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A Gata Christie


Quinta-feira, 10.01.19

E se o meu melhor não for suficiente?

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por Gata às 08:28

Segunda-feira, 31.12.18

De 2018

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por Gata às 18:20

Sexta-feira, 23.11.18

Uma alegria

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Do Baby Blues.

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por Gata às 08:49

Quinta-feira, 08.11.18

Tudo é possível

Trevor Noah tinha cinco anos quando Nelson Mandela foi libertado. Ou seja, quando ele nasceu a África do Sul vivia no sistema de apartheid e quando ele era um adolescente o país estava ainda a viver momentos conturbados a tentar aprender a democracia. São as memórias desse tempo que o apresentador de televisão e humorista, atualmente rosto do programa The Daily Show, conta na sua autobiografia, intitulada Sou um Crime, que é agora publicada em Portugal.

Hoje escrevo no meu jornal sobre o livro do Trevor Noah. Foi uma boa surpresa. E é uma lição. Para nós todos. Para mim, mãe que ainda hoje se zangou com o seu adolescente por causa da escola (como se a nota de fisica-química fosse assim tão determinante para o seu futuro). Sabem quando se diz que o mais importante é o amor, o exemplo e os valores que damos aos nossos filhos? Há casos em que isso é verdade. (Mas como é que nós sabemos que o nosso é um desses casos?)

Tantas dúvidas. 

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por Gata às 21:44

Terça-feira, 30.10.18

"Bolsonado"

- Mãe, sabias que o Raul Solnado foi eleito presidente do Brasil?, anunciou o Pedro, de 10 anos, na segunda-feira de manhã.

Do outro lado da mesa da cozinha, o António levantou os olhos da taça de cereais e respondeu: - Quem? Mas esse não é o da guerra?

Ri-me tanto.

Agora, experimentem dizer Raul Solnado em voz alta e depressa e digam lá se não é parecido.

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por Gata às 22:37

Sábado, 08.09.18

Sapatos novos

Voltámos das férias para comprar sapatos. Literalmente. No primeiro dia, o António foi ao treino de futebol e, a meio, teve de tirar as meias porque lhe começaram a doer os dedos dos pés. Isto numas chuteiras compradas em fevereiro e que na altura até eram mais para o grande. Mas não são só os pés que estão maiores. Também a roupa deixou de servir e obrigou-nos a arrumações profundas das gavetas e armários. Eles estão mais altos, mais esguios, mais crescidos de muitas maneiras. Este verão deliciei-me a vê-los de longe a brincar e a conversar com os amigos, a saltar ondas grandes e a deslizarem por escorregas gigantes, saindo de casa sozinhos para ir às compras ou para comer um gelado, ficando em casa sozinhos sem quaisquer problemas. As férias são também momentos de grande liberdade. Em que, todos juntos, em bando, os miúdos exploram o mundo à sua volta, seja a jogar às cartas num quarto no último andar da casa ou num passeio até ao fundo da praia - sempre cada vez mais longe dos pais. Mais independentes - para o bem e também para o mal, pois claro. Adoro vê-los crescer na mesma medida em que me assusta pensar em tudo o que pode correr menos bem. Além disso, como acabei de descobrir, os sapatos tamanho 40 são muito mais caros do que os 38.

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por Gata às 19:18

Terça-feira, 04.09.18

Amor de verão

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O ano passado foi um dos piores de sempre. Estou a falar do ano lectivo, claro, que é como se contam os anos nas famílias com filhos. Foi um ano mau de muitas maneiras, incluindo as notas dos miúdos e o seu comportamento, algumas mudanças no trabalho, uma solidão maior do que o habitual e um desânimo geral com o mundo, e estou só a contar estas coisas por alto porque não sou de grandes lamentações mas queria que imaginassem a alegria e o enorme alívio que eu senti quando, ali por volta dos feriados de junho, me apercebi que aquele ano maldito estava finalmente a chegar ao fim. Sobrevivemos (sobrevivemos sempre, mesmo quando achamos que não vamos conseguir, não é?). E naquela altura decidi que iríamos aproveitar da melhor maneira possível estes três meses abençoados das férias de verão. Que não poderia ser de outra forma. Precisávamos - todos, mas eu precisava muito - de um descanso. De três meses sem discussões. Sem stresses. Sem horários. Sem pensar em trabalhos de casa e testes. Sem nada. Precisávamos mesmo - todos, mas eu precisava muito - de recarregar as baterias. De ganhar energia para enfrentar mais um ano, mais uma empreitada, e que empreitada será!, com um adolescente no 9º ano e o mais-pequeno-já-tão-crescido no 5º ano, meu deus, só de imaginar já estou cansada. De maneiras que decidi que estas férias teriam mesmo de ser férias.

E assim foi.

