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Uma das coisas mais incríveis que aconteceram este verão foi eu ter ido a dois festivais de música. 

É preciso dizer que eu vou a festivais de verão desde praí 1998 quando fui pela primeira vez ao Sudoeste e aquilo era um mar de pó e uma bebedeira de liberdade e, desde então, fui a vários festivais, sempre em trabalho. Que me lembre, só por uma vez comprei um bilhete para um festival. Foi em 2013 para ver os Depeche Mode, no Alive. De resto, sempre tive acreditações e sempre fui lá fazer o meu trabalho e vi muito poucos concertos. Muito poucos mesmo, sobretudo se tivermos em conta que poderia tê-los visto todos. Eu não sou a maior fã de festivais de música. Mesmo gostando de música, não gosto de multidões nem de filas nem de casas-de-banho sujas nem de cerveja nem de ver concertos esmagada. 

Ou, pelo menos, era isso que eu pensava.

Por isso, é, de facto, surpreendente que este ano eu tenha comprado passes - algo que fiz pela primeira vez na minha vida - e tenha ido a dois festivais de música, pura e simplesmente como espectadora.

Aconteceu assim. Não tem grande explicação. Foi tudo um pouco por acaso. E foi exactamente como deveria ser. Uma conjugação daquela urgência do fim da pandemia com filhos crescidos que já me deixam respirar, um não me apetece nada ir trabalhar em festivais com um queria tanto ver aqueles concertos, o meu psicólogo a falar-me da necessidade de sair da minha zona de conforto com a Alda a dizer-me: vem, e eu, quase sem dar tempo para pensar muito, porque se pensasse nunca o teria feito, a comprar o bilhete para o Primavera Sound com a emoção de uma miúda adolescente. 

Fui então ao Primavera Sound, onde nunca tinha ido, com um grupo de pessoas que conheci às duas da tarde de quinta-feira, em Algés, quando entrámos no carro para nos dirigirmos ao Porto. Vi o Nick Cave e o Beck e o Arnaldo Antunes e os Gorillaz e mais outros, mas estes foram os que me marcaram mais. E foi bom, foi mesmo, mas não foi "tcharán!" como toda a gente disse que ia ser. As multidões e as filas, sim, e a dificuldade em chegar a casa porque não havia transportes decentes, tudo isso me tirou ali um bocadinho do prazer, mas pronto, faz parte. E foi preciso haver Primavera para depois haver Bons Sons.

Fui, mais ou menos com o mesmo grupo de pessoas, ao Bons Sons, que eu já conhecia bem. E foi lindo de mais e foi exactamente aquilo que eu precisava para fechar aquelas semanas de férias, com quatro dias longe do mundo, sem pensar em nada, só a desfrutar da música e da felicidade e dos abraços que fui dando a todos os amigos que encontrava pelo caminho. Mesmo com mais gente do que seria desejável e um grave problema sanitário (vejam lá isso, para o ano, ok? é que têm mesmo de melhorar essa parte), o Bons Sons é o único festival onde podemos aplaudir com a mesma intensidade um grupo de cantadeiras de Viana de Castelo, o fado da Aldina Duarte e das fabulosas Fado Bicha, a ironia do B Fachada, a criatividade de Omiri, a energia dos Pluto e a coragem dos 5ª Punkada, entre tantos outros concertos, terminando com a Lena D'Água, depois de saltos e saltos, a cantar a capella que "a culpa é da vontade", do grande Variações. É de rir e chorar ao mesmo tempo, com tanta emoção junta.

E, para além da música, estes festivais foram também, e sobretudo, as pessoas. Foram as viagens de carro e dançarmos e cantarmos em coro e acordarmos todos estremunhados e as conversas ao almoço e descobrirmos músicos que não conhecíamos e fazermos piadas sobre o Reininho e, por uns dias, esquecermos juntos as preocupações. E, entre as pessoas, a Alda, amiga de amigos que eu conhecia de longe e que agora espero manter por perto, que entrou na minha vida no momento certo, trazendo consigo um grupo de outras pessoas bonitas e levando-me pela mão, a furar por entre multidões, até chegarmos lá à frente, o mais perto possível dos palcos, mesmo junto às grades se tivermos sorte. Acho que nem ela sabe como isto tudo tem sido importante para mim (mas isso fica para contar noutra altura). 

