas da mesma maneira, os trabalhos não podem ser os mesmos, têm de ser outros. Sozinhos em casa, sem a supervisão do professor, sem colegas, sem horários, os miúdos não podem sentar-se a ler manuais e a responder a fichas. Não resulta, ok? Talvez precisem de ver filmes, de fazer desenhos, de fazer trabalhos de pesquisa, de fazer jogos, não sei, os especialistas em pedagogia que se pronunciem, mas sei que não se pode tentar reproduzir o método de trabalho da sala de aula em casa. 

E ainda: não teria feito mal nenhum esquecer as matérias que estão nos currículos e falar com os miúdos do que realmente interessa que é isto que estamos a viver. Desde explicar-lhes o que é um vírus e porque é que estamos em casa, até discutir com eles os efeitos do fechamento económico e do isolamento, sei lá, dependendo da idade e da disciplina, este é um assunto que dá pano para mangas. Pô-los a pensar no mundo em que vivemos. (E talvez, quem sabe, isso ajudasse a que hoje não houvesse tantos miúdos na rua, sem qualquer sentido de responsabilidade)

Assim como foi sinto que foi um enorme desperdício. Que se aprendeu pouco. Muito pouco. Fosse da matéria ou de outra coisa qualquer. 

Os erros foram cometidos. Resta-nos tirar as devidas lições e esperar que durante este tempo - em que alunos, professores e pais se esfalfaram para fazer cumprir os planos mirabolantes dos senhores sentados no Ministério da Educação - esse senhores tenham aproveitado para pensar como vai ser em setembro (eu sou uma eterna optimista).

Estamos em junho. Os miúdos estão em casa há mais de três meses (em muitos casos, famílias inteiras estão em casa desde essa altura). Faltam ainda mais três meses de férias (dos alunos, não dos pais) em que, pelo que se vê, deveremos continuar todos em casa. Miúdos entregues a televisões, computadores, tablets, telemóveis e playstations, praticamente 24 horas por dia. Sem poderem ir passar umas semanas com os avós ou sequer brincar com os amigos. Não sabemos que efeito isto vai ter nos miúdos e nas famílias (em todos nós). Mas sabemos que temos de agir rapidamente para que não seja ainda mais catastrófico.

publicado às 11:05

Ao 100º dia os miúdos foram passar o fim-de-semana com o pai. E eu adoro-os do fundo do meu coração mas estava mesmo a precisar disto. De não pensar neles, de não me preocupar com a escola, de não ter que fazer o jantar, de não ouvir as parvoíces que eles dizem o dia inteiro enquanto jogam playstation, estava a precisar de não pensar em absolutamente nada. E assim foi. Nestas 34 horas fui só eu. Uma amiga ao jantar de sábado, outra amiga ao almoço de domingo, muita conversa para pôr em dia, uma peça de teatro pelo meio e uma casa em silêncio. Vai acabar não tarda (e também é por isso, por ser assim só por um bocadinho, que é tão bom, como é óbvio).

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By Heart, outra vez. E aquela sensação de voltar a casa. Como escrevi há pouco mais de um ano: "A vida vai torta por estes lados, de maneiras várias e com grande dificuldade em endireitar-se. Mas. Sair de uma sala de espectáculos feliz continua a ser uma das melhores coisas do mundo."

