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Não sabia quem era a Georgia Pritchett. Nunca vi Succession nem Veep. Mas mesmo que tivesse visto, provavelmente não saberia quem era porque eu não sou essa pessoa que sabe os nomes dos argumentistas das séries. Não sabia quem era a Georgia Pritchett mas não consegui deixar de reparar no título do livro: My Mess is a Bit of a Life. Encontrei-o no meio de outros "livros de mulheres" (a minha secção favorita nas livrarias, nos dias que correm, a par das biografias) na Cook & Book, uma livraria extraordinária em Bruxelas. Não sabia quem era a Georgia Pritchett mas bastou-me ler o título e a contracapa para decidir trazê-lo. Foi assim que descobri esta mulher, argumentista, humorista, lésbica, mãe, pessoa com vários problemas de ansiedade e outro tipo de problemas. É um livro despretencioso, verdadeiro e ficcional, divertido e angustiante ao mesmo tempo. Vou pô-lo na estante ao lado da Tati Bernardi (Depois a Louca Sou Eu e Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha) e da Norah Ephron (I Feel Bad About My Neck: And Other Thoughts on Being a Woman). Se repararmos bem, é incrível a quantidade de mulheres que escrevem com humor sobre si próprias ou sobre outras mulheres muito parecidas, quase como uma catarse. Gostaria muito de saber fazer isso. De conseguir distanciar-me. De encontrar as palavras. De não temer o ridículo. De tornar-me numa outra, quem sabe talvez para poder revelar-me eu mesma.

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publicado às 14:36

06
Mar22

Ucrânia

É muito simples, diz o Miguel Esteves Cardoso: "Há dois países em causa: a Rússia e a Ucrânia. A Rússia agrediu a Ucrânia. A Rússia é maior e mais forte do que a Ucrânia. E a Ucrânia está sozinha."

Podemos discutir tudo, os motivos ou a falta deles, a história, o papel dos EUA e da NATO, podemos lembrar outros conflitos, outras batalhas, outras injustiças, podemos chamar a atenção para a propaganda e a retórica que para aí anda em torno de heróis e da coragem de um povo, podemos sempre manter o espírito crítico e estar alertas para a desinformação, mas daí a defender o Putin e a invasão já me parece que vai um passo de gigante. Os ímpetos imperialistas do presidente russo são bastante assustadores.

Não há guerras boas. Nem que seja porque em todas as guerras as principais vítimas são inocentes. Num momento como este, a empatia é talvez um dos sentimentos mais importantes. Lembrem-se: podíamos ser nós. Podíamos ser nós em Donbass, onde a guerra já começou em 2014. Podíamos ser nós em Kiev ou no resto da Ucrânia, a ter medo, a morrer, a lutar, a fugir. Podíamos ser nós na Rússia, a sentir vergonha e impotência perante o poder. Podíamos ser nós, jovens de 20 anos, em qualquer dos lados da fronteira, obrigados a combater. Podíamos ser nós na Polónia, a receber meio milhão de refugiados numa só semana. 

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Foto de Vadim Ghirda (AP)

A propósito:

Lembrei-de da série Why We Hate? - porque odiamos? 

Não sei muito sobre a história da Ucrânia. Aprendi algumas coisas ao ler a biografia de Clarice Lispector, de Benjamin Moser.  Toda a primeira parte, sobre a família, ajuda a perceber o que aconteceu ali no início do século XX. Aqui estão alguns livros sobre a Ucrânia (e mais aqui) que podem ajudar-nos a contextualizar sem serem demasiado complexos.Também podemos ler os livros da jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich, alguns estão traduzidos em português, que nunca é tempo perdido.

O Guardian também fez uma lista com 20 filmes que podem ajudar a entender o que se passa na Ucrânia. Infelizmente, não são fáceis de encontrar. Estive a rever o documentário Winter on Fire (na Netflix) sobre a ocupação e os conflitos na Praça Maidan, em 2013. Talvez fosse uma boa altura para as televisões passarem os filmes do Sergei Loznitsa. Fica a ideia. 

