Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Gata Christie


Terça-feira, 04.09.18

Amor de verão

20180822_195219.jpg 

O ano passado foi um dos piores de sempre. Estou a falar do ano lectivo, claro, que é como se contam os anos nas famílias com filhos. Foi um ano mau de muitas maneiras, incluindo as notas dos miúdos e o seu comportamento, algumas mudanças no trabalho, uma solidão maior do que o habitual e um desânimo geral com o mundo, e estou só a contar estas coisas por alto porque não sou de grandes lamentações mas queria que imaginassem a alegria e o enorme alívio que eu senti quando, ali por volta dos feriados de junho, me apercebi que aquele ano maldito estava finalmente a chegar ao fim. Sobrevivemos (sobrevivemos sempre, mesmo quando achamos que não vamos conseguir, não é?). E naquela altura decidi que iríamos aproveitar da melhor maneira possível estes três meses abençoados das férias de verão. Que não poderia ser de outra forma. Precisávamos - todos, mas eu precisava muito - de um descanso. De três meses sem discussões. Sem stresses. Sem horários. Sem pensar em trabalhos de casa e testes. Sem nada. Precisávamos mesmo - todos, mas eu precisava muito - de recarregar as baterias. De ganhar energia para enfrentar mais um ano, mais uma empreitada, e que empreitada será!, com um adolescente no 9º ano e o mais-pequeno-já-tão-crescido no 5º ano, meu deus, só de imaginar já estou cansada. De maneiras que decidi que estas férias teriam mesmo de ser férias.

E assim foi.

Durante três maravilhosos meses fomos felizes. Fomos felizes nos momentos que passámos juntos a três e nos momentos que passámos com muitos amigos e ainda nos momentos que passámos separados, o que é tão  necessário também. Estas férias foram muito boas (até mesmo quando eu estava trabalhar foram férias e foram boas). Ainda que não tenhamos viajado a lado nenhum. Ainda que não tivéssemos estado em nenhum hotel. Ainda que não tenhamos feito nada de verdadeiramente especial. Fizemos esta coisa especial que foi suspender a vida de todos os dias, a rotina, as preocupações. E depois aproveitar. O sol. O calor. Os amigos. A família. O tempo livre. A vida. Nas férias, somos o nosso melhor e conseguimos ver o melhor dos outros.

Foi bom.

E agora que está a acabar seria bom conseguir transportar alguma desta leveza e desta alegria para o novo ano que está prestes a começar. Como resistir ao despertador, aos tpc, ao "desliga o telemóvel", à roupa por estender, aos treinos de futebol, às contas para pagar, aos jogos ao fim-de-semana, ao cansaço, aos testes, ao trabalho fora de horas, aos imbecis que nos aparecem pela frente, às respostas tortas das crianças, aos jantares todos os dias, à vidinha? Como não perder o foco das coisas que são realmente importantes?  Como continuar a sorrir no meio disto tudo? 

Este é o grande desafio. Como quem deseja que um amor de verão possa sobreviver ao outono.

 

 

A propósito:

- Vejam as dicas do The GuardianSad summer’s over? 18 ways to keep the health, humour and happiness of your holiday alive

- Deliciem-se com o novo videoclipe de Childish Gambino para o tema Feels Like Summer:

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 23:36

Quinta-feira, 21.12.17

Dicas para sobreviver às férias de natal

25497960_10211252902060337_6831156069565894677_n.j

1. Guardar uns dias de férias para esta altura do ano.

2. Aproveitar esse tempo precioso para estar com a família. Por exemplo, convidar os primos para virem passar uns dias connosco.

3. Viver por uns dias sem olhar para o relógio e sem estar sempre preocupada com as regras. Temos tão poucas oportunidades para estarmos assim juntos que o melhor é desfrutar, não é?

Claro que é preciso entrar no espírito da coisa. Ter um apartamento cheio de crianças significa que vou partilhar a cama com a minha sobrinha, que vai haver um colchão no quarto dos rapazes, que vai haver roupas e sapatos espalhados pelos quartos e não há maneira de ter tudo sempre arrumado. Também significa que não vou conseguir estar sozinha por mais de dois minutos, nem ver filmes e se calhar nem mesmo ter algum tempo no computador. Significa ir ao supermercado muitas vezes porque é preciso garantir pequenos-almoços, almoços, lanches, jantares e mais petiscos para todos e eles já são crescidos e comem muito e além disso ainda é capaz de aparecer o vizinho e nós gostamos de o ter por cá. Significa cozinhar para esta malta toda ou então levá-los a comer fora e termos de chegar a um consenso sobre o sítio onde vamos (dificílimo) e depois pagar a conta (ui). Significa aceitar que este tempo é para eles. Não é para marcar jantares com amigos nem para comprar presentes. É para eles. Para eles brincarem no terraço mesmo quando está um frio de morte. Para eles jogarem playstation mais horas do que seria aconselhável. Para os deixar ter alguma autonomia, porque é fixe quando estão todos juntos e tomam conta uns dos outros. Para eles conversarem e dizerem as suas parvoíces e aprofundarem cumplicidades que, acredito, ficarão para a vida. Significa também ter de gerir alguns conflitos, dar um grito quando é necessário (yeap, não sou assim tão boazinha) e impor a ordem (por exemplo, mandando desligar os aparelhos quando já é hora de desligar).

