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Estava a apagar rascunhos. Eu tenho sempre imensos rascunhos aqui no blogue. Ideias que não vão a lado nenhum. Desabafos que entretanto perdem o sentido. Textos que ficam ali em banho-maria, à espera do momento certo para serem publicados. Pode não parecer mas quase tudo o que eu publico neste blogue é bastante pensado. Às vezes passo dias a escrever na minha cabeça antes de finalmente, quando me parece que a ideia já tem alguma consistência, começar a teclar. Outras vezes, quando tenho tempo, abro um rascunho e vou escrevendo, pausando, reescrevendo. A maior parte das vezes em que sou mais instintiva e escrevo e publico com grande rapidez acabo por me arrepender ou por ter de voltar ao post para emendar alguma coisa. Adiante. Estava a apagar rascunhos e encontrei um, de 2014, que se intitulava "moderação" e tinha apenas um link:

 

"Nas estradas avisam: "Modere a velocidade". Podia haver o mesmo aviso no início dos namoros."

 

É tão engraçado este carrossel da vida. Ainda ontem falava disto com uma amiga.

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publicado às 10:25

"You can’t have a couple not talking to each other for 24 hours then expect to have good sex. It doesn’t work. Part of a good relationship is a good conversation. “How was your day today?” “Do you have any issues?” “Did you call your mother-in-law?”"

 

A dra. Ruth concorda comigo. Conversar. É tão importante conversar. E só depois, então, o resto.

 

Nesta entrevista no The New York Times, descobri que estreou esta semana nos EUA o documentário Ask dr. Ruth, sobre esta pequena-grande mulher que é a terapeuta sexual Ruth Westhmeier:

 

E também descobri esta canção que, concorde-se ou não com a mensagem, é bem divertida. Chama-se I'm gonna wash that man right outa my hair e fazia parte do musical South Pacific, aqui na versão do filme de 1958:

"If the man don't understand you


If you fly on separate beams
Waste no time, make a change
Ride that man right off your range
Rub him out of the roll call
And drum him out of your dreams"

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publicado às 16:36

30
Abr19

Ok

"I'm just a fucked up girl looking for my own peace of mind"

 

Jim Carrey e Kate Winslet em Eternal Sunshine of the Spotless Mind

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publicado às 17:46

Há uns tempos contei aqui como tinha sido a minha iniciação no maravilhoso mundo das plataformas de encontros online. Não fiquei muito convencida na altura, como devem lembrar-se. Mas, uns meses mais tarde, umas amigas falaram-me de uma outra aplicação, o Happn, e eu decidi dar-lhe uma hipótese. Assim como assim, não é como se estivessem a acontecer coisas muito interessantes na minha vida, não é?

 

O Happn funciona mais ou menos como o Tinder só que em vez de definirmos um raio de acção (por exemplo, 40 ou 100 quilómetros), basta ter o GPS ligado e a aplicação vai nos mostrando os happners com que nos vamos cruzando e diz-nos exactamente em que rua é que o encontro aconteceu.

 

Vantagem: ao contrário do Tinder em que temos sempre que tomar uma decisão em relação à pessoa que nos é sugerida (ou sim ou sopas), no Happn as sugestões vão surgindo num feed vertical, e é possível ver os perfis sugeridos e avançar sem ter que tomar qualquer decisão, se não sabemos bem o que lhe fazer simplesmente deixamos aquela pessoa lá quietinha para avaliar o perfil mais tarde.

 

Desvantagem: se uma pessoa circula sempre pela mesma zona (tipo eu, que vou de casa para o trabalho a pé), a aplicação acaba por se tornar muito intrusiva pois damos por nós a cruzar-nos com os vizinhos, os colegas do trabalho, os pais dos amigos dos miúdos, o senhor da farmácia. Pode ser desconfortável. E, além disso, imaginem o que é ter uma conversa na aplicação que corre mal e depois termos de encontrar esse tipo todos os dias no nosso bairro. Não seria muito agradável. Por isso, tinha sempre a aplicação desligada e tinha que me lembrar de a ligar quando ia a algum sítio diferente ou mais movimentado e depois tinha que me lembrar de desligá-la. Não estava a gostar muito da experiência. 

 

Decidi, então, tirar a minha foto de perfil e colocar uma foto não identificável. Não foi uma decisão fácil de tomar. Eu sou grande apologista do what you see is what you get e acho mesmo que se uma pessoa está numa aplicação destas é para assumir a coisa, não é para andar a esconder-se. Não há nada aqui que me envergonhe. Mas, sinceramente, não estava a resultar. A partir do momento em que coloquei outra foto começou uma nova fase desta aventura e consegui conversar com algumas pessoas sem preocupações e escolher a quem é que queria mostrar o meu belo rosto.

 

Claro que os outros constrangimentos todos se mantiveram - sobretudo porque não tenho muito tempo e tenho ainda menos paciência para aturar pessoas que não me interessam. Mas posso dizer que fiz alguns avanços. E até - imaginem - conheci efectivamente alguns homens. 