publicado às 19:12

15
Jun20

Desconfinando

Houve um momento, já quase no fim do almoço, em que, não sei bem como nem porquê, pusemo-nos a cantar os Vampiros do Zeca Afonso. E eu dei por mim a pensar nas saudades que tinha da minha família. Caramba. Encontrámo-nos, finalmente, no feriado do corpo de deus, depois de quase seis meses de distância - o que é imenso, até para mim que estou habituada a estar longe por dois ou três meses  - e demos abraços e beijos, com moderação mas demos, porque não podíamos não o fazer. Temos estado a desconfinar, lentamente mas a desconfinar. O Pedro voltou aos treinos de parkour e continua a brincar com os vizinhos no terraço - é engraçado ver como a quarentena uniu os miúdos destes prédios, uns que já se conheciam, outros que nunca sequer tinham aparecido à janela, e agora são todos amigos. O António tem saído pelo menos uma vez por semana para estar com os amigos, jogar à bola e cirandar por aí, e até foram um dia à praia. Com mil recomendações e máscara e gel para as mãos, mas a tentar recuperar a sua adolescência interrompida. E eu também. Apesar de ainda em teletrabalho tenho feito cada vez mais trabalhos na rua e tentado estar com algumas pessoas que são importantes para mim. Ainda faltam algumas. E têm sido encontros muito breves e sempre ao ar livre. Mas, apesar de todas as mensagens e telefonemas e videochamadas, e mesmo, na maior parte dos casos, sem beijos e abraços, não há nada melhor do que estar com as nossas pessoas. Só estar. Sentirmo-nos acompanhados. E depois as conversas, os olhares, as gargalhadas, os momentos partilhados. As canções que cantamos juntos. 

publicado às 10:03

Uma das coisas boas que aconteceu durante esta quarentena foi podermos dançar (ou só "chillar", como se diz) ao som dos sets do Branko. Ele festejou o desconfinamento com este momento maravilhoso, num terraço de Lisboa:

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publicado às 09:02

Um dia mais tarde, quando os netos nos perguntarem como foi, mostramos-lhes ESTA reportagem da Cândida Pinto (RTP), intitulada "Os dias da quarentena" e filmada em Lisboa durante o mês de abril. Não tem tudo, claro, mas tem muita coisa e muitas pistas para percebermos o que se está a passar, longe das conferências de imprensa diárias com números de mortos e infetados, longe das curvas das estatísticas sobre doentes ou sobre desemprego ou sobre outra coisa qualquer. Porque todos os números têm sempre rostos. E pessoas. E histórias.

Todas diferentes. 

E, no entanto, todas a falarem disto: da falta que o outro nos faz.

publicado às 09:29

Sempre que se fala em "distância de segurança" no teatro lembro-me daquele dia longínquo em que nos sentámos na primeira fila da Sala Garrett, no Teatro Nacional D. Maria II, para ver o Rei Lear e quase podia tocar no Ruy de Carvalho, via as gotas de suor a escorrer-lhe na testa, os perdigotos furiosos a saírem da sua boca. Ou então lembro-me de Rua de Sentido Único, que Mónica Calle apresentou na Casa do Conveniente do Cais do Sodré: éramos dois  espectadores  de cada vez, às escuras, num quarto com ela, ali tão próxima que sentíamos o calor do seu corpo no nosso. Ou então lembro-me dos corpos todos, seminus, semivestidos, envoltos em sabe-se lá que movimentos nos tantos espetáculos de dança. Lembro-me de subir eu mesma ao palco para dançar com gente desconhecida depois de Fica no Singelo, de Clara Andermatt. Lembro-me da emoção que é estar numa sala cheia, das lágrimas e dos risos partilhados com amigos e com estranhos. De um sentimento de comunidade a que é impossível ficar imune. Lembro-me de tantos espetáculos e momentos e sensações que hoje em dia, perante as novas regras de segurança exigidas pela covid-19, pura e simplesmente não seriam possíveis. 

Que teatro será possível quando não nos podemos tocar nem sequer aproximar? Quando nem sequer quem está no palco tem essa liberdade?

Imaginar o teatro com distanciamento é como imaginar Romeu e Julieta sem o beijo, não é possível, disse-me o Miguel Fragata. AQUI estão algumas das inquietações dos artistas dos palcos sobre como vai ser.

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publicado às 11:03

As aulas do meu filho mais velho, que está no 10º ano, têm sido TODAS assim:

Os professores mandam lindas mensagens, na classroom ou no mail, a anunciar bom dia, meus queridos hoje vamos estudar *qualquer coisa*, vejam por favor o manual da página x à página y. Depois, no dia seguinte, perguntam: já leram? têm dúvidas? Resolvam agora os exercícios da página z. E há uns que mandam mais uns power point ou uns pdf. E no dia seguinte mandam uma ficha ou um questionário ou outra coisa qualquer para eles fazerem e mostrarem que estão a acompanhar. E depois concluem: muito bem, agora que já terminámos esta unidade, vamos avançar para a unidade seguinte.