Durante três maravilhosos meses fomos felizes. Fomos felizes nos momentos que passámos juntos a três e nos momentos que passámos com muitos amigos e ainda nos momentos que passámos separados, o que é tão  necessário também. Estas férias foram muito boas (até mesmo quando eu estava trabalhar foram férias e foram boas). Ainda que não tenhamos viajado a lado nenhum. Ainda que não tivéssemos estado em nenhum hotel. Ainda que não tenhamos feito nada de verdadeiramente especial. Fizemos esta coisa especial que foi suspender a vida de todos os dias, a rotina, as preocupações. E depois aproveitar. O sol. O calor. Os amigos. A família. O tempo livre. A vida. Nas férias, somos o nosso melhor e conseguimos ver o melhor dos outros.

Foi bom.

E agora que está a acabar seria bom conseguir transportar alguma desta leveza e desta alegria para o novo ano que está prestes a começar. Como resistir ao despertador, aos tpc, ao "desliga o telemóvel", à roupa por estender, aos treinos de futebol, às contas para pagar, aos jogos ao fim-de-semana, ao cansaço, aos testes, ao trabalho fora de horas, aos imbecis que nos aparecem pela frente, às respostas tortas das crianças, aos jantares todos os dias, à vidinha? Como não perder o foco das coisas que são realmente importantes?  Como continuar a sorrir no meio disto tudo? 

Este é o grande desafio. Como quem deseja que um amor de verão possa sobreviver ao outono.

 

 

A propósito:

- Vejam as dicas do The GuardianSad summer’s over? 18 ways to keep the health, humour and happiness of your holiday alive

- Deliciem-se com o novo videoclipe de Childish Gambino para o tema Feels Like Summer:

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por Gata às 23:36

Quarta-feira, 23.05.18

Da falta que um homem faz (16)

A parte pior de um dia em que te sentes a pior mãe do mundo é quando te sentas no sofá ao serão e não há ninguém que te diga que és fantástica, mesmo que seja mentira.

(eu odeio mentiras, mas há dias em que gostava mesmo de ouvir umas quantas)

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por Gata às 23:41

Sábado, 05.05.18

Maternidade

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Chama-se The Letdown, ou em português da netflix Maternidade e Desapontamento, e são apenas sete episódios que todas as mães deviam ver. Para não se sentirem sozinhas. Para se sentirem menos falhadas. Melhor do que qualquer palestra de um guru qualquer que vos diga o que é que vocês deviam estar a fazer para serem melhores mães. Mesmo. 

Esta é uma série australiana, protagonizada por uma fantástica Alison Bell mas que nos mostra não só a sua experiência como mãe de uma bebé como também outras experiências de outras mães que ela vai conhecendo. E está lá tudo. Qualquer pessoa que tenha sido mãe vai encontrar algum ponto de contacto. Seja as noites sem dormir seja a falta de apetite sexual (ou o medo de voltar a fazê-lo). As dores do parto. O cansaço. A insegurança (bolas, a insegurança, quando é que nos livramos disto?). A incompreensão dos amigos que não têm filhos. A solidão, aquela grande solidão que se sente naqueles meses que passamos em casa com um bebé. A amamentação. As críticas dos outros. Os olhares reprovadores. As noites sem dormir. A total inaptidão de um marido que até aí era perfeito. As discussões. A casa desarrumada. O desejo de fazer tudo bem. O falhanço. O cansaço outra vez. As hormonas. A sogra. A nossa mãe. A culpa. Sentir que estamos a crescer. A enorme responsabilidade de ter um bebé ao nosso cuidado. Aquela sensação de que isto não é a nossa vida, é como se estivéssemos a ver um filme. Só que não.

É bom para rir. Se bem que às vezes também fiquei aqui com um nó na garganta.

The world created by The Letdown, largely with a light touch, is very real: small, chaotic, sometimes lonely, and very, very sleep-deprived. Inevitably however, as a new parent, the more absurd jokes often feel less comedy, more cinéma vérité.

 

Ser mãe de um bebé é isto tudo e é também absolutamente maravilhoso. Pode não ser exactamente como nós imaginávamos (e, sobretudo, nós não somos exactamente como imaginámos que seríamos) mas (lá vem o tal cliché) a verdade é que não há nada que se compare a este amor que sentimos por estas pessoas pequenas que nos fazem sentir tão miseráveis e felizes ao mesmo tempo. Acho que esse é um dos grandes mistérios da humanidade.

(depois melhora. numas coisas. e também piora. noutras. enfim.)

