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Praia Fluvial da Aldeia Ruiva

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Praia Fluvial do Malhadal

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Um dos desafios das férias dos pobres é tentar visitar lugares novos ou ter alguma experiência diferente gastando pouco dinheiro. Eu tento sempre fazer alguma coisa, aquilo a que chamo o nosso pequeno luxo anual, mesmo que seja algo muito simples. Desta vez, fomos espreitar as praias fluviais na zona de Proença-a-Nova. Reservei dois dias bem no fim das férias, marquei um bungalow no parque de campismo e lá fomos.

Nas malas levámos pouquíssima roupa mas muita comida. Eu sou aquela mãe que anda sempre com comida, sempre fui assim, desde que eles eram pequenos. Não se trata só de poupar dinheiro ou de evitar que eles comam muitas porcarias, é sobretudo uma maneira de não me preocupar quando andamos em viagem. Até porque os putos estão nesta fase em que parece que estão sempre esfomeados. Acredito que outras pessoas achem que dá muito trabalho preparar comidas e levar lancheiras mas para mim é tranquilo. Neste caso, além das sandes e petiscos para a viagem, como íamos ficar num parque de campismo no meio do nada e como não me apetecia andar perdida à noite por estradas cheias de curvas, optámos por cozinhar o jantar no bungalow. Aproveitei que tinha um fogão e para o segundo dia fiz umas deliciosas sandes de ovo mexido. Portanto, sim, levámos muita comida mas resultou muito bem.

Para mim, que sou do sul e da planície, é sempre um pouco esquisito quando me meto por serras e caminhos tortuosos. Para os putos este também é um Portugal a que não estão muito habituados. Por isso estas viagens, por estradas nacionais, são sempre uma aventura. Vamos vendo as tabuletas e comentando a paisagem. Os cheiros, as pessoas, as cores, os sotaques, tudo é diferente. E ficámos muito impressionados com toda a área ardida perto de Vila do Rei (dá um bocadinho de medo mas pronto, se uma pessoa se põe a pensar nessas coisas nunca sai de casa).

Os miúdos lembravam-se do bungalow em que tínhamos ficado perto das Grutas de Mira D'Aire. Em comparação, este bungalow da Aldeia Ruiva ficou claramente a perder porque era mais antigo, não tinha aquele cheiro a novo, e não tinha ar condicionado. Porém, a tragédia maior foi o facto de não haver wifi, o que foi um grande desafio à capacidade deles para ficarem sem fazer nada durante um serão inteiro. Nem sequer podíamos ler ou jogar as à cartas porque, por causa do calor e dos mosquitos, tínhamos as janelas abertas e as luzes apagadas. Conseguem imaginar? O António acabou de ver os episódios de uma série que tinha no telefone e depois andámos a explorar o parque e ficámos às escuras no alpendre a conversar e a cuscar o que se passava nas outras tendas. Os rapazes resignaram-se e acabámos a dar umas boas gargalhadas. Se eu tivesse planeado uma "operação desligar" não teria sido tão eficaz. 

A parte melhor para eles foram, obviamente, os mergulhos nos rios. A zona de banhos é delimitada e as praias são vigiadas, portanto aquilo é bastante seguro. Depois há aquela aventura de ser um rio, de haver peixes, de não se ver o fundo. Acho que é preciso alguma coragem, coisa que eu obviamente não tenho. Já os putos divertiram-se à grande. 

Na viagem de regresso a casa tivemos um furo no pneu e viemos a ouvir o agonizante relato do jogo do sporting. Tirando isso, correu tudo lindamente.

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publicado às 20:21

18
Abr19

C'est la vie

Claro que me entristeceu o incêndio da catedral de Notre-Dame, em Paris, mas não me parece que tenha sido uma catástrofe nem que tenha ali ardido "parte da humanidade" como vi escrito nos jornais. Uma casa é uma casa, não é uma pessoa. A história é importante mas é história, não é como se conseguíssemos ou sequer nos esforçássemos para guardar toda a nossa história. A Europa é a Europa, não é o mundo. Um símbolo é um símbolo, não é a vida. Este é o meu ponto de vista, respeito os que pensam de outra forma mas não me convencem que uma catedral queimada vale a minha consternação para além de um "oh, que pena".

Na nossa viagem de família a Paris estivemos à porta de Notre-Dame. Era o nosso último dia e a fila era enorme. A Cecília contou aos miúdos a história do Corcunda mas não entrámos. Já não teremos oportunidade de ver "aquela" catedral tal como era. C'est la vie, diriam os franceses. A vida é feita daquilo que fazemos e também daquilo que não fazemos. 