E um conselho: procurem fontes de informação fidedigna. O Twitter pode ser muito útil mas é importante verificar a origem das informações. É muito fácil deixarmo-nos levar pelas emoções, pelos likes e pela partilha rápida. Duvidem. Questionem. Procurem. Recuem. Parem para pensar. Este conselho é para todos mas sobretudo para os jornalistas.

publicado às 11:06

12
Jan21

Fran Lebowitz

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Nunca tinha ouvido falar desta Fran Lebowitz até ela me aparecer com cara de poucos amigos num destaque da Netflix. Fui ao Google e fiquei mais descansada, afinal ela não é assim tão importante e é verdade que eu sou meia desligada do mundo mas desta vez a minha falha não era gritante. Aos 70 anos, Fran Lebowitz é conhecida sobretudo pelas crónicas que escreveu quando tinha 20 e poucos anos. E depois por ser uma pessoa que diz tudo o que pensa e di-lo com muita piada. Aquilo que gosta mais de fazer é ler. A segunda coisa de que gosta é conversar. Com um enorme sentido crítico e muito humor, Fran tornou-se uma comentadora do quotidiano. Nos últimos anos, viveu disso mesmo: pagam-lhe para participar em conversas públicas e dar a sua opinião sobre todos os assuntos (menos política). Além de ser uma intelectual, Fran Lebowitz é aquilo a que costumamos chamar "uma figura". Não tem telemóvel nem computador, vive sozinha com os seus 10 mil livros e sem internet. Gosta de comer fora, de conviver com os seus amigos e de ir a festas. Mas odeia todos os contactos sociais fora do seu círculo. Fran não faz qualquer esforço para ser simpática ou para ser gostada e essa antipatia faz parte do seu charme. Odeia desporto, odeia turistas, odeia viajar, evitar sair de Manhattan (a não ser em trabalho) e nunca vai de férias. A sua curiosidade ou preocupação em relação ao mundo resume-se a isto: afecta-me ou não me afecta? É por isso que o seu principal assunto é Nova Iorque. 

Vi, de uma vez só, a minissérie Pretend It's a City, na qual Fran Lebowitz conversa com o amigo Martin Scorsese sobre a sua vida e a cidade. É só isto. Mas isto muito bem feito, muito bem realizado, muito bem editado, com música escolhida a dedo. Isto com muita graça. Ela a gozar com o mundo e consigo mesma mas a dizer umas verdades pelo meio. São episódios curtos, não dá para ficarmos aborrecidos. E, surpreendentemente, podemos acabar por gostar um bocadinho desta mulher rabugenta.

No final, deixa este conselho aos jovens e não só (escrito há 40 anos mas bastante actual):

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publicado às 09:19

"O nojo da amamentação, essa função animal. E, mais tarde, os vapores mornos e adocicados das papas. Por mais que me lavasse, aquele mau cheiro a mãe não me saía do corpo. Mário às vezes colava-se a mim, abraçava-me e possuía-me ensonada, também ele cansado do trabalho, sem emoção. Fazia-o, atirando-se à minha carne quase ausente, que sabia a leite, a bolachas, a farinhas, cheio de um desespero pessoal que aflorava o meu sem o reconhecer. Eu era o corpo de um incesto, pensava atordoada pelo cheiro do vomitado de Gianni, era a violação da mãe e não a posse de uma amante."

de Os Dias do Abandono em Crónicas do Mal de Amor de Elena Ferrante 

A Céu pega neste excerto para perguntar: poderia um homem ter escrito isto? A resposta parece óbvia. Mas deixem-me devolver a pergunta, em forma de provocação: poderia uma mulher que nunca teve filhos ter escrito isto? E, mesmo das que tiveram filhos, quantas sentiram a experiência de forma a poder escrever isto?

O que eu quero mesmo perguntar é: o que é isso de uma "escrita feminina"?

Não tenho uma resposta. Tenho algumas ideias sobre o assunto e muitas dúvidas. É um facto que tenho lido mais livros de mulheres e sobre mulheres. Mas resisto muito a classificações simplistas. Parece-me cada vez mais problemático arrumar autores (ou pessoas) em gavetas. Mas ainda não sei bem que outro tipo de arrumação lhes dar.

