Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


mario_soaresjpg53_fc3d2d5940.jpg

Não tenho tido tempo para muito mais, mas não queria deixar passar a oportunidade de falar aqui da série documental A duas voltas: Mário Soares as Presidenciais de 1986, de autoria de Ivan Nunes e Paulo Pena, que está disponível na RTP Play. Para quem, como eu, andou com autocolantes de "Soares é fixe" ao peito e se lembra bem da campanha, é uma pequena delícia. Além do retrato do país que éramos há 40 anos, ainda deu para ficar a perceber algumas coisas mais políticas que, como eu era ainda uma miúda, com apenas 11 anos, me passaram um bocado ao lado na altura. Num momento em que nos preparamos para eleger o próximo Presidente da República, acho que é um bom programa para o dia de reflexão.

 

publicado às 08:28

transferir.jpg

The New Yorker at 100 é um documentário que está disponível na Netflix sobre a fantástica revista New Yorker, que está a celebrar os seus 100 anos. Para além de ficar a saber a história da revista, para um jornalista é incrível poder espreitar por dentro da New Yorker, conhecer um pouco as pessoas que lá trabalham e perceber como o fazem. É incrível e é ao mesmo tempo um bocadinho triste, diria. Se, por um lado, é muito bom saber que há redacções com um tal grau de exigência e de compromisso - veja-se o modo como verificam os factos, as discussões em cada reunião de fecho de um artigo ou até o debate sobre o livro de estilo da revista; veja-se os temas que elegem, a seriedade com que os abordam, a liberdade com que pensam -, por outro lado, é impossível não ficar um pouco deprimida ao constatar quão longe estamos (eu, nós, na minha empresa, no nosso país) desta realidade. Mesmo nos sítios melhores. Mesmo naqueles sítios que nos servem de farol. [senti mais ou menos o mesmo ao ver um outro documentário, há uns anos, sobre The New York Times]. O debate sobre o jornalismo que fazemos fica para outra ocasião. Em vez de entrar em depressão e me pôr para aqui com lamúrias, decidi aproveitar uma promoção e assinar a New Yorker por um ano. E que prazer tem sido. 

PS - Tenho uma lista de filmes vistos e sobre os quais ainda quero escrever. Não me tem apetecido escrever sobre filmes, não sei muito bem porquê. Mas a lista já vai longa e não tarda nada começa a época de prémios, por isso, prometo que me vou esforçar.

publicado às 21:55

palavras.jpg

Queres ir?
Quero.

O meu trabalho, com todos os seus defeitos e problemas, com todas as desilusões e tristezas, continua a dar-me momentos de grande alegria. Ter oportunidade de sair daqui, de conhecer sítios novos, de falar com pessoas diferentes, de ir, ver, ouvir, experimentar, é mesmo uma das melhores coisas do mundo. O mundo é tão grande e há tanto para descobrir. Quando me perguntam se estou diponível para uma viagem, respondo sempre que sim, seja para perto ou para longe, seja qual for o tema do trabalho, digo que sim e depois logo vejo como é que isto se encaixa na minha vida.

Foi assim que fui parar a Lviv, na Ucrânia.

Vim das férias diretamente para a viagem. Saí de casa no dia 2 de setembro, terça-feira, antes das 7:00 da manhã e voltei esta noite, cheguei a casa já depois da meia-noite. Uma semana inteira fora. Viagens cansativas, de avião e de autocarro, muitas horas de autocarro, um autocarro que esteve muito tempo parado na fronteira, para sair e depois para entrar na União Europeia. O programa era intenso. E, sobre esse programa, ainda tive que acrescentar as horas de trabalho - entrevistas realizadas nos momentos de pausa, textos escritos pela noite dentro, a roubar horas ao sono, às refeições e ao descanso. É sempre assim quando vamos para fora, sem horários, a dar tudo. Estou exausta, o meu cérebro está enevoado, não sei como é que vou conseguir enfrentar os dias que tenho pela frente e todas as coisas que tenho para fazer, mas valeu bem a pena é o que posso dizer. 

