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Coisas que tenho em casa para devolver ao meu pai: uma caixa que trouxe cheia de sopa de grão, livros que ele me emprestou nestes últimos meses (anos?) e que me tenho esquecido de levar de volta para o Alentejo, um marcador que veio com algum dos livros e onde se lê: "Nada no mundo é mais doce que o amor".

Na nossa família nunca demos grande importância aos dias disto e daquilo. Mas isto de nos sabermos forçadamente à distância, de repente, deixa-nos um bocadinho mais lamechas. Hoje é dia do pai e acho que esta imagem diz muito sobre nós.

publicado às 18:24

30
Dez19

Adeus, Hope

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Hoje despedimo-nos da Hope. Tinha onze anos e estava muito doente. Vamos todos ter saudades dela, em especial o Pedro.

(é o que dá fazer balanços antes do tempo, afinal, perdemos alguém este ano...)

publicado às 19:09

30
Dez19

Best of 2019

Foi, genericamente, um ano mau. Não tão mau quanto 2012. Mas provavelmente pior do que todos os outros. Ou então é porque ainda está tudo muito fresco na minha cabeça. Mas estou em crer que não. Este foi o ano em que me senti mais frustrada no meu trabalho. Este foi o ano em que me senti mais frustrada como mãe. Este foi o ano em que me senti mais sozinha do que nunca e em que a única pessoa que me fez cócegas no coração não se apaixonou por mim, o que também me fez sentir frustrada. O que, vendo bem, é o retrato perfeito da minha vida, toda ela muito mais ou menos. Muito assim-assim. Muito nada de especial. Não quero ser injusta. Sei que tenho uma família que me apoia e me ajuda em tudo. Sei que tenho amigos dos bons. Sei que tenho muita sorte porque não temos doenças graves e este ano não perdi ninguém. Sei que tenho uma casa pela qual pago um preço justo e tenho um emprego que, até ver, me vai dando para pagar as contas. Sei que tenho dois filhos lindos que amo até ao infinito e mais além. Mas no momento em que me sento a fazer um balanço deste ano que passou não consigo sentir-me feliz. Pelo contrário. A única palavra que me ocorre é frustração. E só não faço deste um post de lamentações porque quero acabar o ano como o comecei: a pensar em coisas boas. Vou fixar-me nelas. Vou reviver todos os momentos bons de que me lembrar e fazer deles as minhas passas da meia-noite (as passas que eu nunca como à meia-noite porque só gosto de passas misturadas com comida, se calhar tem sido esse o meu erro). 

Para memória futura, o meu melhor de 2019 há de ser qualquer coisa como isto:

Os dias em que não me zango com eles.

Aquela tarde a beber chá na cama da Aline.

O jardim da Gulbenkian.

Os beijos.

E os abraços.

Fazer bolos.

Um jantar inesperado no indiano com a Sónia C.

A alegria do Pedro no parkour.

Cantar a Valsinha de mãos dadas.

Chegar ao final de mais um ano lectivo.

As férias.

Almoçar com o João Miguel.

O António está mais alto do que eu.

O Panorâmico de Monsanto.

O almoço no terraço da Sónia.

Na esplanada com a Ângela.

Os vários jantares com elas (all aboard ou lá o que é).

Aquela noite com a Paula F. e o Ricardo.

As conversas com a Paula (e tudo o que não precisamos de dizer porque já nos conhecemos tão bem).

O Alentejo. E as minhas pessoas de lá.

Um dia de praia na Arrifana.

Outro na Praia Verde.

Vê-los a dar mergulhos.

O concerto da Mayra Andrade com a Lina.

A minha amiga curou-se de uma doença má.

A serenidade da Cecília.

O almoço de aniversário, marcado em cima da hora, com a Isabel, a Helena e a Rute.

Os meus amigos. Todos eles.

A minha cozinha.

A viagem com a Ana ao Algarve.

Tricotar.

Os filmes, os livros, os espetáculos, as exposições, as músicas. The National, Devendra Banhardt, Dino D'Santiago, CapicuaDulce Maria Cardoso, Francisco José Viegas, Afonso Cruz, Pedro Almodóvar, Tiago Guedes, Jafar Panahi, Grada Kilomba, Mário CruzTiago Rodrigues, Ivo Canelas, Mónica Calle, Miguel Seabra, Giacomo e Madalena. Outros de que agora não me lembro.

Dançar. 

Aqueles momentos em que acredito que vai correr tudo bem.

Nós os três.

Deitar-me de consciência tranquila.

publicado às 09:11

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Estamos cá todos. Os putos crescem. Há sorrisos e partilhas e desafios e abraços e colos (e algumas birras também) e tudo o que faz uma família ser a nossa casa. 

Ontem o pai fez 72 anos. Hoje voltamos à nossa rotina. A felicidade também é isto.

publicado às 13:00

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1. Guardar uns dias de férias para esta altura do ano.

