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Na primeira vez em que fomos de férias a três eu estava um bocadinho ansiosa. O António tinha 9 anos, o Pedro 5. Eu já estava há mais de um ano sozinha com eles mas nunca tínhamos estado assim, umas três semanas por nossa conta, longe de casa, a inventar programas e a aturar-nos 24 horas por dia. Acabou por correr tudo surpreendentemente bem. Muito melhor do que eu poderia imaginar. De então para cá, já tivemos muitas férias diferentes. Umas vezes juntando-nos com amigos. Outras vezes só nós. Umas vezes indo mais longe, outras ficando mais perto, umas vezes por muito tempo, outras só uns dias. Mas sempre com um lema: no stress. Como o nosso dia-a-dia é geralmente feito de horários e pressões, as férias tornaram-se uma oportunidade única para estarmos sem grandes compromissos e para desfrutarmos ao máximo da companhia uns dos outros com o mínimo de discussões e muita leveza. É mesmo só isso que procuro. E tem sido muito bom. 

Entretanto os putos foram crescendo, o que facilita muito a parte logística mas levanta outro tipo de questões. Este ano, pela primeira vez, temi que as coisas não corressem tão bem. Afinal, o adolescente está numa fase complicada, naquela fase em que tudo é um aborrecimento, sobretudo tudo o que envolva a mãe (seca) e o irmão mais novo (mais seca). Além disso, tinha que se afastar da sua querida playstation e (oh, o horror) passar a maior parte do tempo sem wifi. Respirei fundo e lá fomos. E não digo que foram as melhores férias de sempre nem que não houve ali uns momentos de tensão. Mas foi muito melhor do que eu estava à espera. Sem grandes dramas a assinalar. E houve até momentos em que deu para sentir aquela emoçãozinha por ainda conseguirmos fazer isto de estarmos juntos e sermos felizes os três com coisas simples como jogar às cartas ou ficarmos deitados todos numa cama a conversar ou até só numa ida ao supermercado para comprar o jantar. Foi talvez o ano em que passámos mais tempo sem fazer nada. Foi o ano em que estivemos mais tempo no Alentejo com a família. Foi o ano em que os putos dormiram quase sempre até ao meio-dia. Foi definitivamente o ano em que passámos menos tempo na praia (e em que cheguei ao fim menos bronzeada do que é habitual). E no entanto, parece-me, não poderia ter sido melhor. Era exactamente isto que eu precisava. Até porque, sinceramente, acho que cada vez preciso de menos. Basta-me ficar a olhar para eles a dar mergulhos, felizes. Posso ficar assim durante horas. E eles também.

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(Porque nem tudo é perfeito: o António está na fase "no photos". No ano passado, já tinha sido uma selfie tirada a ferros, este ano não sei sequer se tenho alguma foto decente dele na máquina. Mas tenho esta, que é muito representativa dos meus putos,)

Gosto muito de nós nas férias. Estes são os momentos e os sentimentos que temos de guardar. É a esta felicidade que viremos beber ao longo dos próximos meses quando estivermos cansados e zangados, quando nos odiarmos, quando tudo estiver a correr mal e quando sentirmos vontade fugir.

Só temos que nos lembrar que não tarda nada é verão outra vez. 

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publicado às 22:13

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Eles crescem e fica tudo mais fácil? Nem tudo. Tirá-los de casa, por exemplo, é muito mais difícil. Há uns tempos, bastava-me dizer vamos ali ao parque jogar à bola e assim, com umas horas passadas no parque das nações ou no jardim das conchas, resolvíamos a tarde de sábado e éramos todos felizes. Agora, o Pedro ainda alinharia na boa num programa desses mas para isso precisava do irmão porque ir ao parque sozinho com a mãe não é lá muito divertido. E o irmão... o irmão tem 15 anos e já não acha muita piada a ir ao parque com o mano mais novo. Portanto, este é um dos meus novos desafios: encontrar programas que agradem aos dois. Sobretudo: encontrar programas que agradem a um adolescente e que o tirem de casa sem ser obrigado (eu obrigo, de vez em quando, sei que não é a melhor maneira e que as mães perfeitas arranjam sempre uma maneira melhor mas eu não sou uma mãe perfeita e por vezes tem mesmo que ser). 

