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A Gata Christie


Quarta-feira, 23.05.18

Da falta que um homem faz (16)

A parte pior de um dia em que te sentes a pior mãe do mundo é quando te sentas no sofá ao serão e não há ninguém que te diga que és fantástica, mesmo que seja mentira.

(eu odeio mentiras, mas há dias em que gostava mesmo de ouvir umas quantas)

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por Gata às 23:41

Sábado, 05.05.18

Maternidade

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Chama-se The Letdown, ou em português da netflix Maternidade e Desapontamento, e são apenas sete episódios que todas as mães deviam ver. Para não se sentirem sozinhas. Para se sentirem menos falhadas. Melhor do que qualquer palestra de um guru qualquer que vos diga o que é que vocês deviam estar a fazer para serem melhores mães. Mesmo. 

Esta é uma série australiana, protagonizada por uma fantástica Alison Bell mas que nos mostra não só a sua experiência como mãe de uma bebé como também outras experiências de outras mães que ela vai conhecendo. E está lá tudo. Qualquer pessoa que tenha sido mãe vai encontrar algum ponto de contacto. Seja as noites sem dormir seja a falta de apetite sexual (ou o medo de voltar a fazê-lo). As dores do parto. O cansaço. A insegurança (bolas, a insegurança, quando é que nos livramos disto?). A incompreensão dos amigos que não têm filhos. A solidão, aquela grande solidão que se sente naqueles meses que passamos em casa com um bebé. A amamentação. As críticas dos outros. Os olhares reprovadores. As noites sem dormir. A total inaptidão de um marido que até aí era perfeito. As discussões. A casa desarrumada. O desejo de fazer tudo bem. O falhanço. O cansaço outra vez. As hormonas. A sogra. A nossa mãe. A culpa. Sentir que estamos a crescer. A enorme responsabilidade de ter um bebé ao nosso cuidado. Aquela sensação de que isto não é a nossa vida, é como se estivéssemos a ver um filme. Só que não.

É bom para rir. Se bem que às vezes também fiquei aqui com um nó na garganta.

The world created by The Letdown, largely with a light touch, is very real: small, chaotic, sometimes lonely, and very, very sleep-deprived. Inevitably however, as a new parent, the more absurd jokes often feel less comedy, more cinéma vérité.

 

Ser mãe de um bebé é isto tudo e é também absolutamente maravilhoso. Pode não ser exactamente como nós imaginávamos (e, sobretudo, nós não somos exactamente como imaginámos que seríamos) mas (lá vem o tal cliché) a verdade é que não há nada que se compare a este amor que sentimos por estas pessoas pequenas que nos fazem sentir tão miseráveis e felizes ao mesmo tempo. Acho que esse é um dos grandes mistérios da humanidade.

(depois melhora. numas coisas. e também piora. noutras. enfim.)

