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A Gata Christie


Quinta-feira, 08.11.18

Tudo é possível

Trevor Noah tinha cinco anos quando Nelson Mandela foi libertado. Ou seja, quando ele nasceu a África do Sul vivia no sistema de apartheid e quando ele era um adolescente o país estava ainda a viver momentos conturbados a tentar aprender a democracia. São as memórias desse tempo que o apresentador de televisão e humorista, atualmente rosto do programa The Daily Show, conta na sua autobiografia, intitulada Sou um Crime, que é agora publicada em Portugal.

Hoje escrevo no meu jornal sobre o livro do Trevor Noah. Foi uma boa surpresa. E é uma lição. Para nós todos. Para mim, mãe que ainda hoje se zangou com o seu adolescente por causa da escola (como se a nota de fisica-química fosse assim tão determinante para o seu futuro). Sabem quando se diz que o mais importante é o amor, o exemplo e os valores que damos aos nossos filhos? Há casos em que isso é verdade. (Mas como é que nós sabemos que o nosso é um desses casos?)

Tantas dúvidas. 

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por Gata às 21:44

Terça-feira, 30.10.18

"Bolsonado"

- Mãe, sabias que o Raul Solnado foi eleito presidente do Brasil?, anunciou o Pedro, de 10 anos, na segunda-feira de manhã.

Do outro lado da mesa da cozinha, o António levantou os olhos da taça de cereais e respondeu: - Quem? Mas esse não é o da guerra?

Ri-me tanto.

Agora, experimentem dizer Raul Solnado em voz alta e depressa e digam lá se não é parecido.

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por Gata às 22:37

Sábado, 08.09.18

Sapatos novos

Voltámos das férias para comprar sapatos. Literalmente. No primeiro dia, o António foi ao treino de futebol e, a meio, teve de tirar as meias porque lhe começaram a doer os dedos dos pés. Isto numas chuteiras compradas em fevereiro e que na altura até eram mais para o grande. Mas não são só os pés que estão maiores. Também a roupa deixou de servir e obrigou-nos a arrumações profundas das gavetas e armários. Eles estão mais altos, mais esguios, mais crescidos de muitas maneiras. Este verão deliciei-me a vê-los de longe a brincar e a conversar com os amigos, a saltar ondas grandes e a deslizarem por escorregas gigantes, saindo de casa sozinhos para ir às compras ou para comer um gelado, ficando em casa sozinhos sem quaisquer problemas. As férias são também momentos de grande liberdade. Em que, todos juntos, em bando, os miúdos exploram o mundo à sua volta, seja a jogar às cartas num quarto no último andar da casa ou num passeio até ao fundo da praia - sempre cada vez mais longe dos pais. Mais independentes - para o bem e também para o mal, pois claro. Adoro vê-los crescer na mesma medida em que me assusta pensar em tudo o que pode correr menos bem. Além disso, como acabei de descobrir, os sapatos tamanho 40 são muito mais caros do que os 38.

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por Gata às 19:18

Terça-feira, 04.09.18

Amor de verão

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O ano passado foi um dos piores de sempre. Estou a falar do ano lectivo, claro, que é como se contam os anos nas famílias com filhos. Foi um ano mau de muitas maneiras, incluindo as notas dos miúdos e o seu comportamento, algumas mudanças no trabalho, uma solidão maior do que o habitual e um desânimo geral com o mundo, e estou só a contar estas coisas por alto porque não sou de grandes lamentações mas queria que imaginassem a alegria e o enorme alívio que eu senti quando, ali por volta dos feriados de junho, me apercebi que aquele ano maldito estava finalmente a chegar ao fim. Sobrevivemos (sobrevivemos sempre, mesmo quando achamos que não vamos conseguir, não é?). E naquela altura decidi que iríamos aproveitar da melhor maneira possível estes três meses abençoados das férias de verão. Que não poderia ser de outra forma. Precisávamos - todos, mas eu precisava muito - de um descanso. De três meses sem discussões. Sem stresses. Sem horários. Sem pensar em trabalhos de casa e testes. Sem nada. Precisávamos mesmo - todos, mas eu precisava muito - de recarregar as baterias. De ganhar energia para enfrentar mais um ano, mais uma empreitada, e que empreitada será!, com um adolescente no 9º ano e o mais-pequeno-já-tão-crescido no 5º ano, meu deus, só de imaginar já estou cansada. De maneiras que decidi que estas férias teriam mesmo de ser férias.

