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30
Dez19

Best of 2019

Foi, genericamente, um ano mau. Não tão mau quanto 2012. Mas provavelmente pior do que todos os outros. Ou então é porque ainda está tudo muito fresco na minha cabeça. Mas estou em crer que não. Este foi o ano em que me senti mais frustrada no meu trabalho. Este foi o ano em que me senti mais frustrada como mãe. Este foi o ano em que me senti mais sozinha do que nunca e em que a única pessoa que me fez cócegas no coração não se apaixonou por mim, o que também me fez sentir frustrada. O que, vendo bem, é o retrato perfeito da minha vida, toda ela muito mais ou menos. Muito assim-assim. Muito nada de especial. Não quero ser injusta. Sei que tenho uma família que me apoia e me ajuda em tudo. Sei que tenho amigos dos bons. Sei que tenho muita sorte porque não temos doenças graves e este ano não perdi ninguém. Sei que tenho uma casa pela qual pago um preço justo e tenho um emprego que, até ver, me vai dando para pagar as contas. Sei que tenho dois filhos lindos que amo até ao infinito e mais além. Mas no momento em que me sento a fazer um balanço deste ano que passou não consigo sentir-me feliz. Pelo contrário. A única palavra que me ocorre é frustração. E só não faço deste um post de lamentações porque quero acabar o ano como o comecei: a pensar em coisas boas. Vou fixar-me nelas. Vou reviver todos os momentos bons de que me lembrar e fazer deles as minhas passas da meia-noite (as passas que eu nunca como à meia-noite porque só gosto de passas misturadas com comida, se calhar tem sido esse o meu erro). 

Para memória futura, o meu melhor de 2019 há de ser qualquer coisa como isto:

Os dias em que não me zango com eles.

Aquela tarde a beber chá na cama da Aline.

O jardim da Gulbenkian.

Os beijos.

E os abraços.

Fazer bolos.

Um jantar inesperado no indiano com a Sónia C.

A alegria do Pedro no parkour.

Cantar a Valsinha de mãos dadas.

Chegar ao final de mais um ano lectivo.

As férias.

Almoçar com o João Miguel.

O António está mais alto do que eu.

O Panorâmico de Monsanto.

O almoço no terraço da Sónia.

Na esplanada com a Ângela.

Os vários jantares com elas (all aboard ou lá o que é).

Aquela noite com a Paula F. e o Ricardo.

As conversas com a Paula (e tudo o que não precisamos de dizer porque já nos conhecemos tão bem).

O Alentejo. E as minhas pessoas de lá.

Um dia de praia na Arrifana.

Outro na Praia Verde.

Vê-los a dar mergulhos.

O concerto da Mayra Andrade com a Lina.

A minha amiga curou-se de uma doença má.

A serenidade da Cecília.

O almoço de aniversário, marcado em cima da hora, com a Isabel, a Helena e a Rute.

Os meus amigos. Todos eles.

A minha cozinha.

A viagem com a Ana ao Algarve.

Tricotar.

Os filmes, os livros, os espetáculos, as exposições, as músicas. The National, Devendra Banhardt, Dino D'Santiago, CapicuaDulce Maria Cardoso, Francisco José Viegas, Afonso Cruz, Pedro Almodóvar, Tiago Guedes, Jafar Panahi, Grada Kilomba, Mário CruzTiago Rodrigues, Ivo Canelas, Mónica Calle, Miguel Seabra, Giacomo e Madalena. Outros de que agora não me lembro.

Dançar. 

Aqueles momentos em que acredito que vai correr tudo bem.

Nós os três.

Deitar-me de consciência tranquila.

publicado às 09:11

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Nestes dias em que cada vez estou mais desiludida com o jornalismo e cada vez tenho menos alegria no trabalho há, apesar de tudo, de vez em quando, umas coisas que ainda vão valendo a pena. Como aquela tarde em que voltei a estar à conversa com Luís Miguel Cintra. Um prazer enorme ouvi-lo, ainda que seja um pouco angustiante perceber toda a sua tristeza.