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publicado às 09:14

E, só para terminar, mais coisas fixes em Berlim:

1. Depois da viagem de avião, do autocarro e do eléctrico, estava eu a puxar o meu troley em direcção ao hotel onde iria ficar instalada quando vi uma placa que anunciava "books & bagels". Irresistível, não é? Shakespeare and Sons é uma livraria mas é também um sítio óptimo para comer. Bom ambiente, empregados simpáticos, janelas grandes, montes de livros que podemos folhear enquanto almoçamos. Fiquei fã.

2. O Urban Nation abriu em setembro passado e é um dos poucos museus do mundo dedicado à arte urbana. Não é muito grande mas tem peças de alguns dos artistas mais conhecidos, incluindo duas obras de Vhils. Eu gostei bastante. A entrada é livre. E esta foto foi tirada na casa-de-banho, onde todos nos podemos tornar artistas.

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3. Se há coisa boa em Berlim é a quantidade de sítios onde se pode comer comida do Médio Oriente e, acima de tudo, da Turquia. Consegui experimentar o Knofi que é um dos melhores restaurantes do género (na verdade são dois, um de cada lado da Bergmanstrasse) e apesar de os preços serem um bocadinho acima da média, aconselho-vos a irem e a levarem muita fome para poderem provar de tudo um pouco.

4. Na verdade, provar comidas diferentes e encontrar sítios simpáticos para me sentar a tomar um café é um dos meus grandes prazeres quando viajo. Nestes dias, tive ainda oportunidade de me sentar a fazer uma entrevista num café bem agradável, o Happy Baristas; e não resisti a uma baked potato à moda turca no Heimweh (foi uma pena não poder ficar lá a jantar mas tinha um trabalho marcado por isso levei a batata comigo). Também comi uns quantos pretzels e só não me aventurei nas currywurst porque não sou grande fã de salsichas.

5. Queria muito ter visitado o Museu da RDA mas a fila para entrar era enorme e, espreitando, percebi que lá dentro a confusão era grande, mal havendo espaço para circular. Terá de ficar para uma próxima viagem a Berlim, portanto.

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publicado às 09:47

Dois sítios de que gostei muito em Berlim: o Memorial do Holocausto e o Museu Judaico.

Visto de fora, o Memorial do Holocausto parece um enorme cemitério com pedras de diferentes tamanhos. Quando começamos a penetrar por entre aquelas ruelas é impossível não nos sentirmos cada vez mais pequenos, quase a sufocar por entre as 2 711 pedras, muitas delas gigantes. A certa altura, dei por mim sozinha lá no meio e senti-me um pouco insegura. A experiência daquele lugar depende muito do tempo que se tem e daquilo que se quer fazer. Se vamos lá só para tirar uma fotografia e pronto (o Google Maps avisa-nos logo que temos ali grande oportunidade fotográfica). Ou se queremos mesmo pensar no que foi o Holocausto e olhar para aquelas pedras como urnas que representam os muitos judeus mortos na Europa. Não visitei o centro de informação porque nesse dia tinha um compromisso (ah, pois, eu fui lá trabalhar, não nos podemos esquecer), mas só a parte exterior é uma experência e tanto.

Acontece o mesmo com o Museu Judaico. O edifício concebido pelo arquitecto Daniel Libeskind é um convite à reflexão. Anguloso, inclinado. Sempre a colocar o visitante num lugar de desconforto. De auto-consciência. Ao longo da exposição "Cinzas do Holocausto" vão sendo contadas pequenas histórias de judeus perseguidos, através de objectos (cartas, fotofgrafias, etc.) que sobreviveram aos seus donos. Esse caminho em rampa leva-nos até à "Torre do Holocausto": uma torre enorme, praticamente sem luz, gelada, negra, um espaço de silêncio ocasionalmente interrompido por ruídos vindos da rua, uma experiência tanto mais avassaladora se nos acontecer ficarmos lá sozinhos. Há ainda o "Jardim do Exílio", que evoca a experiência dos que conseguiram fugir. E, noutro andar, a instalação "Shaleket", de Menashe Kadishman: o chão coberto de rostos assustados, que os visitantes podem mexer e pisar, provocando um ruído ensurdecedor. O último piso do museu estava encerrado porque a exposição permanente estava a ser mudada. A entrada custa 8 euros. Eu não paguei, mas pagaria. Sinceramente, vale muito a visita.  

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publicado às 10:24

O que eu gostei mais de ver em Berlim? 

Antes de mais, o Muro. Óbvio.