E assim foi.

Durante três maravilhosos meses fomos felizes. Fomos felizes nos momentos que passámos juntos a três e nos momentos que passámos com muitos amigos e ainda nos momentos que passámos separados, o que é tão  necessário também. Estas férias foram muito boas (até mesmo quando eu estava trabalhar foram férias e foram boas). Ainda que não tenhamos viajado a lado nenhum. Ainda que não tivéssemos estado em nenhum hotel. Ainda que não tenhamos feito nada de verdadeiramente especial. Fizemos esta coisa especial que foi suspender a vida de todos os dias, a rotina, as preocupações. E depois aproveitar. O sol. O calor. Os amigos. A família. O tempo livre. A vida. Nas férias, somos o nosso melhor e conseguimos ver o melhor dos outros.

Foi bom.

E agora que está a acabar seria bom conseguir transportar alguma desta leveza e desta alegria para o novo ano que está prestes a começar. Como resistir ao despertador, aos tpc, ao "desliga o telemóvel", à roupa por estender, aos treinos de futebol, às contas para pagar, aos jogos ao fim-de-semana, ao cansaço, aos testes, ao trabalho fora de horas, aos imbecis que nos aparecem pela frente, às respostas tortas das crianças, aos jantares todos os dias, à vidinha? Como não perder o foco das coisas que são realmente importantes?  Como continuar a sorrir no meio disto tudo? 

Este é o grande desafio. Como quem deseja que um amor de verão possa sobreviver ao outono.

 

 

A propósito:

- Vejam as dicas do The GuardianSad summer’s over? 18 ways to keep the health, humour and happiness of your holiday alive

- Deliciem-se com o novo videoclipe de Childish Gambino para o tema Feels Like Summer:

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por Gata às 23:36

Quarta-feira, 23.05.18

Da falta que um homem faz (16)

A parte pior de um dia em que te sentes a pior mãe do mundo é quando te sentas no sofá ao serão e não há ninguém que te diga que és fantástica, mesmo que seja mentira.

(eu odeio mentiras, mas há dias em que gostava mesmo de ouvir umas quantas)

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por Gata às 23:41

Sábado, 05.05.18

Maternidade

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Chama-se The Letdown, ou em português da netflix Maternidade e Desapontamento, e são apenas sete episódios que todas as mães deviam ver. Para não se sentirem sozinhas. Para se sentirem menos falhadas. Melhor do que qualquer palestra de um guru qualquer que vos diga o que é que vocês deviam estar a fazer para serem melhores mães. Mesmo. 

Esta é uma série australiana, protagonizada por uma fantástica Alison Bell mas que nos mostra não só a sua experiência como mãe de uma bebé como também outras experiências de outras mães que ela vai conhecendo. E está lá tudo. Qualquer pessoa que tenha sido mãe vai encontrar algum ponto de contacto. Seja as noites sem dormir seja a falta de apetite sexual (ou o medo de voltar a fazê-lo). As dores do parto. O cansaço. A insegurança (bolas, a insegurança, quando é que nos livramos disto?). A incompreensão dos amigos que não têm filhos. A solidão, aquela grande solidão que se sente naqueles meses que passamos em casa com um bebé. A amamentação. As críticas dos outros. Os olhares reprovadores. As noites sem dormir. A total inaptidão de um marido que até aí era perfeito. As discussões. A casa desarrumada. O desejo de fazer tudo bem. O falhanço. O cansaço outra vez. As hormonas. A sogra. A nossa mãe. A culpa. Sentir que estamos a crescer. A enorme responsabilidade de ter um bebé ao nosso cuidado. Aquela sensação de que isto não é a nossa vida, é como se estivéssemos a ver um filme. Só que não.

É bom para rir. Se bem que às vezes também fiquei aqui com um nó na garganta.

The world created by The Letdown, largely with a light touch, is very real: small, chaotic, sometimes lonely, and very, very sleep-deprived. Inevitably however, as a new parent, the more absurd jokes often feel less comedy, more cinéma vérité.

 

Ser mãe de um bebé é isto tudo e é também absolutamente maravilhoso. Pode não ser exactamente como nós imaginávamos (e, sobretudo, nós não somos exactamente como imaginámos que seríamos) mas (lá vem o tal cliché) a verdade é que não há nada que se compare a este amor que sentimos por estas pessoas pequenas que nos fazem sentir tão miseráveis e felizes ao mesmo tempo. Acho que esse é um dos grandes mistérios da humanidade.