Ele fala de uma "sensação de quem esbraceja, mas, por mais que faça, vai-se afogar".  Percebo-o tão bem. Muitos de nós sentem isso mesmo, em várias situações.

E, no entanto, continuamos a esbracejar. 

Leiam AQUI o que escrevi no DN sobre este encontro e sobre o espectáculo Canja de Galinha (com Miúdos) que se estreia esta semana no Museu da Marioneta, em Lisboa.

A fotografia é do Orlando Almeida/ Global Imagens.

publicado às 15:10

Quando estava a escrever sobre Todas as coisas maravilhosas, do Ivo Canelas, andei à procura de uma música que se ouve ao longo do espectáculo e de que eu tinha gostado muito. Mas foi em vão. A única coisa que me lembrava era que a canção começava com a frase "the sun came up" (que no espectáculo se ouve várias vezes) e o google é fabuloso mas desta vez não me conseguiu ajudar. Ainda pensei pôr a Elis Regina (mais uma coisa maravilhosa) mas como queria que o post transmitisse uma energia mais positiva, que tinha mais a ver com a energia com que saímos dali, acabei por colocar o tema dos Violent Femmes, Blister in the Sun, que é o que encerra o espectáculo e que também tem um cantinho muito especial no meu coração.

Mas um leitor querido descobriu qual era a canção e mandou-ma (obrigado, obrigado). Chama-se Road to Joy e é do grupo americano Bright Eyes. 

Aqui está, portanto, este "caminho para a alegria" com votos de um bom fim-de-semana, apesar da chuva e dos testes que se aproximam (nem me digam nada). 

"Let's fuck it up boys, make some noise!"

Road to Joy, Bright Eyes

publicado às 09:41

Comecei esta série, "A felicidade nas coisas pequenas", a 3 de janeiro de 2013. A minha vida nessa altura estava um pequeno caos, depois de eu ter descoberto que o amor da minha vida afinal já não era o amor da minha vida e de me ter separado e de estar em vias de me divorciar. Mas nem tudo era mau. Há sempre pequenas coisas que nos deixam felizes. Às vezes coisas inesperadas. Coisas de nada. Quando estamos muito em baixo as pequenas coisas fazem a diferença e podemos ficar felizes com coisas tão simples como comer amêndoas de chocolate ou ver um arco-iris ou ouvir uma música de que gostamos ou receber uma mensagem de um amigo. Encontrar a felicidade nas coisas pequenas é uma das minhas estratégias para ultrapassar os momentos mais complicados.

Ora, é precisamente disso que fala o espectáculo Todas as coisas maravilhosas, de Ivo Canelas. Trata-se de um monólogo sobre a doença mental, a depressão e o suicídio e, sim, tem partes muito duras mas também é (surpreendam-se) bastante divertido. O texto original é do britânico Duncan Macmillan mas a versão portuguesa é muito boa e o Ivo Canelas é fantástico nesta dança entre os momentos mais emotivos e as explosões de energia (e ainda a responder aos espectadores-actores que nem sempre reagem como seria expectável). 

Resumindo: quando o protagonista tinha sete anos, a mãe tentou suicidar-se e para a animar ele decidiu começar a fazer uma lista de todas as coisas maravilhosas que existem no mundo, aquelas coisas por que vale a pena viver. Coisas como:

1. gelado

2. guerras de água

25. usar uma capa

A lista foi sendo atualizada, ao longo dos anos, sempre que a mãe sofria mais um episódio depressivo:

319. rir com tanta força que até se espirra pelo nariz

516. ganhar alguma coisa

577. bolachinhas no leite

994. cabeleireiros que ouvem mesmo aquilo que queremos

E foi-se complicando, tal como se complica a cabeça das pessoas crescidas:

1010. ler algo que descreve exactamente o que estás a sentir mas que não tinhas palavras para descrever

253 263. a sensação de calma que se segue à constatação de se estar metido em sarilhos mas que já não há nada a fazer em relação a isso

999 997. o alfabeto

(o resto da história têm de ir ver para saber como é)

A lista é infinita e é diferente para cada pessoa.