 

Três regras minhas:

 

Conversar muito. Eu gosto de conversar. Eu gosto de pessoas que saibam conversar. E gosto de quem tem conversas diferentes. Não temos que contar a nossa vidinha toda nem o nosso passado todo. Podemos falar de política, de filmes, do mundo, de relações, sei lá. Sabe-se tanto sobre uma pessoa quando se conversa. Pela maneira como fala (ou, no caso, como escreve). Por aquilo que diz. Pelo sentido de humor que revela. Eu converso muito. E quando os homens não querem conversar ou não são bons conversadores, quando em vez de conversar começam a pressionar para marcar encontros eu pura simplesmente dou-lhes um adeuzinho. Se vou dar-me ao trabalho de sair de casa para me encontrar com alguém tenho que ter alguma esperança que aquela pessoa vale a pena - isto é, que, pelo menos, o encontro vai ser agradável. 

 

Marcar encontros sempre de dia e garantir que vão ser curtos. O ideal é ir tomar um café e ter outro compromisso qualquer a seguir. Nada de jantares (imaginem que corre mal, é horrível ter que partilhar uma refeição inteira com alguém com quem não se está à vontade), nada de álcool (que altera um bocado a percepção das coisas). Se a coisa correr bem, nada nos impede de marcar outro encontro. Se a coisa correr mal, acaba rapidamente e nunca mais falamos.

 

Não ter expectativas. Isto é muito importante. Como já tinha dito no outro post, conhecer uma pessoa online nunca é o mesmo do que conhecê-la ao vivo, temos de estar preparados para que tudo corra mal. Para não haver química. Para ele cheirar mal da boca. Para se revelar uma pessoa absolutamente irritante. E depois temos de estar preparados para até simpatizar com aquela pessoa mas não querer continuar a vê-la porque vai-se a ver e não é assim tão especial que mereça o esforço (já disse que não tenho muito tempo?). E mesmo que as coisas corram muito bem e haja outros encontros a seguir temos de estar preparados para aproveitar muito bem todos os bons momentos mas não começar a fazer grandes filmes na nossa cabeça - porque, sejamos sinceros, encontrar a paixão numa plataforma destas é tão difícil quanto encontrar a paixão na vida real. Ou seja, pode acontecer mas é muito pouco provável.

 

E funcionou?

 

Bom, não encontrei o homem da minha vida. Mas conheci boas pessoas. Não muitas porque, como já devem ter reparado, eu, além de não ter muito tempo, também sou uma gaja armada em esquisita. Mas conheci algumas boas pessoas. Fizeram-me companhia. Estive menos sozinha. Fiz novos amigos.  De verdade. E fui (sou) mais feliz por ter conhecido estas pessoas.

 

Isso significa que me tornei fã das plataformas de encontro online?

 

Nem por isso. Continuo a achar que não tenho muito jeito para isto e que a maneira antiga é a melhor maneira de conhecer pessoas. Simplesmente, quando já se é crescido e se tem o mesmo emprego há muito tempo e um grupo de amigos de longa data, e ainda por cima se tem filhos, não é assim tão fácil conhecer pessoas. Não é mesmo. E as aplicações são uma forma fácil de conhecer pessoas novas. E de conhecer pessoas diferentes, fora do nosso meio, pessoas com quem de outra forma nunca nos iríamos encontrar. Essa é, para mim, a maior vantagem destas aplicações. 

 

O que me acontece é que depois de uma ou duas semanas online, começo a fartar-me daquilo. Sabem com quantas pessoas é que se tem de falar para, finalmente, encontrar uma que prenda a nossa atenção? Deixo de ter paciência para as tais conversinhas da treta, olá, como estás, o que fazes... Falta-me a paciência para começar mais uma conversa que, quase posso adivinhar, não me vai levar a lado nenhum. Nessa altura, suspendo a conta e vou-me embora. Tal e qual como fiz antes. Guardo um ou outro contacto de alguém com quem me interessa continuar a falar, volto para a minha vidinha e fico afastada por muito tempo (por exemplo, neste momento estou fora).

 

Até me dar um novo ataque de solidão num sábado à noite no sofá. 

 

É que se há coisa que eu descobri nesta aventura é que eu sinto-me sozinha mas não estou sozinha neste sentimento. Existe muita solidão por aí. Também existem muitos parvalhões, homens casados à procura de aventuras, tipos que querem ir para a cama com qualquer mulher, seja ela quem for, gajos que não sabem bem o que querem, gente que não interessa ao menino Jesus quanto mais interessar-me a mim. Mas acima de tudo existe muita solidão. 

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publicado às 12:28

Já que estamos a falar disso.

 

Acabei de ler um artigo engraçado no Cup of Jo, no qual Emily Nagoshi, terapeuta sexual, diz: "your sexual well-being has nothing to do with how often you do it, or who you do it with, or what room you do it in. (“It,” by the way, means whatever you and your partner mean when you think about sex.) “The key is whether or not you like the sex you’re having." 

 

Ou seja, façam o que fizerem, mais ou menos vezes, o importante é que façam o que vos apetecer.