Mas acima de tudo significa sermos (e estarmos em) família. E isso é o natal.

E ainda: tivemos uma sorte danada. Quase todas as semanas a minha empresa sorteia bilhetes para o sporting, quase todas as semanas concorro e nestes anos todos nunca ganhei. Mas ganhei esta semana. E, assim, os mais velhos foram ao futebol sozinhos, com direito a camarote e a festival de golos. "Brutal", disseram eles. No final destes cinco dias, o meu sobrinho lindo dizia-me que tinha gostado tanto que esta estadia poderia ser a minha prenda de natal para ele (é verdade, nem todos os miúdos têm uma relação obsessiva com as prendas e não dão valor ao que recebem).

 

* o título deste post é obviamente irónico. eu não dou dicas a ninguém, limito-me a partilhar cenas de que me apetece falar. além disso, não tenho qualquer empatia com essa ideia de que é preciso aprender a "sobreviver" ao natal, como se esta fosse uma época horrível. eu gosto do natal (tenho uma tag natal neste blogue). não stressem e aproveitem a felicidade nas coisas pequenas e tudo correrá bem - essa é a minha única dica.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 19:27

Quinta-feira, 21.09.17

Os livros das férias

Uma das coisas boas de os miúdos estarem a crescer é que as férias já significam, outra vez, ter tempo para ler. Na praia enquanto eles correm e pulam e mergulham no mar, em casa enquanto eles mergulham nos ecrãs. De vez em quando ainda tenho que jogar com as raquetes ou dar uns toques na bola, mas já não é nada de muito exigente. Nas duas semanas em que estive na praia consegui ler estes:

DSC_1298.JPG 

No ano passado, tinha gostado muito do Índice Médio de Felicidade, de David Machado, por isso estava com grande curiosidade sobre este Debaixo da Pele. Confirma-se. É muito bom. O primeiro capítulo é extraordinário. Mesmo. A história é contada do ponto de vista de uma jovem que foi maltratada pelo namorado. Como é que ela lida com o trauma e com as expectativas dos outros? Como se relaciona com os pais, com os amigos, com o mundo, com as memórias, com as ideias que tinha para o seu futuro? A dor dela é palpável. Tão real. Até que o encontro com uma rapariga, uma criança, sua vizinha, vai interferir na sua vida. No capítulo seguinte, há um salto temporal e vamos encontrar um homem, de meia idade, que se apaixona por uma rapariga misteriosa (que é a criança do primeiro capítulo) e com ela mantém uma relação perturbadora. Mais um salto temporal e colocamo-nos na cabeça de um rapazito que vive com a mãe (a protagonista do primeiro capítulo), num monte, isolados do mundo. Estes dois capítulos não conseguem manter o nível do primeiro mas ainda assim são bastante bons. Encontrar as vozes certas e naturais destas personagens, os seus pensamentos e as suas palavras, não deve ter sido tarefa nada fácil.

Um Crime na Exposição é um reencontro com o nosso amigo e detective Jaime Ramos. Gosto muito desta série, de todo o trabalho de descrição dos espaços, das cidades, dos ambientes. Francisco José Viegas perde-se nos pormenores, nos charutos, nas comidas, nos corpos, nos gestos, e é absolutamente delicioso de ler. Nestes livros, o crime é apenas uma desculpa para conhecermos as personagens, para falar das suas relações e dos seus desejos, para viajar para outros locais, para acompanharmos o envelhecimento do detective que parece viver fora deste tempo.