As minhas coisas maravilhosas, estou sempre a dizê-lo, são os abraços das pessoas de quem gosto, o sorriso dos meus filhos, os amigos, dançar, cozinhar, ler um bom livro, apanhar sol. E também: ir ao teatro com uma amiga numa sexta-feira à noite, pôr a conversa em dia, beber um copo de vinho e ainda poder rir e quase chorar com este espectáculo maravilhoso.

"Aproveitem, isto passa a correr."

Blister in the sun, Violent Femmes

publicado às 16:47

A Mónica Calle é uma das "minhas" artistas. Alguns dos espectáculos que mais me remexeram por dentro e tiraram o chão são dela. Algumas das conversas mais bonitas que tive com artistas foram com ela. Nem sempre adoro os seus espectáculos mas percebo sempre a sua ideia e reconheço toda a entrega que coloca no seu trabalho. E admiro a sua imensa liberdade. Cada obra é resultado de uma procura íntima e real. É, por isso, de uma integridade absoluta. Ela faz o que sente que tem de fazer, sem concessões às modas ou às receitas de bilheteira. Os espectáculos saem-lhe da pele e das entranhas. E mesmo quando falham ou mesmo quando são apenas tentativas ou mesmo quando não chegam onde ela queria que chegassem, ali está ela, expondo-se perante nós, na sua fragilidade, na sua imperfeição. Nesse aspecto, é curioso como as artes visuais acolhem muito melhor o erro do que as artes cénicas, onde se espera sempre que o trabalho apresentado esteja pronto e perfeito. A Mónica contraria isso, e não é raro vir falar com o público antes de uma apresentação para lhe explicar isso mesmo, sim, isto é um espectáculo, mas é também um processo. E estarmos ali, performers e espectadores, naquele local, faz parte do processo. Os espectáculos dela são, portanto, ao mesmo tempo, vindos de um lugar muito dela mas sempre uma procura de ligação com o outro. Ela estende-nos a mão e pede-nos: venham comigo nesta viagem. Porque o teatro, como a vida, só faz sentido assim, em comunhão, em partilha, neste dar e receber. Com amor.

Ontem à noite fui ver (finalmente) o Ensaio para uma Cartografia
 
Estava uma bela noite de calor e a Claúdia estava feliz a contar-me como vai começar mais uma nova etapa na sua vida (estou a torcer por ti, amiga) enquanto esperávamos na fila para entrar no Lux (há quantos anos é que eu não ia ao Lux?). Aconteceu tudo no terraço. O rio Tejo ao fundo. A lua cheia no céu. Os barcos a passarem. Os ruídos da cidade. E aquelas mulheres colocaram-se perante nós. Nuas. 
 
Tentar, falhar, conseguir, ou não. São isso os ensaios dos artistas. Repetir as vezes necessárias, dar o nosso melhor de cada vez. É assim a vida. Superando-nos a cada momento. Não vos quero contar o que é o espectáculo - ainda há mais duas apresentações (hoje e amanhã) no Lux e depois há de voltar ao Teatro Nacional D. Maria II - mas quero que saibam que é muito bonito. Que fala de esforço, de resistência e de superação. Que fala de nós, mulheres. E de nós, pessoas. Que fala de diversidade. E de máscaras (ou da ausências delas). Que fala de perfeição (e de como ela é desnecessária). Que fala de união e de trabalho de equipa. Que fala disto sem que elas digam nada. 
 

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publicado às 10:43

14
Ago19

Indo e vindo

Descansar e desligar (os aparelhos mas também a cabeça) são os objectivos principais para os próximos tempos. Duvido que os consiga cumprir completamente, mas não custa tentar. 

Deixo-vos três ideias para estes dias de agosto:

Se estiverem em Lisboa, arrisquem ir ver o espectáculo Mário, que está em cena no Cinema São Jorge. O actor Flávio Gil interpreta este monólogo inspirado na história verdadeira de Valentim de Barros, um bailarino que, no Estado Novo, foi preso e internado como louco, apenas por ser homossexual.