Um truque: convidar amigos deles. 

Melhor ainda: combinar com amigos deles cujas mães são minhas amigas. Ou com amigas minhas cujos filhos têm idades parecidas aos meus.

Às vezes conseguimos. E até conseguimos ficar na praia até ser noite. Mas é só às vezes.

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publicado às 11:42

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Hoje o António fez 15 anos e caiu nas escadas do prédio. No hospital, onde fomos só por prevenção, para termos a certeza que as dores eram só dores e não havia ossos partidos, disseram-nos que ele já não podia ir para as urgências pediátricas, que aos 15 já se vai ao médico dos crescidos. E foi ali, enquanto pagava 40 euros para esperar uma hora e meia por uma consulta de 10 minutos e sair de lá com uma receita de benuron e emplastro para as costas, que olhei de esguelha para o meu filho, um magricelas da minha altura com a cara cheia de borbulhas e os olhos permanentemente enfiados no telemóvel, e quase me emocionei. Quinze anos, caramba. E eu ainda tão à nora como quando o trouxe para casa da maternidade e mal sabia trocar uma fralda. Quinze anos, caramba. E ele ainda com o mesmo sorriso maroto. Tão lindo o meu filho de quinze anos. É uma peste, claro. Mas é a minha peste. O amor que temos pelos filhos é das coisas mais inexplicáveis e extraordinárias do ser humano.

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publicado às 23:44

08
Set18

Sapatos novos

Voltámos das férias para comprar sapatos. Literalmente. No primeiro dia, o António foi ao treino de futebol e, a meio, teve de tirar as meias porque lhe começaram a doer os dedos dos pés. Isto numas chuteiras compradas em fevereiro e que na altura até eram mais para o grande. Mas não são só os pés que estão maiores. Também a roupa deixou de servir e obrigou-nos a arrumações profundas das gavetas e armários. Eles estão mais altos, mais esguios, mais crescidos de muitas maneiras. Este verão deliciei-me a vê-los de longe a brincar e a conversar com os amigos, a saltar ondas grandes e a deslizarem por escorregas gigantes, saindo de casa sozinhos para ir às compras ou para comer um gelado, ficando em casa sozinhos sem quaisquer problemas. As férias são também momentos de grande liberdade. Em que, todos juntos, em bando, os miúdos exploram o mundo à sua volta, seja a jogar às cartas num quarto no último andar da casa ou num passeio até ao fundo da praia - sempre cada vez mais longe dos pais. Mais independentes - para o bem e também para o mal, pois claro. Adoro vê-los crescer na mesma medida em que me assusta pensar em tudo o que pode correr menos bem. Além disso, como acabei de descobrir, os sapatos tamanho 40 são muito mais caros do que os 38.

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publicado às 19:18

03
Mai18

Bonecos

No sábado, fomos a uma sessão do festival Indie Junior: dois filmes mudos (um filme russo e outro de Buster Keaton) acompanhados por duas baterias. Preparei-me para o pior. Expliquei-lhes que eram filmes do início do cinema, a preto e branco e sem falas. E para os animar garanti-lhes que não demoraria uma hora sequer. Eles suspiraram daquele jeito como quem diz "as coisas que temos que aturar a esta mãe", mas não protestaram nem amuaram, portaram-se bem, estiveram atentos, riram-se e, no final, até disseram que tinha sido fixe e comentaram (e imitaram) as partes mais engraçadas. 

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Na segunda-feira, o Pedro foi com a escola a uma outra sessão do Indie Junior. Ao fim do dia queixou-se: "Eram filmes infantis, mãe, não teve graça nenhuma."

O puto ainda não tem 10 anos mas já não gosta de ver bonecos. 

Confirma-se: os segundos crescem muito mais depressa.

