Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Gata Christie


Quinta-feira, 11.04.19

Operação "tirar adolescentes de casa"

Não são bem umas férias. Foram só quatro dias de folga que eu consegui tirar para estar um bocadinho com eles sem a pressão da escola e dos horários. Só para estarmos. O primo juntou-se nestes dias e os crescidos foram ao cinema ver o "Capitão Marvel" mas não ficaram muito satisfeitos. Além disso, houve muita playstation, alguns jogos de bola no terraço e intermináveis conversas na cama, muito para além da hora de dormir. Faz parte. Depois, todos os dias, tivemos um pequeno programa organizado por mim. Apenas para tirá-los de casa. O adolescente de serviço foi sempre obrigado e contrariado, prometendo odiar tudo. Também faz parte. Não tivemos muita sorte com o tempo. Mas é preciso muito mais do que uma chuvinha para derrotar uma mãe-que-quer-afastar-os-seus-rapazes-dos-ecrãs, não é? No final, não correu assim tão mal. Acho que até houve momentos em que se divertiram.

 

1. Exposição "Cérebro - mais vasto do que o céu"

Muito interessante esta exposição na Fundação Gulbenkian. Os rapazes não tiveram paciência para ler os textos e absorver toda a informação (que é imensa) sobre o funcionamento do cérebro. Mas acho que experimentaram todos os jogos interactivos e acabaram por se divertir bastante. Mesmo. Ainda por cima, os preços são simpáticos: os miúdos até aos 12 anos não pagam, os jovens pagam 2,50 euros e os adultos 5 euros. Para ver até 10 de junho.

 

2. Miradouro Panorâmico de Monsanto

Um antigo restaurante abandonado no meio de Monsanto com uma vista fabulosa e muitos recantos para explorar - os meus filhos são mais do tipo explorador do que do tipo contemplador de paisagens. E ainda dá para ver de perto o retrato de Marielle feito por Vhils. Das 9.00 às 19.00. Entrada livre.

20190410_141308.jpg

 

3. Exposição "Living among what's left behind"

O fotógrafo Mário Cruz - premiado pelo World Press Photo - esteve em Manila e fotografou toda a pobreza daquelas pessoas que vivem do/no lixo junto ao rio Pasig. São imagens impressionantes e ele tem a capacidade de fotografar a miséria de forma bonita mas sem fazer da miséria uma coisa bonita (que é algo que me irrita muito num determinado tipo de fotojornalismo). Foi um murro no estomago para todos, sobretudo para os miúdos que se esquecem muita vezes do quão privilegiados são. A exposição está no Palácio dos Anjos, em Algés, até 26 de maio e a entrada é livre.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 11:32

Sexta-feira, 15.03.19

Era o que faltava

transferir.png

Há tantos dias em que me apetece deitar a toalha ao chão. Nem imaginam. E depois há dias em que arregaço as mangas e vou lá, contra ventos e marés, não sou eu o capitão do meu navio?, ou lá como é que dizem os livros de auto-ajuda. Nunca desistir, nunca desistir, nunca desistir. Nem de nós nem dos outros. Ora vamos lá ver se conseguimos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 20:01

Terça-feira, 26.02.19

E agora já está da minha altura

Verão 2006 052.jpg

2006

IMG_1478.JPG

2015

Hoje o António fez 15 anos e caiu nas escadas do prédio. No hospital, onde fomos só por prevenção, para termos a certeza que as dores eram só dores e não havia ossos partidos, disseram-nos que ele já não podia ir para as urgências pediátricas, que aos 15 já se vai ao médico dos crescidos. E foi ali, enquanto pagava 40 euros para esperar uma hora e meia por uma consulta de 10 minutos e sair de lá com uma receita de benuron e emplastro para as costas, que olhei de esguelha para o meu filho, um magricelas da minha altura com a cara cheia de borbulhas e os olhos permanentemente enfiados no telemóvel, e quase me emocionei. Quinze anos, caramba. E eu ainda tão à nora como quando o trouxe para casa da maternidade e mal sabia trocar uma fralda. Quinze anos, caramba. E ele ainda com o mesmo sorriso maroto. Tão lindo o meu filho de quinze anos. É uma peste, claro. Mas é a minha peste. O amor que temos pelos filhos é das coisas mais inexplicáveis e extraordinárias do ser humano.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 23:44

Quinta-feira, 10.01.19

E se o meu melhor não for suficiente?

85bdf33200f24406dc81bbda82656bde.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 08:28

Segunda-feira, 31.12.18

De 2018

DSC_1727.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Gata às 18:20

Sexta-feira, 23.11.18

Uma alegria

content.jpg

Do Baby Blues.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 08:49

Quinta-feira, 08.11.18

Tudo é possível

Trevor Noah tinha cinco anos quando Nelson Mandela foi libertado. Ou seja, quando ele nasceu a África do Sul vivia no sistema de apartheid e quando ele era um adolescente o país estava ainda a viver momentos conturbados a tentar aprender a democracia. São as memórias desse tempo que o apresentador de televisão e humorista, atualmente rosto do programa The Daily Show, conta na sua autobiografia, intitulada Sou um Crime, que é agora publicada em Portugal.

Hoje escrevo no meu jornal sobre o livro do Trevor Noah. Foi uma boa surpresa. E é uma lição. Para nós todos. Para mim, mãe que ainda hoje se zangou com o seu adolescente por causa da escola (como se a nota de fisica-química fosse assim tão determinante para o seu futuro). Sabem quando se diz que o mais importante é o amor, o exemplo e os valores que damos aos nossos filhos? Há casos em que isso é verdade. (Mas como é que nós sabemos que o nosso é um desses casos?)