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por Gata às 22:55

Domingo, 18.03.18

Todos os dias

Ontem o António teve um pesadelo. Acordou e veio a correr para a minha cama. Ali ficámos agarrados uns minutos, no escuro. Mas esta não é uma maneira habitual de começar o dia. Num dia normal, como o de ontem, o António sai de casa sozinho, armado em crescido, para ir à festa de anos de um amigo no Colombo enquanto eu fico a dar miminhos ao Pedro, que, avisou-me a professora, está com a habitual crise do dia do pai. Deixo-o ver vários episódios do "CSI Miami" e do "Hawai Força Especial" e pelo meio do estudo de inglês ainda lhe faço um bolo de chocolate. Ao fim do dia, é a audição de bateria. O António vem amuado, porque queria ter continuado na festa. Mas vem. O Pedro morre de vergonha de se apresentar em público mas lá estamos nós, eu e mano, na primeira fila, a aplaudir e a tirar fotografias. Depois o vizinho vem jogar playstation e eu fico na cozinha a assar batata doce e pernas de frango, até que o António pergunta "o Afonso pode jantar connosco?" e eu invento mais uns ovos mexidos e até faço feijão preto porque gosto que eles gostem de estar cá em casa com os amigos. E, depois do jantar, sentamo-nos todos no sofá a comer gelado e a ver o "Crocodile Dundee". Num dia normal, como o de hoje, saímos de casa de manhã a discutir porque eu acho que o António deveria ser mais responsável e saber onde deixou as caneleiras e não ficar na brincadeira quando tem de se despachar para o futebol. Deixamos o António no campo e eu e o Pedro vamos ao supermercado. Depois, vamos ver o jogo e sofro de cada vez que ele erra um passe, fico feliz com os cantos tão bem marcados, parte-se-me o coração quando o vejo desalentado no banco a ver a equipa perder. Logo a seguir, enche-me de orgulho o meu filho que agarra o colega de equipa, impedindo-o de fazer uma parvoíce que lhe iria custar caro; que acalma outro que acaba por ser expulso do jogo; que no final, ao contrário de muitos que saem amuados, cumprimenta os adversários e os árbitros com um aperto de mão firme. Dou-lhe um beijo à saída do balneário. Ele a escapar-se, com a vergonha típica dos adolescentes. Digo-lhe: "Fiquei muito orgulhosa de ti". Já é tarde e deixo-os fazer um almoço alternativo. O António come uma lata de sardinhas. O Pedro come noodles de pacote. Sou a melhor mãe do mundo durante cinco minutos. Passado um bocado já me estou a chatear porque são horas de trabalhar e nenhum deles quer largar os aparelhos. Digo uma vez, duas vezes, vinte vezes. É preciso chatear-me a sério para que o Pedro se sente ao meu lado a estudar inglês, enquanto o António faz um trabalho sobre o Mondrian. Alguém deveria dizer à professora de Educação Visual que um miúdo do oitavo ano não conseguirá nunca fazer uma análise com pés e cabeça de um quadro do Mondrian, mas, pronto, isto eu não posso dizer-lhe a ele. O puto protesta. Lá o tento ajudar. Ele odeia que eu lhe corrija os trabalhos. A coisa azeda. Mais uma discussão para o currículo. "Fizeste-me perder uma tarde inteira nisto", diz, a pensar em todos os minutos de playstation que ficaram por jogar nestas duas horas de trabalho. Mas quando se levanta para arrumar as coisas da escola dá-me um abraço, assim daqueles bons. Ponho-me a ver o novo "Humanity" de Ricky Gervais, no Netflix, mas tenho que interromper a cada cinco minutos para ver a repetição dos golos que eles marcam no Fifa. "Oh, mãe, oh, mãe, vê lá este. Brutal." Está um frio de morte e os miúdos decidem ir dar pontapés de verdade para o terraço com os vizinhos. Vejo-os cá de cima. Tão felizes. Às 19.30 não sei se os chamo para os banhos ou se os deixo estar mais um pouco. A hesitação resolve-se facilmente: o António molhou o Pedro, o Pedro molhou o António, estão a discutir aos gritos. Abro a janela: "Acabou a brincadeira!" Vêm do contra, é preciso pôr ordem naquilo e ainda zangar-me com o António para que desligue o telemóvel e se decida a entrar na banheira. Ao jantar, um queixa-se da sopa, o outro não quer salada. Não há tempo para muito mais. "António, desliga o telefone." (Quantas vezes é que eu digo esta frase num dia?) Vão lavar os dentos e implicam um com outro, põem-se a lutar wrestling, não tarda nada já estão a discutir outra vez. Vou lá eu. Dou um grito. Cama. Cada um com um livro. Até parecem uns anjos. Passa há muito da hora de dormir. O Pedro quer o saco de água quente. Tenho que lhes ir dizer para apagarem as luzes. Beijo-os muito. Venho para o computador e como amêndoas de chocolate.

Estes são os nossos dias normais. Dias cheios de coisas importantes e coisas de nada. Coisas boas e coisas más. Abraços e amuos. Discussões e cenas muito fixes. É assim ao sábado e ao domingo. E também é mais ou menos assim, com intervalo para a escola, na segunda, na terça, na quarta, na quinta e na sexta. É assim esta semana e na próxima e na seguinte. É assim em março e em abril e em maio e nos outros meses todos. Foi assim no ano passado, é assim este ano, será assim no ano que vem. 

Cá em casa todos os dias são dia da mãe.

O resto é conversa. Literalmente.

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por Gata às 23:58



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