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Alo Parks, "Hope"

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publicado às 10:18

Então e a felicidade nas coisas pequenas? Não eras tu que conseguias sempre encontrar a felicidade em sítios escondidos? Era. Mas ultimamente não tem sido fácil. 

Felizmente hoje recebi isto no correio. O que eu gosto destas miúdas.

Neighbourhood, música nova de Minta & The Brook Trout

publicado às 14:08

Para uma história do teatro

No Dia Mundial do Teatro, o André e. Teodósio deu uma conferência sobre a história do teatro experimental em Portugal, desde os anos 40 até ao presente. Para além da enorme pesquisa, é impressionante ver toda a reflexão que ele fez para conseguir esquematizar e sintetizar influências, linhas de trabalho, objectivos, problemas, projectos e desafios de tanta gente. Além disso, dá para sentir toda a paixão do André pelo teatro e pelo teatro experimental. A conferência continua disponível no Facebook do Teatro do Bairro Alto. Aproveitem.

Misantropo-7f_PC.jpg

(a foto é de O Misantropo, o primeiro espetáculo da Cornucópia, 1973)

Casas para as pessoas

Também no Dia Mundial do Teatro, o São Luiz propôs uma programação online para "Estar em Casa" que, entre muitas outras coisas, incluiu uma intervenção da designer e antropóloga brasileira Zoy Anastassakis que falou sobre a sua relação com a obra do seu pai, o arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis. Oportunidade para pensarmos no direito à habitação e na arquitectura para as pessoas, em vez de ser só uma arte da monumentalidade e do exibicionismo de formas e de egos. Aqui está:

Duas séries para ver em streaming

Não tenho visto muita coisa e ainda nem comecei a ver os filmes dos Óscares (desta semana não passa, está decidido) mas, neste último mês, vi na HBO duas séries muito diferentes e de que gostei bastante.

It's a Sin coloca-nos em Londres, nos anos 80, a acompanhar um grupo de jovens na descoberta da sua sexualidade (para quase todos homossexualidade) e, depois, no confronto com a sida. Oscila, por isso, entre a alegria queer desenfreada e a tristeza mais profunda. É também uma história do preconceito e da ignorância - e de como o medo do desconhecido pode ser tão desumanizador. 

Normal People leva-nos para a Irlanda e também nos põe a acompanhar um grupo de jovens, primeiro no liceu e depois na faculdade, e, de entre eles, os amores e desamores de Marianne e Connell. São duas pessoas bastante problemáticas. Ele com muita dificuldade em expressar o que sente e em dizer o que quer. Ela com traumas familiares que influenciam muito a ideia que tem si mesma e o que julga ser o seu lugar no mundo. Ambos com uma imensa dificuldade em ser quem realmente são, em assumir-se perante os outros. Algo que só conseguirão ultrapassar juntos. O amor nem sempre é um caminho fácil e nem sempre tem um happy end, mas nem por isso deixa de ser amor, não é?

Escusado será dizer que me fartei de chorar a ver estas duas séries. 

E já agora prestem atenção às bandas sonoras, as duas magníficas, cada uma no seu género.

Música para fugir das breaking news

Uma das coisas de que tenho mais saudades é de ouvir música enquanto trabalho. Era algo que eu fazia e que, agora, no meu trabalho novo, porque tenho que estar sempre atenta à televisão, não é possível. O ritmo das breaking news pode ser muito intenso e, às vezes, é mesmo preciso parar e desligar. Nas minhas pausas, nestes últimos dias, tenho tido a companhia de Bach interpretado pelo pianista islandês Víkingur Ólafsson:

(e dizer, mais uma vez, que sou muito agradecida a todas as pessoas que me mostram músicas novas, livros novos, mundos novos e que me ajudam a cuidar do meu jardim. assim vai valendo a pena.)

publicado às 16:13

 

Music for Lovers, de Nina Simone

(mas experimentem ouvir o disco todo, Baltimore)

publicado às 19:47

Des'ree, You Gotta Be

 

Liguei o computador às 11.00 da manhã para acompanhar mais uma sessão do clube de leitura Heróides e a Sara recebeu-nos com esta música. Tão bom. É engraçado como, tantas vezes, as músicas que ouvimos por acaso parecem falar para nós. 