Juro. 

É isto.

E com este método fantástico os miúdos já deram a guerra entre absolutistas e liberais e estão agora a dar o setembrismo e o Costa Cabral (em História), também já deram montes de coisas sobre a inflacção, em Economia, e agora estão a dar "A atividade produtiva e a formação dos rendimentos; Rendimento e valor acrescentado. A repartição funcional dos rendimentos. A remuneração do trabalho. O salário. A remuneração do capital – renda, juro e lucro. Rendimentos primários e seus destinatários." (estou a copiar o sumário de uma das aulas); em Filosofia tem sido um ver-se-te-avias  com direito, ética e política, Kant e John Stuart Mill, e agora belos textos sobre o contratualismo e o naturalismo. E por aí fora. 

Tudo coisas simples, como se vê. Tudo assim, com textos que, como devem imaginar, todos os alunos lêem com a maior das atenções e todos entendem, claro. Raramente há alunos a dizer que têm dúvidas. Imagine-se. E os professores acham isto normal. Já leram? Óptimo. Se não leram, paciência. Avançamos. Sem explicações, sem debate, sem cá conversas, que os professores servem é para dar textos e material de apoio, não sabiam? Pois, eu também não.

Quantos alunos vão efectivamente aprender alguma coisa? Três ou quatro em cada turma? Provavelmente só aqueles bons alunos que se interessam realmente pela escola e que têm objectivos definidos. Muitos deles neste momento já desistiram de acompanhar. E a grande maioria está a cumprir os mínimos, a ler os textos na diagonal, a responder mal e porcamente aos questionários, a dizer "bom dia, professora" para marcar o ponto virtual ao mesmo tempo que diz piadas no chat da turma no WhatsApp.

Se já antes era complicado, agora então é ainda mais difícil ensinar o que quer que seja. Se já antes, eu tinha dúvidas (mil dúvidas) sobre esta escola que temos, agora eu já não tenho dúvidas, tenho certezas.

Repito as palavras que escrevi no outro dia e vou repeti-las as vezes que forem necessárias:

Na escola da pandemia, o importante é poder escrever no sumário que a aula existiu e que a matéria foi dada. O importante é cumprir os objectivos de secretaria. Os alunos são meros figurantes nesta fantochada.

Isto não é escola. Isto não contribui em nada para a vida dos alunos. Isto não serve para nada. Isto é uma perda de tempo.

É uma palhaçada. 

publicado às 11:09

Voltamos ao assunto? Voltamos, pois, é necessário voltar, agora que já sabemos exactamente o que é isto e como é que funciona, temos que voltar. E denunciar todas as absurdidades que estão a acontecer. 

Comecemos por aqui:

As aulas de educação física do mais novo. Começaram por ser videochamadas com aulas teóricas, o professor a mostrar slides sobre aptidão física e a mandar-lhes questionários para eles resolverem. Os putos rapidamente se fartaram. Na última aula, a videochamada resumiu-se a "bom dia, estás bom? hoje não há aula, vou só marcar a tua presença e podes sair". E pronto. Para quê? Com que objectivo? O que é que estamos a ensinar aos miúdos com isto? Que temos de ser obedientes e picar o ponto, mesmo que isso não sirva para coisa nenhuma?

As aulas de educação física do mais velho são igualmente hilariantes. A professora manda vídeos a explicar exercícios e pede aos miúdos que pratiquem e façam um vídeo. Por exemplo, as várias técnicas de manipular a bola no basquetebol, desporto que, como se sabe, eles estão proibidos de praticar. Para quê? Para os alunos praticarem exercício físico? Para se mexerem e manterem saudáveis? Não. Para provar que fizeram. Que são bem mandados e cumpridores e certinhos, que a gente não quer saber se tu sabes jogar basquete, a gente quer é que tu cumpras as ordens.

O importante é poder escrever no sumário que a aula existiu e que a matéria foi dada. O importante é cumprir os objectivos de secretaria. Os alunos são meros figurantes nesta fantochada.

Isto não é escola. Isto não contribui em nada para a vida dos alunos. Isto não serve para nada. Isto é uma perda de tempo.

É uma palhaçada. 

publicado às 10:23


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