Primeiro, percorri a East Side Gallery, mais de um quilómetro de Muro todo grafitado, celebrando o fim da divisão da cidade. É bonito e faz-nos lembrar toda a alegria e esperança sentidas em 1989.

Depois, voltei a encontrar o Muro na Topografia do Terror, que é o museu que fica no local onde funcionava a Gestapo. O museu não é propriamente apelativo do ponto de vista turístico - são fotografias e outros documentos que contam como se instalou a ditadura de Hitler e todo o clima de terror do III Reich - mas é muito importante que exista e que se encha de crianças e jovens, para que não se caia na tentação de esquecer as atrocidades cometidas. Esta relação tão complicada com a sua história recente é um dos aspectos mais fascinantes da Alemanha. A entrada é livre.

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Acabei por não conseguir ir a Bernauer Strasse, onde é possível ter uma ideia de como o Muro de facto era nos anos de 1960, mas fui ao Asisi Panorama Berlin que é uma experiência de imersão numa pintura em 3D criada por Yadegar Asisi. A entrada custa 10 euros e isso é capaz de ser um bocadinho de mais para uma experiência de ilusão (eu não paguei, o que torna tudo mais fácil). Chamem-me pirosa mas eu achei aquilo bastante bem feito e estive lá imenso tempo a explorar todos os pormenores.

Ali ao lado fica o Checkpoint Charlie, que é capaz de ser o local mais turístico de Berlim. Lá estão uns figurantes vestidos de sorridentes soldados americanos e uma fila de turistas que querem tirar a fotografia da praxe, lojinhas de souvenirs por todo o lado e até bancas de rua a vender imitações de uniformes da DDR e outras coisas assim. Nada de muito interessante, portanto. 

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publicado às 18:33

A viagem a Berlim estava marcada há já algum tempo e confesso que estava bastante entusiasmada. Tantos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, tantos livros de espiões, tanta informação sobre Hitler e o Holocausto e as bombas e a divisão da cidade e os russos e o Muro, claro, o Muro que caiu em 1989 e eu que me lembro-me tão bem de ver tudo na televisão e de como o mundo mudou desde então. Berlim (como Nova Iorque ou Paris) é uma daquelas cidades que nós já conhecemos antes de conhecer. E eu queria muito lá ir.

Saí de casa na quarta-feira de madrugada, noite escura ainda e eu já no avião. Em Berlim nevava, uma nevezinha daquela que se desfaz quando chega ao chão mas que molha tudo e todos. E estava um frio de rachar. O tempo foi melhorando. Na quinta-feira de manhã ainda choveu um bocadinho. Na sexta-feira, o sol deu um ar da sua graça e até foi possível estar numa esplanada sem casaco. Apanhei o avião de regresso pela hora do jantar. Foram três dias, com trabalho pelo meio, mas com tempo para passear bastante. 

Berlim é uma cidade enorme mas onde se circula sem problemas. Antes de mais, porque é uma cidade plana. Óptima para quem, como eu, gosta de caminhar. Avenidas largas, ruas espaçosas, passeios grandes, tal e qual como eu gosto. Depois, porque os transportes funcionam bastante bem. Logo à chegada ao aeroporto comprei um bilhete para três dias por menos de 29 euros e a partir daí foi sempre a andar. Autocarros, sim, mas sobretudo eléctrico, metro, comboio. Sempre com a ajuda preciosa do Google Maps que me dizia exactamente qual o transporte que eu deveria apanhar (claro que gastei todos os dados móveis que tinha mas não tive que pedir informações a ninguém uma única vez, quão extraordinário é isto?). Os transportes funcionam muito bem. São espaçosos, com óptimos acessos e tempos de espera na ordem dos 2 ou 3 minutos. Famílias, inclusivé com carrinhos de bebé (muitos), grupos de miúdos com os professores, toda a gente anda de transportes públicos sem problema. Nunca apanhei aquelas carruagens a abarrotar como acontece em Lisboa às 6 da tarde em que vai tudo como sardinha em lata. Tudo flui. Nunca vi engarramentos comos os da avenida da Liberdade, mesmo nas zonas mais movimentadas. Há muita gente de bicicleta na rua, novos e velhos. Não ouvi buzinas e de uma maneira geral pareceu-me uma cidade mais silenciosa. (os táxis são muito mas mesmo muito caros)