Está quase a fazer um ano que a pandemia nos caiu em cima e acho que ainda não temos uma compreensão plena de como isto tudo nos mudou e mudou a nossa vida. Eu a trabalhar em casa. Os miúdos a terem aulas por zoom. Todos longe dos amigos. Um ano inteiro com os contactos sociais reduzidos ao mínimo. Nós três aqui fechados, uns dias a seguir aos outros, com a cabeça enfiada nos computadores, nos telefones, na televisão e na playstation. Tentar manter a sanidade. Tentar encontrar a felicidade nas coisas pequenas. E, no meio disto, um layoff, um despedimento e começar um novo trabalho. É muita coisa para assimilar e não, ainda não é tempo para escrever sobre esta parte (lá chegaremos, prometo).

Entretanto. No último mês, tenho trabalhado praticamente de manhã à noite. Entre o emprego novo -  com tanta coisa para aprender, aquela sensação de me sentir uma estagiária outra vez e de ter de provar a toda a gente (incluindo a mim mesma) que sou capaz -  e os projetos que entretanto aceitei porque eram irresistíveis e eu sou um bocadinho louca, não tenho tido tempo para muito mais. Nem livros, nem filmes, nem passeios, nem nada. A casa está meio caótica, os putos andam em roda livre e as amigas queixam-se da minha ausência nos grupos de whatsapp. Mas está quase. 

Agora que já se vê a luz de março ao fundo do túnel, quero dizer-vos isto: 

"Listen as your day unfolds
Challenge what the future holds
Try and keep your head up to the sky
Lovers, they may cause you tears
Go ahead release your fears
Stand up and be counted
Don't be ashamed to cry

You gotta be
You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day

Herald what your mother said
Read the books your father read
Try to solve the puzzles in your own sweet time
Some may have more cash than you
Others take a different view
My, oh, my, yea, eh, ee

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day

Time ask no questions, it goes on without you
Leaving you behind if you can't stand the pace
The world keeps on spinning
Can't stop it, if you tried to
This best part is danger staring you in the face

Remember
Listen as your day unfolds
Challenge what the future holds
Try and keep your head up to the sky
Lovers, they may cause you tears
Go ahead release your fears
My oh my yea, ye, ee

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day".

publicado às 15:05

Não é que não tenha coisas para dizer, é só que não tenho tido muito tempo.

Valha-nos a música. Hoje é esta. Visualizar arco-íris e desafinar bastante enquanto me dedico a panar bifes de frango para o jantar dos miúdos. 

Fiona Apple interpreta The Wole of the Moon

publicado às 20:03

"Você precisa tomar um sorvete na lanchonete
Andar com a gente, me ver de perto
Ouvir aquela canção do Roberto
 
Baby, baby, há quanto tempo
Baby, baby, há quanto tempo"
 
Baby, Gal Costa (1969)
 
Uma música um pouco nonsense do tempo em que a margarina era uma coisa fixe. Só porque calhou ouvir isto hoje e fez-me sorrir.

publicado às 20:09

"That's life (that's life), that's what all the people say
You're ridin' high in April, shot down in May
But I know I'm gonna change that tune
When I'm back on top, back on top in June

I said that's life (that's life), and as funny as it may seem
Some people get their kicks stompin' on a dream
But I don't let it, let it get me down
'Cause this fine old world, it keeps spinnin' around

I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out and I know one thing
Each time I find myself flat on my face
I pick myself up and get back in the race

That's life (that's life), I tell you I can't deny it
I thought of quitting, baby, but my heart just ain't gonna buy it
And if I didn't think it was worth one single try
I'd jump right on a big bird and then I'd fly

I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet, a pawn and a king
I've been up and down and over and out and I know one thing
Each time I find myself layin' flat on my face
I just pick myself up and get back in the race

That's life (that's life), that's life and I can't deny it
Many times I thought of cuttin' out but my heart won't buy it
But if there's nothin' shakin' come this here July
I'm gonna roll myself up in a big ball and die

My, my"

That's Life, Frank Sinatra

 

Agora que vai começar um novo mês, este era o dia em que eu vinha aqui contar-vos que voltei a trabalhar e que estão a acontecer coisas boas e que quando se fecha uma porta abre-se uma janela e mais não sei quê. Mas, entretanto, o universo, caprichoso, tratou logo de me trazer más notícias, só para me lembrar que não devo ficar demasiado contente, que é preciso estar sempre alerta porque a montanha-russa não pára. E assim vamos. Porque não há outra maneira.

