Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Já há muito tempo que não venho aqui partilhar coisas bonitas, o que é uma injustiça porque até quando tudo parece correr mal na nossa vida há coisas bonitas a acontecerem.

 

Por exemplo, ainda vão a tempo de ir ver o espectáculo Xtròrdinário do Teatro Praga para os 125 anos do Teatro São Luiz. Se gostaram da Tropa Fandanga vão gostar ainda mais deste "musicól" que é muito divertido e "não binário". E tem os Fado Bicha, que são maravilhosos.

 

Já estreou na Netflix a terceira temporada da série Easy e continua a ser muito a vida como ela é, histórias de pessoas comuns com desejos comuns e problemas comuns. Sem batalhas sangrentas. Tal e qual como que gosto.

 

A Lena D'Água tem um disco novo, que se chama Desalmadamente. Eu ainda não o ouvi todo mas gostei muito daquilo que ouvi. Espero mesmo que lhe corra bem este come back. Esta é a Grande Festa e faz-nos abanar o corpinho com leveza:

 

E, já agora, o Manel Cruz também tem Vida Nova, que é como quem diz um novo álbum. E esta canção, O Navio Dela, é qualquer coisa. Prestem atenção à letra.

"A minha mulher não é minha
É da cabeça dela
Mesmo achando que sim
Não precisa de mim
Isso é o que me agrada nela"

 

As coisas bonitas que encontro por aí, os amigos e a minha cozinha. Esta tem sido a minha terapia. Só me falta dançar. Mas há meses (anos?) que ando sem paciência para discotecas e noitadas. Tenho de encontrar um sítio com bom ambiente para dançar antes, muito antes, da meia-noite. Alguma sugestão?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:29

De dançar e não pensar em absolutamente mais nada.

Magnetic Fields, Nothing matters when we're dancing

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:35

13
Out18

Da beleza

rosas_-_brandenburg_concertos_c_anne_van_aerschot_ 

Sentada na plateia, a deliciar-me com o espetáculo Os seis concertos brandeburgueses, de Anne Teresa de Keersmaeker, pensei na sorte que tenho. Por poder desfrutar de tamanha beleza. Por poder ficar ali, durante duas horas, a ouvir a música de Bach (tocada ao vivo por uma orquestra, o que faz toda a diferença) e a deixar-me levar pelos movimentos dos bailarinos. Maravilhosos. 

Era exactamente aquilo que eu precisava ontem à noite.

A semana foi horrível. Discussões com os putos, trabalho merdoso, angústias várias, aquela sensação de que estou a fazer tudo errado (é oficial: o efeito das férias já passou, estamos de volta ao momento em que estávamos antes de junho). E a culminar: antes de ir para a Culturgest, passei num velório, para dar um beijinho a um amigo que acabou de perder a sua pessoa. 

Só me apetecia fugir.

E depois isto. Deixar-me ir. A tensão a desaparecer do corpo e o sorriso a instalar-se na cara. Sim, sou mesmo uma pessoa com sorte. Mas às vezes esqueço-me.

mais uma sessão esta tarde, às 19.00. Aproveitem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:48

Likke Li, "Dance, dance, dance"

E quando tudo falhar, dançamos. Dançamos e esquecemos as mazelas e as olheiras, as notas e as crises, os medos e as mudanças, as contas e os trabalhos.

Pior será quando não pudermos dançar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:38

Já é tarde, tenho um bolo no forno e malas por fazer que amanhã vamos de viagem, mas queria vir aqui dizer-vos que o espectáculo criado pelo Vhils e que se estreou hoje no CCB é mesmo do caraças. Os miúdos gostaram mas ficaram um pouco desiludidos porque estavam à espera de ainda mais hip hop, mas talvez a culpa tenha sido minha, que lhes falei muito dos bailarinos para eles se entusiasmarem. Não há porque ficar desiludido: os bailarinos são na verdade muito bons, os vídeos são muito bons, o rap final de Chullage é uma delícia de rimas e de crítica social. E que aquele espectáculo tenha sido apresentado perante um público engravatado e, quase de certeza, na sua maioria não pagante, é por si só todo um tratado (e uma ironia a que Vhils não ficará certamente alheio). É pena que só esteja em cena por duas noites. E também não se percebe que uma instituição anuncie aos sete ventos que uma sala está esgotada quando na verdade há muitos (mas mesmo muitos) lugares por preencher. Talvez seja esse o preço a pagar para sair da periferia.

