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03
Set22

Serena

Queria ter escrito um texto bonito sobre a Serena Williams mas não tive tempo. Ainda assim, não queria deixar de vir aqui dizer que foi muito bom  ter podido acompanhar a carreira dela, praticamente desde o início. A garra dela. A vontade de ganhar. A individualidade. A maneira como desafiou os estereótipos. As muitas roupas e polémicas. E, sim, a forma como jogava também. Grande. É pena ter perdido mas foi uma bela despedida.

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Vejam aqui um pouco da história de Serena Williams.

publicado às 15:38

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Esta podia ser eu, hoje, a desesperar com o calor.

Isto é só para lembrar que todes temos "corpo de praia". É o corpo que temos e de mais não precisamos. 

A fotografia é de Robbie McIntosh, street photographer italiano, de Nápoles. Podem ver mais no seu Instagram

publicado às 14:34

Não sabia quem era a Georgia Pritchett. Nunca vi Succession nem Veep. Mas mesmo que tivesse visto, provavelmente não saberia quem era porque eu não sou essa pessoa que sabe os nomes dos argumentistas das séries. Não sabia quem era a Georgia Pritchett mas não consegui deixar de reparar no título do livro: My Mess is a Bit of a Life. Encontrei-o no meio de outros "livros de mulheres" (a minha secção favorita nas livrarias, nos dias que correm, a par das biografias) na Cook & Book, uma livraria extraordinária em Bruxelas. Não sabia quem era a Georgia Pritchett mas bastou-me ler o título e a contracapa para decidir trazê-lo. Foi assim que descobri esta mulher, argumentista, humorista, lésbica, mãe, pessoa com vários problemas de ansiedade e outro tipo de problemas. É um livro despretencioso, verdadeiro e ficcional, divertido e angustiante ao mesmo tempo. Vou pô-lo na estante ao lado da Tati Bernardi (Depois a Louca Sou Eu e Você Nunca Mais Vai Ficar Sozinha) e da Norah Ephron (I Feel Bad About My Neck: And Other Thoughts on Being a Woman). Se repararmos bem, é incrível a quantidade de mulheres que escrevem com humor sobre si próprias ou sobre outras mulheres muito parecidas, quase como uma catarse. Gostaria muito de saber fazer isso. De conseguir distanciar-me. De encontrar as palavras. De não temer o ridículo. De tornar-me numa outra, quem sabe talvez para poder revelar-me eu mesma.

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publicado às 14:36

O número de Interrupções Voluntárias da Gravidez (IVG) pode ser usado como critério de avaliação da eficácia do planeameno familiar. Menos IVG correspondem a um planeamento mais eficaz, dizem os senhores que mandam.

E se fizéssemos a contabilidade de todas as pessoas que tiveram filhos porque não têm informação suficiente sobre reprodução e contracepção ou porque o parceiro não quis usar preservativo ou porque são elas que não gostam de usar preservativos, pessoas que tiveram filhos porque fizeram mal as contas, porque falharam a toma da pílula ou porque não conseguiram comprar uma pílula do dia seguinte, pessoas que tiveram filhos por acidente, um daqueles descuidos e agora já foste, pessoas que tiveram filhos por vergonha ou medo de fazer um aborto ou porque o companheiro se opôs ou porque alguém as intimidou. Filhos que não faziam parte dos planos.

E que, na verdade, não são grande exemplo da eficácia do tal do planeamento familiar.

(Nem sei se vale a pena comentar as declarações muito despropositadas da nossa ministra da saúde que diz que a IVG é um direito, assim como fumar. No sentido em que são coisas que as pessoas fazem porque querem, mesmo sabendo que são prejudiciais. Tal e qual, não é?)

publicado às 17:34

08
Mai22

Sita

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Fui à ante-estreia do filme Sita - A Vida e o Tempo de Sita Valles, de Margarida Cardoso. Já conhecia a história da Sita porque tinha lido a biografia escrita pela Leonor Figueiredo, mas ainda assim acho que é sempre diferente quando se tem imagens e testemunhos das pessoas que viveram as situações.