publicado às 17:23

"Não vou lamentar, o que passou, passou
Eu vou embora, o meu tempo acabou
Tenho muita coisa para descobrir
Eu sinto muito, mas tenho que ir
 
E vou pro mundo porque nada mais me prende aqui
É o final do show
E não fique magoado porque vou partir
É só o jeito que eu sou
 
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora porque eu vou me dar bem
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Sei que tá na hora e eu vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
 
Não é por nada não, mas vou me divertir
Enquanto a vida assim permitir
Só vou procurar fazer amigos do bem
Se precisar, ajudar também
 
E agora, a liberdade e o horizonte
Só voce não sacou
Nova York, Ipanema ou Hong Kong
É nessa aí que eu tô
 
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora porque eu sei que vou me dar bem
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Sei que tá na hora e eu vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
 
Livre eu me sinto, sublime
Gente, mais gente, o mar e o céu azul
 
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora e eu sei que vou me dar bem
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora e eu sei que vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
Sempre em frente, nunca pra trás"
 
Changes, de David Bowie, na versão de Seu Jorge
 
 
* Enquanto houver estrada para andar (só que por outras palavras)

publicado às 22:03

Desde o dia em que recebi o telefonema do meu director a informar-me que iria ser despedida até hoje, dia em que levantei nos correios a carta que oficializa o meu despedimento, passaram-se exactamente dois meses. Foram dois meses estranhos. Ainda empregada mas sem trabalho. Quase desempregada mas sem poder procurar activamente uma nova ocupação. Os dias podem ser demasiado longos quando não temos um horário a cumprir. Mas a vida continua a ser demasiado curta. Por outro lado, quem tem filhos e uma casa para cuidar sabe que temos sempre muito com que nos entreter. Na verdade, quase poderíamos fazer só isto. Lavar o chão, passar a roupa, temperar a carne para o jantar. Mas eu não quero. Não quero ficar enredada nas compras e nos almoços. Odeio a sensação de estar a perder tempo. Não me quero deixar ficar. No entanto, para já, ainda não há muito que possa fazer. Não é fácil. 

O meu desafio nestes últimos meses tem passado por três frentes:

Organização. 

O pior que pode acontece quando temos tempo a mais é deixar tudo para amanhã e não fazer nada. É preciso manter algumas rotinas. Fazer sempre a cama, não acumular louça suja. Limpar a casa. Cozinhar refeições. Comer fruta. Beber água. Pagar as contas. Organizar os meus contactos. Mandar mails. Apagar mails. Fazer listas das coisas que tenho que fazer para não me esquecer delas (estou cada vez mais desmemoriada, tenho de fazer listas de tudo). Estabelecer pequenos objectivos. Ter uma agenda para 2021 (e a alegria de ter já alguns dias ocupados).

Cuidar do corpo.

Nunca fui muito boa nisto. Gosto de comer e gosto pouco de me mexer. Mas estou a tentar, juro. Esta semana estou em detox pós-natalício. Aproveito a ausência dos miúdos para fazer refeições diferentes. Obrigo-me a sair de casa. Caminho sempre que possível (quase todos os dias, mesmo com frio e com chuva). E inscrevi-me no "treino das mães" no clube de BTT do Pedro. Domingo de manhã, ao ar livre, com um grupo de mães divertidas e uma PT que puxa por nós e me obriga a mexer partes do corpo que têm estado adormecidas. Não é muito, eu sei, mas é melhor do que nada.

Ginasticar a mente.

A ordem é para fugir das redes sociais e do facilitismo do scrolldown. Não é fácil mas é necessário. Tenho tentado ser selectiva nos filmes e séries que vejo (e tenho visto muitos). Ir ao teatro. Ler, claro (nem sempre encontro o mood certo mas há que insistir). Escrever (aqui, mas não só). Continuar a aprender. Preciso muito disso. Fiz uma assinatura de um jornal para me manter actualizada. Já fiz um curso online (daqueles com direito a diploma e tudo), estou a acompanhar um seminário online só para ouvir pessoas interessantes e abrir a cabeça, e inscrevi-me num mini-curso mais sério para o início 2021. Ainda não consegui voltar à rotina matinal de me sentar ao computador e ir ver os "meus" sites mas lá chegarei.

E assim vamos. Caminhando no arame, lentamente, tentando manter o equilíbrio e não dar nenhum passo em falso. Não tarda nada chegamos ao outro lado, seja lá isso onde for.

Where is my mind?, Placebo com Franck Black.

publicado às 14:25


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