Ia aconselhar-vos o clube do livro da Sara Barros Leitão que ao longo de um ano vai discutir livros feministas mas, infelizmente, as inscrições para a primeira sessão esgotaram-se em poucas horas. Podemos sempre ir lendo os livros e acompanhando a discussão online, é melhor do que nada.

E vou também tentar acompanhar o curso de Introdução à História do Feminismo, que começa este sábado.

Talvez lá mais para o fim do ano já consiga alinhavar umas frases sobre o assunto.

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Louisa May Alcott (1832-1888), autora de Mulherzinhas

publicado às 11:23

O último livro de Valter Hugo Mãe, Contra Mim, é uma pequena delícia. Nele, o autor, à beira de completar 50 anos, conta as histórias da família - dos avós e dos pais, dos irmão, dos tios e dos primos, uns retornados de Angola, outra emigrados para França - e recorda a sua infância, primeiro em Paços de Ferreira e depois em Caxinas. Quem cresceu nos anos 70 e 80 vai, inevitavelmente, rever-se em muitos dos ambientes e das conversas. As reguadas na escola, a aventura que eram as viagens a Lisboa, o fascínio pelas novelas brasileiras e os programa de Jô Soares, a excitação dos primeiros namoricos. O pequeno Valter magrinho e frágil, acometido por várias doenças e muita timidez, imagina o que será isso do sexo, sonha com o dia em que vai casar e ter filhos, brinca com os amigos e, pelo meio, descobre que o seu super poder são as palavras. Tudo contado com muita ternura. Mesmo quando fala da avó paterna que teve 21 filhos e que no meio de tantos netos nem sabia o seu nome ou do pai que desapareceu por uns tempos, deixando-os a tomar conta do café e a passar o natal em tristeza, e depois voltou como se nada fosse. Este é tanto um livro sobre a infância como sobre o crescimento: sobre o que fica e o que se perde nesse processo; sobre o que recordamos, o que esquecemos e o que inventamos, também.  

Eu acho que o livro precisava ali de uma edição, de alguém que lhe limpasse as palavras em excesso e algumas ideias repetidas, mas gostei de o ler assim mesmo. Foi bom reconciliar-me com o Valter Hugo Mãe de O Filho de Mil Homens e A Máquina de Fazer Espanhóis, pois não tinha gostado muito do último livro que tinha lido dele (de tal forma que já nem me lembro qual foi). 

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publicado às 12:52

A escritora Elena Ferrante fez uma lista com os seus 40 livros preferidos escritos por mulheres. Tem Chimamanda e Lucia Berlin, tem Marguerite Duras e Clarice Lispector. Li pouquíssimos. Quero todos.

Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie;
O Assassino Cego, de Margaret Atwood;
The Enlightenment of the Greengage Tree, de Shokoofeh Azar;
Malina, de Ingeborg Bachmann;
Manual para Mulheres de Limpeza, de Lucia Berlin; 
A Contraluz, de Rachel Cusk;
O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion;
A Filha Devolvida, de Donatella Di Pietrantonio;
Disoriental, de Négar Djavadi;
O Amante, de Marguerite Duras;
Os Anos, de Annie Ernaux; 
Léxico Familiar, de Natalia Ginzburg;
O Conservador, de Nadine Gordimer;
Destinos e Fúrias, de Lauren Groff; 
Maternidade, de Sheila Heti;
A Pianista, de Elfriede Jelinek; 
Breasts and Eggs, de Mieko Kawakami; 
Intérprete de Enfermidades, de Jhumpa Lahiri; 
O Quinto Filho, de Doris Lessing; 
A Paixão segundo GH, de Clarice Lispector;
Lost Children Archive, de Valeria Luiselli; 
A Ilha de Arturo, de Elsa Morante;
Beloved, de Toni Morrison;
Amada Vida, de Alice Munro;
O Sino, de Iris Murdoch;
Accabadora, de Michela Murgia; 
O Baile, de Irene Nemirovsky; 
Blonde, de Joyce Carol Oates;
The Love Object: Selected Stories, de Edna O’Brien; 
Um Bom Homem é Difícil de Encontrar, de Flannery O’Connor; 
Evening Descends Upon the Hills: Stories from Naples, de Anna Maria Ortese;
Gilead, de Marylinne Robinson; 
Pessoas Normais, de Sally Rooney;
O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy; 
Dentes Brancos, de Zadie Smith; 
Olive Kitteridge, de Elizabeth Strout;
A Porta, de Magda Szabò; 
Cassandra, de Christa Wolf; 
Uma Vida Pequena, de Hanya Yanagihara; 
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar.