(depois melhora. numas coisas. e também piora. noutras. enfim.)

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por Gata às 22:55

Domingo, 18.03.18

Todos os dias

Ontem o António teve um pesadelo. Acordou e veio a correr para a minha cama. Ali ficámos agarrados uns minutos, no escuro. Mas esta não é uma maneira habitual de começar o dia. Num dia normal, como o de ontem, o António sai de casa sozinho, armado em crescido, para ir à festa de anos de um amigo no Colombo enquanto eu fico a dar miminhos ao Pedro, que, avisou-me a professora, está com a habitual crise do dia do pai. Deixo-o ver vários episódios do "CSI Miami" e do "Hawai Força Especial" e pelo meio do estudo de inglês ainda lhe faço um bolo de chocolate. Ao fim do dia, é a audição de bateria. O António vem amuado, porque queria ter continuado na festa. Mas vem. O Pedro morre de vergonha de se apresentar em público mas lá estamos nós, eu e mano, na primeira fila, a aplaudir e a tirar fotografias. Depois o vizinho vem jogar playstation e eu fico na cozinha a assar batata doce e pernas de frango, até que o António pergunta "o Afonso pode jantar connosco?" e eu invento mais uns ovos mexidos e até faço feijão preto porque gosto que eles gostem de estar cá em casa com os amigos. E, depois do jantar, sentamo-nos todos no sofá a comer gelado e a ver o "Crocodile Dundee". Num dia normal, como o de hoje, saímos de casa de manhã a discutir porque eu acho que o António deveria ser mais responsável e saber onde deixou as caneleiras e não ficar na brincadeira quando tem de se despachar para o futebol. Deixamos o António no campo e eu e o Pedro vamos ao supermercado. Depois, vamos ver o jogo e sofro de cada vez que ele erra um passe, fico feliz com os cantos tão bem marcados, parte-se-me o coração quando o vejo desalentado no banco a ver a equipa perder. Logo a seguir, enche-me de orgulho o meu filho que agarra o colega de equipa, impedindo-o de fazer uma parvoíce que lhe iria custar caro; que acalma outro que acaba por ser expulso do jogo; que no final, ao contrário de muitos que saem amuados, cumprimenta os adversários e os árbitros com um aperto de mão firme. Dou-lhe um beijo à saída do balneário. Ele a escapar-se, com a vergonha típica dos adolescentes. Digo-lhe: "Fiquei muito orgulhosa de ti". Já é tarde e deixo-os fazer um almoço alternativo. O António come uma lata de sardinhas. O Pedro come noodles de pacote. Sou a melhor mãe do mundo durante cinco minutos. Passado um bocado já me estou a chatear porque são horas de trabalhar e nenhum deles quer largar os aparelhos. Digo uma vez, duas vezes, vinte vezes. É preciso chatear-me a sério para que o Pedro se sente ao meu lado a estudar inglês, enquanto o António faz um trabalho sobre o Mondrian. Alguém deveria dizer à professora de Educação Visual que um miúdo do oitavo ano não conseguirá nunca fazer uma análise com pés e cabeça de um quadro do Mondrian, mas, pronto, isto eu não posso dizer-lhe a ele. O puto protesta. Lá o tento ajudar. Ele odeia que eu lhe corrija os trabalhos. A coisa azeda. Mais uma discussão para o currículo. "Fizeste-me perder uma tarde inteira nisto", diz, a pensar em todos os minutos de playstation que ficaram por jogar nestas duas horas de trabalho. Mas quando se levanta para arrumar as coisas da escola dá-me um abraço, assim daqueles bons. Ponho-me a ver o novo "Humanity" de Ricky Gervais, no Netflix, mas tenho que interromper a cada cinco minutos para ver a repetição dos golos que eles marcam no Fifa. "Oh, mãe, oh, mãe, vê lá este. Brutal." Está um frio de morte e os miúdos decidem ir dar pontapés de verdade para o terraço com os vizinhos. Vejo-os cá de cima. Tão felizes. Às 19.30 não sei se os chamo para os banhos ou se os deixo estar mais um pouco. A hesitação resolve-se facilmente: o António molhou o Pedro, o Pedro molhou o António, estão a discutir aos gritos. Abro a janela: "Acabou a brincadeira!" Vêm do contra, é preciso pôr ordem naquilo e ainda zangar-me com o António para que desligue o telemóvel e se decida a entrar na banheira. Ao jantar, um queixa-se da sopa, o outro não quer salada. Não há tempo para muito mais. "António, desliga o telefone." (Quantas vezes é que eu digo esta frase num dia?) Vão lavar os dentos e implicam um com outro, põem-se a lutar wrestling, não tarda nada já estão a discutir outra vez. Vou lá eu. Dou um grito. Cama. Cada um com um livro. Até parecem uns anjos. Passa há muito da hora de dormir. O Pedro quer o saco de água quente. Tenho que lhes ir dizer para apagarem as luzes. Beijo-os muito. Venho para o computador e como amêndoas de chocolate.