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publicado às 21:24

05
Mar18

Montanha russa

Ter um filho adolescente é como ser mãe pela primeira vez, outra vez. Nada nos prepara para isto. As crianças têm 10 anos e uma pessoa acha que já sabe mais ou menos com o que pode contar, que já dá conta do recado, que isto de ser mãe se calhar não é assim tão difícil, julgamo-nos o melhor condutor do mundo e, no entanto, lá vem a adolescênca para nos trocar as voltas. 13 anos. Aquela criança linda e amorosa transforma-se, de repente, numa pessoa que mal conhecemos, uma pessoa de phones nos ouvidos e os olhos pregados ao telemóvel, que tanto nos derrete com as suas conversas queridas e com o seu sentido de humor como diz umas parvoíces enormes e é tão mal educado que temos que nos controlar para não lhe dar um belo par de estalos. É como ter um estranho em casa. Dou por mim a perguntar: onde está o meu filho? Os adolescentes fazem coisas como soprar quando os mandamos arrumar a roupa, dar respostas tortas, mentir quando não lhes convém dizer a verdade, amuar quando os obrigamos a fazer programas de família, não estudar, ouvir músicas horríveis, desafiar a autoridade dos pais, ignorar o que lhes dizemos, estar-se nas tintas para o mundo, teimar que estão certos, ser ainda mais mal educados. Pelo meio também fazem coisas boas, é claro. Mas em muito menos quantidade. Ter um filho adolescente é muito mas mesmo muito mais difícil do que ter um bebé, e eu sei que isto é um cliché mas não é por isso que é menos verdade. Porque nós sabemos que os bebés crescem rapidamente e, com mama ou sem mama, com chucha ou sem chucha, com mais ou menos histórias ao fim do dia, desde que a gente esteja ali a tomar conta deles, desde que haja colo e comida e amor tudo irá ao lugar. Já quanto aos adolescentes aquilo que sinto é que posso mesmo estar a fazer tudo errado e que os erros que eu cometer agora poderão ter consequências mesmo graves no futuro. Estamos permanentemente na corda bamba. E nunca se sabe o que poderá acontecer. É uma sensação horrível. Mas continuarei a dar o meu melhor, que é a única coisa que posso fazer.

Não tenho soluções milagrosas. Vou errando. Vou aprendendo. Continuo a errar.

Sei que não estou sozinha nisto. O que não me ajuda mas dá-me algum alento.

E tento sempre lembrar-me que se isto é mau para mim, para ele também não deve ser nada fácil. Afinal, estamos juntos nesta montanha russa de emoções e hormonas descontroladas. 

É sobre isto tudo que fala o espectáculo Montanha Russa, de Miguel Fragata e Inês Barahona, que se estreia esta semana no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Eu vi um ensaio mas gostei tanto que já reservei bilhetes para ir ver de novo e levar os meus miúdos. Aconselhado a adolescentes e a pais de adolescentes. E ainda que não tenham nada a ver com adolescentes podem ir ver à mesma porque é um espectáculo muito fixe, com boa música, bons actores. Que nos diverte. Que nos faz pensar. Que nos faz voltar aos nossos 13 anos.

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Fotografia de Nuno Fox/ Agência Lusa

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publicado às 10:23

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Eles crescem. No Baby Blues e cá por casa também. Tem sido uma aprendizagem para todos nós.

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publicado às 00:01

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1. Guardar uns dias de férias para esta altura do ano.

2. Aproveitar esse tempo precioso para estar com a família. Por exemplo, convidar os primos para virem passar uns dias connosco.

3. Viver por uns dias sem olhar para o relógio e sem estar sempre preocupada com as regras. Temos tão poucas oportunidades para estarmos assim juntos que o melhor é desfrutar, não é?