Sita Valles, portuguesa de Angola, combateu a ditadura como dirigente estudantil em Lisboa e, depois do 25 de Abril, de regresso a Luanda, foi médica e activista, ligando-se a um grupo de pessoas - mais tarde apelidados de fraccionistas - que questionavam a linha ideológica do MPLA. Acusada de ser uma das cabecilhas da tentativa de golpe de estado de 27 Maio de 77, Sita foi presa e morta, em circunstâncias até hoje desconhecidas. Tinha 26 anos. O seu corpo nunca foi encontrado, nem o do seu marido José Van-Dunem, e o do seu irmão Ademar.

A história aqui é contada com calma. As cartas escritas pela mãe, pelo pai e pela própria Sita são um achado. Pelo que dizem, pela maneira como dizem. As memórias dos amigos que a conheceram estão cheias de detalhes deliciosos. Talvez faltem ali alguns pormenores históricos, algumas explicações que poderiam ser dadas a quem chega ao filme sem conhecer o contexto. É a única coisa que tenho a apontar. Nem sempre os depoimentos recolhidos são suficientemente claros e completos. Mas isso não me impediu de gostar muito do filme. Gostei tanto, emocionei-me até, que quase nem dei pelos 167 minutos de duração. Fascinam-me as histórias dos combates às ditaduras. Fascinam-me sempre as pessoas que lutam pelos seus ideais. Fascina-me também, embora não pelas melhores razões, a maldade humana. É preciso que se contem estas histórias, que se preservem estas memórias - parciais, incompletas, o que seja, são as memórias de quem viveu os acontecimentos e é importante que se partilhem, que não se percam. 

O filme estreia no cinema no dia 12 de maio.

publicado às 11:03

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Faltei a um jantar a que queria ter ido, aliás nesse dia nem jantei, e fui sozinha, o que é chato sobretudo por não ter com quem trocar ideias no final, mas apesar disto tudo fui ao CCB na sexta-feira porque não queria mesmo perder o Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa, da Sara Barros Leitão. Eu já sabia que ia ser bom. Foi ainda melhor.

O espectáculo parte da realidade das criadas, mulheres que, fosse no século XIX ou no Estado Novo, iam trabalhar e viver para casa dos patrões perdendo todos os seus direitos (incluindo a liberdade, a privacidade, o direito a ter uma família e até uma vida própria) para se dedicarem a cuidar dos outros, tantas vezes sem pagamento justo nem descanso assegurado. Está tudo explicado NESTE livro que conta as histórias dessas miúdas vindas da província ainda crianças e das humilhações que sofreram.

Mas, depois, o espectáculo vem até ao 25 de abril para mostrar como até nas revoluções que se dizem de esquerda há uns que são mais iguais do que outros e até os sindicalistas precisam de alguém que lhes limpe o pó e faça o assado para o almoço. E, finalmente, viaja até aos nossos dias e faz-nos pensar nas criadas de hoje. Nas mulheres-a-dias, nas empregadas, nas senhoras da limpeza, em todas essas mulheres (porque são maioritariamente mulheres) que continuam a limpar as nossas casas. Já sem falar daquelas que, em 2021, continuam a ser "internas", sujeitas a essa quase-escravidão disfarçada de caridade, pessoas que "são como da família" só que não são, são as pessoas que limpam as sanitas das outras.

Têm essas mulheres - muitas delas imigrantes, racializadas, sem papéis, quase todas desfavorecidas social e economicamente - os seus direitos garantidos? Ou continuam a ser exploradas, assediadas, abusadas? 

Esta é uma reflexão que é preciso ter. E que não é um problema só das elites, porque hoje em dia grande parte das pessoas tem empregada, nem que seja durante quatro horas por semana, como eu.

Num momento em que questionamos os horários laborais, as 40 horas por semana, as horas extraordinárias, é importante lembrar que todas essas regras foram instituídas num tempo em que muitas das mulheres ficavam em casa e asseguravam que as compras eram feitas, a casa era limpa, a comida chegava à mesa, as crianças eram educadas e mimadas. Eram criadas não pagas das suas próprias famílias.