O que eu mais gosto quando visito uma cidade desconhecida é de passear na rua e ver tudo. Os prédios, as ruas, as pessoas, as lojas, os cafés, as comidas. Não fui visitar nenhum monumento, castelo ou igreja. Gosto de museus em doses moderadas. Por isso, grande parte do tempo foi passado simplesmente a andar e a deixar-me supreender-me pela diversidade da cidade: o bairro turco com os seus cheiros e cores específicos é completamente distinto da imponência das avenidas e dos edifícios no centro (Potzdamer Platz, Porta de Brandenburgo, Ilha dos Museus) que por sua vez não tem nada a ver, por exemplo, com o bairro da Nikolaikirche, com as suas pequenas ruas empedradas e casinhas que parecem de bonecas (e que descobri absolutamente por acaso). Não achei que Berlim fosse uma daquelas cidades maravilhosas, que nos cativa pela sua beleza, nada disso, passei por zonas bem feias, bem sujas, bem degradadas (e está assim como Lisboa estava há uns tempos, com obras em todo o lado, o que dificulta muito a sua fruição). Mas talvez se os passeios me tivessem levado por outros caminhos e jardins a sensação tivesse sido diferente. Precisava de mais tempo para ver bem uma cidade tão grande. 

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O Google Maps é bom mas também é bom ter um mapa à antiga, nem que seja para termos uma noção geral de como a cidade se organiza, de onde estamos e para onde queremos ir.

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publicado às 08:10

Voltei a São Miguel, Açores. Quando lá tinha estado, há dois anos, as low costs mal tinham começado a operar para o arquipélago e falava-se muito do impacto que isso iria ter. Agora, esse impacto é visível. Os voos vão cheios. Os hotéis estão lotados. Há novos hotéis e muitos alojamentos locais. Há trânsito em Ponta Delgada. Cafés à pinha, novos cafés, muitos novos negócios para turistas. Os restaurantes aonde há dois anos fomos comer têm agora lista de espera. Nos miradouros, é quase impossível estacionar e também é quase impossível ver a vista em silêncio. Mas já é possível comprar gelados e amendoins nas barraquinhas que pululam por todo o lado. Nas poças e lagos naturais, não há banhos tranquilos, há uma multidão dentro de água. Nas praias, escolas de surf. É o progresso. Não há como pará-lo. Já vimos isto acontecer no Algarve e na costa alentejana. As pessoas que ali moram têm direito ao progresso, como é óbvio. Mas para quem lá vai à procura de paz, de vida sem pressa e sem stress, de desfrutar da natureza no seu estado mais selvagem (é por isso que vamos aos Açores, não é? para fazer praia não vale a pena ir tão longe, parece-me) acaba por ser muito frustrante. Essas pessoas vão lá voltar?, pergunto-me. A gentrificação está a atravessar o oceano a uma grande velocidade.Talvez fosse bom pensar nisto, antes que seja tarde, para não permitir que durante a época alta a ilha se assemelhe a Vilamoura, mas com mais nevoeiro e chuva ocasional. Dizem-me que nas outras ilhas ainda não é assim. Ainda há esperança.

 

Voltei a São Miguel, Açores, e apesar de tudo foi muito bom. Por causa das pessoas, como sempre. E porque aquilo é verdadeiramente bonito. Tantos momentos para guardar. No sábado de manhã, fomos tomar um óptimo e demorado pequeno-almoço No Andar de Cima, da Catarina, a mesma mulher de garra que abriu o Louvre Michaelense e o restaurante vegetariano Rotas. E que é uma simpatia. Na Lagoa das Empadadas, um sítio lindo e onde ainda por cima não há rede de telemóvel e sentimo-nos mesmo longe de tudo, o Eric, que é sueco e já tinha apanhado um escaldão, pegou numa navalha e descascou um ananás que comemos aos pedaços, o sumo a escorrer-nos pelos dedos das mãos. Conheci uma pessoa que, como eu, não gosta de cerveja mas gosta de futebol e de tricot. Já era tarde mas conseguimos apanhar as últimas fatias do melhor bolo de ananás, que é o d'A Tasca. Nos Mosteiros, ficámos parados no meio da estrada, o carro rodeado de vacas. E elas passaram sem nos ligar nenhuma. A água quente a jorrar para as minhas costas, numa das fontes do Parque Terra Nostra. O azul, azulão, da água da Lagoa do Fogo e da Lagoa das Sete Cidades. A felicidade do Samuel e do Benjamim a dançar no palco do Teatro Micaelense. "No More Walls", a mensagem que o artista visual Spy deixou em Rabo de Peixe, para nos pôr a pensar. E o resto que está contado aqui e aqui.

 

Sou uma sortuda, eu sei.

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A fotografia é de Álvaro Miranda/ Walk&Talk.

