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Eu nem por isso.

O que é surpreendente. Sempre fui uma pessoa muito sociável, que gosta de conversar e partilhar com os outros, que gosta de conhecer toda a gente na redação e de saber "o que se passa". Por isso, nunca imaginei que pudesse realmente gostar de trabalhar em casa. Sozinha. E, sim, ao princípio, foi difícil, claro. Novas rotinas, novos desafios. E estarmos todos fechados em casa não é bom. Miúdos com aulas virtuais, proibição de sair, de estar com as nossas pessoas, de fazer o que quer que fosse. Não, assim não. Mas. À medida que a vida vai voltando ao que era, com os putos na escola, a possibilidade de ir jantar com os amigos, de ir ali tomar um café ao fim dia, de ir ao cinema... por que não? Se tudo o resto estiver de facto "normal", não será bom poder ficar em casa?

Será assim tão necessário estar "lá" se posso fazer o mesmo "aqui"?

Já andava a pensar nisto e a rabiscar este texto nos rascunhos quando li a opinião de Tracy Moore, no Washington Post. Identifiquei-me bastante. E fiquei aliviada: afinal não sou só eu.

Está tudo em pulgas para voltar ao escritório?

"Not me. I’ve been working remotely for more than a year, and though monitoring a fifth-grader’s virtual education has certainly tested my limits, it has granted me greater sanity and family connection than in my previous life. A part of me misses in-person brainstorming and camaraderie, but a larger part wonders: At what cost?"

Vamos por partes.

É verdade que mudei de emprego e que não conheço ninguém no meu sítio novo. Por mais que simpatize com os meus colegas nas conversas que temos no whatsapp, não dá para morrer de saudades de estar com eles porque nunca estive. Isso ajuda.

E, talvez porque já estou numa idade mais avançada, já não sinto essa necessidade de ter de conhecer toda a gente e de saber tudo o que se passa. De estar no centro do furacão. Já gosto mais do silêncio do que do barulho. Tenho cada vez mais prazer em ficar calada (não é de agora, é de há muito mais tempo).

Além disso, a perspectiva de passar dias inteiros com uma máscara na cara também não é lá muito animadora, há que reconhecer.

Mas, o mais importante, é de facto o ganho de tempo e de qualidade de vida. Não perder tempo em viagens, não ter sequer que tomar banho quando começo a trabalhar às 7.00 da manhã, não ter que vestir o soutien nem calçar sapatos nem ter o botão das calças da ganga a marcar-me a barriga o dia inteiro, poder ir a corrrer apanhar a roupa se começar a chover, aproveitar a hora do almoço para ver um bocadinho daquela série, desligar o computador à meia-noite e estar deitada na cama cinco minutos depois. O que há para não gostar?

E, depois, os putos. Olhem que eu nem me posso queixar muito porque (com grande esforço meu e até com perdas para a minha carreira) nunca deixei de estar com os meus filhos. Para mim, as prioridades sempre foram claras. Por isso, não posso dizer que tenha descoberto no confinamento como é bom estar com a minha família. Eu sempre estive com a minha família, sempre acompanhei os meus filhos. Mas isto que tenho agora é outra coisa e é, de facto, o ideal para esta fase em que eles estão, porque já são crescidos e bastante autónomos. Desejo-lhes um bom dia de manhã, vejo-os a entrar e a sair, digo até logo, pergunto onde vais. Podemos fazer as refeições juntos ou não, depende dos nossos horários, mas vou sempre estando por ali para os lembrar de comerem fruta, para comentar com eles as notícias, para saber por onde eles andam sem me intrometer muito. É perfeito. Depois disto, sei que me vai custar horrores sair de manhã e só voltar à tarde e não ter esta proximidade.

Mas o trabalho não corre melhor se estivermos todos juntos?

Há momentos em que sim, em que a proximidade ajuda, não há como negá-lo. Mas também há momentos em que é absolutamente indiferente. Afinal, nós conseguimos fazer isto à distância e correu tudo bem, não foi? E há ganhos também para o trabalho. Não há intermináveis reuniões em que se perde mais tempo a dizer piadas do que a tomar decisões. Não há tantas distracções nem idas ao café nem conversas paralelas. E há pessoas felizes. As pessoas felizes trabalham sempre melhor, acredito muito nisto, embora esta não seja uma opinião acarinhada pelos empregadores de uma maneira geral.