O livro de Alexandra Lucas Colho E a noite roda foi uma enorme surpresa. Há muito tempo que não me acontecia devorar assim um livro, de forma tão compulsiva, quase sem conseguir parar. Fiquei completamente apaixonada pela história de amor entre os dois jornalistas, ela, Ana, vinda de Espanha, ele, Léon, da Bélgica, que se encontram em Israel aquando da morte de Yasser Arafat. Mais uma vez, fico presa pela descrição dos locais, com mil pormenores, as cores, os cheiros, as pessoas, os sabores, que quase nos transportam para a Faixa de Gaza ou para Paris ou para a região da Mancha, seguindo os passos de Dom Quixote. É Ana que nos conta a história, mas vamos acompanhando as trocas de mensagens entre eles, o desejo que cresce, os encontros e desencontros, a desilusão. Estava a ler este livro quando aconteceu aquela espécie de polémica com a canção em que Chico Buarque canta: “Quando teu coração suplicar/ Ou quando teu capricho exigir/ Largo mulher e filhos e de joelhos vou te seguir". E eu só pensava como a Ana iria gostar de Chico ou como Chico iria gostar da Ana e como se calhar é por isso que eu gosto de ambos, de Chico e deste livro, onde o amor surge em locais proibidos e sem se submeter à vontade. E mesmo sabendo praticamente desde a primeira página como a história iria terminar era impossível não estar a torcer por eles, numa angústia crescente.

A Menina Sem Estrela é um livro de crónicas de Nelson Rodrigues publicadas em 1967 e que são também as suas memórias. O estilo de escrita não é propriamente fácil nem sequer muito bonito mas, neste caso, para mim, o mais importante era ficar a conhecer melhor este homem. Já tinha lido há uns anos O Anjo Pornográfico, a biografia de Nelson Rodrigues pelo grande Ruy Castro que agora, finalmente, foi editada em Portugal (eu li a edição brasileira comprada em 2001 numa livraria do shopping de Florianopolis, durante a lua-de-mel), mas interessava-me perceber Nelson por Nelson e a sua vida povoada por tragédias. É uma visão obviamente parcial e muito emotiva mas é isso mesmo que dá um gosto especial a estes textos.

(nos entretantos, deixei dois livros a meio. odeio deixar livros a meio, sobretudo quando são de autores de que eu gosto ou com quem simpatizo. talvez não tenha sido o momento certo para nos encontrarmos. os livros têm os seus momentos para serem lidos. talvez um dia destes. nem vou dizer os nomes que é para não azarar.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 22:33

Quinta-feira, 14.09.17

Então e essas férias?

Tenho uma vaga memória de que foram boas. Depois de oito dias seguidos a trabalhar, incluindo o fim-de-semana e um piquete nocturno, com menos um dente do siso na boca e ainda a tentar organizar-me com os novos horários e as novas rotinas, ao nono dia tenho finalmente uma folga em que prevejo passar um belo tempo no supermercado a aproveitar os 15% de desconto em cartão, levar o António a uma consulta à hora do almoço e terminar o dia com a reunião de pais na escola do Pedro. E ainda tenho uma entrevista para transcrever e transformar em 4300 caracteres de texto até amanhã. Ai, setembro, setembro, se não fosse sempre assim nem teria graça, pois não?

DSC_1230.JPG

DSC_1211.JPG

DSC_1256.JPG

As férias foram bem boas, só para que fique registado. Foi a vez em que passámos mais tempo os três sozinhos e mais tempo no mesmo sítio. Sem stresses. Eles crescem e estão felizes. O resto, como diria o outro, é "peaners".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 10:02

Segunda-feira, 04.09.17

Devagar

keep-calm-back-to-life-back-to-reality.png

(acabei de ligar o computador, depois de mais de duas semanas off. já há roupa no estendal. os putos estão a matar saudades da playstation. temos uma lista de compras gigante. hoje já haverá treino de futebol. as férias estão a acabar. mas devagar, ok?)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 10:45

Quinta-feira, 20.07.17

Detox (2)

De uma maneira geral, nas férias a regra é não ter regras. Deixarmo-nos ir com a onda, sem horários para comer ou para dormir, a não ser aqueles que nos determinam o corpo e o bom senso. Mas uma regra fiz questão de manter nestes dias: não havia telemóveis durante as refeições nem na praia (e isto serviu também para mim) nem no quarto. Em casa, o António deixa sempre o telefone na sala à noite, mas aqui pareceu-me que eram necessárias medidas mais drásticas. Sobretudo para impedir determinadas pessoas de acordarem a horas impróprias e correrem para o telefone. Assim, antes de irem dormir, os adolescentes desligavam os telemóveis (o mais pequeno não tem telemóvel e não levou o tablet para as férias por isso não tinha nada para desligar) e entregavam-mos. De manhã, eu devolvia-lhes os telefones em troca de bons dias sorridentes. E foi a melhor decisão que tomei. Toda a gente dormiu bem e, na verdade, eles tiveram mais do que tempo para estarem agarrados aos ecrãs. De tal forma, que nunca houve discussões sobre este assunto. Só isso já é uma vitória.