Estes são os nossos dias normais. Dias cheios de coisas importantes e coisas de nada. Coisas boas e coisas más. Abraços e amuos. Discussões e cenas muito fixes. É assim ao sábado e ao domingo. E também é mais ou menos assim, com intervalo para a escola, na segunda, na terça, na quarta, na quinta e na sexta. É assim esta semana e na próxima e na seguinte. É assim em março e em abril e em maio e nos outros meses todos. Foi assim no ano passado, é assim este ano, será assim no ano que vem. 

Cá em casa todos os dias são dia da mãe.

O resto é conversa. Literalmente.

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por Gata às 23:58

Segunda-feira, 05.03.18

Montanha russa

Ter um filho adolescente é como ser mãe pela primeira vez, outra vez. Nada nos prepara para isto. As crianças têm 10 anos e uma pessoa acha que já sabe mais ou menos com o que pode contar, que já dá conta do recado, que isto de ser mãe se calhar não é assim tão difícil, julgamo-nos o melhor condutor do mundo e, no entanto, lá vem a adolescênca para nos trocar as voltas. 13 anos. Aquela criança linda e amorosa transforma-se, de repente, numa pessoa que mal conhecemos, uma pessoa de phones nos ouvidos e os olhos pregados ao telemóvel, que tanto nos derrete com as suas conversas queridas e com o seu sentido de humor como diz umas parvoíces enormes e é tão mal educado que temos que nos controlar para não lhe dar um belo par de estalos. É como ter um estranho em casa. Dou por mim a perguntar: onde está o meu filho? Os adolescentes fazem coisas como soprar quando os mandamos arrumar a roupa, dar respostas tortas, mentir quando não lhes convém dizer a verdade, amuar quando os obrigamos a fazer programas de família, não estudar, ouvir músicas horríveis, desafiar a autoridade dos pais, ignorar o que lhes dizemos, estar-se nas tintas para o mundo, teimar que estão certos, ser ainda mais mal educados. Pelo meio também fazem coisas boas, é claro. Mas em muito menos quantidade. Ter um filho adolescente é muito mas mesmo muito mais difícil do que ter um bebé, e eu sei que isto é um cliché mas não é por isso que é menos verdade. Porque nós sabemos que os bebés crescem rapidamente e, com mama ou sem mama, com chucha ou sem chucha, com mais ou menos histórias ao fim do dia, desde que a gente esteja ali a tomar conta deles, desde que haja colo e comida e amor tudo irá ao lugar. Já quanto aos adolescentes aquilo que sinto é que posso mesmo estar a fazer tudo errado e que os erros que eu cometer agora poderão ter consequências mesmo graves no futuro. Estamos permanentemente na corda bamba. E nunca se sabe o que poderá acontecer. É uma sensação horrível. Mas continuarei a dar o meu melhor, que é a única coisa que posso fazer.

Não tenho soluções milagrosas. Vou errando. Vou aprendendo. Continuo a errar.

Sei que não estou sozinha nisto. O que não me ajuda mas dá-me algum alento.

E tento sempre lembrar-me que se isto é mau para mim, para ele também não deve ser nada fácil. Afinal, estamos juntos nesta montanha russa de emoções e hormonas descontroladas. 

É sobre isto tudo que fala o espectáculo Montanha Russa, de Miguel Fragata e Inês Barahona, que se estreia esta semana no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Eu vi um ensaio mas gostei tanto que já reservei bilhetes para ir ver de novo e levar os meus miúdos. Aconselhado a adolescentes e a pais de adolescentes. E ainda que não tenham nada a ver com adolescentes podem ir ver à mesma porque é um espectáculo muito fixe, com boa música, bons actores. Que nos diverte. Que nos faz pensar. Que nos faz voltar aos nossos 13 anos.

