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A Gata Christie


Quinta-feira, 04.01.18

O que eu aprendi durante uma semana nas plataformas de encontros online

Tudo começou num jantar com duas amigas, alguma sangria e bastante conversa sobre sexo. Tu devias era estar no Tinder, disseram-me, se eu não fosse comprometida estaria lá, sem dúvida. E, pronto, calhou ter uma semana mais desafogada de trabalho e de compromissos de mãe, com algum tempo livre, e lá decidi perder a vergonha e ir ver o Tinder. É um pouco intimidante, sobretudo se não se é uma pessoa com uma auto-estima muito elevada, devo confessar. Aquela coisa de estar numa montra traz ao de cima todos os meus receios de gaja, aqueles que nos acompanham no nosso dia-a-dia (se não sou boa o suficiente, se não sou bonita o suficiente, se sou gorda, se sou velha, se ele não gosta..), de uma forma bastante primária e, por isso mesmo, mais difícil de combater. É preciso coragem. Siga. 

Primeiro embate. Temos de dizer as idades dos homens que queremos ver. Isto leva-nos logo a pensar muito naquilo que queremos ou naquilo que estamos dispostas a aceitar. Também nos leva a repensar a imagem que temos de nós e dos outros. Uma coisa é uma pessoa andar na rua e sentir-se com 30 anos, outra coisa é estar ali, no meio da selva dos engates (já explico isto melhor mais à frente).

Segundo embate. Confrontada com a fotografia de um homem sobre o qual não sei absolutamente nada, eis que surgem, do mais profundo do subconsciente, todos os meus preconceitos. Este não porque é feio (ah, claro, porque tu só andas com homens bonitos, não é?), este não porque é gordo (no comments), este não porque tem ar de parvo, este não porque tem ar de velho, este não porque tem ar de puto, este não porque não sei quê. E eu a pensar de mim para mim que isto está errado. Que não é assim que a coisa funciona. Que isto da atracção (já nem falo de uma ligação maior) passa por tantas variantes que vão do cheiro à química, à voz a sei lá mais o quê, como é possível olhar para uma foto desfocada num telemóvel e decidir?

Terceiro embate. As fotos, senhores!, as fotos. Havia tanto a dizer sobre isto. Uma coisa é certa: sabe-se muito sobre uma pessoa pelo tipo de foto que põe no seu perfil. Há os que decidem pôr fotos dos seus abdominais ou outras partes torneadas do seu corpo. Há os que põem fotos manhosas tiradas no estádio de futebol ou numa noite de copos. Há os que põem selfies tiradas na cozinha ou deitados na cama. Há os que põem fotos com os filhos ou, o que é ainda mais incrível, com outras mulheres. Todos estes pequenos pormenores dizem muito sobre o tipo de homem que está ali (e, bolas, fiquei com tanta curiosidade de ver as fotos das mulheres, um dia ainda vou criar um perfil falso de homem só para ver o que ali se passa, deve ser mesmo incrível!).

Quarto embate. Está uma pessoa muito descansada na sua vida e aparece uma mensagem: Olá. Começa o jogo. Eu sou pessoa com grande dificuldade em fazer conversa, essa coisa da small talk não é para mim, nem ao vivo quanto mais online. De onde teclas?, perguntam-me, e eu sinto-me de volta ao bom velho Mirc de há vinte anos. As conversas começam quase todas da mesma maneira, dá vontade de gritar aleluia! quando há algum homem mais interessante. Eu não sou de meter conversa, não o faço na vida real, mas não é porque ache mal que as mulheres metam conversa, nada disso, é mesmo aquela coisa da auto-confiança e do medo da rejeição (falamos nisso depois, ok?), mas se alguém meter conversa comigo, mesmo na vida real, gosto de ser simpática. Mas dizer o quê? Perguntar o quê? Por onde levar a conversa? E quando ele dá erros de português? (turn off total, devo confessar. sou capaz de ultrapassar isso se já conhecer a pessoa e simpatizar com ela, mas assim à primeira?, please, no way) E se é um bronco? E se não gosta de cinema? E se gosta de ir caçar? Continuamos a conversa? Dizemos adeus?

