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23
Jan19

Malabarismo

Viver é como fazer malabarismo. Vamos ver quantas bolas conseguimos pôr a girar ao mesmo tempo. O trabalho, os miúdos, a casa limpa e arrumada, a família, os amigos, as contas para pagar, o amor, a despensa cheia, a saúde, os livros que queremos ler... Só que, ao contrário do malabarismo, na vida, quantas mais bolas estiverem a girar mais fácil a coisa fica. Mesmo. Até porque, assim, se, por algum motivo, deixarmos cair uma destas bolas, ou seja, se alguma coisa correr mal, teremos sempre outras bolas com que brincar.

Pensei isto no domingo à tarde enquanto via um grupo de rapazes de 14, 16, 18 anos, por aí, a brincar aos circos numa tenda montada no pátio de uma prisão. E também pensei (mais uma vez) como é tão fácil esquecermo-nos da sorte que temos.

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A fotografia é do Álvaro Isidoro/ Global Imagens.

E a reportagem que escrevi pode ser lida AQUI.

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publicado às 21:32

29
Abr18

Tenente

Foram quase quatro meses de contactos. Ele tem tanto trabalho que mal consegue ter tempo para uma conversa. Mas eu sabia que queria fazer esta entrevista. E sabia que ainda ninguém tinha contado esta história - de como um dos grandes estilistas nacionais decide abandonar a moda (as lojas, os desfiles, as colecções, as tendências do mercado) e dedicar-se exclusivamente aos figurinos de espectáculos. Foram quase quatro meses a encontrá-lo em ensaios, então?, esta semana?, na próxima?, quando?. Lá conseguimos. A entrevista a José António Tenente foi publicada ontem e eu fiquei contente e até um pouco orgulhosa. Porque ele é uma pessoa muito fixe (já tinha ficado com essa impressão da primeira vez que o entrevistei, há mais de dez anos). Porque se dedica de corpo e alma àquilo que faz. E porque está feliz, e isso nota-se.

Devíamos todos poder trabalhar naquilo que nos faz feliz (mas nem sempre é possível. deal with it. again).

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Fotografia de Gonçalo Villaverde/Global Imagens

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publicado às 19:33

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Obra de Dave The Chimp que está no Urban Nation (Berlim).

Dois bons conselhos. Para a vida em geral e para os jornais em particular.

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publicado às 09:51

25
Fev18

Mergulhar

Foi trabalho mas foi também uma enorme alegria. Na semana passada, aproveitando aqueles dias de pausa escolar do carnaval, consegui dar uma escapadela até Aljezur para ver o trabalho que a Madalena e o Giacomo estão a fazer por lá. Foi tudo perfeito. As conversas, as comidas, as pessoas. Até aquelas horas passadas a conduzir, sozinha, enquanto o sol baixava sobre o mar, para lá e depois para cá. O texto, publicado ontem no jornal, deixa muito por dizer e sobretudo receio que não consiga transmitir toda a paixão da equipa do Lavrar o Mar, um projeto de programação de artes performativas, fora da época alta e num trabalho de proximidade e interligação com a comunidade. Repito-me e não me importo. Esta é mesmo uma coisa bonita que merece muito ser partilhada.

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A foto é de Rui Minderico/ Global Imagens.

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publicado às 10:27

Os jornais portugueses estão a morrer porque não fazem jornalismo. Ou fazem-no pouco. Ou fazem-no mal. Claro que há o problema do negócio e das vendas e da internet. Claro que o papel irá desaparecer, mais cedo ou mais tarde, porque há cada vez menos pessoas a comprar jornais em papel. Mas os jornais podem existir sem papel. Teríamos que pensar seriamente sobre isto mas se houvesse jornalismo como deve ser seria possível. Os jornais estão em crise porque não souberam gerir as mudanças nem adaptar-se e acharam que ia ser tudo como era no início dos anos 90. Os jornais estão como estão porque as empresas estão em falência mas os administradores continuam a achar que é mais importante gastar dinheiro em almoços e carros e outras mordomias de uns quantos do que pagar mais do que 800 euros a jornalistas qualificados. E quando têm que cortar nas despesas não cortam nos cartões de crédito, cortam nos jornalistas. Para que é que eles servem mesmo? Os jornais estão a desaparecer porque, chegadas a uma situação de desespero, as pessoas que mandam nos jornais estão mais preocupadas com os cliques do que com confirmar uma notícia antes de a copiar de algum site, mais ou menos fiável, e esquecem completamente todas as regras básicas do jornalismo e às vezes até as regras básicas do bom senso. Acima de tudo, os jornais estão a morrer porque houve quem se esquecesse que a função dos jornais é fazer jornalismo. Não é fazer umas coisas giras. Não é dar dicas. Não é estar na moda. Não é reproduzir as patacoadas das redes sociais. Para isso tudo já existem outros sites e blogues e contas de instagram. E, vá lá, os jornais até poderiam fazer isso tudo, se fosse bem feito. Mas deveriam sobretudo fazer outras coisas. Deveriam ser outra coisa.  

Isto é o que eu acredito.

E, pelos vistos, é aquilo em que acredita também A.G. Sulzberger, o novo publisher do The New York Times. Este é o seu compromisso. Espero bem que não sejam só palavras ocas:

"Much will change in the years ahead, and I believe those changes will lead to a report that is richer and more vibrant than anything we could have dreamed up in ink and paper. What won’t change: We will continue to give reporters the resources to dig into a single story for months at a time. We will continue to support reporters in every corner of the world as they bear witness to unfolding events, sometimes at great personal risk. We will continue to infuse our journalism with expertise by having lawyers cover law, doctors cover health and veterans cover war. We will continue to search for the most compelling ways to tell stories, from prose to virtual reality to whatever comes next. We will continue to put the fairness and accuracy of everything we publish above all else — and in the inevitable moments we fall short, we will continue to own up to our mistakes, and we’ll strive to do better."