Tantas dúvidas. 

350x.jpg 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 21:44

Terça-feira, 30.10.18

"Bolsonado"

- Mãe, sabias que o Raul Solnado foi eleito presidente do Brasil?, anunciou o Pedro, de 10 anos, na segunda-feira de manhã.

Do outro lado da mesa da cozinha, o António levantou os olhos da taça de cereais e respondeu: - Quem? Mas esse não é o da guerra?

Ri-me tanto.

Agora, experimentem dizer Raul Solnado em voz alta e depressa e digam lá se não é parecido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 22:37

Sábado, 08.09.18

Sapatos novos

Voltámos das férias para comprar sapatos. Literalmente. No primeiro dia, o António foi ao treino de futebol e, a meio, teve de tirar as meias porque lhe começaram a doer os dedos dos pés. Isto numas chuteiras compradas em fevereiro e que na altura até eram mais para o grande. Mas não são só os pés que estão maiores. Também a roupa deixou de servir e obrigou-nos a arrumações profundas das gavetas e armários. Eles estão mais altos, mais esguios, mais crescidos de muitas maneiras. Este verão deliciei-me a vê-los de longe a brincar e a conversar com os amigos, a saltar ondas grandes e a deslizarem por escorregas gigantes, saindo de casa sozinhos para ir às compras ou para comer um gelado, ficando em casa sozinhos sem quaisquer problemas. As férias são também momentos de grande liberdade. Em que, todos juntos, em bando, os miúdos exploram o mundo à sua volta, seja a jogar às cartas num quarto no último andar da casa ou num passeio até ao fundo da praia - sempre cada vez mais longe dos pais. Mais independentes - para o bem e também para o mal, pois claro. Adoro vê-los crescer na mesma medida em que me assusta pensar em tudo o que pode correr menos bem. Além disso, como acabei de descobrir, os sapatos tamanho 40 são muito mais caros do que os 38.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 19:18

Terça-feira, 04.09.18

Amor de verão

20180822_195219.jpg 

O ano passado foi um dos piores de sempre. Estou a falar do ano lectivo, claro, que é como se contam os anos nas famílias com filhos. Foi um ano mau de muitas maneiras, incluindo as notas dos miúdos e o seu comportamento, algumas mudanças no trabalho, uma solidão maior do que o habitual e um desânimo geral com o mundo, e estou só a contar estas coisas por alto porque não sou de grandes lamentações mas queria que imaginassem a alegria e o enorme alívio que eu senti quando, ali por volta dos feriados de junho, me apercebi que aquele ano maldito estava finalmente a chegar ao fim. Sobrevivemos (sobrevivemos sempre, mesmo quando achamos que não vamos conseguir, não é?). E naquela altura decidi que iríamos aproveitar da melhor maneira possível estes três meses abençoados das férias de verão. Que não poderia ser de outra forma. Precisávamos - todos, mas eu precisava muito - de um descanso. De três meses sem discussões. Sem stresses. Sem horários. Sem pensar em trabalhos de casa e testes. Sem nada. Precisávamos mesmo - todos, mas eu precisava muito - de recarregar as baterias. De ganhar energia para enfrentar mais um ano, mais uma empreitada, e que empreitada será!, com um adolescente no 9º ano e o mais-pequeno-já-tão-crescido no 5º ano, meu deus, só de imaginar já estou cansada. De maneiras que decidi que estas férias teriam mesmo de ser férias.

E assim foi.

Durante três maravilhosos meses fomos felizes. Fomos felizes nos momentos que passámos juntos a três e nos momentos que passámos com muitos amigos e ainda nos momentos que passámos separados, o que é tão  necessário também. Estas férias foram muito boas (até mesmo quando eu estava trabalhar foram férias e foram boas). Ainda que não tenhamos viajado a lado nenhum. Ainda que não tivéssemos estado em nenhum hotel. Ainda que não tenhamos feito nada de verdadeiramente especial. Fizemos esta coisa especial que foi suspender a vida de todos os dias, a rotina, as preocupações. E depois aproveitar. O sol. O calor. Os amigos. A família. O tempo livre. A vida. Nas férias, somos o nosso melhor e conseguimos ver o melhor dos outros.

Foi bom.

E agora que está a acabar seria bom conseguir transportar alguma desta leveza e desta alegria para o novo ano que está prestes a começar. Como resistir ao despertador, aos tpc, ao "desliga o telemóvel", à roupa por estender, aos treinos de futebol, às contas para pagar, aos jogos ao fim-de-semana, ao cansaço, aos testes, ao trabalho fora de horas, aos imbecis que nos aparecem pela frente, às respostas tortas das crianças, aos jantares todos os dias, à vidinha? Como não perder o foco das coisas que são realmente importantes?  Como continuar a sorrir no meio disto tudo? 

Este é o grande desafio. Como quem deseja que um amor de verão possa sobreviver ao outono.

 

 

A propósito:

- Vejam as dicas do The GuardianSad summer’s over? 18 ways to keep the health, humour and happiness of your holiday alive

- Deliciem-se com o novo videoclipe de Childish Gambino para o tema Feels Like Summer:

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Gata às 23:36



Pesquisar

Pesquisar no Blog  




Mais sobre mim

foto do autor