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publicado às 23:19

05
Nov16

Can't stop

Nós a ouvir Red Hot Chili Peppers na auto-estrada, a voltar do Piódão.

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publicado às 09:15

02
Nov16

Na serra

Fizemos gazeta na segunda-feira, fabricámos um fim-de-semana prolongado e aproveitámos para fazer duas das coisas melhores do mundo: estar com as nossas pessoas e passear. Fomos ao Piódão.

Nós somos pessoas da planície, das estradas a direito e sem fim à vista e, às vezes, substituímos a planície pelo mar mas é mais ou menos a mesma sensação de infinito (e de liberdade). Nas minhas incursões à serra, por mais bonita que seja a paisagem, sinto-me sempre um bocadinho estranha, como se sofresse de claustrofobia. Não é só a dificuldade de conduzir naquelas curvas e contra-curvas, muito concentrada na linha tracejada que assinala o meio do caminho, a tentar afastar pensamentos maus, ai e se agora derrapo lá vou eu pela montanha abaixo. É mesmo aquela sensação de estar no fim do mundo e pensar mas como é que as pessoas moram aqui uma vida inteira e fazem o quê para se entreter e se agora precisasse de ir para o hospital como é que eu fazia? E olhem que eu não sou uma pessoa geralmente dada a estes pensamentos trágicos, acho sempre que vai correr tudo bem. Mas é isto que a serra me faz. De maneiras que fomos ao Piódão, que fica lá longe, e a paisagem é bonita e a aldeia também mas por algum motivo aquilo não me encheu as medidas. Quer fosse pelas curvas, quer fosse pelas portas de alumínio nas casas de xisto ou pelas lojas de recordações industrializadas como aquelas pantufas-dos-chineses-mas-a-fingir-que-são-da-serra.

Mas mesmo sem ter sido uma experiência avassaladora, foi muito bom. Porque passear é bom. Para os miudos, bastam duas noites num hotel e uma piscina e já ficam felizes. Juntemos a isto a companhia dos tios e dos primos, muitas brincadeiras e gargalhadas. E, depois, sim, é claro, a beleza do lugar é inegável. O silêncio da serra faz-nos bem. Andámos muito a pé por caminhos de terra a ver as árvores e a mexer nas pedras, a ouvir os passarinhos, a apanhar paus, a correr pelo campo e a aproveitar o sol na cara (esteve um tempo maravilhoso, tivemos imensa sorte), e, sim, foi muito fixe fazermos isto todos juntos, conhecer um sítio que não conhecíamos, aprender coisas novas, comer comidas diferentes (a broa de batata está aprovadíssima), desfrutar de paisagens que não são as nossas. No fim de contas, acho sempre que ganhamos algo quando saímos de casa. De tal maneira que já estamos a pensar quando é que podemos fazer a próxima escapadela, não é, mana?

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publicado às 18:49

Conheço a Joana embora não a conheça. Nunca nos encontrámos. Entrevistei-a uma vez, por telefone, quando estava a fazer um trabalho sobre pessoas que tinham decidido mudar de país e de vida, indo de armas e bagagens para outras paragens. No caso dela foi Angola. Ela mandou-me umas fotos e fomos mantendo o contacto (coisas boas das novas tecnologias) e até descobrimos que somos vizinhas - ou melhor, seríamos, se ela decidisse "assentar arraiais" em Lisboa. Mas isso nunca aconteceu. A Joana é uma viajante. E agora está de partida para (mais) uma aventura fantástica: durante um ano vai dar a volta ao mundo, com o marido e a filha. Conseguem imaginar? É uma loucura, não é? Mas uma loucura daquelas boas. Quem é que nunca sonhou fazer algo assim?

“Vocês são malucos!”, “Mas com a miúda?”, “Então, mas e os empregos?”, “Despediram-se?”, “Vocês são malucos!”, “Que inveja!”, “Adorava fazer isso”. Estas são, sem grandes diferenças, as reacções da família e dos amigos à notícia que é a sério. Vamos mesmo despedir-nos dos nossos empregos (nesta altura já o fizemos) e viajar à volta do mundo durante os próximos meses de 2016. - escreve a Joana no Hotel Globo, o blogue que criou para contar todos os pormenores da viagem. Com fotos maravilhosas, para que fiquemos ainda com mais inveja. E dicas para quem estiver a pensar fazer alguma coisa deste género. Quem preferir pode acompanhá-los no facebook.

globo.jpgBoa viagem Joana, Francisco e Mia. Obrigado por nos levarem convosco. Obrigado por nos fazerem sonhar. 

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publicado às 22:39


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