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(a foto é de Pedro Rocha/Global Imagens)

Quem gostou da primeira temporada de The Letdown já tem a segunda temporada disponível na Netflix. Na minha opinião, estes episódios são ainda melhores. Esta não é só uma série sobre a maternidade, é sobre a vida toda das mães, incluindo o trabalho, o marido, os amigos, as idas ao cabeleireiro e os vários pequenos e grandes dramas do dia-a-dia.

E, por fim, voltar a esta canção: Como uma onda, música de Lulu Santos com letra de Nelson Motta. Só para nos lembrarmos que "a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito". Não adianta fugir.

publicado às 14:28

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Um filme: 

A violação de Recy Taylor é um documentário de Nancy Buirski que nos conta como, numa noite quente de 1944, em Abeville, Alabama, no Sul dos EUA, uma rapariga negra de 24 anos foi violada por seis rapazes brancos de 14 a 18 anos. E de como ela foi ignorada pelas autoridades e viu a sua vida estragada. Sem que nunca se fizesse justiça. A história é revoltante, como é revoltante a história do racismo e do segregacionismo na América do século XX. É importante sabermos. É importante falarmos disto. O filme está em exibição apenas no Cinema Ideal, em Lisboa, de quinta a domingo, às 17.30.

 

Um espectáculo:

Histórias de LX é um espectáculo com poucas palavras mas que tem muito a dizer. Uma denúncia desta Lisboa gentrificada e turistificada onde, aparentemente, um T2 acessível é aquele que custa o dobro de um salário mínimo. Está lá tudo, dos pedintes às trotinetas passando pelos restaurantes chiques. Porque, como costumo dizer, às vezes é preciso ir ao teatro para depois vermos o mundo com mais clareza. O espectáculo do Teatro Meridional está no São Luiz até dia 16 de junho.

 

Um livro:

Tem sido a minha companhia nas últimas semanas: Becoming, a autobiografia de Michelle Obama, não é um livro denúncia nem tem revelações escandalosas, há ali um tom muito "polite" que é exigido a uma ex-primeira-dama, mas tem o dom de estar escrito com honestidade e sentido humor. A história que ela conta é a de uma rapariga negra de classe média-baixa que cresceu num subúrbio de Chicago e se apaixonou por um rapaz negro com um apelido estranho e sem qualquer fortuna mas que era uma cabeça brilhante, e de como aqueles dois, com a sua determinação, e apesar de todos os percalços, chegaram à Casa Branca. O sonho americano tornado realidade à nossa frente. Não foi exactamente assim? Pode até nem ter sido, já sabemos que cada um conta a história à sua maneira. Mas também não há de ter sido muito diferente. E o livro está recheado de pequenas histórias que, só por si, valem muito a pena. E faz-nos pensar o quanto foi preciso andar para de Recy Taylor chegarmos a Michelle Obama - e, apesar de tudo, quanto ainda nos falta andar.

publicado às 12:11

Já há muito tempo que não venho aqui partilhar coisas bonitas, o que é uma injustiça porque até quando tudo parece correr mal na nossa vida há coisas bonitas a acontecerem.

Por exemplo, ainda vão a tempo de ir ver o espectáculo Xtròrdinário do Teatro Praga para os 125 anos do Teatro São Luiz. Se gostaram da Tropa Fandanga vão gostar ainda mais deste "musicól" que é muito divertido e "não binário". E tem os Fado Bicha, que são maravilhosos.

Já estreou na Netflix a terceira temporada da série Easy e continua a ser muito a vida como ela é, histórias de pessoas comuns com desejos comuns e problemas comuns. Sem batalhas sangrentas. Tal e qual como que gosto.

A Lena D'Água tem um disco novo, que se chama Desalmadamente. Eu ainda não o ouvi todo mas gostei muito daquilo que ouvi. Espero mesmo que lhe corra bem este come back. Esta é a Grande Festa e faz-nos abanar o corpinho com leveza:

E, já agora, o Manel Cruz também tem Vida Nova, que é como quem diz um novo álbum. E esta canção, O Navio Dela, é qualquer coisa. Prestem atenção à letra.