Quinto embate. Vamos lá ser honestos. As pessoas estão sozinhas, querem companhia, conversar um pouco, conhecer pessoas novas, fazer amigos. Mas, acima de tudo, toda a gente no Tinder espera encontrar alguém com quem ir para cama. Claro que é preciso conversar um pouco antes, marcar um encontro, tomar um café ou ir jantar, ver como a coisa corre. Mas toda a gente tem essa esperança, lá no fundo, mesmo que não a confesse em voz alta. E isso mina todas as conversas, não há conversas desinteressadas. Portanto, tudo o que ali se passa, aquela converseta toda, é necessária só até ao momento em que alguém propõe o tal encontro, cara a cara. E isso pode acontecer ao fim de meia dúzia de palavras. Ou pode nunca acontecer. Depende muito daquilo que uma pessoa quer ou precisa naquele momento. Também depende da disponibilidade para investir numa conversa significativa, que vá para além das banalidades do costume, até encontrar alguém que faça click.

Ao fim de três dias, desisti. 

Atenção: não tenho nada contra o Tinder. Aparentemente há muita gente que encontra lá parceiros para belas cambalhotas, há muita gente que faz amigos e há até quem inicie a partir dali relações importantes e encontre o verdadeiro amor. Acho óptimo. Mas comigo não resulta. É mesmo um daqueles casos em que "não és tu, sou eu". Penso que precisaria de me entregar mais a cada uma daquelas conversas, mas o meu problema é que eu não tenho tempo para isso. Não tenho tempo para conversas online (tenho filmes para ver e livros para ler e posts para escrever ao serão). Não tenho tempo para marcar jantares com gente que mal conheço (eu mal tenho tempo para estar com os meus amigos). Sobretudo não tenho tempo para perder com pessoas com quem, muito provavelmente, não vou querer passar mais do que uma noite (ou elas comigo).

Então, estava eu a comentar estas conclusões quando uma amiga me falou do Ok Cupid. Que é mais completo porque podes definir melhor o teu perfil e tem mais filtros que permitem descobrir pessoas que têm mais a ver contigo. Fui ver.

Uma das coisas boas do Ok Cupid é realmente a possibilidade de completar o perfil como nós quisermos. E, depois, de vermos os perfis das outras pessoas. E isto põe-nos a pensar em muitas coisas.

A questão da idade, mais uma vez. Eu tenho 43 anos. E se há coisa que sei é que não preciso de um miúdo na minha vida. Um miúdo, quero eu dizer, um homem que ache que a melhor coisa do mundo é sair à noite, beber copos e engatar miúdas. Mas também não preciso de alguém que esteja desesperadamente à procura de constituir família. Assentar sim, ter mais filhos não. E não preciso mesmo nada de alguém que não saiba viver para além dos seus desejos e que não perceba todos os constrangimentos de quem tem filhos. E isto é importante, até mesmo para um único encontro é preciso haver empatia, não é? Portanto, e já com uma dose generosa de boa vontade, estabeleço o meu limite nos 39 anos. Erro enorme. Os homens de 39 anos que estão por ali são todos umas crianças. Depois, ponho o limite nos 50 anos. E, pasme-se, acho todos os homens de 50 anos uns velhos (ponho-me a pensar: eu também sou uma velha?). Pior. Consulto os perfis que aparecem e descubro que, na sua maioria, estes homens quarentões estão disponíveis para conversar com miúdas a partir dos 20 anos e raramente procuram uma mulher mais velha do que eles. Por favor. Bota estereótipo nisso. Que deprimente.

Depois há as perguntas. Um questionário imenso sobre tudo e mais alguma coisa, que podemos ir respondendo à medida que nos apetecer. Há perguntas que não fazem muito sentido, há perguntas parvas, mas de uma maneira geral é divertido. Eu, pelo menos, diverti-me. Porque a cada pergunta confrontas-te com aquilo que és e com aquilo que procuras. Como há a possibilidade de deixar as respostas privadas, podemos ser completamente honestos. Confrontamo-nos com os nossos preconceitos (again) e com os nossos desejos mais íntimos mas isso a mim interessa-me bastante. Por exemplo, perguntamo-nos: é importante conhecer alguém que goste de ler livros/ que goste de futebol mas não seja obcecado/ que não acredite no destino/ que tenha um curso superior ou podemos passar sem estas coisas? E se pararmos para pensar um bocadinho nisto, há tanta coisa que podemos descobrir sobre nós a responder a estas questões.

O questionário serve para estabelecer uma percentagem de compatibilidade, o que obviamente nos leva a explorar melhor os perfis das pessoas mais compatíveis connosco. Vamos tentar perceber exactamente no que é que somos compatíveis e no que é que somos diferentes, há muitas pistas que nos permitem conhecer um bocadinho melhor aquela pessoa para além da foto. E isso pode ser útil. Ou não, mas ao menos é divertido. 