2. Aproveitar esse tempo precioso para estar com a família. Por exemplo, convidar os primos para virem passar uns dias connosco.

3. Viver por uns dias sem olhar para o relógio e sem estar sempre preocupada com as regras. Temos tão poucas oportunidades para estarmos assim juntos que o melhor é desfrutar, não é?

Claro que é preciso entrar no espírito da coisa. Ter um apartamento cheio de crianças significa que vou partilhar a cama com a minha sobrinha, que vai haver um colchão no quarto dos rapazes, que vai haver roupas e sapatos espalhados pelos quartos e não há maneira de ter tudo sempre arrumado. Também significa que não vou conseguir estar sozinha por mais de dois minutos, nem ver filmes e se calhar nem mesmo ter algum tempo no computador. Significa ir ao supermercado muitas vezes porque é preciso garantir pequenos-almoços, almoços, lanches, jantares e mais petiscos para todos e eles já são crescidos e comem muito e além disso ainda é capaz de aparecer o vizinho e nós gostamos de o ter por cá. Significa cozinhar para esta malta toda ou então levá-los a comer fora e termos de chegar a um consenso sobre o sítio onde vamos (dificílimo) e depois pagar a conta (ui). Significa aceitar que este tempo é para eles. Não é para marcar jantares com amigos nem para comprar presentes. É para eles. Para eles brincarem no terraço mesmo quando está um frio de morte. Para eles jogarem playstation mais horas do que seria aconselhável. Para os deixar ter alguma autonomia, porque é fixe quando estão todos juntos e tomam conta uns dos outros. Para eles conversarem e dizerem as suas parvoíces e aprofundarem cumplicidades que, acredito, ficarão para a vida. Significa também ter de gerir alguns conflitos, dar um grito quando é necessário (yeap, não sou assim tão boazinha) e impor a ordem (por exemplo, mandando desligar os aparelhos quando já é hora de desligar).

Mas acima de tudo significa sermos (e estarmos em) família. E isso é o natal.

E ainda: tivemos uma sorte danada. Quase todas as semanas a minha empresa sorteia bilhetes para o sporting, quase todas as semanas concorro e nestes anos todos nunca ganhei. Mas ganhei esta semana. E, assim, os mais velhos foram ao futebol sozinhos, com direito a camarote e a festival de golos. "Brutal", disseram eles. No final destes cinco dias, o meu sobrinho lindo dizia-me que tinha gostado tanto que esta estadia poderia ser a minha prenda de natal para ele (é verdade, nem todos os miúdos têm uma relação obsessiva com as prendas e não dão valor ao que recebem).

 

* o título deste post é obviamente irónico. eu não dou dicas a ninguém, limito-me a partilhar cenas de que me apetece falar. além disso, não tenho qualquer empatia com essa ideia de que é preciso aprender a "sobreviver" ao natal, como se esta fosse uma época horrível. eu gosto do natal (tenho uma tag natal neste blogue). não stressem e aproveitem a felicidade nas coisas pequenas e tudo correrá bem - essa é a minha única dica.

publicado às 19:27

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Se por acaso forem para aqueles lados vão ver as fotos do meu pai e pode ser que também me vejam por lá a preto e branco.

publicado às 19:46

20
Out17

A minha bolha

Ando a ler A Sociedade dos Sonhadores Involuntários, do Agualusa. Tão bom.

Fiz marmelada.

Apesar de algumas atribulações iniciais com a lã, que me obrigaram a começar tudo de novo, estou finalmente a trabalhar num novo projecto de tricot.

Os miúdos já começaram a pensar nas prendas de natal, o Pedro está entusiasmado com a festa das bruxas e o António, imagine-se, até já anda a fazer planos para o aniversário que é só em fevereiro.

Hoje a minha a mãe, também conhecida como avó Mariana, faz 70 anos.

Já perdi uma hora a ver fotografias antigas à procura de uma foto nossa. Adoro fotografias antigas.

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Outubro é o mês-casa, aquele mês em que olhamos para trás e olhamos para nós. 

(Os trabalhos de casa, a correria dos dias, as discussões permanentes, os corruptos que se abotoam com milhões à nossa conta, o jornalismo moribundo, o país queimado, as mortes horríveis, a politiquice da treta, a falência da Europa, as guerras por esse mundo fora. Não é fácil, mas se pararmos um pouco e olharmos com atenção, lá está ela, a felicidade nas coisas pequenas. Aquela que nos permite respirar e resistir. Não é alheamento, é sobrevivência.)

publicado às 09:19

02
Nov16

Na serra

Fizemos gazeta na segunda-feira, fabricámos um fim-de-semana prolongado e aproveitámos para fazer duas das coisas melhores do mundo: estar com as nossas pessoas e passear. Fomos ao Piódão.