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por Gata às 22:55

Domingo, 18.03.18

Todos os dias

Ontem o António teve um pesadelo. Acordou e veio a correr para a minha cama. Ali ficámos agarrados uns minutos, no escuro. Mas esta não é uma maneira habitual de começar o dia. Num dia normal, como o de ontem, o António sai de casa sozinho, armado em crescido, para ir à festa de anos de um amigo no Colombo enquanto eu fico a dar miminhos ao Pedro, que, avisou-me a professora, está com a habitual crise do dia do pai. Deixo-o ver vários episódios do "CSI Miami" e do "Hawai Força Especial" e pelo meio do estudo de inglês ainda lhe faço um bolo de chocolate. Ao fim do dia, é a audição de bateria. O António vem amuado, porque queria ter continuado na festa. Mas vem. O Pedro morre de vergonha de se apresentar em público mas lá estamos nós, eu e mano, na primeira fila, a aplaudir e a tirar fotografias. Depois o vizinho vem jogar playstation e eu fico na cozinha a assar batata doce e pernas de frango, até que o António pergunta "o Afonso pode jantar connosco?" e eu invento mais uns ovos mexidos e até faço feijão preto porque gosto que eles gostem de estar cá em casa com os amigos. E, depois do jantar, sentamo-nos todos no sofá a comer gelado e a ver o "Crocodile Dundee". Num dia normal, como o de hoje, saímos de casa de manhã a discutir porque eu acho que o António deveria ser mais responsável e saber onde deixou as caneleiras e não ficar na brincadeira quando tem de se despachar para o futebol. Deixamos o António no campo e eu e o Pedro vamos ao supermercado. Depois, vamos ver o jogo e sofro de cada vez que ele erra um passe, fico feliz com os cantos tão bem marcados, parte-se-me o coração quando o vejo desalentado no banco a ver a equipa perder. Logo a seguir, enche-me de orgulho o meu filho que agarra o colega de equipa, impedindo-o de fazer uma parvoíce que lhe iria custar caro; que acalma outro que acaba por ser expulso do jogo; que no final, ao contrário de muitos que saem amuados, cumprimenta os adversários e os árbitros com um aperto de mão firme. Dou-lhe um beijo à saída do balneário. Ele a escapar-se, com a vergonha típica dos adolescentes. Digo-lhe: "Fiquei muito orgulhosa de ti". Já é tarde e deixo-os fazer um almoço alternativo. O António come uma lata de sardinhas. O Pedro come noodles de pacote. Sou a melhor mãe do mundo durante cinco minutos. Passado um bocado já me estou a chatear porque são horas de trabalhar e nenhum deles quer largar os aparelhos. Digo uma vez, duas vezes, vinte vezes. É preciso chatear-me a sério para que o Pedro se sente ao meu lado a estudar inglês, enquanto o António faz um trabalho sobre o Mondrian. Alguém deveria dizer à professora de Educação Visual que um miúdo do oitavo ano não conseguirá nunca fazer uma análise com pés e cabeça de um quadro do Mondrian, mas, pronto, isto eu não posso dizer-lhe a ele. O puto protesta. Lá o tento ajudar. Ele odeia que eu lhe corrija os trabalhos. A coisa azeda. Mais uma discussão para o currículo. "Fizeste-me perder uma tarde inteira nisto", diz, a pensar em todos os minutos de playstation que ficaram por jogar nestas duas horas de trabalho. Mas quando se levanta para arrumar as coisas da escola dá-me um abraço, assim daqueles bons. Ponho-me a ver o novo "Humanity" de Ricky Gervais, no Netflix, mas tenho que interromper a cada cinco minutos para ver a repetição dos golos que eles marcam no Fifa. "Oh, mãe, oh, mãe, vê lá este. Brutal." Está um frio de morte e os miúdos decidem ir dar pontapés de verdade para o terraço com os vizinhos. Vejo-os cá de cima. Tão felizes. Às 19.30 não sei se os chamo para os banhos ou se os deixo estar mais um pouco. A hesitação resolve-se facilmente: o António molhou o Pedro, o Pedro molhou o António, estão a discutir aos gritos. Abro a janela: "Acabou a brincadeira!" Vêm do contra, é preciso pôr ordem naquilo e ainda zangar-me com o António para que desligue o telemóvel e se decida a entrar na banheira. Ao jantar, um queixa-se da sopa, o outro não quer salada. Não há tempo para muito mais. "António, desliga o telefone." (Quantas vezes é que eu digo esta frase num dia?) Vão lavar os dentos e implicam um com outro, põem-se a lutar wrestling, não tarda nada já estão a discutir outra vez. Vou lá eu. Dou um grito. Cama. Cada um com um livro. Até parecem uns anjos. Passa há muito da hora de dormir. O Pedro quer o saco de água quente. Tenho que lhes ir dizer para apagarem as luzes. Beijo-os muito. Venho para o computador e como amêndoas de chocolate.

Estes são os nossos dias normais. Dias cheios de coisas importantes e coisas de nada. Coisas boas e coisas más. Abraços e amuos. Discussões e cenas muito fixes. É assim ao sábado e ao domingo. E também é mais ou menos assim, com intervalo para a escola, na segunda, na terça, na quarta, na quinta e na sexta. É assim esta semana e na próxima e na seguinte. É assim em março e em abril e em maio e nos outros meses todos. Foi assim no ano passado, é assim este ano, será assim no ano que vem. 

Cá em casa todos os dias são dia da mãe.

O resto é conversa. Literalmente.