Lviv é uma cidade muito bonita e senti-me sempre bastante segura, apesar da guerra. Na noite antes de chegarmos, quando estávamos em Cracóvia, na Polónia, toda a Ucrânia esteve sob alerta e a região de Lviv foi atacada. Durante a nossa estadia, houve dois alertas que nos obrigaram a ir para o abrigo, mas nada aconteceu. Ouvir as sirenes da cidade a tocar e receber a mensagem de alerta no telemóvel é um bocadinho assustador, há que reconhecer, mas depressa percebemos que - pelo menos destas vezes - não havia nada a temer. O recolher obrigatório é da meia-noite às 5:00 da manhã, mas até essa hora a população faz a sua vida normal, no centro os restaurantes e os bares estão abertos, as esplanadas movimentadas. Foi muito interessante ver como as pessoas continuam a fazer o seu dia-a-dia, apesar de todos os constrangimentos.

Mas a guerra está sempre presente, mesmo quando não há ataques. Há funerais de militares praticamente todos os dias, toda a gente tem familiares e amigos a combater na linha da frente, é comum nas ruas encontrar feridos de guerra. Em todas as conversas, a guerra. Falei com alguns jovens ucranianos e é claro que foi muito comovente. São miúdos, da idade dos meus filhos, e vivem há mais de três anos em guerra, alguns passaram por situações realmente dramáticas. Como não ficar a pensar nisto?

IMG_8589.jpg 

O alerta de ataque aéreo é acompanhado pelo som de uma sirente e uma voz que grita "Attention! Attention!"

IMG_8424.jpg 

O cemitério onde estão sepultados mais de 1.200 militares de Lviv, mortos na guerra desde 2022

IMG_8564.jpg 

Vários monumentos estão protegidos por causa dos ataques aéreos. Aqui, os vitrais da catedral tapados

IMG_8567.jpg 

Por todo o lado, nos jardins e nas igrejas, há memoriais que homenageiam as vítimas da guerra

Se quiserem perceber melhor o que fui lá fazer, podem procurar os seis textos que escrevi para a CNN Portugal sobre o (ou à volta do) encontro de jovens portugueses e ucranianos em Lviv: o primeiro é uma antecipação do programa, o último é uma espécie de balanço, pelo meio há outras histórias. Foi tudo escrito a quente e em contra-relógio, mas espero que gostem.

publicado às 11:28

21
Mar25

Vizinhos

Falei com a Nofouz uns dias depois dos actos terroristas do Hamas a 7 de outubro de 2023. Alguém deu o contacto a alguém que me perguntou se não estaria interessada em entrevistar uma palestiniana da Cisjordânia. Nem hesitei. Trocámos umas mensagens em inglês e combinámos um dia para falar. Pouco antes da hora, ela desmarcou. Trabalha num hospital em Hebron, a cidade onde mora, e estava com muito trabalho. Tentámos uma segunda vez. Numa pausa do trabalho, Nofouz falou comigo. Tinha na altura 23 anos e estava a terminar o curso de Medicina. Falava um inglês perfeito. De vez em quando calava-se para deixar passar os aviões. Emocionou-se algumas vezes. Mas sabia o que queria dizer. "Neste momento, tenho medo de que todas as pessoas que morreram tenham morrido por nada, que todas as crianças que passam por noites de bombardeamentos estejam a sofrer por coisa nenhuma. As pessoas de Gaza estão a lutar por todos nós. Eles não têm opção a não ser lutar. Eles estão a lutar pelo nosso futuro e eu temo que a situação fique na mesma, que, depois da guerra, nada mude", disse-me. Contei a história de Nofouz o melhor que soube, tentando mostrar as contradições de quem cresceu no meio de uma guerra, a maneira como o ódio vai aumentando contra todos os argumentos, como as pequenas humilhações e injustiças de todos os dias transformam as pessoas. De vez em quando, a ver as notícias, lembro-me dela. Trocamos mensagens esporádicas. No outro dia, celebrámos a vitória do filme No Other Land, que ganhou o Óscar de Melhor Documentário. Foi filmado numas aldeias perto de casa dela. Pareceu-me animada com a perspectiva de um acordo de paz. Falava em viajar.

Esta semana voltaram os bombardeamentos em Gaza. 