Estou a preparar-me mentalmente para o regresso. Vai acontecer. E não é que seja o fim do mundo, que não é. Não tarda nada vou estar outra vez no ritmo do vai e vem e da confusão e vai correr tudo bem, como sempre correu. E até me vou entusiasmar e tudo, estou certa.

Mas se eu pudesse escolher...

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publicado às 09:52

Des'ree, You Gotta Be

 

Liguei o computador às 11.00 da manhã para acompanhar mais uma sessão do clube de leitura Heróides e a Sara recebeu-nos com esta música. Tão bom. É engraçado como, tantas vezes, as músicas que ouvimos por acaso parecem falar para nós. 

Está quase a fazer um ano que a pandemia nos caiu em cima e acho que ainda não temos uma compreensão plena de como isto tudo nos mudou e mudou a nossa vida. Eu a trabalhar em casa. Os miúdos a terem aulas por zoom. Todos longe dos amigos. Um ano inteiro com os contactos sociais reduzidos ao mínimo. Nós três aqui fechados, uns dias a seguir aos outros, com a cabeça enfiada nos computadores, nos telefones, na televisão e na playstation. Tentar manter a sanidade. Tentar encontrar a felicidade nas coisas pequenas. E, no meio disto, um layoff, um despedimento e começar um novo trabalho. É muita coisa para assimilar e não, ainda não é tempo para escrever sobre esta parte (lá chegaremos, prometo).

Entretanto. No último mês, tenho trabalhado praticamente de manhã à noite. Entre o emprego novo -  com tanta coisa para aprender, aquela sensação de me sentir uma estagiária outra vez e de ter de provar a toda a gente (incluindo a mim mesma) que sou capaz -  e os projetos que entretanto aceitei porque eram irresistíveis e eu sou um bocadinho louca, não tenho tido tempo para muito mais. Nem livros, nem filmes, nem passeios, nem nada. A casa está meio caótica, os putos andam em roda livre e as amigas queixam-se da minha ausência nos grupos de whatsapp. Mas está quase. 

Agora que já se vê a luz de março ao fundo do túnel, quero dizer-vos isto: 

"Listen as your day unfolds
Challenge what the future holds
Try and keep your head up to the sky
Lovers, they may cause you tears
Go ahead release your fears
Stand up and be counted
Don't be ashamed to cry

You gotta be
You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day

Herald what your mother said
Read the books your father read
Try to solve the puzzles in your own sweet time
Some may have more cash than you
Others take a different view
My, oh, my, yea, eh, ee

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day

Time ask no questions, it goes on without you
Leaving you behind if you can't stand the pace
The world keeps on spinning
Can't stop it, if you tried to
This best part is danger staring you in the face

Remember
Listen as your day unfolds
Challenge what the future holds
Try and keep your head up to the sky
Lovers, they may cause you tears
Go ahead release your fears
My oh my yea, ye, ee

You gotta be bad, you gotta be bold, you gotta be wiser
You gotta be hard, you gotta be tough, you gotta be stronger
You gotta be cool, you gotta be calm, you gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day".

publicado às 15:05

"Não vou lamentar, o que passou, passou
Eu vou embora, o meu tempo acabou
Tenho muita coisa para descobrir
Eu sinto muito, mas tenho que ir
 
E vou pro mundo porque nada mais me prende aqui
É o final do show
E não fique magoado porque vou partir
É só o jeito que eu sou
 
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora porque eu vou me dar bem
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Sei que tá na hora e eu vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
 
Não é por nada não, mas vou me divertir
Enquanto a vida assim permitir
Só vou procurar fazer amigos do bem
Se precisar, ajudar também
 
E agora, a liberdade e o horizonte
Só voce não sacou
Nova York, Ipanema ou Hong Kong
É nessa aí que eu tô
 
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora porque eu sei que vou me dar bem
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Sei que tá na hora e eu vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
 