Que venha 2018 e vamos ver o que é que isto dá. Aqui e do outro lado do Atlântico.

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publicado às 01:40

A mim bastava-me ele ter imaginado e editado o DNA  - que li com tanto prazer durante dez anos; onde conheci algumas das pessoas mais importantes na minha carreira e fiz amigos para a vida; onde aprendi, entre outras coisas, que não há impossíveis e que quando um trabalho é bom tem sempre interesse para o leitor e se não for bom não se publica (reescrever, emendar, completar até ficar como deve ser); o DNA onde, ainda miúda, publiquei alguns dos trabalhos que mais me orgulho de ter feito nestes vinte anos (e só isso diz tanto).

A mim bastava-me ele ter imaginado e editado o DNA mas a verdade é que o Pedro Rolo Duarte fez muito mais do que isso, como conto neste artigo e também neste, escritos num dia triste, contendo as lágrimas, porque o trabalho de um jornalista também é isto.

Hoje era o dia para ir dar abraços apertados a algumas pessoas que o conheceram mesmo bem mas o trabalho pôs-me num comboio com destino ao Porto (mais uma vez, ser jornalista também é isto). Vou lendo as palavras da Sónia e pensando em todos os sonhos que tínhamos em 1997 e em como não faz sentido morrer com 53 anos e tanta coisa ainda por fazer e tanta vida por viver.

É uma merda, é o que é. 

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publicado às 10:18

30
Set17

Setembros

No primeiro dia do meu regresso ao trabalho, fui até à Vila Dias, em Xabregas, um lugar que eu nem sabia que existia. Dias depois, sentei-me na plateia do Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio, a ver o Lear, como se fosse a primeira vez que ouvia aquele texto. Na semana passada, andei a explorar o Bairro dos Lóios, também conhecido como "pantera cor-de-rosa", em Chelas, mais um sítio onde nunca tinha ido. Esta semana, andei à volta de gente que gosta de música muito diferente da que eu ouço e conheci algumas pessoas mesmo interessantes, como a Violet, uma mulher cheia de garra e de ideias que me disse que os seus planos para o futuro são "fazer as coisas o mais "eu" possível" - que é aquela coisa do sermos nós sem medos nem constrangimentos que tanto persigo.

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a Vila Dias

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o Bairro dos Lóios

Vivem-se dias incertos na imprensa portuguesa, mas enquanto os meus dias forem assim, cheios de aprendizagens e descobertas, de sítios e pessoas e conversas boas, isto vai valendo a pena.

Entretanto, descobri esta versão que os A-ha fizeram do Take on Me que tanto dancei na minha adolescência (e não só) e que agora ouço, emocionada, em modo slow. E penso como desacelerar uma música pode mudar-lhe o significado. Ou então isto é só da idade. E amanhã já é outubro.

"So needless to say
I'm odds and ends
I'll be stumbling away
Slowly learning that life is OK
Say after me
It's no better to be safe than sorry"

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publicado às 21:36

20
Set17

De costas

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Não gosto muito de aparecer mas assim de costas não me importo e até me divirto. Fotografada pelo Nuno na Praia das Maçãs (o trabalho completo foi publicado AQUI) e pela Ágata em Ponta Delgada (vejam as lindas fotos delas AQUI).

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publicado às 10:24

Sábado. Saí de casa com notícias sobre a possibilidade de uma guerra nuclear. Vi no facebook do telemóvel imagens da manifestação racista  nos EUA. Olhei para o céu a escurecer com fumo por causa dos incêndios. À noite, quando cheguei ao quarto de hotel, descobri que Bolt se tinha lesionado na sua última corrida. Sábado passei o dia longe de tudo, em Cem Soldos, uma aldeia a poucos quilómetros de Tomar, um sítio que nos faz acreditar. E olhem que isso não é nada fácil nos dias que correm.

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Esta é a Surma e a foto foi tirada por Carlos Manuel Martins/Bons Sons.

Para saberem mais leiam AQUI e AQUI.

Como escrevi no ano passado: a ver se não se estraga.

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publicado às 15:18

16
Jun17

Nhom Nhom

Descobri há relativamente pouco tempo que cozinhar é uma das melhores terapias do mundo. Passo cada vez mais tempo na cozinha, sou feliz a experimentar receitas e a preparar comidas elaboradas, com tempo (não sou lá muito feliz a ter que fazer todos os dias, à pressa, depois de uma jornada de trabalho, jantares sem graça nem molhos para os meus filhos esquisitinhos, mas adiante). É também por isso que admiro a Joana. Pela alegria que ela tem a cozinhar. Mas, sobretudo, admiro a Joana Barrios pela sua liberdade, pela capacidade de ser exactamente como quer ser, sem ligar a estereotipos, ao que os outros possam dizer, a preconceitos. 

Foi um prazer enorme conhecê-la de perto (e descobrir que é alentejana!). A conversa que tivemos, a propósito do seu livro de receitas, Nhom Nhom, foi publicada no domingo na revista Notícias Magazine e pode agora ser lida AQUI.

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A fotografia é da Diana Quintela/ Global Imagens.

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publicado às 09:31


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