Aconteceu assim. Não tem grande explicação. Foi tudo um pouco por acaso. E foi exactamente como deveria ser. Para o ano não sabemos como será. Se calhar, para o ano apetece-me ficar em casa a ler os clássicos. Aconteceu assim e foi bom, mas bom. E isso já ninguém nos tira.

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publicado às 23:25

Viajei. Mas o importante não foi a viagem em si nem os passeios que demos por Bruxelas. O importante foi, primeiro, poder partilhar esta experiência com o Pedro e passarmos tempo os dois e voltarmos a andar de avião e tentar explicar-lhe que é bom sair de casa e descobrir o mundo (e também irritar-me um bocadinho com ele, que está naquela fase aborrescente mas, pronto, faz parte). E, depois, visitar a minha amiga Aline e a sua família. Já não nos víamos há quase um ano e foi bom demais voltarmos a partilhar as nossas alegrias e as nossas angústias e comer os seus cozinhados e desfrutar da sua alegria e da sua energia. E depois da viagem ainda deu para ir ao Alentejo e para passear por Lisboa, para ir ao MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia ver as "Interferências" e a fantástica instalação do Vhils (por favor, não percam), para ver as maravilhosas "Bacantes" da Marlene Monteiro Freitas, para dar um passeio na praia, para ir dançar no Incógnito (as saudades que eu tinha disto), para fazer isto tudo ao mesmo tempo que estava com amigos bons e conversávamos e ríamos e chorávamos juntos. Porque o mais importante são sempre as pessoas que estão connosco neste caminho e os abraços todos que damos.

Foram 10 dias bons, depois de muitos dias difíceis, ou melhor, no meio de muitos dias difíceis. Não tem sido fácil, por vários motivos, muito diversos, muito meus. Mas, como diz, a canção

"Tem vez que as coisas pesam mais
Do que a gente acha que pode aguentar
Nessa hora fique firme
Pois tudo isso logo vai passar

Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar
Pra receber o sol quando voltar"

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publicado às 19:18

Humanos, Muda de Vida

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publicado às 10:46

Dançar. Amigos. Conversas. Dançar. Rir. Cumplicidades. Dançar. Não pensar. Só ser. 

The Cure, Close to Me

publicado às 11:36

Eels, "That look you give that guy"

 

Tenho saudades de ter disponibilidade (não é tempo, tempo eu tenho, é mesmo disponibilidade) para ouvir música e sobretudo tenho muitas saudades de me sentar ao lado de pessoas como o JMT, o JP Oliveira, o Moço e o Galopim, que me davam a conhecer músicas novas para eu gostar. Isto sozinha é muito mais complicado. 

publicado às 11:17

Já vi tudo. A terceira temporada de After Life toda de seguida, numa manhã nublada de sábado em que tinha tantas outras coisas mais importantes para fazer. O trabalho pode esperar, a roupa por passar pode esperar e se hoje não sair de casa nem fizer exercício nem fôr comprar pão também não há de ser grave. Comecei com vou só ver um bocadinho e acabei por ver os episódios todos ali entre o riso e a lágrima, uma gargalhada de vez em quando, uma ternura constante, um sentimento enorme de empatia e, depois, no último episódio, não deu mais para conter e foi choradeira do princípio ao fim.

Sobre as duas temporadas anteriores escrevi AQUI e AQUI. Não há muito mais que possa dizer. Só que é muito bom.