Num momento em que lutamos pela igualdade de género e batalhamos pelo reconhecimento das mulheres no trabalho, exigindo que haja mais mulheres nas lideranças e que sejam igualmente pagas, não nos devemos esquecer que para as mulheres "saírem de casa" para trabalhar foi preciso que outras mulheres ficassem nessas casas a fazer o trabalho que antes era delas. 

É o seu trabalho reconhecido? Estamos a dar-lhes o devido valor e a garantir-lhes adequadas condições de trabalho?

Porque não basta olhar para o passado e reconhecer como tantas coisas estavam erradas se não tirarmos daí alguma lição para o presente.

E, para além disto, o texto é óptimo, o uso dos objectos é surpreendente, a Sara é fantástica e está tudo lá, no sítio certo, para nos fazer sorrir e pensar, de tal forma que nem se dá pelo tempo passar. Eu sei que há poucas sessões mas, se puderem, não percam.

publicado às 08:35

04
Nov21

"A Criada"

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Se não viram ainda, vejam Maid - A Criada, na Netflix. Sobre violência doméstica, mas não só. Sobre repetição de padrões familiares. Sobre abuso emocional, controlo e medo. Sobre a importância de cada pessoa ter a sua independência financeira para poder ser livre. Sobre a dificuldade de sair. A dificuldade de pedir ajuda. A dificuldade de encontrar ajuda. Os entraves burocráticos. Os passos atrás. Sobre o que se faz pelos filhos. Sobre pais e mães. Sobre desigualdade de género. Sobre mulheres. Sobre deixar tudo. E ter coragem. E mudar de vida. E sonhar.

É lamechas, pois é. Preparem os lencinhos.

publicado às 13:43

Ando um pouco assoberbada de trabalho e de vida (o que é bom) e não consegui escrever sobre duas séries que vi há já uns tempos, tão diferentes e, ao mesmo tempo, ambas a fazerem-me pensar muito nisto que é ser mulher em 2020 e troca o passo, no que é envelhecer, no que queremos fazer e aproveitar nesta vida que é, vai-se a ver, tão curta. O outono dá-me para andar mais reflectiva, não se admirem.

Continuo nas histórias de mulheres, como se vê.

Não tenho tempo para elaborar muito, mas ficam, ainda assim, as sugestões. 

I may destroy you (na HBO), da fabulosa Michaela Coel, fala sobre violação e trauma, sobre consentimento e sobre o machismo que perdura, mesmo quando achamos que já não. A acção passa-se em Londres, entre um grupo de pessoas de vintes e trintas, alguns hipsters, outros nem por isso. Gente criativa, que faz yoga e frequenta workshops de pintura mas na verdade tem pouco dinheiro. Gente que anda à procura de si mesma. Em luta pelo seu espaço. A querer fazer-se ouvir.

On the Verge (na Netflix), de Julie Delpy (sim, a atriz do Antes do Amanhecer e etc.), apresenta-nos um grupo de amiga quarentonas, com filhos e relações, umas mais felizes, outras mais destruídas. Classe mais alta que média, que vive junto à praia, nos Estados Unidos, mas com os problemas típicos das mulheres que parece que tiveram tudo e no entanto sentem a vida a fugir-lhes por entre os dedos. A crise da meia-idade em tom de comédia, com a ajuda de Elisabeth Shue e a breve aparição de Patrick Duffy (e saber quem é o Patrick Duffy sem precisar de ir ao Google é sinal de que se tem a idade certa para ver esta série).

publicado às 17:28

Então, Maria João, já viste a Casa de Papel? Nem por isso. Mas em compensação vi isto:

A Diretora

The Chair, no original, é uma das estreias recentes na Netflix. Sandra Oh (que para mim há de ser sempre a Cristina Yang da Anatomia de Grey) é a professora Ji-Yoon Kim, que acaba de assumir o cargo de diretora do departamento de literatura inglesa numa pequena universidade americana e se vê a braços com uma série de dificuldades, a começar pela falta de interesse dos alunos pela literatura (e aquilo que a universidade está disposta a fazer para "seduzir" mais alunos e mais financiadores), passando pelos professores mais velhos que não sabem como cativar os jovens e tecnológicos estudantes, e terminando com um professor que é filmado a fazer uma saudação nazi (ainda que irónica) numa aula. Isto, sem falar dos muitos dramas pessoais que por ali se cruzam. Há muita questões a ser levantadas, sobretudo no que toca ao elitismo e à falta de representatividade nos meios académicos e também ao chamado "politicamente correcto" (a que poderíamos chamar só "o correcto", não?), aos julgamentos nas redes sociais e à "cancel culture". No final fica uma certa desilusão, gostava que a série tivesse ido um pouco mais fundo na análise do caso, mas, vistas bem as coisas, isto é só um "comedy-drama" que se quer leve e até temos direito a David Duchovny (ele mesmo, o dos Ficheiros Secretos) a gozar consigo próprio, o que é muito bom.

Mrs. Fletcher

Uma mulher com quarenta e tal anos, divorciada, enfrenta a solidão depois de o filho sair de casa para ir para a universidade. Uma vez que já não tem que dar contas a ninguém, esta é a oportunidade para se descobrir e para concretizar algumas das suas fantasias. Kathryn Hahn é a protagonista desta minissérie que está na HBO. Não é nada do outro mundo (mesmo) mas fala de uma maneira divertida de alguns assuntos que ainda são mais ou menos tabu na sexualidade das mulheres (pornografia, masturbação, fantasias, sexo com outra mulheres, com rapazes mais jovens, com várias pessoas...). Às vezes parece tudo um bocadinho forçado, mas gosto muito da ideia: faz o que te apetecer que já não tens idade para estares com vergonhas e com merdas.

Alias Grace

A pessoa não resiste a uma série histórica, não é? Esta, baseada numa obra de Margaret Atwood (que aparece por breves segundos numa das cenas), conta-nos a história de Grace Marks, imigrante irlandesa no Canadá do século XIX, condenada por homicídio tendo já passado por hospícios e prisões com diferentes graus de tortura. Desafiada a contar a história da sua vida a um psicólogo americano, que irá tentar perceber se ela é de facto culpada ou inocente ou apenas louca, a impassível Grace (interpretação de Sarah Gadon) mergulha nas memórias e cria uma narrativa de si mesma sem que seja possível distinguir onde está a verdade e onde está a mentira (e não faremos todos um bocadinho isso?).

publicado às 08:12

As mulheres passam muito tempo a falar sobre o seu corpo, sobre os defeitos do seu corpo, sobre o que têm de fazer para melhorar o seu corpo. Reparei nisso em todos os meus grupos de amigas, não é uma coisa que afecte mais umas do que outras, é geral. Gordura, peso a mais, celulite, rugas, peles flácidas, pêlos, de tudo isto as mulheres se queixam. Olham-se ao espelho e vêem mil falhas. Eu é as ancas, eu o rabo, eu as pernas, eu a barriga, as mamas que são pequenas ou que são grandes demais. Até mesmo as que têm tudo no sítio insistem em encontrar imperfeições. As mulheres planeiam dietas e exercício físico, discutem métodos, trocam experiências, menus e receitas, beber muita água, fazer jejum intermitente, eliminar os hidratos, contar as calorias, correr quilómetros, ir ao ginásio, contratar um PT. As mais determinadas ponderam consultas com médicos diversos, comprimidos milagrosos, intervenções cirúrgicas. É uma tarefa sempre em progresso. Marca-se um jantar e em algum momento o assunto aparece. Há sempre alguém que não vai pedir sobremesa, que não pode comer pão ou batatas fritas ou arroz, ou que avisa que vai comer mas só porque é um dia excepcional, o meu dia da asneira. Há sempre alguém a precisar de se controlar, de fechar a boca, para, definitivamente, emagrecer. É esse o objetivo. Emagrecer. As mulheres querem-se magras. 

