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Domingo às oito da manhã estava na cozinha a fazer massa com atum, antes de ir trabalhar. À hora do almoço liguei ao António, que estava sozinho em casa. "Está óptima, mãe, mesmo boa", disse-me, com a boca cheia, enquanto tirava garfadas de massa directamente do tacho, sem sequer a aquecer. Senti-me feliz. Acho que foi o melhor momento do meu dia da mãe.

 

Cozinhar para os outros, ainda que seja cozinhar uma coisa banal como massa com atum, é um ato de amor tão importante como dar braços. 

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publicado às 16:07

1 - Nunca serei a mãe que imaginei ser. Essa é a maior frustração.

 

2 - O amor de mãe (ou de pai) é o maior do mundo. É um cliché mas é verdade. 

 

3 - Ser mãe é ter medo. Constantemente. Medo de que algo de mal lhes possa acontecer, seja uma coisa grave ou uma coisa de nada. Medo de não estar lá quando eles precisam. De não ser suficiente. Que alguém os magoe. Que eles se magoem. Medo.

 

4 - Os filhos não são como nós queremos. Nós podemos orientá-los, educá-los, puxar por eles, ajudá-los, apoiá-los. Mas eles são como são. E isso é uma coisa boa (mesmo que às vezes não pareça).

 

5 - Não é preciso ter um bebé na barriga para se ser mãe (os pais não têm bebés nas barrigas e são pais).

 

6 - Relativizar é preciso. Sempre. Com tudo. 

 

7 - Há momentos em que eles nos odeiam. Custa mas faz parte. 

 

8 - Os filhos crescem. Deixam de caber no nosso colo, deixam de ouvir os nossos conselhos. Temos que os deixar ir. Temos que os deixar escolher. E errar. E aprender. Não é fácil mas tem mesmo de ser. 

 

9 - Poucas coisas são mais dolorosas do que ver um filho triste. Magoado. Doente. Choroso. Abraçamo-lo com força mas a impotência é enorme.

 

10 - Vê-los felizes é a maior felicidade de todas. Não é possível ser feliz todos os dias a todas as horas. Mas é possível ser feliz de vez em quando. É possível ser feliz com coisas pequenas. E isso é o que nos move. A felicidade está onde menos se espera.

 

 

É mentira. Não aprendi nada disto. Ainda estou a aprender. Tenho muitas dúvidas. E há dias em que me apetece desistir. E desespero. E zango-me. E sinto-me muito culpada. E choro. Mas depois acordo no dia seguinte e recomeço. Porque a única coisa que aprendi verdadeiramente, a única lição disto tudo, é que o trabalho de uma mãe nunca acaba. 

 

Ontem foi dia da mãe e foi um dia mau. Vamos ver como será hoje.

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publicado às 09:00

Não são bem umas férias. Foram só quatro dias de folga que eu consegui tirar para estar um bocadinho com eles sem a pressão da escola e dos horários. Só para estarmos. O primo juntou-se nestes dias e os crescidos foram ao cinema ver o "Capitão Marvel" mas não ficaram muito satisfeitos. Além disso, houve muita playstation, alguns jogos de bola no terraço e intermináveis conversas na cama, muito para além da hora de dormir. Faz parte. Depois, todos os dias, tivemos um pequeno programa organizado por mim. Apenas para tirá-los de casa. O adolescente de serviço foi sempre obrigado e contrariado, prometendo odiar tudo. Também faz parte. Não tivemos muita sorte com o tempo. Mas é preciso muito mais do que uma chuvinha para derrotar uma mãe-que-quer-afastar-os-seus-rapazes-dos-ecrãs, não é? No final, não correu assim tão mal. Acho que até houve momentos em que se divertiram.

 

1. Exposição "Cérebro - mais vasto do que o céu"

 

Muito interessante esta exposição na Fundação Gulbenkian. Os rapazes não tiveram paciência para ler os textos e absorver toda a informação (que é imensa) sobre o funcionamento do cérebro. Mas acho que experimentaram todos os jogos interactivos e acabaram por se divertir bastante. Mesmo. Ainda por cima, os preços são simpáticos: os miúdos até aos 12 anos não pagam, os jovens pagam 2,50 euros e os adultos 5 euros. Para ver até 10 de junho.