publicado às 09:00

A liberdade é uma luta constante é o título do livro da Angela Davis que ando a ler agora. São entrevistas e pequenos ensaios sobre o feminismo, a democracia, as desigualdades e como combatê-las. Nada de muito profundo, mas bom para nos lembrarmos do muito que ainda nos falta lutar. Às vezes, estamos tão entretidos nas nossas vidinhas que nos esquecemos.

Nem de propósito:

Esta semana tive o privilégio de conversar com uma pessoa muito bonita: a Teresa Coutinho, que é uma mulher corajosa e talentosa.

E, no fim-de-semana, por entre a limpeza da casa (desta vez, incluiu janelas e frigorífico), duas pilhas de roupa para passar (ainda não acabei) e uma incursão ao supermercado, consegui ver o documentário Women, de Yann Arthus-Bertrand e Anastasia Mikova, que passou na RTP2 (foi na quinta-feira, ainda o apanham na box), com testemunhos de mulheres do mundo inteiro sobre o que é isto de ser mulher. Muito bonito às vezes, muito triste noutras.

E, para além disto tudo, deu para estar com algumas das minhas amigas. Sim, sim, temos que aprender a estar sozinhos e blá blá blá mas nada se compara à felicidade de estar com aqueles de quem gostamos.

E rir.

Rir da vida para que a vida não se fique a rir de nós. 

publicado às 16:46

A pressão era enorme, imagino eu. Depois do sucesso de A Amiga Genial e de toda a conversa em volta da identidade da autora, Elena Ferrante andou uns tempos afastada da ribalta, publicou umas crónicas no The Guardian, foi tema de um filme documental, viu a sua tetralogia transformada em série da HBO e, entretanto, escreveu mais um romance. A pressão era enorme, imagino eu, mas A Vida Mentirosa dos Adultos (publicado em Portugal pela Relógio D'Água) está aí.

Os leitores de A Amiga Genial vão reconhecer facilmente o estilo e o universo de Ferrante. Temos novamente uma narradora-mulher na primeira pessoa em viagem pelo passado, a recordar a sua adolescência e entrada na idade adulta. Estamos novamente em Nápoles, embora desta vez numa família culta e de classe média alta. E, tal como na tetralogia, e aqui até talvez de forma ainda mais visível, a educação é nos apresentada como o passaporte para uma vida melhor: a escola e os livros permitem a ascensão social, a língua (o italiano vs. o dialecto) como característica distintiva entre classes, o meio universitário (primeiro como aluno e depois como professor) como o ponto mais alto a alcançar. E, finalmente, aquilo que Ferrante tão bem nos sabe dar: o mundo interior de uma jovem rapariga, com os seus dramas, as suas inseguranças, os seus sonhos, as suas vontades. 

Quando conhecemos Giannina ela tem 13 anos. Acompanhamo-la durante dois anos. Estamos com ela precisamente naquela idade em que os pais deixam de ser os heróis, em que descobrimos que não somos os nossos pais nem somos como eles, os pais são afinal outros diferentes, outros de quem queremos ser necessariamente diferentes. É um período de grande crescimento. De descoberta dos rapazes e do desejo. De muitas dúvidas: quem sou?, quem quero ser? É também, para ela, o momento em que descobre que os adultos mentem, que os adultos nem sempre são aquilo que dizem, que as ações e as palavras não têm que coincidir. E também ela começa a mentir, a ocultar-se, a aprender a arte da dissimulação. E é assim que deixa de ser uma criança ingénua e entra na vida adulta.