Confirma-se: sou uma chata. Com muito orgulho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 01:48

Quarta-feira, 19.07.17

Detox

Foram oito dias inteiros de férias: um dia no Alentejo para ver a família e apanhar o primo, seis dias no Algarve com os três rapazes, e mais um dia no Alentejo no regresso. Naqueles seis dias, tirando alguns (poucos) telefonemas, não conversei com nenhum adulto. Não levei computador, não vi televisão (só tínhamos os canais abertos e não havia nada que me interessasse) e tentei controlar os acessos no telemóvel (embora não tenha conseguido fazer o detox completo...). Fazia-me falta. Fazia-me muita falta desligar. E como os miúdos andavam lá na sua vida, felizes e contentes (basicamente só conversavam comigo quando estávamos todos no carro ou à mesa), passei bastante tempo calada. Também me fazia falta isto. Nada de conversas desnecessárias, de blá blá blá sem interesse. Li bastante. Pensei na vida. Vi os putos a brincar nas ondas. Fiz planos para o futuro que nunca se irão concretizar. Dormi. Esqueci-me de levar a máquina fotográfica e por isso nem fotografias tenho destes dias. 

Na verdade, acho que poderia republicar o post do ano passado e estaria tudo certo. 

E o bom que isto é.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 15:54

Quinta-feira, 15.09.16

Desligar

Foi o nosso luxo das férias. Fomos passar duas noites à Offline House, uma casa que a Bárbara e a Rita abriram na primavera no Vale da Telha, entre Aljezur e a Arrifana*, e que é um convite a estarmos desligados das teconologias. Nos cacifos, à entrada, podemos deixar os computadores, telemóveis, i-pads. Lá dentro, só raramente se vê alguém com um destes aparelhos. Há telefone fixo e um relógio de ponteiros na parede da sala (e despertadores à moda antiga nos quartos) e é comum ouvir alguém a perguntar "que dia é hoje?". E é assim mesmo que deve ser. A ideia é que as pessoas desliguem das suas vidas, das rotinas e das preocupações sem importância que nos costumam atafulhar a cabeça, e se concentrem nesta vida boa - uma piscina, as praias ali ao lado, a sombra dos pinheiros, aulas de yoga e de surf, caminhadas, conversar com quem partilha connosco estes dias, pessoas vindas de vários cantos do mundo e que não conhecemos de lado nenhum. Há uma cozinha comunitária, uma sala e um terraço. Há silêncio a maior parte das vezes ou música boa que alguém vai pondo a tocar. Não há pressa.

Foi uma experiência muito engraçada para nós, que nunca tínhamos estado num sítio assim. Os miúdos adoraram. Tivemos sorte por haver três portugueses, muito simpáticos, com quem eles logo fizeram amizade. Digo sorte porque para eles seria mais difícil estabelecer comunicação com a espanhola ou a neo-zelandeza ou os alemães que também lá estavam. "Porque é que vocês estão sempre a falar inglês?, não é justo", queixou-se o Pedro. Não éramos muitos, era quase como quando juntamos a família para o natal. E, há que dizê-lo, a Rita e a Bárbara são óptimas profissionais, e têm esse dom de conseguir pôr-nos em casa, respeitando aqueles que querem manter a sua privacidade mas criando laços entre os que querem participar na vida da casa - nas longas conversas ao pequeno-almoço, com pão alentejano e café; nos jantares que a Bárbara cozinha avisando que não é nada de especial, mas é; nos serões que podem ter piano e jogos divertidos no sofá, mas também podem ser à volta de uma fogueira no jardim, com violas, djambés e cantorias (a meio da noite, os putos foram para a piscina, ficaram gelados mas foi uma aventura inesquecível). 

O tempo estica quando não se tem relógio. Deu para irmos ver o pôr-do-sol ao Monte Clérigo. Deu para ter uma sessão de reiki e tentar alinhar as energias (não resultou muito, mas pronto). Deu para passar um dia inteiro na piscina com um livro e, no final do dia, os miúdos foram com os amigos novos jogar à bola na praia da Arrifana enquanto eu pude desfrutar de uma fabulosa aula de yoga. Uma hora e meia a ouvir os passarinhos e a sentir o vento a passar por entre as árvores e tocar a minha pele, enquanto eu me esticava e relaxava.

Apetecia-nos ficar mais tempo, mas não havia orçamento para tal. Foi o nosso luxo das férias. Dois dias tão perto mas tão longe daqui.