vhils.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:09

05
Ago16

Dar ao pé

Adoro dançar. Mas não sei dançar. Dêem-me música e eu danço, completamente livre, à minha maneira. Mas se me pedirem coreografias, mesmo as mais simples, fico parada. Não consigo fazer passinhos coordenados, sou incapaz de dançar agarrada a outra pessoa. Adoraria saber dançar. Mesmo.

Ontem fui ao Andanças e achei piada àquilo. Tanta gente a dançar ou a tentar dançar, sem medo do ridículo, só a deixar ir o corpo. É preciso ter o espírito certo para lá ir com crianças e ficar uns dias a viver sem um banho quente nem um colchão decente para dormir (já para não falar das casas-de-banho), mas, pronto, se ultrapassarmos isso, parece-me uma experiência muito gira.

andanças.JPGEsta foto e as outras do artigo são do Pedro Rocha/ Global Imagens 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:13

Uma das coisas que eu gosto nesta história é isto: hoje em dia os pais parecem obcecados com a educação dos filhos, querem proporcionar-lhes imensas experiências e incutir-lhes muitos conhecimentos (incutir é a palavra certa) para garantirem que eles vão ter todas as ferramentas para o sucesso, os pais têm que ler histórias aos filhos para eles gostarem de ler, têm de os levar a muitos concertos para bebés para eles gostarem de música, têm de os pôr a aprender inglês aos três anos para eles saberem falar muitas línguas, têm de os levar a viajar porque é importante conhecer o mundo (o quê? ainda não foram à neve? mas que raio de mães és tu?), é essencial começar a fazer tudo muito cedo, desde pequenino, para não lhes arruinar as hipóteses de virem a ter um bom emprego, os pais sentem-se completamente responsáveis pelo futuro dos filhos e tentam moldar-lhes a vida bem moldada, à sua medida e sem margem para erro. E é mentira. Aquilo que as pessoas são quando crescem não depende só dos pais e da educação que eles lhes dão. Claro que a educação é importante mas uma coisa é educar, ensinar regras, transmitir valores, despertar a curiosidade, abrir portas, dar apoio, outra coisa é achar que existe uma relação direta e inequívoca entre aquilo que as crianças fazem/experimentam e aquilo que vai ser o seu futuro.

Felizmente não existe esse determinismo. Felizmente existe um mundo que se intromete nos nossos planos e pessoas que se atravessam na nossa vida. Existe o inesperado. Felizmente existe a personalidade de cada um. Existe a vontade individual. Talentos que se revelam. Sonhos que vêm sabe-se lá de onde. Um caminho que é trilhado todos os dias. E tantas, tantas descobertas que os filhos podem fazer sozinhos, ao longo desse caminho. Com tentativas e erros e falhanços e vitórias e alegrias e tristezas. À medida que crescem.

Penso nisto muitas vezes, porque sei que falho muito e que não consigo fazer tudo o que quero (ou que sonhei) e esta é uma maneira de acalmar os meus sentimentos de culpa. De me lembrar que (para o bem e para o mal) não está tudo nas minhas mãos. Que o importante é lhes transmitido todos os dias, em pequenas coisas, quase invisíveis, quase sem darmos por isso (tal como aconteceu comigo, afinal). Que o importante é estar lá para lhes dizer "vai", "arrisca", "não tenhas medo". Que o importante é estar lá, para amparar as quedas, dar colo, limpar-lhes as lágrimas. E também para os felicitar e aplaudir (muitas vezes, é o que todos queremos).

O resto há de acontecer. Ou não.