Tirando isso, a coisa desenrola-se mais ou menos como no Tinder. Mas, pelo menos no meu caso, com muito menos opções. O sistema avisou-me para eu não ser tão exigente para ter mais hipóteses de escolha. Lol. Houve 55 homens que fizeram "like" no meu perfil, o que não é mau, mas eu não sei quem eles são. Nenhum deles era um dos oito ou nove a quem eu tinha dado o meu "like" (parece que avisam quando há correspondência). Recebi muitas mensagens de homens tentando estabelecer contacto. Olá, onde moras?, que belo sorriso, etc. A história do costume.

Uma dúvida: o que fazer quando se encontra alguém que nós já conhecemos da vida real? É que pode ser uma pessoa com quem nunca, nem nos nossos sonhos, nos apeteceu estar. E até pode ser uma pessoa que já nos interessava antes mas com quem nunca tivemos coragem para fazer avanços. Será este o sítio certo para o fazer? Em ambos os casos, decidi ignorar. Mas é uma situação estranha, lá isso é.

Ao fim de três dias, desisti.

Apaguei a conta no Tinder, deixei a conta do Ok Cupid em stand by, porque talvez um dia me apeteça ir lá fazer mais umas pesquisas sociológicas.

De qualquer forma, posso dizer, agora com conhecimento de causa, que este tipo de abordagem não é para mim. É preciso uma pessoa querer muito conhecer outra pessoa. É preciso estar disponível, em vários sentidos. E eu, por muito que diga que sim, quando chega a hora da verdade não estou assim tão disponível. Nem tão interessada. Talvez noutra altura, quem sabe. Por agora, o que me dava jeito era mesmo conhecer alguém num sítio qualquer, numa situação de trabalho, em eventos de amigos, no café, na rua, sei lá, num sítio qualquer, conversar com essa pessoa sem sequer pensar no que isso possa significar e, a certa altura, achar que se calhar me apetecia conhecê-la melhor. À moda antiga. Esse, sim, é o meu tipo de plataforma de encontro.

E só para terminar aqui fica este anúncio, porque é novinho em folha, já deste ano, e porque acho a animação muito fixe:

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por Gata às 01:31

Terça-feira, 10.02.15

Da falta que um homem faz (9)

Isso. Exactamente isso em que estão a pensar.

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por Gata às 09:37

Quinta-feira, 04.12.14

Os meus serões têm destas coisas

Muito provavelmente isto é uma coisa que já quase toda a gente sabia e quem não sabia também não está minimamente interessado, mas eu acabei de descobrir e estou encantada com a descoberta, preciso partilhá-la:

Então não é que o Tommy, a minha personagem favorita de 'Trainspotting' (filme de Danny Boyle, de 1996, com o qual, aliás, o ator se estreou no cinema),

tommy.gif era interpretado por Kevin McKidd, mais conhecido hoje em dia como Owen Hunt, que é de longe a minha personagem preferida em 'Anatomia de Grey' (ele está na série desde 2008):

hunt.jpgOh pá... (e já agora mais uma curiosidade: o "rapaz" tem 41 anos)

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por Gata às 21:59

Segunda-feira, 21.07.14

Mas, afinal, o que é que vocês, mulheres, querem?

O meu amigo andava com azar ao amor e já estava um pouco desesperado. Preciso de ajuda, disse. Mas, afinal, o que é que vocês, mulheres, querem? Nós? Nós queremos a história de amor dos filmes com um príncipe encantado para ser feliz para sempre. Nisso, parece-me, somos pouco originais. Queremos quase todas o mesmo. Ainda que o não digamos. Ainda que, às vezes, o neguemos. Ainda que, de vez em quando, nós próprias nos convençamos do contrário. Nós queremos a história de amor dos filmes, percebeste, meu amigo? E ele, acho que já estava um bocadinho tocado, olhou para mim e murmurou: ah, então é isso.

Imagem roubada à Farmácia de Serviço.

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por Gata às 22:33

Sexta-feira, 16.05.14

Shorts

Aparentemente os calções curtos são a moda deste verão. Eu ia dizer não, obrigado, já tivemos que baste no ano passado, não aguento mais ver miúdas e menos miúdas a passearem na cidade com o rabo à mostra como se estivessem na praia, mas pronto, há quem goste, até que me apercebi que os calções curtos são a moda deste ano também para os homens. Ora se é o The Wall Street Journal que o diz é porque é verdade. E isto é uma óptima notícia. Estamos todas um bocadinho fartas daqueles calções compridos dos homens que os fazem parecer um tanto palhaços, não estamos?