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por Gata às 23:58

Segunda-feira, 05.03.18

Montanha russa

Ter um filho adolescente é como ser mãe pela primeira vez, outra vez. Nada nos prepara para isto. As crianças têm 10 anos e uma pessoa acha que já sabe mais ou menos com o que pode contar, que já dá conta do recado, que isto de ser mãe se calhar não é assim tão difícil, julgamo-nos o melhor condutor do mundo e, no entanto, lá vem a adolescênca para nos trocar as voltas. 13 anos. Aquela criança linda e amorosa transforma-se, de repente, numa pessoa que mal conhecemos, uma pessoa de phones nos ouvidos e os olhos pregados ao telemóvel, que tanto nos derrete com as suas conversas queridas e com o seu sentido de humor como diz umas parvoíces enormes e é tão mal educado que temos que nos controlar para não lhe dar um belo par de estalos. É como ter um estranho em casa. Dou por mim a perguntar: onde está o meu filho? Os adolescentes fazem coisas como soprar quando os mandamos arrumar a roupa, dar respostas tortas, mentir quando não lhes convém dizer a verdade, amuar quando os obrigamos a fazer programas de família, não estudar, ouvir músicas horríveis, desafiar a autoridade dos pais, ignorar o que lhes dizemos, estar-se nas tintas para o mundo, teimar que estão certos, ser ainda mais mal educados. Pelo meio também fazem coisas boas, é claro. Mas em muito menos quantidade. Ter um filho adolescente é muito mas mesmo muito mais difícil do que ter um bebé, e eu sei que isto é um cliché mas não é por isso que é menos verdade. Porque nós sabemos que os bebés crescem rapidamente e, com mama ou sem mama, com chucha ou sem chucha, com mais ou menos histórias ao fim do dia, desde que a gente esteja ali a tomar conta deles, desde que haja colo e comida e amor tudo irá ao lugar. Já quanto aos adolescentes aquilo que sinto é que posso mesmo estar a fazer tudo errado e que os erros que eu cometer agora poderão ter consequências mesmo graves no futuro. Estamos permanentemente na corda bamba. E nunca se sabe o que poderá acontecer. É uma sensação horrível. Mas continuarei a dar o meu melhor, que é a única coisa que posso fazer.

Não tenho soluções milagrosas. Vou errando. Vou aprendendo. Continuo a errar.

Sei que não estou sozinha nisto. O que não me ajuda mas dá-me algum alento.

E tento sempre lembrar-me que se isto é mau para mim, para ele também não deve ser nada fácil. Afinal, estamos juntos nesta montanha russa de emoções e hormonas descontroladas. 

É sobre isto tudo que fala o espectáculo Montanha Russa, de Miguel Fragata e Inês Barahona, que se estreia esta semana no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Eu vi um ensaio mas gostei tanto que já reservei bilhetes para ir ver de novo e levar os meus miúdos. Aconselhado a adolescentes e a pais de adolescentes. E ainda que não tenham nada a ver com adolescentes podem ir ver à mesma porque é um espectáculo muito fixe, com boa música, bons actores. Que nos diverte. Que nos faz pensar. Que nos faz voltar aos nossos 13 anos.

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Fotografia de Nuno Fox/ Agência Lusa

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por Gata às 10:23

Segunda-feira, 19.02.18

Uma mãe sozinha contra a estatística

Ainda a propósito do filme de Clint Eastwood. Dois dos rapazes da história vivem só com as mães. Quando começam a ter problemas na escola, os professores dizem-lhes que talvez se trate dos efeitos da ausência do pai. Estatisticamente, os filhos de pais sozinhos têm mais problemas na juventude, diz uma professora. O meu deus é maior do que as suas estatísticas, responde uma das mães. Os rapazes têm de facto vários problemas na sua juventude. Mas, no final, a boa formação acaba por se revelar no momento em que põem em risco a própria vida para evitar um massacre.

A verdade, porém, é que a estatística é bastante lixada para as crianças que crescem em famílias monoparentais.