 

2. Miradouro Panorâmico de Monsanto

 

Um antigo restaurante abandonado no meio de Monsanto com uma vista fabulosa e muitos recantos para explorar - os meus filhos são mais do tipo explorador do que do tipo contemplador de paisagens. E ainda dá para ver de perto o retrato de Marielle feito por Vhils. Das 9.00 às 19.00. Entrada livre.

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3. Exposição "Living among what's left behind"

 

O fotógrafo Mário Cruz - premiado pelo World Press Photo - esteve em Manila e fotografou toda a pobreza daquelas pessoas que vivem do/no lixo junto ao rio Pasig. São imagens impressionantes e ele tem a capacidade de fotografar a miséria de forma bonita mas sem fazer da miséria uma coisa bonita (que é algo que me irrita muito num determinado tipo de fotojornalismo). Foi um murro no estomago para todos, sobretudo para os miúdos que se esquecem muita vezes do quão privilegiados são. A exposição está no Palácio dos Anjos, em Algés, até 26 de maio e a entrada é livre.

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publicado às 11:32

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Há tantos dias em que me apetece deitar a toalha ao chão. Nem imaginam. E depois há dias em que arregaço as mangas e vou lá, contra ventos e marés, não sou eu o capitão do meu navio?, ou lá como é que dizem os livros de auto-ajuda. Nunca desistir, nunca desistir, nunca desistir. Nem de nós nem dos outros. Ora vamos lá ver se conseguimos.

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publicado às 20:01

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2006

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2015

Hoje o António fez 15 anos e caiu nas escadas do prédio. No hospital, onde fomos só por prevenção, para termos a certeza que as dores eram só dores e não havia ossos partidos, disseram-nos que ele já não podia ir para as urgências pediátricas, que aos 15 já se vai ao médico dos crescidos. E foi ali, enquanto pagava 40 euros para esperar uma hora e meia por uma consulta de 10 minutos e sair de lá com uma receita de benuron e emplastro para as costas, que olhei de esguelha para o meu filho, um magricelas da minha altura com a cara cheia de borbulhas e os olhos permanentemente enfiados no telemóvel, e quase me emocionei. Quinze anos, caramba. E eu ainda tão à nora como quando o trouxe para casa da maternidade e mal sabia trocar uma fralda. Quinze anos, caramba. E ele ainda com o mesmo sorriso maroto. Tão lindo o meu filho de quinze anos. É uma peste, claro. Mas é a minha peste. O amor que temos pelos filhos é das coisas mais inexplicáveis e extraordinárias do ser humano.

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publicado às 23:44

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publicado às 08:28

31
Dez18

De 2018

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publicado às 18:20

23
Nov18

Uma alegria

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Do Baby Blues.

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publicado às 08:49

Trevor Noah tinha cinco anos quando Nelson Mandela foi libertado. Ou seja, quando ele nasceu a África do Sul vivia no sistema de apartheid e quando ele era um adolescente o país estava ainda a viver momentos conturbados a tentar aprender a democracia. São as memórias desse tempo que o apresentador de televisão e humorista, atualmente rosto do programa The Daily Show, conta na sua autobiografia, intitulada Sou um Crime, que é agora publicada em Portugal.

Hoje escrevo no meu jornal sobre o livro do Trevor Noah. Foi uma boa surpresa. E é uma lição. Para nós todos. Para mim, mãe que ainda hoje se zangou com o seu adolescente por causa da escola (como se a nota de fisica-química fosse assim tão determinante para o seu futuro). Sabem quando se diz que o mais importante é o amor, o exemplo e os valores que damos aos nossos filhos? Há casos em que isso é verdade. (Mas como é que nós sabemos que o nosso é um desses casos?)

Tantas dúvidas. 

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publicado às 21:44

30
Out18

"Bolsonado"

- Mãe, sabias que o Raul Solnado foi eleito presidente do Brasil?, anunciou o Pedro, de 10 anos, na segunda-feira de manhã.

Do outro lado da mesa da cozinha, o António levantou os olhos da taça de cereais e respondeu: - Quem? Mas esse não é o da guerra?

Ri-me tanto.

Agora, experimentem dizer Raul Solnado em voz alta e depressa e digam lá se não é parecido.

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publicado às 22:37


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