20160831_180110.jpg

* há cinco anos que não ia para este sítio onde passei tantos mas tantos dias de felicidade ao longo de doze anos. foi bom matar saudades daquelas praias, daquele mar, daquele cheiro a pinheiros pela manhã, ir ao minimercado Roque & Filhos comprar pão, cumprimentar o dinossauro abandonado no regresso da praia, percorrer aquelas curvas agora no lugar no condutor. e sentir-me em casa. é bom voltar aos lugares onde fomos felizes quando estamos em paz connosco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 21:58

Terça-feira, 13.09.16

Fomos ver estalactites

Mãe, podemos ir ver estalactites?, pediu o Pedro, há uns tempos, depois de ver umas imagens na escola. Pareceu-me uma boa ideia. Num dos primeiros dias das férias fomos até às Grutas de Mira de Aire. Chovia a cântaros quando saímos de Lisboa e nós de sandálias nos pés. Mas cheios de determinação.

Eu tinha visitado as grutas em miúda, com os meus pais, mas só guardava uma vaga ideia daquilo, de modo que ia tão entusiasmada quanto eles. As grutas são uma pequena maravilha da natureza. Porém, um pouco estragadas pelo homem, há que convir. O empreendimento turístico é feiozito e a museografia é bastante antiquada - as grutas abriram ao público em 1974 e fizeram-se coisas naquela altura que hoje nos parecem completamente desaquadas, como por exemplo aquele excesso de iluminação colorida, ou instalar repuxos lá dentro (porquê?, a beleza natural do espaço não era suficiente?), ou tentar construir um bar no meio das grutas e depois perceber que logisticamente não era viável e por isso lá estão o balcão e os bancos de cimento, como vestígios da desastrosa intervenção humana. Aliás, foi isso que mais me chocou ali: o excesso de intervenção humana. Algo que nos anos 70 devia fazer todo o sentido e que hoje felizmente já não se faz. Apesar disso, a visita causa um impacto enorme. Pela grandeza das grutas. Pela sua beleza. Por saber que estamos debaixo da terra. E lá vimos as estalactites.

No entanto, se lhes perguntarem eles dirão que o melhor da nossa ida às Grutas de Mira de Aire não foram as grutas mas o parque aquático. Assim que vi no site que o empreendimento turístico das grutas tinha um parque aquático soube que não havia como escapar. Marquei uma noite num dos bungalows - bastante simpático, por sinal - e os miúdos puderam aproveitar uma tarde e uma manhã de piscina, mergulhos e escorregadelas. O parque é pequeno e tem apenas três escorregas, o que significa que é perfeito. Eu fiquei sentada no meu cantinho a controlar tudo sem sair do lugar e eles podiam escorregar e depois subir as escadas a correr e voltar a escorregar sem filas nem confusões, num divertimento louco. 

No regresso, ainda aproveitámos para ir ver as salinas de Rio Maior, que eu não conhecia. No caminho para lá, enquanto o co-piloto António acompanhava o percurso no Google Maps, surgiu a questão: como é que é possível haver salinas tão longe do mar? E essa foi uma das coisas que aprendemos nesta visita. Estou à espera de uma ocasião especial para experimentar um pouco do sal que a simpática senhora do posto de turismo nos ofereceu depois de nos ter oferecido várias explicações.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 22:07

Domingo, 11.09.16

Aqui vamos nós outra vez

Os miúdos tiveram três meses inteirinhos de brincadeiras e liberdade. Eu juntei-me a eles nos últimos 24 dias (ena, ena, tantos). Foi tão bom que fica difícil escolher o que foi melhor. Os dias passados no Douro com os avós, diz o Pedro. O dia a escorregar no Aquashow com a Sónia e o resto dos amigos, diz o António. Os dias de praia com os primos, dizem os dois. As aventuras com os amigos novos da praia-campo da junta de freguesia (e crescer todos os dias um bocadinho). As brincadeiras com os vizinhos no terraço ou no condomínio da avó. Os passeios, os mergulhos em piscinas e praias várias (este ano ninguém se pode queixar da temperatura da água do mar, nem mesmo eu que sou a maior friorenta do mundo), os jogos de futebol na areia, os jogos de cartas ao serão. Foi mesmo bom, mas acabou-se. A semana que amanhã começa é uma das semanas mais complicadas de todo o ano, com o regresso ao trabalho, à escola, às actividades, com novos horários, novas exigências, ainda à procura de novas rotinas. Que estejamos sempre assim, como nesta foto, felizes e unidos. Já que o bronze, já se sabe, esse vai desaparecer aos poucos.

20160828_192645.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 19:34



Pesquisar

Pesquisar no Blog  




Mais sobre mim

foto do autor