Entre outras coisas: 

Statistically, a child in a single-parent household is far more likely to experience violence, commit suicide, continue a cycle of poverty, become drug dependent, commit a crime or perform below his peers in education. (EUA, 2012)

Children from broken homes are almost five times more likely to develop emotional problems than those living with both parents, a report has found. Young people whose mother and father split up are also three times as likely to become aggressive or badly behaved, according to the comprehensive survey carried out by the Office for National Statistics. (UK, 2008)

Children of single-parent households are more commonly involved in delinquent activities than those living in two-parent households. With the parent working one or more jobs to provide for the family, adolescents have more opportunity to be without supervision and to engage in delinquent acts, such as alcohol and drug consumption, violence, truancy and property crime. Research published in the “Journal of Research on Adolescence” by Cynthia Harper found that adolescent males who live in father-absent households are more at risk for delinquency and youth incarceration than those living in father-mother households. (EUA, 2015)

Portanto, para além de todas as dificuldades logísticas e emocionais inerentes ao facto de estar sozinha com os putos e da adolescência que nunca é fácil em nenhuma família, ainda tenho que estar mais super-alerta porque há mais factores de risco nesta equação. E o que é pior é que isto é palpável a cada dia que passa. Ainda no outro dia tive uma conversa parecida com a do filme com uma professora que me perguntou pela existência de uma figura paternal cá em casa. Infelizmente não sou religiosa e não tive como lhe garantir que contava com a ajuda de deus para conseguir dar conta do recado. A única coisa que posso garantir é que farei o meu melhor.

E que darei luta. Sozinha. Contra a estatística. 

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por Gata às 10:59

Quinta-feira, 08.02.18

Filhos com pouca "punkada"

Só hoje - terminada a primeira ronda de testes (tem sido muito duro) - tivemos, finalmente, tempo para começar a explorar o livro A História do Rock para pais fanáticos e filhos com punkada, de Rita Nabais (texto) e Joana Raimundo (ilustrações). Expliquei-lhes o conceito, vimos algumas páginas e depois deixei-os escolher os músicos sobre os quais queriam saber mais. O Pedro escolheu Guns n'Roses, porque os reconheceu imediatamente na capa. O António elegeu Nirvana e Arctic Monkeys, nomes que lhe eram familiares. Lemos os textos, procurámos vídeos no youtube, ouvimos algumas músicas. Depois eles fartaram-se e começaram a pedir outras músicas, daquelas horrorosas que costumam ouvir, e tive que acabar com a brincadeira e mandá-los para cama. 

É incrível a forma como os miúdos resistem às coisas novas. Começam a dizer que não gostam antes sequer de ter ouvido, da mesma forma que sempre que proponho um passeio qualquer eles dizem logo que é uma seca antes mesmo de perceberem onde é que vamos. Faz parte da adolescência, imagino, esta recusa de tudo o que venha dos pais. Dos cotas só pode vir aborrecimento, não é? Tenho portanto aqui muito trabalhinho pela frente para tentar abrir os ouvidos desta malta (e reparem que estou a falar de pô-los a ouvir pop, rock, coisas assim mesmo banais, nem é como se lhes tivesse a mostrar Rachmaninoff) mas não pode ser de uma maneira impositiva. Como tudo o resto, é ir colocando as sementes e esperar que, mais tarde ou mais cedo, floresça dali alguma coisa. 

Entretanto, se quiserem saber mais sobre este livro, no sábado haverá uma apresentação em Lisboa: será às 22.00 no Musicbox (Cais do Sodré), com a participação do Nuno Markl, e a seguir há música para dançar. 

O Iggy Pop viu a sua caricatura e achou-a "cool".

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por Gata às 21:54

Sexta-feira, 22.12.17

As mães são ecléticas

À tarde, enquanto os miúdos jogavam à bola no terraço, pus os phones nos ouvidos e vi, no computador, The Meyerowitz Stories, filme de Noam Baumbach que entrou diretamente para a lista dos melhores (poucos) filmes que vi este ano. Com Dustin Hoffman no papel do patriarca-artista-maluco-e-intratável da família Meyerowitz, Adam Sandler, Ben Stiller e Elizabeth Marvel interpretando os filhos e Emma Thompson como a madrasta bêbeda.

À noite, sentámo-nos no sofá e vimos, enrolados nas mantas, um clássico do canal Hollywood: Miss Detective, filme realizado em 2000 por Donald Petrie, com Sandra Bullock como protagonista. Os putos estavam mortos de sono (tinham convidado um amigo para dormir cá em casa na noite anterior e ficaram a conversar e a galhofar até quase de madrugada) mas aguentaram-se bem. Mesmo sem tiros nem pancadaria.