Claro que é preciso entrar no espírito da coisa. Ter um apartamento cheio de crianças significa que vou partilhar a cama com a minha sobrinha, que vai haver um colchão no quarto dos rapazes, que vai haver roupas e sapatos espalhados pelos quartos e não há maneira de ter tudo sempre arrumado. Também significa que não vou conseguir estar sozinha por mais de dois minutos, nem ver filmes e se calhar nem mesmo ter algum tempo no computador. Significa ir ao supermercado muitas vezes porque é preciso garantir pequenos-almoços, almoços, lanches, jantares e mais petiscos para todos e eles já são crescidos e comem muito e além disso ainda é capaz de aparecer o vizinho e nós gostamos de o ter por cá. Significa cozinhar para esta malta toda ou então levá-los a comer fora e termos de chegar a um consenso sobre o sítio onde vamos (dificílimo) e depois pagar a conta (ui). Significa aceitar que este tempo é para eles. Não é para marcar jantares com amigos nem para comprar presentes. É para eles. Para eles brincarem no terraço mesmo quando está um frio de morte. Para eles jogarem playstation mais horas do que seria aconselhável. Para os deixar ter alguma autonomia, porque é fixe quando estão todos juntos e tomam conta uns dos outros. Para eles conversarem e dizerem as suas parvoíces e aprofundarem cumplicidades que, acredito, ficarão para a vida. Significa também ter de gerir alguns conflitos, dar um grito quando é necessário (yeap, não sou assim tão boazinha) e impor a ordem (por exemplo, mandando desligar os aparelhos quando já é hora de desligar).

Mas acima de tudo significa sermos (e estarmos em) família. E isso é o natal.

E ainda: tivemos uma sorte danada. Quase todas as semanas a minha empresa sorteia bilhetes para o sporting, quase todas as semanas concorro e nestes anos todos nunca ganhei. Mas ganhei esta semana. E, assim, os mais velhos foram ao futebol sozinhos, com direito a camarote e a festival de golos. "Brutal", disseram eles. No final destes cinco dias, o meu sobrinho lindo dizia-me que tinha gostado tanto que esta estadia poderia ser a minha prenda de natal para ele (é verdade, nem todos os miúdos têm uma relação obsessiva com as prendas e não dão valor ao que recebem).

 

* o título deste post é obviamente irónico. eu não dou dicas a ninguém, limito-me a partilhar cenas de que me apetece falar. além disso, não tenho qualquer empatia com essa ideia de que é preciso aprender a "sobreviver" ao natal, como se esta fosse uma época horrível. eu gosto do natal (tenho uma tag natal neste blogue). não stressem e aproveitem a felicidade nas coisas pequenas e tudo correrá bem - essa é a minha única dica.

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publicado às 19:27

27
Out17

Ovos mexidos

Atrasei-me. [estou tão farta de trabalhar com pessoas incompetentes. a incompetência dos outros afecta-me, tem efeitos reais, visíveis no meu trabalho e na minha vida. atrasei-me porque alguém foi incompetente.] Percebi que me ia atrasar e liguei ao António para que fosse buscar o mano à escola. Quando cheguei a casa já eles estavam no banho. Disse-lhes: a mãe tem de trabalhar, preciso que se portem bem. Sentei-me ao computador. E eles não gritaram, não discutiram, não fizeram barulho. Fizeram ovos mexidos com salsichas para o jantar. Sozinhos. Nem me aproximei da cozinha. Não comeram fruta mas não me apeteceu chatear-me. "Estava tão bom o jantar, comi mesmo bem", declarou o António. Quando finalmente terminei o trabalho, deitei-me com o Pedro a ler um livro. Dei-lhes muitos beijinhos.

Zango-me tanto com eles, tantas vezes, há dias em que parece que tudo está a correr mal, em que me sinto incapaz de os educar como deve ser.

E depois há dias assim.

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publicado às 09:01

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Lista dos filmes que os miúdos viram em duas semanas de praia (e eu também, quase todos ou pelo menos bocados):

- Um polícia no jardim-escola (1990), de Ivan Reitman, com Arnold Shwarzenegger

- Alta Golpada (2011), de Brett Ratner, com Ben Stiller

- Mestres da Ilusão (2013), de Louis Leterrier, com Mark Rufallo e Jesse Eisenberg

- Jack Reacher: Nunca voltes atrás (2016), de Edward Zwick, com Tom Cruise

- USS Indianapolis: Homens de coragem (2016), de Mario Van Peebles, com Nicolas Cage (na foto em cima)

- Assassin's Creed (2016), de Justin Kurzel, com Michael Fassbender

- Porquê ele? (2016), de John Hamburg, com James Franco

- Power Rangers (2017), de Dean Israelite.