Livre eu me sinto, sublime
Gente, mais gente, o mar e o céu azul
 
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora e eu sei que vou me dar bem
Ch-ch-ch-changes, lá vem meu trem, vem meu trem
Tô saindo fora e eu sei que vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
Sempre em frente, nunca pra trás"
 
Changes, de David Bowie, na versão de Seu Jorge
 
 
* Enquanto houver estrada para andar (só que por outras palavras)

publicado às 22:03

Desde o dia em que recebi o telefonema do meu director a informar-me que iria ser despedida até hoje, dia em que levantei nos correios a carta que oficializa o meu despedimento, passaram-se exactamente dois meses. Foram dois meses estranhos. Ainda empregada mas sem trabalho. Quase desempregada mas sem poder procurar activamente uma nova ocupação. Os dias podem ser demasiado longos quando não temos um horário a cumprir. Mas a vida continua a ser demasiado curta. Por outro lado, quem tem filhos e uma casa para cuidar sabe que temos sempre muito com que nos entreter. Na verdade, quase poderíamos fazer só isto. Lavar o chão, passar a roupa, temperar a carne para o jantar. Mas eu não quero. Não quero ficar enredada nas compras e nos almoços. Odeio a sensação de estar a perder tempo. Não me quero deixar ficar. No entanto, para já, ainda não há muito que possa fazer. Não é fácil. 

O meu desafio nestes últimos meses tem passado por três frentes:

Organização. 

O pior que pode acontece quando temos tempo a mais é deixar tudo para amanhã e não fazer nada. É preciso manter algumas rotinas. Fazer sempre a cama, não acumular louça suja. Limpar a casa. Cozinhar refeições. Comer fruta. Beber água. Pagar as contas. Organizar os meus contactos. Mandar mails. Apagar mails. Fazer listas das coisas que tenho que fazer para não me esquecer delas (estou cada vez mais desmemoriada, tenho de fazer listas de tudo). Estabelecer pequenos objectivos. Ter uma agenda para 2021 (e a alegria de ter já alguns dias ocupados).

Cuidar do corpo.

Nunca fui muito boa nisto. Gosto de comer e gosto pouco de me mexer. Mas estou a tentar, juro. Esta semana estou em detox pós-natalício. Aproveito a ausência dos miúdos para fazer refeições diferentes. Obrigo-me a sair de casa. Caminho sempre que possível (quase todos os dias, mesmo com frio e com chuva). E inscrevi-me no "treino das mães" no clube de BTT do Pedro. Domingo de manhã, ao ar livre, com um grupo de mães divertidas e uma PT que puxa por nós e me obriga a mexer partes do corpo que têm estado adormecidas. Não é muito, eu sei, mas é melhor do que nada.

Ginasticar a mente.

A ordem é para fugir das redes sociais e do facilitismo do scrolldown. Não é fácil mas é necessário. Tenho tentado ser selectiva nos filmes e séries que vejo (e tenho visto muitos). Ir ao teatro. Ler, claro (nem sempre encontro o mood certo mas há que insistir). Escrever (aqui, mas não só). Continuar a aprender. Preciso muito disso. Fiz uma assinatura de um jornal para me manter actualizada. Já fiz um curso online (daqueles com direito a diploma e tudo), estou a acompanhar um seminário online só para ouvir pessoas interessantes e abrir a cabeça, e inscrevi-me num mini-curso mais sério para o início 2021. Ainda não consegui voltar à rotina matinal de me sentar ao computador e ir ver os "meus" sites mas lá chegarei.

E assim vamos. Caminhando no arame, lentamente, tentando manter o equilíbrio e não dar nenhum passo em falso. Não tarda nada chegamos ao outro lado, seja lá isso onde for.

Where is my mind?, Placebo com Franck Black.

publicado às 14:25

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O meu pai mandou-me esta foto em jeito de prenda de anos. Há 46 anos eu era assim, pequenina e tranquila ao colo da minha avó.

Agora já não sou pequenina. Mas estou tranquila. 