Elena Ferrante conta tudo isto de forma soberba. Ela sabe colocar-nos na cabeça de uma miúda, com todas as suas dúvidas e hesitações e incongruências. E sabe que é preciso rodeá-la de personagens igualmente ricas e complexas, das quais não sabemos tudo (porque não estamos na cabeça delas) mas também não precisamos saber, porque a vida é mesmo assim, nem sempre sabemos o que motiva os outros, nem sempre compreendemos o que se passa à nossa volta. E é essa perplexidade também que dá uma enorme verosimilhança a Giannina.

A Vida Mentirosa dos Adultos não tem o fôlego dos quatro volumes de A Amiga Genial, o que é uma vantagem, pois não precisa oferecer-nos resoluções nem conclusões. É apenas um momento na vida de Giannina. Um excerto, digamos assim. A partir dali, a vida segue.

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publicado às 09:44

18
Ago20

Desvio

Não há teenblogs. Há muitos babyblogs - textos e mais textos e fotos e mais fotos sobre essa coisa avassaladora que é ser mãe e sobre as mil peripécias, boas e más, dos filhos. Mas não há teenblogs. A partir de uma certa altura, não dá para dizer exactamente quando, não há uma regra, as vidas dos filhos deixam de nos pertencer, já não podemos dispor delas quando nos apetece, muito menos expô-las ao mundo. É uma coisa que sentimos mas também pode acontecer (como me aconteceu) que os filhos nos peçam privacidade. Não querem que publique as suas fotos e não gostam de ser assunto de conversa. É justo. Além disso, parece-me, não há teenblogs também porque é difícil falar sobre esta culpa que nos consome por eles não serem exactamente como nós sonhámos. Falo por mim, claro: passo horas a cogitar o que possa ter feito de tão errado para os meus filhos não serem perfeitos e a desfazer-me por dentro com a culpa de não saber como agir, quais as palavras certas, o que poderei ainda fazer para correr atrás do prejuízo. Ainda irei a tempo?

Um dia vou escrever sobre isto, provavelmente quando tudo já tiver passado, para o bem ou para o mal.

Talvez por isto tudo tenha gostado tanto deste Desvio, o livro de Ana Pessoa e Bernardo P. Carvalho. Saibam mais AQUI. É mesmo bom, garanto-vos.

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publicado às 12:40

Estive a ver o documentário sobre a Joan Didion, na Netflix. Jornalista e escritora, Didion é a autora de O Ano do Pensamento Mágico, monólogo brutal sobre a morte e a perda que Eunice Muñoz interpretou há uns anos no Teatro Nacional D. Maria II, com encenação de Diogo Infante. Não conhecia mais nada dela e fiquei com muita vontade de ler as suas reportagens e ensaios e livros e tudo. Pareceu-me uma mulher do caraças.

[Também me fez pensar em mim e perguntar-me porque é que escrevo, aqui e não só. Não, não me estou a comparar à Joan Didion, não me interpretem mal. Mas gostava de ser suficientemente corajosa - e talentosa, para dizer a verdade - para escrever algumas coisas que gostaria de escrever. Talvez um dia. Talvez nunca. Who knows.]

Angústias existencialistas à parte, tenho aproveitado estes dias para ver outros documentários, também na Netflix. Não tenho visto nenhuma ficção. Estou numa fase "vidas reais". Gostei destes:

Frank Sinatra: All or Nothing - visão muito soft sobre o cantor, sem grandes escândalos nem Marilyn por perto, mas, ainda assim, como eu não sabia muito sobre a vida dele, gostei bastante.

Miles Davis: Birth of the Cool - o trompetista da voz rouca teve uma vida cheia de altos e baixos, eu não conheço nada de jazz mas, mais uma vez, gostei de ficar a saber montes coisas que não sabia.

Mucho, mucho amor: The legend of Walter Mercado - não fazia ideia quem era esta pessoa, nunca tinha ouvido falar dele, mas fiquei completamente fascinada por este artista e astrólogo de Porto Rico, figura andrógina e grande estrela da televisão hispânica nos anos 70, 80 e 90. 

publicado às 15:57


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