Não estou a criticar as outras mulheres, atenção. Eu não sou excepção. Eu também sou em parte assim. Eu também queria ser magra. Eu também odeio os mil defeitos do meu corpo. E há momentos em que odeio todo o meu corpo. Eu também morro de vergonha ao ir à praia, sinto-me meia desconchavada ao vestir um biquíni, odeio comprar roupa porque concluo sempre que nada me serve e tudo me fica mal e, como é óbvio, morro de medo que os homens não gostem de mim por me acharem feia e gorda. Essa sou eu no meu dia-a-dia, com a auto-estima bem lá em baixo.

A única diferença é que eu combato esta vergonha do corpo de uma maneira muito peculiar (reparem na palavra, eu não digo que é a maneira certa, é só a maneira que eu arranjei para lidar com isto e tentar sofrer o mínimo possível). Nunca fiz uma dieta nem nunca tive um plano de exercício destinado a melhorar o meu corpo. A batalha acontece toda dentro da minha cabeça. É uma batalha enorme entre todos os meus traumas de mulher, todos os ideais de beleza que me foram inculcados e todos os estereotipos que se entranharam em mim desde que nasci e dos quais, por muito que queira, não consigo fugir, e aquela certeza, que fui adquirindo, conscientemente, deliberadamente, de que um corpo é só um corpo, que este corpo, que é meu e do qual não me posso livrar, que é na verdade aquilo que tenho de mais irredutível, não pode, apesar disso, ser o que me define. Que eu sou muito mais do que um corpo. Que qualquer mulher é muito mais do que um corpo. 

É uma batalha, digamos assim, entre sentimentos e razão. Racionalmente, eu estou-me nas tintas para o corpo e sei que não é isso que importa, mas no fundo, lá bem no fundo, sou uma fútil como todas as outras.

Portanto, se estiver vestida, se estiver feliz, se estiver bem com a minha vida, consigo ser super-racional. Sinto-me invencível, quero lá saber de como é que deveria ser o meu corpo. Mas quando estou mais exposta, quando algo corre mal, nos momentos em que me sinto mais frágil por algum motivo, é como se o meu corpo passasse a pesar mais vinte quilos, sinto-me miserável, não tenho dúvidas de que sou uma baleia e de que nunca ninguém (leia-se, um homem) vai alguma vez gostar de mim.

É que, depois, ainda há isto, temos de reconhecê-lo, somos todas mulheres modernas e emancipadas e preocupamo-nos com o nosso corpo não por causa dos outros mas porque queremos ser saudáveis e sentirmo-nos bonitas para nós (se eu não gostar de mim, quem gostará?, não era assim o anúncio?), mas a verdade é que é muito mais fácil gostar de nós próprias quando há alguém que também gosta e nos mima e nos diz que somos maravilhosas. A minha luta, muito pessoal, também passa por aqui. 

Como vêem, não é fácil estar dentro da minha cabeça. Está cheia de contradições e de coisas de que não gosto mas que não consigo evitar. Acho que já tinha explicado mais ou menos isto antes. Este também é um trabalho em constante progresso. Acredito muito que ter consciência das nossas falhas é um passo importante para melhorarmos.

Por isso, hoje, só porque sim, avanço mais um pouco nesta auto-terapia, dizendo: este é o meu corpo.

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A foto foi tirada pela Filipa num dia feliz. Encolhida, claro, para esconder as banhas. Mesmo assim, jurei que nunca a mostraria a ninguém. Mas agora achei que era ideal para acompanhar este texto, em jeito de perde a vergonha e assume os teus podres e os teus quilos, só possível graças às conversas recentes com a Ângela e com o Tiago que, cada um ao seu jeito, me fizeram perceber o quanto ainda tenho por andar neste processo de auto-aceitação e auto-estima.

Isto sou eu a aprender a ser feliz no meu corpo.

E a rir, pelo caminho.

(oxalá não tropece e me espatife toda)

publicado às 10:06


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