- Rei Artur: A Lenda da Espada (2017), de Guy Ritchie, com Jude Law

- A Grande Muralha (2017), de Yimou Zhang, com Matt Damon

Os três primeiros já tinham sido vistos (são DVD que estão no Algarve, assim como o Avatar que não vimos desta vez mas que nos últimos anos já foi visto uma meia dúzia de vezes). Os outros filmes levei-os eu, em versão pirata.

Olhando para esta lista até eu me surpreendo: é isto que dou aos meus filhos para eles verem?

Mas deixem-me explicar-vos. Há um ano, mais coisa menos coisa, reparei que o António, na altura com 12 anos, não via filmes. Via os desenhos animados e as séries tontas do nickelodeon, com o irmão, e daí tinha passado diretamente para os youtubers parvos. E fiquei preocupada. Quando eu era desta idade só tínhamos dois canais de televisão e não tínhamos hipótese: víamos o que estava a dar, incluindo muitos filmes, dos westerns aos musicais, passando pelas comédias, os filmes românticos, os policiais. Às vezes nem gostávamos muito, mas acabávamos por vê-los, por falta de opção. Os miúdos hoje têm muitas opções, muitos canais de televisão e ainda o telemóvel e o tablet e, por isso, só vêem o que querem ver, o que já conhecem, o que os cativa nos primeiros cinco minutos. Decidi, então, que me cabia a mim incentivá-lo a ver filmes. Claro que a diferença de idades entre eles é um problema e há um ano o Pedro ainda tinha alguma dificuldade em acompanhar as legendas. Além disso, como não queria que o momento se tornasse uma obrigação mas fosse, antes, um divertimento em família, começámos por coisas simples (os "regresso ao futuro", "a jóia do nilo", os "goonies", esse tipo de coisas), acompanhadas de pipocas nas noites de sexta-feira. A evolução neste ano foi enorme. O António já não resmunga (muito) quando o mando desligar o telefone para ver um filme e já confia mais nas minhas escolhas. O Pedro já lê legendas na perfeição (fomos ver o Gru na versão original) e até já vai ao cinema ver "filmes de crescidos".

De crescidos, isto é, filmes de aventuras e de acção. Não será exactamente a nouvelle vague mas será certamente melhor do que os thundermans e afins. Mas é um caminho que está a ser feito e não é preciso ter pressa nem saltar etapas. Acredito que havemos de lá chegar.

Por exemplo. Ao contrário do que acontecia há um ano, neste momento o António já consegue ver filmes que não sejam só de acção. Já aguenta bem uma comédia (como o Porquê ele?, que ele viu sentindo-se muito crescido) ou filmes que nos fazem pensar um bocadinho (comoveu-se a ver o USS Indianapolis, tal como se tinha comovido a ver o Capitão Fantástico há uns tempos, e ambos deram grandes conversas aqui em casa). E o caminho do Pedro também tem sido muito engraçado: ele quer ver tudo o que o irmão vê e fica muito atento, mesmo quando admite que não está a perceber nada. Às vezes, até me preocupo um pouco por ele ter 9 anos e estar a ver filmes que são para 12 ou 14 anos. O que mostra bem como isto de educar os filhos é tão complicado e como, apesar dos nossos esforços, nunca conseguimos educar duas crianças exactamente da mesma maneira.

Eu sei que isto parece uma coisa de nada e sei também que há de haver por aí miúdos muito mais à frente do que os meus. Mas é como vos digo. É um caminho. E cada pessoa tem de fazer o seu. Eu limito-me a abrir-lhes portas (sempre). São portas pequenas, sim, mas que, espero, conduzam a salas grandes, com outras portas e outros caminhos possíveis. 

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publicado às 15:19


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