Citando Dodai Stewart: “Since the turn of the century—the late '90s, early aughts—we have been plagued by unsightly shorts. It's unclear who is to blame. Hip hop? Rave? Surfers? Skateboarders? It doesn't matter, really. The hideous trend slithered onto men nationwide, curling its tentacles around the legs of innocent dudes and sheathing them in the most terrible way. And it's held on for so long. (...)Bring up that hemline! (...) Show us your legs.”

Portanto, é oficial. Ainda há pouco tempo Al Gore e Bill Clinton foram gozados por causa dos seus calções, mas em 2014 toda a gente acha (e eu também) que Pharrel Williams tem imenso estilo com uns calções acima do joelho.

 

Vendo bem as coisas, If Christiano Ronaldo can wear them, so can our dads/boyfriends/best guy friends (who all look like Christiano Ronaldo, right?) 

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por Gata às 16:14

Segunda-feira, 12.05.14

Carrossel

Há os mentirosos.

Há os cobardes.

E há os mentirosos e cobardes.

 

Cada vez mais me convenço que, mais do que saber o tipo de homem que se quer, é importante saber o tipo de homem que não se quer.

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por Gata às 19:09

Quarta-feira, 18.12.13

Em contagem decrescente para o natal (3)

Uma árvore muito original.

(este é que é o Ryan Gosling)

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por Gata às 15:39

Terça-feira, 17.12.13

O Brad Pitt tem 50 anos e eu também já não me estou a sentir lá muito bem

O Brad Pitt faz 50 anos. O Brad Pitt é lindo, lindo, lindo. É lindo de cabelo curto e de cabelo comprido. É lindo com a barba feita, com barba curta e com barba longa. É lindo a comer cachorros e a mascar pastilhas (o Brad Pitt come muito nos filmes). É lindo arranjadinho como Mr. Smith e desarranjadinho como no 'Clube de Combate'. É lindo a fazer de maluco como em '12 Macacos', a fazer de polícia bom em 'Sete Pecados Mortais', a fazer de pai complicado em 'A Árvore da Vida', a fazer de totó em 'Destruir Depois de Ler' e até a fazer de vampiro (e só não é lindo a fazer de velhinho naquela estopada que é o caso do benjamin button porque acho que aí era mesmo impossível). O Brad Pitt é lindo vestido à hippie com os filhos todos a tiracolo e é lindo quando põe o smoking e desfila na passadeira vermelha ao lado da boazona da Angelina. E até quando é assim um bocadinho piroso continua a ser um bocadinho lindo. O Brad Pitt tem um sorriso que é qualquer coisa, entortado, de maroto. E tem uma cara de bebé a quem apetece dar colinho mas ao mesmo tempo aquele ar de homem a quem apetece dar outras coisas (o que não é nada o caso do Leonardo Di Caprio, que só tem cara de bebé e pronto, tadinho). Também não percebo como é que alguém pode achar que o George Clooney é mais lindo do que o Brad Pitt. O George tem charme, que tem, é um sedutor à la James Bond. Mas não é lindo. Não tem aquele corpo nem aqueles olhos nem nada daquilo que o Brad lindo tem, ok? E além de ser lindo o Brad Pitt é bom actor, digo eu, com a objectividade que me é possível. Não conheço nenhum actor vivo que seja mais bonito do que o Brad Pitt. Podem dizer-me que é uma escolha geracional e se calhar é. Se calhar há montes de miúdos de 20 anos lindos de morrer a entrarem em filmes que eu não vejo. Não quero saber. Assim de repente para fazer concorrência ao Brad Pitt só me ocorre o Ryan Gosling. Mas vamos ter que ver como é que ele envelhece.

O Brad Pitt tem 50 anos. E até já tem pêlos brancos na barba. E, apesar de ele ser lindo, isso é um bocadinho deprimente, não sei se me compreendem.

Aqui está ele, como o conheci, em 1991, em 'Thelma & Louise"

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por Gata às 22:51

Sexta-feira, 13.01.12

Algumas coisas nunca mudam

O Brad Pitt é lindo. Já o era, em 1991, quando eu o descobri em 'Thelma e Louise', e continua assim, vinte anos depois, em 'Moneyball'.

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por Gata às 16:42

Segunda-feira, 28.06.10

As vantagens do mundial (II)

O sorriso do Kaká.

Colegas minhas mais novas, mais descomprometidas e certamente com mais tempo do que eu dedicaram-se a elaborar uma lista dos jogadores mais "gatos" deste campeonado. Italianos, franceses, neo-zelandeses, ingleses, dinamarqueses, com abdominais perfeitos, rabiosques delineados, olhos azuis e barba de três dias, enfim. Acho que sim. Mas para mim o Kaká é o Kaká. Manias.

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por Gata às 22:07



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