E, já agora, se estiverem em mood lamechas, podem ir ouvir a playlist oficial.

publicado às 15:40

27
Dez21

Natal - Lado B

Para quem, como eu, gosta tanto do natal, esta época festiva pode tornar-se um bocadinho deprimente. Porque é uma época em que geralmente estamos mais introspectivos, olhamos mais para dentro, focamo-nos mais nas tais coisas essenciais, e em que também, inevitavelmente, nos confrontamos com o passar do tempo, com mais um ano que está prestes a terminar. E, mesmo sem querermos, damos por nós a fazer balanços, a pensar no que perdemos e ganhámos nestes meses. A balança desequilibra-se bastante, tenho que admiti-lo. Será de mim ou parece que a partir de uma determinada altura, como cantam os Xutos, "a vida é sempre a perder"? Houve coisas boas, que houve, mas na hora de fazer as contas debatemo-nos sobretudo com todos os nossos pequenos e grandes falhanços, com as perdas, com as doenças e as ausências, com as dores variadas, do corpo e da alma, com os erros e as distâncias, com os planos incumpridos e os sonhos adiados. Com a solidão.

No dia de natal saí de casa às dez da noite, apanhei o metro e fui à ZDB ouvir o Legendary Tigerman. Há anos que queria fazer isto mas havia sempre qualquer coisa que me impedia (havia aquele ai agora vais sair sozinha no dia de natal, isso é mesmo coisa de pessoa falhada, então ficava em casa, igualmente sozinha e deprimida mas ao menos ninguém via). Fui. Não conhecia ninguém, não falei com ninguém. Estive ali a desfrutar da música e a deixar-me ir. E foi bom. Teria sido melhor se estivesse acompanhada? Imagino que sim. Mas é o que temos.

Sozinha por sozinha mais vale fazermos o que queremos. 

Além disso, esta música é simplesmente linda:

Life ain't enough  for you, de Legendary Tigerman

publicado às 11:37

30
Nov21

Tudo passa

Estou a ver o documentário dos Beatles. Como tenho pouco tempo ainda só vi o primeiro episódio. Acredito que para quem não é grande fã aquilo seja extremamente aborrecido mas para mim está a ser só delicioso. Estou a desfrutar de todos os detalhes. E a redescobrir músicas que já não ouvia há muito tempo. Como esta. Que maravilha.
 

"Sunrise doesn't last all morning
A cloudburst doesn't last all day
Seems my love is up
And has left you with no warning
But it's not always going to be this grey
 
All things must pass
All things must pass away
 
Sunset doesn't last all evening
A mind can blow those clouds away
After all this my love is up
And must be leaving
It has not always been this grey
 
All things must pass
All things must pass away
 
All things must pass
None of life's strings can last
So I must be on my way
And face another day
 
Now the darkness only stays at nighttime
In the morning it will fade away
Daylight is good
At arriving at the right time
It's not always going to be this grey
 
All things must pass
All things must pass away
All things must pass
All things must pass away"
 
(All Things Must Pass, de George Harrison)

publicado às 13:51

17
Nov21

Está quase

Não conheço a minha médica de família, que só está na USF há pouco mais de um ano, mas gosto de receber os telefonemas da minha velha conhecida enfermeira Guilhermina a saber como me sinto e também já reconheço a voz da Eunice, a administrativa, que me deseja sempre as melhoras. Tirando a dor de garganta e as aftas, que foram os primeiros sintomas, e, depois, aqueles dois dias de gripe que passei deitada no sofá a dormir e a ver os episódios todos do Glória, acho que até nem estive muito mal. Penso muito como seria se não tivesse levado a vacina. Estou fã dos supermercados online e do cabaz do Orgânico Lisboa que me abastace de tangerinas e romãs e mais uns legumes verdes que nem sempre sei distinguir mas ponho tudo em sopa e fica óptima. Quando é que voltas a jantar connosco?, perguntou-me o meu filho que, afinal, até sente saudades minhas. Está quase. Já estou em contagem decrescente para o fim dos dez dias de isolamento-tortura e só me apetece ir para a rua apanhar sol e vento na cara. Mas, como ainda não posso, ponho os Beatles a tocar e vou adiantando trabalho. "Jojo was a man who thought he was a loner, But he knew it wouldn't last."

Diz que vem aí a quinta vaga. Cuidem-se!

I've got a feeling, Beatles

publicado às 10:10

Ver Tony Bennett a cantar, feliz, em palco, com 95 anos e Alzheimer. 

publicado às 13:03


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