 

"Basically, there is no one-size-fits-all when it comes to sexuality. (...) Emily says that the goal is to “assess our own sexuality on its own terms, based on our personal and relational experience, without reference to anything that’s happening outside of our bodies and relationships.” In fact, Emily told me that a common phrase among sex educators is, “Stop should-ing on yourself.” “There is no ‘should,’ she says. “Should is not a word that belongs in sex positivity.”"

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publicado às 10:06

21
Jan19

Da empatia

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor."

(excerto de 1 Coríntios 13 )

 

Encontrei esta citação num texto da Ana Rute e achei interessante porque este é um daqueles excertos que são muitos usados nos casamentos mas ela usou-o num contexto bastante diferente e continua a fazer todo o sentido. Falava ela dos fardos que cada um tem de carregar e de como é  complicado saber quem é que tem o fardo mais pesado, questionando se temos mesmo que fazer esse tipo de comparações. Eu não gosto muito de me lamentar mas aprendi nos últimos anos que um queixume feito com a pessoa certa (uma pessoa que não nos julga e que não compara fardos, que é como quem diz: um amigo) pode ter realmente a capacidade de nos aliviar. 

Saber ouvir o outro é também um acto de amor. 

Às vezes só precisamos de um colo. E mais nada.

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publicado às 22:45

05
Nov18

To be alone

“You have to have a very strong sense of yourself to be alone,” she says. “It’s hard work and I don’t recommend it. It’s not like you can have a lovely moment sitting over a cup of coffee discussing the ordinary pleasures of everyday life.”

Chrissie Hynde, dos Pretenders, a dizer verdades, outra vez.

É isto mesmo. Às vezes, comento que passo muito tempo calada. As pessoas não acreditam. Tu? Calada? Tu? Aquela que está sempre a rir? Pois claro. Calada. Hei de falar com quem? Tirando aqueles momentos, quando estamos à mesa e converso com os meus filhos, querem que fale com quem? Caladinha. Um domingo inteiro. A ver chuva lá fora. E a arrumar as peças do puzzle na minha cabeça para não dar em maluca. Uma pessoa tem mesmo de ter a cabeça arrumada para conseguir estar sozinha. E isso, como ela diz, dá muito trabalho.

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publicado às 00:03

 Eels, I need some sleep

 

(não é fácil, pois não, mas é mais fácil hoje do que era há uma semana.)

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publicado às 11:25

03
Out18

Deixa andar

62077-Just-Let-Go.jpg

(e o difícil que isto é?)

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publicado às 09:12

“Vais escrever sobre mim?”, perguntaste pouco depois de nos conhecermos, quando descobriste o blogue. Expliquei-te que nunca escrevo sobre determinados assuntos, pelo menos não abertamente. Os meus aires e desaires amorosos ficam reservados ao grupo de amigos que não sabe da minha vida por aqui.

“Um dia vais escrever sobre mim, vais ver”, disseste, confiante, como tu és. Como quem diz: um dia vou ser tão importante para ti que não vais ter como não o fazer. Ri-me. “Duvido", respondi. E cá dentro pensava: não vai acontecer.

*

O nosso encontro foi como um filme. Soubemos logo que nos íamos apaixonar perdidamente, ao mesmo tempo que soubemos que seria uma paixão sem futuro. Arriscámos vivê-la, ainda assim. Cada dia, uma vitória. 

*

Se eu achasse que todas as coisas acontecem por um motivo diria que nos encontrámos porque precisávamos de voltar a acreditar.

Tu precisavas de voltar a acreditar nas pessoas. Acreditar que nem todos são traidores, prontos a apunhalar-te pelas costas. Que há pessoas que apenas querem viver e sorrir e ser felizes com os outros. Que há pessoas que podem ser portos-de-abrigo. 

Eu precisava de voltar a acreditar que, algures, por aí, ainda há pessoas que me fazem perder o chão. Já começava a duvidar. A última vez que me tinha sentido assim já tinha sido há tanto tempo. (E é tão bom perder o controlo da situação, de vez em quando.)

*

A paixão torna-nos vulneráveis. A primeira vez que me fizeste chorar odiei-me por ter permitido que te tornasses assim tão importante.

Mas será possível ser de outra forma?

É melhor sentir e sofrer do que não sentir nada.

*

Este post foi sobre ti. E este ("eu sou o do beijos, não sou?", adivinhaste). E este também. E ainda este. E mais este. E finalmente este.

E então? Porque há de ser tudo velado? Porque não hei de escrever mesmo sobre ti? Medo do quê? Vergonha de quê? Quero lá saber o que as pessoas vão pensar.

Tinhas razão.

Este post é sobre ti, Pedro.

Para que nunca nos esqueçamos que nos encontrámos. Que foi muito bom. Que foi importante. Aconteça o que acontecer. Isto já ninguém nos tira.

E também para poder pôr aqui esta música, que é tão bonita:

Pulp, Something changed

"Life could have been different but then Something changed"

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publicado às 23:59


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