Sinto que o conflito israelo-palestino é demasiado complexo para se conseguir estar de um lado só. Tento ler opiniões de um lado e de outro. Tenho visto filmes, procuro informar-me. Andei a pesquisar sobre o movimento sionista e sobre como tantos judeus foram para aquela região quando Israel ainda não existia e os britânicos resistiam aos movimentos independentistas, quer de israelitas quer de palestinianos. Mas, um ano e meio depois, continuo sem ter uma posição definida. As soluções que parecem perfeitas no papel dificilmente resultarão quando postas em prática. Dois estados? Há demasiados subtextos, demasiada história, demasiados golpes e feridas por sarar, demasiado rancor acumulado para que a paz possa ser alcançada por vias diplomáticas. Ninguém quer ceder.

Acabei de ler O Coração Pensante, do escritor israelita David Grossman, que é muito crítico em relação a Netanyahu. A certa altura, diz: "Para quem vive em países onde a ideia de 'lar' é algo óbvio, devo explicar que para mim, para a minha consciência israelita, a palavra 'lar' cria um sentimento de segurança, protecção e pertença. Lar é um lugar onde posso existir em paz. Em que as fronteiras são reconhecidas por todos, e em particular pelos vizinhos. Mas tudo isto está envolto em nostalgia, em anseio de algo que, para mim ainda não se realizou totalmente. Por enquanto, sinto que a casa israelita é mais uma fortaleza do que um lar. Não há nela segurança nem paz, e os meus vizinhos acalentam muitas dúvidas e exigências sobre os meus quartos e paredes-fronteiras e, por vezes, sobre a sua própria existência. (...) Surge ainda um outro pensamento, o pensamento sobre os dois povos torturados: o israelita e o palestino, nos quais o trauma do refugiado é tão primário e fundamental, e apesar disso nenhum deles tem a mais leve compreensão pela tragédia do outro povo, para não falar compaixão."

Vizinhos. A maioria das guerras começa assim, entre pessoas que vivem lado a lado. De um lado ou de outro da fronteira. De um lado ou de outro da rua. Às vezes nem isso. Russos e ucranianos. Vietnamitas do norte e do sul. Sérvios e bósnios. Grupos étnicos diferentes no Ruanda. Facções opostas na Síria. Lembro-me de ver testemunhos de judeus que viviam na Alemanha antes da guerra, perfeitamente integrados, felizes, e de como, quase de um dia para o outro, passaram a ser mal tratados por aqueles com quem antes conviviam amigavelmente. Os vizinhos em quem confiavam tornaram-se seus inimigos. 

Está sempre a acontecer, e o que é mais incrível é que parece que não aprendemos nada.

AP25075611889648.jpg 

Crianças esperam a comida fornecida por uma organização humanitária em Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza (AP Photo/Abdel Kareem Hana)

Neste largo, a vizinhança é boa e escrevemos sem conflitos:

publicado às 10:10

publicado às 14:05

Sabem quando uma mulher perde o chão e só tem vontade de chorar e nisto aparece um dos filhos e diz uma coisa qualquer sem importância, pode ser “mãe, o Marcelo quebrou a minha boneca”, e a mãe limpa as lágrimas, respira fundo e pega na boneca, “Ah foi?, deixa eu ver”? Essa mãe é Eunice Paiva, mas podia ser outra qualquer. As mães não têm tempo para ficar sofrendo. É preciso garantir o pão e o sorriso das crianças, é preciso que a vida continue como sempre foi, ainda que, de repente, o pai já não esteja presente e nada volte a ser igual.

Gostei muito do filme "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles. E gostei muito da Fernanda Torres.

ainda-estou-aqui-com-fernanda-torres-e-indicado-ao

publicado às 22:58

Já passou algum tempo mas não queria deixar de vir aqui escrever porque quero mesmo guardar comigo esse momento maravilhoso que foi o espectáculo A Colónia, de Marco Martins. Antes de ir eu já sabia que ia gostar. Primeiro, por ter a ver com o Estado Novo e os presos políticos, e depois porque gosto muito de teatro documental e tenho esta panca com tudo o que tenha a ver com a memória e a fixação das memórias. Ainda assim, nada me preparou para esta avalanche.

A ideia surgiu de uma reportagem de Joana Pereira Bastos, publicada no Expresso, sobre a colónia de férias para filhos de presos políticos, que aconteceu em 1972, nas Caldas da Rainha e que, durante duas semanas,  juntou 18 crianças entre os 3 e os 14 anos. Mas o que se conta em palco vai muito além disso. Partindo dos testemunhos de duas dessas crianças, hoje crescidas, a Manuela e a Rita, e com a ajuda de Conceição Matos e Domingos Abrantes, começa-se por recordar o sistema opressivo em que se vivia, contar como era a vida dos opositores ao regime, a clandestinidade, a prisão e a tortura pela Pide. Só depois é que se passa para a colónia, juntando os testemunhos da monitora e de mais três dessas crianças. Como era para uma criança viver na clandestinidade, sem saber o seu verdadeiro nome e sem brincar com outras crianças? Como foi ver o pai a ser preso ou visitar o pai na prisão? 