O bom das férias é isto: há tempo para eles, para mim, para nós.

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por Gata às 23:19

Sexta-feira, 27.10.17

Ovos mexidos

Atrasei-me. [estou tão farta de trabalhar com pessoas incompetentes. a incompetência dos outros afecta-me, tem efeitos reais, visíveis no meu trabalho e na minha vida. atrasei-me porque alguém foi incompetente.] Percebi que me ia atrasar e liguei ao António para que fosse buscar o mano à escola. Quando cheguei a casa já eles estavam no banho. Disse-lhes: a mãe tem de trabalhar, preciso que se portem bem. Sentei-me ao computador. E eles não gritaram, não discutiram, não fizeram barulho. Fizeram ovos mexidos com salsichas para o jantar. Sozinhos. Nem me aproximei da cozinha. Não comeram fruta mas não me apeteceu chatear-me. "Estava tão bom o jantar, comi mesmo bem", declarou o António. Quando finalmente terminei o trabalho, deitei-me com o Pedro a ler um livro. Dei-lhes muitos beijinhos.

Zango-me tanto com eles, tantas vezes, há dias em que parece que tudo está a correr mal, em que me sinto incapaz de os educar como deve ser.

E depois há dias assim.

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por Gata às 09:01

Segunda-feira, 09.10.17

A ponte (e outras experiências)

No fim-de-semana passado, aconteceu algo muito raro: eu não estava a trabalhar, o António não teve jogo e os miúdos ainda não tinham muito que estudar. Isto tudo e o calor. Tínhamos que aproveitar, não era? 

No sábado, fomos fazer a "experiência da ponte" no pilar 7 da Ponte 25 de abril. Os rapazes iam com um misto de curiosidade e medo. Acabou por ser muito fixe. Toda a visita - estar dentro do pilar e ver os enormes cabos que seguram a ponte, subir no elevador panorâmico, estar lá em cima, mesmo ao lado dos carros e, por fim, ter uns momentos na varanda suspensa sobre Lisboa. Os preços são um bocadinho puxados (6 euros por pessoa) mas é uma experiência única, não vamos lá voltar tão cedo. E fica a dica: se já houver fila, mesmo que pequena, cá em baixo para comprar bilhete, então a confusão lá em cima será grande e não vão conseguir desfrutar como deve ser da paisagem; tentem ir fora da hora de ponta dos turistas.

Depois, aproveitámos para passear por Alcântara, que é uma zona da cidade aonde raramente vamos. Fomos lanchar ao Lx Factory e acabámos a tarde a jogar à bola no Village Underground Lisboa. Sempre com a ponte no horizonte.

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No domingo, experimentei algo mais arriscado: fomos ao Museu da Lourinhã ver os dinossauros. A palavra "museu" e uma viagem um bocadinho mais longa deixaram logo as crianças de pé atrás. Este pequeno museu tem um núcleo de etnografia muito engraçado, pelo menos para mim, que gosto das coisas "do antigamente", mas que os meus filhos acharam uma chatice. Obviamente. Os vestígios pré-históricos já mereceram mais alguma atenção e a visita valeu a pena, sobretudo, pelos ossos dos dinossauros (ainda que muitos deles sejam réplicas). Não que eles tenham ficado deslumbrados mas, pronto, tenho sempre esperança que guardem alguma coisa destas visitas... Depois da "seca do museu", salvei o domingo com uma ida à praia, ali perto. Estava uma tarde quente, os putos vestiram o fato de banho, fartaram-se de correr e ainda molharam os pés. Não fosse as ondas serem tão assustadoras e de certeza que teriam ido ao banho.

O melhor do museu? Tenho a certeza que eles iriam responder que foi isto: trouxemos um "ovo de dinossauro" e agora temos um bicharoco prestes a nascer na nossa cozinha.

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E até eu tenho que concordar: é tudo a fingir mas é um brinquedo mesmo giro.