Se puderem, não deixem de ir ver o espetáculo do João dos Santos Martins e outros espectáculos do Festival Alkantara.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:55

"Mesmo que o espectáculo não seja muito bom, já valeu a pena por ter conhecido todas estas pessoas e ter aprendido tanto com elas." Estávamos sentados no chão, nos tapetes do salão nobre do Teatro Nacional D. Maria II, a conversar depois de um ensaio. Engolimos todos em seco. Era a Madalena que dizia isto, sobre a Estação Terminal, o espectáculo que se estreia ali amanhã e no qual colaboram pessoas tão especiais quanto um jovem bailarino transexual, um travesti, um ex-recluso, actores e bailarinos, alunos de dança, cegos, sem-abrigo, um casal de artistas homossexuais que veio da Tasmania. A Madalena também é uma pessoa especial. É uma daquelas pessoas com quem vale sempre a pena conversar, que nos toca e nos faz ir mais além, mesmo quando (o que é raro) os espectáculos não são muito bons.

(nos dias em que ando mais triste com o jornalismo que andamos a fazer ou nos dias em que ando mais triste com a minha vida, penso nisto, nestas oportunidades maravilhosas que vou tendo, de conhecer pessoas assim, de ser menos ignorante e mais feliz, de viver momentos mesmo especiais.)

estaçao.JPGAs fotos (tão bonitas também) são do Reinaldo Rodrigues/Global Imagens. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:12

Esta semana fui com o António estudar para o teste de história no Museu do Aljube. E depois contei tudo no Quarto das Brincadeiras. É sempre bom ter uma oportunidade para lhes falar da importância da democracia e da liberdade. O teste é hoje, espero que lhe corra bem (estamos em plena época de testes, isto não tem sido fácil).

Hoje é Dia Mundial da Dança. Esta noite, estreia o Romeu e Julieta, espetáculo de Rui Horta com a Companhia Nacional de Bailado. Não é ballet, ficam já avisados. Mas é mesmo muito bom. 

Hoje é também o dia em que Samuel Úria apresenta o seu novo disco, Carga de Ombro, num concerto no São Luiz. O Samuel Úria é um daqueles músicos de quem é quase impossível não gostar. É inteligente e bom conversador, com a dose certa de referências e de intelectualismo sem arrogância e com algum humor. Além disso, este disco é muito bom. Vejam-no aqui, a cantar um dos temas novos:

Gostava de ir ver o Úria mas prefiro ir terminar o dia com a minha amiga Cecília, que faz hoje 40 anos. Parabéns, minha lindeza.

Hoje é sexta-feira e está sol.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:46

prince.jpg

Saí do jornal à pressa, já atrasada, atarantada. Prince tinha acabado de morrer e os meus filhos quase a sair da escola. Prince tinha acabado de morrer e a mim apetecia-me ter uns 16 ou 17 anos e fechar-me no quarto com uns phones nos ouvidos e ouvi-lo outra vez, mais uma vez, com aquela voz inconfundível. Entrei no metro, rodeada de pessoas e próximas paragens, e eu a lembrar-me das tantas vezes em que dancei o Kiss, o Get Off, o Cream, o Purple Rain. E agora há o treino e os banhos e o jantar e a cozinha por arrumar e enquanto isso ele a tocar guitarra na minha cabeça. Que parvoíce isto de se ficar triste com a morte de alguém que não nos é próximo, pensava. E no entanto.The most beautiful girl in the world. This Could Be Us. When Doves Cry. Na batalha entre Michael Jackson e Prince, eu sempre fui pelo Prince. Não há moonwalk que bata aquele menear de ancas. Sexy MF. As músicas mais sensuais do mundo são as do Prince. Músicas para empernar com as minhas miúdas (não há outra maneira, amigas, vocês sabem como é). Diamonds and Pearls. I Would Die 4 You. U Got the Look. Alphabet St. Diamonds and Pearls. Tantas. Uma meia leca de gente e tanto talento ali. Ele não precisava dos tacões altos para ser o maior. E era livre. Era o que eu achava, era o que eu sentia quando o via e ouvia. E também eu me sentia livre a dançar com ele.

Ainda não tive tempo para ler muito do que se escreveu nestas horas, mas gostei de ler este texto do Vítor Belanciano.

Vejam-no AQUI que também é uma delícia. 

Adenda: o que tenho a dizer sobre Get Off e outras escolhas de Prince na Máquina de Escrever.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:34


Mais sobre mim

foto do autor