Não se limitando a ter estas pessoas todas em palco a contar as suas histórias, o que já seria brutal, Marco Martins criou um espectáulo cheio de camadas e de uma grande beleza, com os extraordinários actores João Pedro Vaz, Sara Carinhas, Ana Vilaça e Rodrigo Tomás (e aquele achado inicial - viver em clandestinidade era, também, representar, interpretar diversas personagens), a que se juntaram um grupo de jovens actores e ainda B. Fachada e um pequeno coro infantil. E aquilo que era a história de um grupo de crianças passa a ser a história de um povo, a nossa história, a história das crianças e dos jovens de hoje, que se perguntam afinal o que é isso de ser livre.

Posso dizer-vos que chorei muito e embora isso não queira dizer nada sobre a qualidade da obra quer dizer muito sobre o quanto me tocou e me abalou. É muito importante que estas histórias sejam contadas uma e outra vez, que não sejam esquecidas. Fascismo nunca mais, gritou-se no momento dos aplausos. Fascismo nunca mais. Fascismo nunca mais.

IMG_6451.jpeg

IMG_6452.jpeg

Ainda deste último mês temos a assinalar:

A Reunião, um espectáculo bonito e igualmente importante do Teatro Meridional. Confesso que não sou a maior fã de commedia dell'arte e nessa noite estava um pouco cansada e talvez não tenha apreciado devidamente a peça, mas o texto do Mário Botequilha é muito bom.

Um grande concerto dos Expresso Transatlântico no MusicBox. São todos óptimos, mas o Gaspar Varela tem, de facto, uma energia especial.

Um workshop com a Ana "apetite pela vida" sobre comida saudável, sem açúcares nem processados nem proteína animal. Vim de barriga cheia e com muitas dicas para melhorar as receitas cá de casa.

A figura do ano para mim é, sem dúvida, Gisèle Pelicot. No meio de todo o horror, esta mulher dá-nos alguma esperança. Este caso mexeu muito comigo e penso que não exagero quando digo que através da sua análise podemos perceber um pouco do tanto que precisamos mudar enquanto sociedade. 

(temos outras coisas a assinalar, boas e más, mas vou tentar escrever sobre elas com calma)

Ainda nem é natal e já estou empaturrada. De comida, sim, mas sobretudo de amor. Dezembro tem esta magia, fazemos um esforço para encaixar na agenda encontros com os amigos (não todos, mas quase). Só nesta última semana contaram-se um almoço e três jantares, deitando por terra o esforço dos últimos meses para comer menos e para comer melhor. Sim, eu sei, eu sei, se eu tivesse realmente força de vontade conseguiria, mas não tenho, portanto isto anda assim mais ou menos ao sabor do vento e das flutações da minha vida e da minha cabeça, mas não nos martirizemos, em janeiro retomamos o caminho.

publicado às 11:34

"Adeus, estômago" é uma reportagem que já tem algum tempo mas que só agora tive tempo de ver. Estou a aproveitar que tenho passado alguns dias em casa para recuperar coisas que me aconselharam e a que, por alguma razão, ainda não tinha dado atenção. Como sabem, muitas vezes o jornalismo que fazemos desilude-me e entristece-me muito. Por isso, é uma grande alegria poder ler, ver e ouvir trabalhos tão bons. Dá-me alguma esperança. Deixo aqui alguns links de coisas de que gostei, mas sei que há muitos outros trabalhos por aí que valem a pena, sobretudo no que toca a podcasts, vou tentar pôr-me a par.

As entrevistas d'"A Beleza das Pequenas Coisas", do Bernardo Mendonça, são, geralmente, um prazer para os ouvidos. Esta, ao André Barata, é só um exemplo. 

"Colonos em Angola e Moçambique. Retornados em Portugal", um trabalho muito profundo sobre o colonialismo português, o seu racismo intrínseco e o regresso dos retornados. Feito pela minha querida Joana Gorjão Henriques, no Público.