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por Gata às 21:21

Sexta-feira, 15.09.17

Abrir mais portas

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Lista dos filmes que os miúdos viram em duas semanas de praia (e eu também, quase todos ou pelo menos bocados):

- Um polícia no jardim-escola (1990), de Ivan Reitman, com Arnold Shwarzenegger

- Alta Golpada (2011), de Brett Ratner, com Ben Stiller

- Mestres da Ilusão (2013), de Louis Leterrier, com Mark Rufallo e Jesse Eisenberg

- Jack Reacher: Nunca voltes atrás (2016), de Edward Zwick, com Tom Cruise

- USS Indianapolis: Homens de coragem (2016), de Mario Van Peebles, com Nicolas Cage (na foto em cima)

- Assassin's Creed (2016), de Justin Kurzel, com Michael Fassbender

- Porquê ele? (2016), de John Hamburg, com James Franco

- Power Rangers (2017), de Dean Israelite.

- Rei Artur: A Lenda da Espada (2017), de Guy Ritchie, com Jude Law

- A Grande Muralha (2017), de Yimou Zhang, com Matt Damon

Os três primeiros já tinham sido vistos (são DVD que estão no Algarve, assim como o Avatar que não vimos desta vez mas que nos últimos anos já foi visto uma meia dúzia de vezes). Os outros filmes levei-os eu, em versão pirata.

Olhando para esta lista até eu me surpreendo: é isto que dou aos meus filhos para eles verem?

Mas deixem-me explicar-vos. Há um ano, mais coisa menos coisa, reparei que o António, na altura com 12 anos, não via filmes. Via os desenhos animados e as séries tontas do nickelodeon, com o irmão, e daí tinha passado diretamente para os youtubers parvos. E fiquei preocupada. Quando eu era desta idade só tínhamos dois canais de televisão e não tínhamos hipótese: víamos o que estava a dar, incluindo muitos filmes, dos westerns aos musicais, passando pelas comédias, os filmes românticos, os policiais. Às vezes nem gostávamos muito, mas acabávamos por vê-los, por falta de opção. Os miúdos hoje têm muitas opções, muitos canais de televisão e ainda o telemóvel e o tablet e, por isso, só vêem o que querem ver, o que já conhecem, o que os cativa nos primeiros cinco minutos. Decidi, então, que me cabia a mim incentivá-lo a ver filmes. Claro que a diferença de idades entre eles é um problema e há um ano o Pedro ainda tinha alguma dificuldade em acompanhar as legendas. Além disso, como não queria que o momento se tornasse uma obrigação mas fosse, antes, um divertimento em família, começámos por coisas simples (os "regresso ao futuro", "a jóia do nilo", os "goonies", esse tipo de coisas), acompanhadas de pipocas nas noites de sexta-feira. A evolução neste ano foi enorme. O António já não resmunga (muito) quando o mando desligar o telefone para ver um filme e já confia mais nas minhas escolhas. O Pedro já lê legendas na perfeição (fomos ver o Gru na versão original) e até já vai ao cinema ver "filmes de crescidos".

De crescidos, isto é, filmes de aventuras e de acção. Não será exactamente a nouvelle vague mas será certamente melhor do que os thundermans e afins. Mas é um caminho que está a ser feito e não é preciso ter pressa nem saltar etapas. Acredito que havemos de lá chegar.

Por exemplo. Ao contrário do que acontecia há um ano, neste momento o António já consegue ver filmes que não sejam só de acção. Já aguenta bem uma comédia (como o Porquê ele?, que ele viu sentindo-se muito crescido) ou filmes que nos fazem pensar um bocadinho (comoveu-se a ver o USS Indianapolis, tal como se tinha comovido a ver o Capitão Fantástico há uns tempos, e ambos deram grandes conversas aqui em casa). E o caminho do Pedro também tem sido muito engraçado: ele quer ver tudo o que o irmão vê e fica muito atento, mesmo quando admite que não está a perceber nada. Às vezes, até me preocupo um pouco por ele ter 9 anos e estar a ver filmes que são para 12 ou 14 anos. O que mostra bem como isto de educar os filhos é tão complicado e como, apesar dos nossos esforços, nunca conseguimos educar duas crianças exactamente da mesma maneira.

Eu sei que isto parece uma coisa de nada e sei também que há de haver por aí miúdos muito mais à frente do que os meus. Mas é como vos digo. É um caminho. E cada pessoa tem de fazer o seu. Eu limito-me a abrir-lhes portas (sempre). São portas pequenas, sim, mas que, espero, conduzam a salas grandes, com outras portas e outros caminhos possíveis. 

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por Gata às 15:19



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