Nós somos pessoas da planície, das estradas a direito e sem fim à vista e, às vezes, substituímos a planície pelo mar mas é mais ou menos a mesma sensação de infinito (e de liberdade). Nas minhas incursões à serra, por mais bonita que seja a paisagem, sinto-me sempre um bocadinho estranha, como se sofresse de claustrofobia. Não é só a dificuldade de conduzir naquelas curvas e contra-curvas, muito concentrada na linha tracejada que assinala o meio do caminho, a tentar afastar pensamentos maus, ai e se agora derrapo lá vou eu pela montanha abaixo. É mesmo aquela sensação de estar no fim do mundo e pensar mas como é que as pessoas moram aqui uma vida inteira e fazem o quê para se entreter e se agora precisasse de ir para o hospital como é que eu fazia? E olhem que eu não sou uma pessoa geralmente dada a estes pensamentos trágicos, acho sempre que vai correr tudo bem. Mas é isto que a serra me faz. De maneiras que fomos ao Piódão, que fica lá longe, e a paisagem é bonita e a aldeia também mas por algum motivo aquilo não me encheu as medidas. Quer fosse pelas curvas, quer fosse pelas portas de alumínio nas casas de xisto ou pelas lojas de recordações industrializadas como aquelas pantufas-dos-chineses-mas-a-fingir-que-são-da-serra.

Mas mesmo sem ter sido uma experiência avassaladora, foi muito bom. Porque passear é bom. Para os miudos, bastam duas noites num hotel e uma piscina e já ficam felizes. Juntemos a isto a companhia dos tios e dos primos, muitas brincadeiras e gargalhadas. E, depois, sim, é claro, a beleza do lugar é inegável. O silêncio da serra faz-nos bem. Andámos muito a pé por caminhos de terra a ver as árvores e a mexer nas pedras, a ouvir os passarinhos, a apanhar paus, a correr pelo campo e a aproveitar o sol na cara (esteve um tempo maravilhoso, tivemos imensa sorte), e, sim, foi muito fixe fazermos isto todos juntos, conhecer um sítio que não conhecíamos, aprender coisas novas, comer comidas diferentes (a broa de batata está aprovadíssima), desfrutar de paisagens que não são as nossas. No fim de contas, acho sempre que ganhamos algo quando saímos de casa. De tal maneira que já estamos a pensar quando é que podemos fazer a próxima escapadela, não é, mana?

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publicado às 18:49

09
Set16

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76-77.jpgParabéns, pai. 

publicado às 22:28

Dei por mim sentada numa toalha na praia num daqueles fins de tarde absolutamente espectaculares, com o sol à temperatura certa a tocar-me na pele, sem vento, sem preocupações, com um livro na mão e as gargalhadas dos miúdos, felicíssimos, em brincadeiras dentro e fora da água. E pensei: tenho tanta sorte. Tenho mesmo. É que dificilmente poderia ser melhor do que isto. Claro que poderíamos estar num país exótico qualquer ou poderíamos ter dinheiro para ficar num hotel ou para ir todos os dias comer em restaurantes e não teria que cozinhar ou poderíamos não sei quê. Mas eu não fico a pensar no que poderia ser. O que faço é olhar para aquilo que temos e perceber como, dadas as condições actuais, isto é o melhor que poderíamos ter. Melhor até do que seria de esperar.

Tenho esta sorte de ter sítios-que-são-como-a-minha-casa no Alentejo e no Algarve. A minha família que nos recebe sempre com comidas boas e boa disposição. Aquele calor abrasador, 46º a meio da tarde, que me leva de volta aos longos verões da infância. Os putos já crescidos e que não dão assim tanto trabalho. E desta vez levámos o primo connosco para uns dias de praia e foi ainda melhor porque eles puderam brincar e conversar e passear e divertir-se todos, muito autónomos - o Pedro ainda tem de crescer um bocadinho mas estamos a chegar àquela fase em que eles já quase conseguem resolver os seus conflitos sem a minha interferência e querem estar lá no mundo deles, os mais velhos a ver as miúdas de biquini e a ter as suas conversas parvas, sem precisarem de mim para se entreterem. E, acreditem, eu consegui realmente descansar. Descansar a cabeça de tudo. Fiquei cinco dias sem ter uma conversa com um adulto, o que poderia ter sido um problema mas até isso acabou por ser bom. 

Agora é só aguentar um bocadinho até às próximas férias.

E vejam só como eles cresceram:

098.JPGMonte Clérigo, setembro de 2010 

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Praia da Luz, julho de 2016 

(sim, a blusa que o Alex tem na foto em cima é a mesma que o António tem na foto em baixo, mas na verdade ela agora até já pertence ao Pedro. adoro estes pormenores)

publicado às 11:10


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