"Mitra, o “depósito” de Lisboa onde o Estado Novo fechava os indesejáveis": uma reportagem muito boa sobre o asilo para mendigos criado em 1933. No Expresso. Vejam também o vídeo. Tinha apenas uma vaga ideia sobre o que era a Mitra e é muito impressionante.

As entrevistas a Nick Cave valem sempre a pena. Já tinha visto esta, mas a que a nossa Lia Pereira fez, no Expresso, também está muito boa. Claro que ele diz coisas muito profundas sobre a perda e o luto, mas também tem palavras muito esperançosas e um olhar bastante tranquilo sobre a vida. Vejam, por exemplo, o que diz sobre o disco novo:

"O “Wild God” é sobre algo em que acredito piamente: que temos de permanecer atentos e conscientes da alegria no presente, do riso no presente, em vez de nos agitarmos neuroticamente a pensar naquilo que as coisas deveriam ou poderiam ser. A um nível mais amplo, penso que o grande problema da socie­dade neste momento é o facto de não entendermos que há muito para amar neste mundo. Tudo o que nos dizem e que sentimos é que o mundo é um sítio para odiar, para desprezar, e que nós, seres humanos, não somos capazes de fazer nada de bom, nada de valor, que só estragamos coisas e magoamos e oprimimos pes­soas. Talvez em parte seja verdade, mas eu sinto que temos de estar atentos ao facto de o mundo e os seus seres poderem ser extraordinariamente belos." 

publicado às 14:35

Form. mediação cult-jam-257.jpg 

Há sorrisos que dizem mais do que muitas palavras. Sou feliz a trabalhar (mas só às vezes). 

Há um novo episódio do podcast da Arte em Rede para ouvirem AQUI. Ainda não ultrapassei a estranheza de ouvir a minha voz, mas já estou mais apaziguada com isto de fazer jornalismo na primeira pessoa. 

A fotografia é do Pedro Jafuno.

publicado às 19:54

Abril já acabou e não se fez só de gritos revolucionários.

Deu para ir ver os desenhos fantásticos do João Abel Manta.

Deu para ver o Guião para um país possível, da Sara Barros Leitão. Para rir e para pensar e para nos emocionarmos um pouco. Os actores são óptimos. Gostei mesmo muito.

Também fui ver a Luta Armada, dos Hotel Europa, sobre os movimentos armados antes e depois do 25 de Abril. Foi bom, que até foi, mas nada do outro mundo, e o melhor de tudo nesse dia foi ficar deitada na relva, de pés descalços, a ouvir música e a conversar sobre tudo e sobre nada com a minha amiga.

Voltei a cantar com a Garota Não, na inauguração do museu de Peniche. Apanhámos chuva e vai-se a ver nem conseguimos visitar o museu, mas o que ali conversámos em frente de um pão com sardinhas e de um prato de amêijoas valeu por tudo. Além da Garota, claro, que vale sempre a pena.

IMG_5208.jpg

Foi também um mês para "sair de pé" por duas vezes:

A propósito do espectáculo Na medida do impossível, do Tiago Rodrigues, fui moderar uma conversa na Culturgest com o João Santos, da Médicos Sem Fronteiras, e a fantástica Rita Costa, enfermeira que já esteve no Afeganistão e na Faixa de Gaza e nos falou de todo o amor que tem por este trabalho. Fico sempre nervosa quando tenho que falar em público, mas acho que até correu bem  (e se algum dia tiverem oportunidade de ver a peça, aproveitem, que é mesmo muito boa).

E, por falar em nervos, estreei-me a gravar voz, neste caso para uma reportagem sonora (aka podcast) que fiz para a Arte em Rede. Não tenho palavras para agradecer a confiança que o Bruno tem em mim (e a paciência enorme para me explicar as coisas que eu não sei). Fazer algo pela primeira vez é sempre um desafio, pior ainda quando se tem a auto-estima de uma formiga, como eu. Mas uma pessoa não gastou uma fortuna na terapia para depois ficar a tremer de medo e recusar uma oportunidade destas. O resultado já pode ser ouvido AQUI e, apesar de ainda ser muito estranho ouvir a minha voz, na verdade até me diverti a fazer isto. Agora, é "só" fazer cada vez melhor.

publicado às 19:01


Mais sobre mim

foto do autor