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Fotografia de Nuno Fox/ Agência Lusa

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por Gata às 10:23

Segunda-feira, 19.02.18

Uma mãe sozinha contra a estatística

Ainda a propósito do filme de Clint Eastwood. Dois dos rapazes da história vivem só com as mães. Quando começam a ter problemas na escola, os professores dizem-lhes que talvez se trate dos efeitos da ausência do pai. Estatisticamente, os filhos de pais sozinhos têm mais problemas na juventude, diz uma professora. O meu deus é maior do que as suas estatísticas, responde uma das mães. Os rapazes têm de facto vários problemas na sua juventude. Mas, no final, a boa formação acaba por se revelar no momento em que põem em risco a própria vida para evitar um massacre.

A verdade, porém, é que a estatística é bastante lixada para as crianças que crescem em famílias monoparentais.

Entre outras coisas: 

Statistically, a child in a single-parent household is far more likely to experience violence, commit suicide, continue a cycle of poverty, become drug dependent, commit a crime or perform below his peers in education. (EUA, 2012)

Children from broken homes are almost five times more likely to develop emotional problems than those living with both parents, a report has found. Young people whose mother and father split up are also three times as likely to become aggressive or badly behaved, according to the comprehensive survey carried out by the Office for National Statistics. (UK, 2008)

Children of single-parent households are more commonly involved in delinquent activities than those living in two-parent households. With the parent working one or more jobs to provide for the family, adolescents have more opportunity to be without supervision and to engage in delinquent acts, such as alcohol and drug consumption, violence, truancy and property crime. Research published in the “Journal of Research on Adolescence” by Cynthia Harper found that adolescent males who live in father-absent households are more at risk for delinquency and youth incarceration than those living in father-mother households. (EUA, 2015)

Portanto, para além de todas as dificuldades logísticas e emocionais inerentes ao facto de estar sozinha com os putos e da adolescência que nunca é fácil em nenhuma família, ainda tenho que estar mais super-alerta porque há mais factores de risco nesta equação. E o que é pior é que isto é palpável a cada dia que passa. Ainda no outro dia tive uma conversa parecida com a do filme com uma professora que me perguntou pela existência de uma figura paternal cá em casa. Infelizmente não sou religiosa e não tive como lhe garantir que contava com a ajuda de deus para conseguir dar conta do recado. A única coisa que posso garantir é que farei o meu melhor.

E que darei luta. Sozinha. Contra a estatística. 

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por Gata às 10:59

Quinta-feira, 08.02.18

Filhos com pouca "punkada"

Só hoje - terminada a primeira ronda de testes (tem sido muito duro) - tivemos, finalmente, tempo para começar a explorar o livro A História do Rock para pais fanáticos e filhos com punkada, de Rita Nabais (texto) e Joana Raimundo (ilustrações). Expliquei-lhes o conceito, vimos algumas páginas e depois deixei-os escolher os músicos sobre os quais queriam saber mais. O Pedro escolheu Guns n'Roses, porque os reconheceu imediatamente na capa. O António elegeu Nirvana e Arctic Monkeys, nomes que lhe eram familiares. Lemos os textos, procurámos vídeos no youtube, ouvimos algumas músicas. Depois eles fartaram-se e começaram a pedir outras músicas, daquelas horrorosas que costumam ouvir, e tive que acabar com a brincadeira e mandá-los para cama. 

É incrível a forma como os miúdos resistem às coisas novas. Começam a dizer que não gostam antes sequer de ter ouvido, da mesma forma que sempre que proponho um passeio qualquer eles dizem logo que é uma seca antes mesmo de perceberem onde é que vamos. Faz parte da adolescência, imagino, esta recusa de tudo o que venha dos pais. Dos cotas só pode vir aborrecimento, não é? Tenho portanto aqui muito trabalhinho pela frente para tentar abrir os ouvidos desta malta (e reparem que estou a falar de pô-los a ouvir pop, rock, coisas assim mesmo banais, nem é como se lhes tivesse a mostrar Rachmaninoff) mas não pode ser de uma maneira impositiva. Como tudo o resto, é ir colocando as sementes e esperar que, mais tarde ou mais cedo, floresça dali alguma coisa. 

Entretanto, se quiserem saber mais sobre este livro, no sábado haverá uma apresentação em Lisboa: será às 22.00 no Musicbox (Cais do Sodré), com a participação do Nuno Markl, e a seguir há música para dançar. 

O Iggy Pop viu a sua caricatura e achou-a "cool".

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por Gata às 21:54



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