"A minha mulher não é minha
É da cabeça dela
Mesmo achando que sim
Não precisa de mim
Isso é o que me agrada nela"

As coisas bonitas que encontro por aí, os amigos e a minha cozinha. Esta tem sido a minha terapia. Só me falta dançar. Mas há meses (anos?) que ando sem paciência para discotecas e noitadas. Tenho de encontrar um sítio com bom ambiente para dançar antes, muito antes, da meia-noite. Alguma sugestão?

publicado às 08:29

09
Mai19

Recomeços

"Vladimir: We could start all over again perhaps.
Estragon: That should be easy.
Vladimir: It's the start that's difficult.
Estragon: You can start from anything.
Vladmir: Yes, but you have to decide."

Waiting for Godot (1952), Samuel Beckett

 

No fim-de-semana fui ao Teatro Nacional D. Maria II ver o espetáculo Conversations Out Of Place, uma criação de Ivana Müller, e lembrei-me muito de Godot - e não foi só porque, tal como na peça de Beckett, também aqui o palco está praticamente vazio, apenas com uma árvore. Quatro personagens caminham perdidas numa floresta, não sabemos muito bem quem são nem de onde vêm, imaginamos que procuram o caminho de regresso a casa mas sem nunca alcançá-lo. Passam-se dias, semanas, meses. E nada mais lhes resta se não continuar a mexer-se (em câmara lenta) e a falar, pois enquanto se mexerem e enquanto falarem continuarão vivos. Mesmo que a deteterminada altura já não consigam lembrar-se para onde se dirigem nem porque continuam a caminhar. As conversas repetem-se mas já não interessa nada do que digam. É só preciso continuar. Tal como Estragon e Vladmir estão presos naquela encruzilhada, passam a vida a dizer "vamos" mas nunca vão, também estas personagens estão presas neste movimento permanente. A mensagem acaba por não ser tão desesperante quanto a de Godot mas não deixa de nos pôr a pensar. Estamos perdidos nesta floresta, e isso tem tanto de assustador como de desafiante. Iremos alguma vez encontrar o caminho para casa? Ou, como disse a minha amiga Cláudia, colocando o foco no livre arbítrio, teremos coragem para romper com o rame-rame da vida e fazer um verdadeiro esforço para encontrar o outro (para nos encontrarmos) ou seguimos a nossa vidinha fazendo aquilo que é esperado de nós, sem qualquer entusiasmo, sem objectivo?

Podemos sempre começar. Ou começar de novo. Mas para isso temos que decidir fazê-lo. Essa é a parte verdadeiramente difícil.

publicado às 08:08

O espectáculo estreou em 2012 e já correu mundo mas, vá-se lá saber como, só o vi ontem à noite. O Senhor Ibrahim e as Flores do Corão: texto de Eric-Emmanuel Schmidt, encenação e interpretação de Miguel Seabra com o músico Rui Rebelo. Só isto. Guiados pela voz delicada de Miguel deixamo-nos levar para a rua Bleu, na Paris dos anos 60, a rua dos judeus, onde o pequeno Moisés, de 11 anos, se faz homem ao mesmo tempo que se faz amigo do senhor Ibrahim, o único árabe ali e dono da mercearia de onde ele rouba latas de comida para o jantar do pai. Com Ibrahim, Momo (como ele lhe chama) aprende como o sorriso pode ser uma arma e como o amor que se tem por outra pessoa é valioso mesmo quando não é correspondido: "O que dás é teu para sempre, o que guardas está perdido para sempre".

Mas se é para escolher um ensinamento de Ibrahim, escolho este: "A lentidão é o segredo da felicidade".

Não ter pressa. É o que quero. Viver cada momento em pleno (como já falei AQUI e AQUI). Por exemplo. Tirar uma noite no meio do caos para ir ao teatro. Ouvir uma história bem contada. Rir. Emocionarmo-nos um pouco. Suspender a vida por uma hora e meia. Sair de lá e pensar: aconteça o que acontecer amanhã, esta pequena felicidade já ninguém me tira. E isto serve para tudo.

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publicado às 10:24


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