Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Ver Anne Teresa de Keersmaeker a dançar com 61 anos é uma pequena maravilha. Saio dos seus espectáculos sempre com uma alegria profunda e uma crença enorme no mundo. Contra todos os puristas e perfeccionistas, que acham que a dança deve ser avaliada pelo seu virtuosismo, cheia de movimentos muito bem executados e sincronizados, os últimos espectáculos de Anne Teresa parecem ter sempre um certo grau de imperfeição. E de humanidade. 

Ontem fui à Gulbenkian ver e ouvir as suites de violencelo de Bach, dançadas pelos bailarinos da companhia Rosas e interpretadas pelo músico Jean-Guihen Queyras (tão boa a música, tão bom o músico). Uma hora e meia de puro deleite. Esqueci-me de tudo e sorri o tempo todo por baixo da máscara. 

 

Tags:

publicado às 12:34

Happy Dance.jpg

Dançar é uma das coisas que mais gosto de fazer. Dançar livremente, sem coreografias ensaiadas, sem mãos que me agarrem, sem passos a cumprir. Simplesmente dançar. Dançar na cozinha é bom, mas dançar com amigos é ainda melhor. Ainda não será hoje que nos juntamos numa pista mas, só para me animar, diverti-me a imaginar uma playlist com algumas das músicas que gosto de dançar. Não todas, isso seria impossível. São 47 músicas, uma por cada ano de vida, ficaram muitas de fora (sim, eu sei, faltam essas todas em que vocês estão agora a pensar) e mesmo assim são quase três horas - será que ainda aguento três horas a dançar? Será que ainda aguentamos? Vamos descobrir. 

publicado às 07:08

Ora vejam só esta maravilha: Please Don't Talk About Me When I'm Gone, tema de 1930 que talvez conheçam nas vozes de Ella Fitzgerald ou Dean Martin, aqui interpretado pela 24 Robbers Swing Band e dançado por vários lindy hopers em confinamento por esse Portugal fora. Pura alegria. Não há depressão que resista a isto, pois não?

A Ana Isabel, que eu não conheço mas que costuma ler a Gata, mandou-me este vídeo porque sabe que eu gosto de dançar. O que ela não sabe é que eu acho isto mesmo fixe e ando há uns três anos a ganhar coragem para me inscrever nas aulas de lindy hop mas a falta de tempo e a falta de jeito para cumprir coreografias e dançar em pares tem sido mais forte. Não posso prometer que quando isto tudo terminar vou aprender lindy hop porque não gosto de prometer coisas que provavelmente não vou cumprir, mas vou pedir à Rute, minha amiga lindy hoper, para não me deixar dizer que não da próxima vez que me desafiar para um bailarico.

Boa Páscoa.

publicado às 09:37

Esta montagem da música Uptown Funk, de Mark Ronson, com imagens de gente a dançar em filmes antigos não é nova mas parece ter sido feita para o dia de hoje.

Tenho tantas saudades de bambolear uma noite inteira com uma grupeta de gente fixe.

Ainda sobre a mania de dançar, podem ver ISTO e ISTO

publicado às 15:39

(Spoiler alert: se não viram o Jojo Rabbit não vejam este post. E vão ver o filme que vale muito a pena)

 

 

O que vais fazer quando isto terminar e puderes, finalmente, sair de casa?
Tanta coisa. Mas seguramente isto: dançar.

publicado às 09:34

Nowhere, de Dimitris Papaioannou

A meio de uma conversa sobre tudo e mais alguma coisa, ele falou-me desta coreografia. Não conheces? Depois mando-te. E mandou. E eu não paro de me surpreender com a beleza disto tudo. Há algo de especial num padre que nos fala de dança e de corpo como o padre Paulo Duarte faz. E que vê deus nestes detalhes. Eu, que não acredito em coisa nenhuma, gosto cada vez mais de perceber a maneira como algumas pessoas acreditam e de, de vez em quando, ver o mundo pelos olhos delas. É que é tão mais bonito. 

publicado às 09:16

Já há muito tempo que não venho aqui partilhar coisas bonitas, o que é uma injustiça porque até quando tudo parece correr mal na nossa vida há coisas bonitas a acontecerem.

Por exemplo, ainda vão a tempo de ir ver o espectáculo Xtròrdinário do Teatro Praga para os 125 anos do Teatro São Luiz. Se gostaram da Tropa Fandanga vão gostar ainda mais deste "musicól" que é muito divertido e "não binário". E tem os Fado Bicha, que são maravilhosos.

Já estreou na Netflix a terceira temporada da série Easy e continua a ser muito a vida como ela é, histórias de pessoas comuns com desejos comuns e problemas comuns. Sem batalhas sangrentas. Tal e qual como que gosto.

A Lena D'Água tem um disco novo, que se chama Desalmadamente. Eu ainda não o ouvi todo mas gostei muito daquilo que ouvi. Espero mesmo que lhe corra bem este come back. Esta é a Grande Festa e faz-nos abanar o corpinho com leveza:

E, já agora, o Manel Cruz também tem Vida Nova, que é como quem diz um novo álbum. E esta canção, O Navio Dela, é qualquer coisa. Prestem atenção à letra.

"A minha mulher não é minha
É da cabeça dela
Mesmo achando que sim
Não precisa de mim
Isso é o que me agrada nela"

As coisas bonitas que encontro por aí, os amigos e a minha cozinha. Esta tem sido a minha terapia. Só me falta dançar. Mas há meses (anos?) que ando sem paciência para discotecas e noitadas. Tenho de encontrar um sítio com bom ambiente para dançar antes, muito antes, da meia-noite. Alguma sugestão?

publicado às 08:29

De dançar e não pensar em absolutamente mais nada.

Magnetic Fields, Nothing matters when we're dancing

publicado às 11:35

13
Out18

Da beleza

rosas_-_brandenburg_concertos_c_anne_van_aerschot_ 

Sentada na plateia, a deliciar-me com o espetáculo Os seis concertos brandeburgueses, de Anne Teresa de Keersmaeker, pensei na sorte que tenho. Por poder desfrutar de tamanha beleza. Por poder ficar ali, durante duas horas, a ouvir a música de Bach (tocada ao vivo por uma orquestra, o que faz toda a diferença) e a deixar-me levar pelos movimentos dos bailarinos. Maravilhosos. 

Era exactamente aquilo que eu precisava ontem à noite.

A semana foi horrível. Discussões com os putos, trabalho merdoso, angústias várias, aquela sensação de que estou a fazer tudo errado (é oficial: o efeito das férias já passou, estamos de volta ao momento em que estávamos antes de junho). E a culminar: antes de ir para a Culturgest, passei num velório, para dar um beijinho a um amigo que acabou de perder a sua pessoa. 

Só me apetecia fugir.

E depois isto. Deixar-me ir. A tensão a desaparecer do corpo e o sorriso a instalar-se na cara. Sim, sou mesmo uma pessoa com sorte. Mas às vezes esqueço-me.

mais uma sessão esta tarde, às 19.00. Aproveitem.

publicado às 09:48

Likke Li, "Dance, dance, dance"

E quando tudo falhar, dançamos. Dançamos e esquecemos as mazelas e as olheiras, as notas e as crises, os medos e as mudanças, as contas e os trabalhos.

Pior será quando não pudermos dançar.

publicado às 10:38


Mais sobre mim

foto do autor