Este foi um fim-de-semana cheio de emoções. Um confinamento. Um despedimento. Um aniversário. E uma bela TPM. A tempestade perfeita. E, afinal, correu tudo bem. Pela primeira vez desde que me lembro não fiz nenhum bolo mas tive dois bolos deliciosos. E, de longe ou de perto, tive muitos abraços. Porque tenho amigos dos bons (os amigos salvam-me todos os dias, já o sabia, e posso sempre recorrer a um texto lamechas lido na adolescência e trazê-lo para aqui e está tudo certo). E, para terminar em grande, levei os meus filhos a ver todas as coisas maravilhosas e só o facto de termos ido e de eles terem gostado (principalmente o adolescente) foi maravilhoso. 

Nem de propósito, uma das músicas do espectáculo é esta, do Jorge Palma, que cantei em coro com o Ivo Canelas e as lágrimas a embaciarem-me os óculos. 

Acho que é mesmo a música perfeita para hoje.

"Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo"

publicado às 12:51

Escrevi-o no primeiro dia: não estamos todos em casa. Para alguns poderem publicar no instagram fotografias dos almoços que encomendam na ubereats, felizes e contentes por estarem em casa, a beber um copo de vinho na varanda, a devorar séries na netflix, a falar com os amigos no zoom e a mandar bitaites #stayathome, há uma multidão de gente a trabalhar na agricultura, nas fábricas, na distribuição, nos mercados e supermercados, nos restaurantes, nos transportes, na recolha do lixo, nas limpezas, na segurança, na comunicação social, nos hospitais, nas farmácias, nos lares, na assistência social, na construção, na manutenção, nas funerárias, em muitos outras atividades. Não são meia dúzia, são milhares de pessoas. Que nos últimos 50 dias continuaram a fazer a sua vida normal, a  acordar às 5 da manhã, a esperar meia hora por um comboio, a andar em autocarros cheios de gente, a trabalhar imenso, provavelmente com dificuldades e preocupações acrescidas e - muitos deles - a ganharem muito mal. Também continuou a haver gente a viver na rua, em barracas, em sítios sem condições. Para todas essas pessoas não houve confinamento. 

Sim, a romantização da quarentena é um privilégio de classe. Não temos que nos martirizar por causa disso. Mas um bocadinho de consciência social não nos ficaria mal.

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Ilustração de Bruno Saggese.

publicado às 10:04

19
Abr20

Luxos

Não sou propriamente maníaca das limpezas, pois que não sou, mas tenho as minhas pequenas obsessões (todos as temos) e uma delas é o chão. Eu sou aquela pessoa que varre e aspira e lava o chão várias vezes, isto já em tempos normais, quanto mais agora que estamos todos em casa a migalhar e a patear. Na cozinha, então, nem se fala. Passo o dia de vassoura na mão, ou com o aspirador pequenino, ou com o aspirador grande, e depois com a esfregona e depois a seguir a zangar-me com os miúdos porque já está tudo sujo outra vez. Com o resto não sou assim tão stressada. Vamos fazendo. De vez em quando dá-me uma fúria de limpar a despensa ou os armários ou de limpar o pó aos livros todos, mas isso é mesmo só de vez em quando. Desde que estamos de quarentena, para além da manutenção, uma vez por semana fazemos uma limpeza geral, e digo fazemos porque eles já sabem que têm de arrumar o quarto e mudar os lençóis das camas e que também lhes compete limpar o pó e aspirar o resto da mansão, com excepção da cozinha que é o meu território. Também já informei os rapazes que na próxima semana os ia ensinar a lavar casas-de-banho - "que nojo, mãe, eu não lavo a sanita", dizem eles, fazendo caretas, e é aí que eu percebo que devo estar a errar completamente na educação que lhes estou a dar e que é urgente mudar isso. Que a quarentena nos sirva para alguma coisa de útil.

Isto para dizer que não, não tenho quaisquer problemas em limpar a casa, desde miúda que estou habituada a fazer tudo e, já na minha casa, vivi muito tempo sem ter ajuda. Mas sei que me vai custar bastante, quando isto tudo voltar ao "normal", ter que perder horas da minha vida a limpar em vez de ir esplanadar para algum lado ou ficar simplesmente no sofá a olhar para a televisão. Não é só o luxo de não limpar, é também aquele luxo burguês que é ter tempo livre. (isto está tudo estudado, não estou a inventar nada)

Também vou ter saudades de chegar a casa e, como por magia, estar tudo limpo e cheiroso. O dia da empregada era sempre o melhor dia da semana.

Mas a verdade é esta. Os luxos são para quem os pode ter.

publicado às 11:42

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Nestes dias em que cada vez estou mais desiludida com o jornalismo e cada vez tenho menos alegria no trabalho há, apesar de tudo, de vez em quando, umas coisas que ainda vão valendo a pena. Como aquela tarde em que voltei a estar à conversa com Luís Miguel Cintra. Um prazer enorme ouvi-lo, ainda que seja um pouco angustiante perceber toda a sua tristeza.

Ele fala de uma "sensação de quem esbraceja, mas, por mais que faça, vai-se afogar".  Percebo-o tão bem. Muitos de nós sentem isso mesmo, em várias situações.

E, no entanto, continuamos a esbracejar. 

Leiam AQUI o que escrevi no DN sobre este encontro e sobre o espectáculo Canja de Galinha (com Miúdos) que se estreia esta semana no Museu da Marioneta, em Lisboa.

A fotografia é do Orlando Almeida/ Global Imagens.

publicado às 15:10

Avoid a burnout before you're already burned out, por Elizabeth Grace Saunders, no The New York Times de 6 de novembro de 2019

"According to the World Health Organization, burnout is a workplace issue. But just because burnout can happen at work or because of work, doesn’t mean how you use your time outside of work can’t help prevent it. 

You don’t need a dream job. But in your overall life, you do need to find time to take care of your health, do things you find refreshing and have a sense of purpose. The closer you are to living your truth, the less likely you are to burnout. (...)

Your Body

Your body is designed to repair and restore itself. So when you’re feeling the impact of burnout — ongoing exhaustion, detachment from your job and perhaps even weight gain and illness from stress — it’s a sign that the demands on your body exceed its ability to keep up. Giving your body what it needs is the foundation of burnout prevention. You can help reduce the energy depletion associated with burnout and facilitate restoration by prioritizing three universal core needs: sleeping, eating and moving. (...)

Your Personality 

In addition to living our truth about our health and our bodies, to prevent burnout we need to honor the truth around our personalities. “Self-care is dependent on the individual. It is based on what helps them to feel more like they’re in their natural state, which is the thing, place or feeling that would happen if there were no pressure on them — the thing they would want to do,” said Robert L. Bogue (...) Put simply, you need to know what restores you and invest in those activities to prevent burnout. But what fulfills these needs for you may look different than what fulfills those needs for someone else. For example, someone who is highly extroverted may need to hang out with friends or family on a daily basis after work to buffer against burnout. Someone who is highly introverted, on the other hand, may require time alone to recharge. (...)

Your Reality

A third element of burnout prevention is to live the truth of your work situation reality — what you can actually change, and where you will need to find alternative sources to meet your needs. According to the “Areas of Worklife” model, workload is only one of the six contributors to burnout. Control, reward, fairness, community and values are the other five elements. These other contributors revolve around feeling supported, appreciated and safe. Ideally, you can either shift your current work environment or find a new job where all of these areas meet up with your expectations. But in some cases, that’s not possible. In those circumstances, you have other options. One alternative is to modify your expectations.  (...) Another alternative is to stop expecting satisfaction in these areas within your job and, instead, seek opportunities outside of work that fulfill these core needs. 

When you’re “filled up” by how you invest your time outside of work, and you feel supported by people who know and care about you, you have a buffer against the drain that may exist in the office.

You may not have the ability to change everything you don’t like about your job, but you do have the ability to improve how good you feel about yourself and life in general. By investing your time based on the truth of your body, personality and reality, you can reduce your risk of burnout. And if you already feel burnt out, you can recover faster."

 

Não é assim tão difícil, acreditem. 

publicado às 13:30

Em 2013 escrevi isto.

Agora já não poderia escrevê-lo. Os momentos de felicidade no trabalho são cada vez mais escassos. Os momentos de frustração são cada vez mais comuns. 

Para mim cada vez vale menos a pena.

publicado às 13:39


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