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A Gata Christie


Quarta-feira, 23.01.19

Malabarismo

Viver é como fazer malabarismo. Vamos ver quantas bolas conseguimos pôr a girar ao mesmo tempo. O trabalho, os miúdos, a casa limpa e arrumada, a família, os amigos, as contas para pagar, o amor, a despensa cheia, a saúde, os livros que queremos ler... Só que, ao contrário do malabarismo, na vida, quantas mais bolas estiverem a girar mais fácil a coisa fica. Mesmo. Até porque, assim, se, por algum motivo, deixarmos cair uma destas bolas, ou seja, se alguma coisa correr mal, teremos sempre outras bolas com que brincar.

Pensei isto no domingo à tarde enquanto via um grupo de rapazes de 14, 16, 18 anos, por aí, a brincar aos circos numa tenda montada no pátio de uma prisão. E também pensei (mais uma vez) como é tão fácil esquecermo-nos da sorte que temos.

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A fotografia é do Álvaro Isidoro/ Global Imagens.

E a reportagem que escrevi pode ser lida AQUI.

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por Gata às 21:32

Quinta-feira, 10.01.19

E se o meu melhor não for suficiente?

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por Gata às 08:28

Quinta-feira, 03.01.19

Descomplicar

Fui ver as Conversas Sérias da Marta Gautier e trouxe de lá algumas coisas para pensar e esta música dos Titãs que se chama Epitáfio e que fala de como tantas vezes perdemos tempo com coisas que não valem a pena em vez de nos concentrarmos naquilo que é realmente importante. Esse tem sido um caminho que me tenho esforçado por fazer nos últimos anos. Ainda não consigo completamente, como é óbvio. Ainda há muita coisa que me ocupa a cabeça e me tira noites de sono (quase sempre coisas relacionadas com os putos ou com trabalho). Ainda me irrito muito e desatino e perco o controlo (tantas vezes) e digo coisas absolutamente desnecessárias. Ainda desespero por vezes quando as coisas não são exactamente como eu gostaria e percebo que não consigo controlar tudo o que acontece na minha vida ou à minha volta. Mas, acreditem, já consegui livrar-me de muita tralha. Mesmo muita. Cada vez mais me afasto de conversas e de situações irrelevantes. Cada vez mais sei aquilo que (e quem) me interessa. Aceitar as imperfeições, minhas e dos outros. Encontrar a felicidade nas coisas pequenas. Dar o meu melhor a quem o merece. Escolher muito bem as minhas batalhas. Ignorar tudo o resto. É um caminho. Quero que seja o meu caminho, mesmo sabendo como é difícil.

Vamos lá, 2019.

"Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr"

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por Gata às 09:47

Sábado, 22.12.18

Nearness

Ontem à noite, no CCB, a Gisela João cantou isto. À sua maneira, como fez com o Silent Night ou com o Nature Boy, como se fossem fados acompanhados por uma orquestra e por um trio de jazz. E eu até me emocionei em alguns momentos. Porque é tão bonito. E porque é isto o importante da vida. 

"I need no soft lights to enchant me
If you will only grant me
The right to hold you ever so tight
And to feel in the night
The nearness of you"

The nearness of you, aqui por Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

 

Não vale a pena guardar por escrito as coisas más que nos acontecem. Não vale mesmo. Não quero guardar as discussões, as injustiças, as idiotices, as pessoas que me magoam, o tempo mal gasto, os tropeções, as tristezas, as lágrimas, a solidão. De tudo isso não quero guardar se não uma vaga memória. Um sinal, apenas, para me recordar dos erros que não quero repetir. Quero guardar, isso sim, os abraços apertados, as gargalhadas partilhadas com quem importa, aquele dia em que fomos todos ver o Bohemian Rhapsody e saímos de lá a cantar We will rock you como se todos os dias fossem felizes (e depois tive que explicar aos putos o que é a Sida), quero guardar os nossos fins de tarde na praia, as férias (as férias, as férias), o sol quente na pele, a felicidade no rosto deles, os momentos que passamos com os nossos amigos, as palavras bonitas, a cara dos miúdos, de boca aberta de espanto a verem a magia Impossível do Luís de Matos, as borboletas na barriga quando damos um beijo e nada mais interessa. Por estes dias quero que seja assim. Que a vida desabe à nossa volta, não quero saber. Vou fechar os olhos, ouvir a Ella ou a Gisela, e só vou pensar em coisas boas.

Feliz natal.

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por Gata às 09:45

Quarta-feira, 03.10.18

Deixa andar

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(e o difícil que isto é?)

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por Gata às 09:12

Quinta-feira, 27.09.18

Loading

Recebo avisos no mail: as (poucas) pessoas que seguem esta página já não sabem de mim há demasiado tempo. Não dá para não sorrir. Eu própria já não sei de mim há algum tempo, engolida todos os dias por preocupações e afazeres vários. Se não fosse assim nem seria um setembro digno desse nome. 

Há cinco anos publiquei aqui esta imagem. É impressionante como, entretanto, tudo mudou e nada mudou.

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Still loading.

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por Gata às 22:18

Quinta-feira, 10.05.18

Seis anos

Não chorei. Desliguei o telefone e não chorei. Passei a noite em claro. Não dormi um minuto que fosse e, depois, às sete da manhã fui tomar banho e acordar os miúdos e levá-los à escola como se não se passasse nada. O pai ficou a trabalhar, disse-lhes, ou outra coisa do género, e eles acharam normal porque já era normal o pai não estar. Lembro-me que caía uma chuvinha parva e eu andei muito a pé. E depois de ter a certeza que as coisas eram como eram e de perceber como as coisas seriam daí para a frente, só depois disso, fui para casa e chorei. O telefone entupido de chamadas perdidas e mensagens de amigos a falarem-me do Bernardo Sassetti. Também eles choravam. Há pessoas que morrem mas que na verdade continuam vivas em nós. E também há pessoas que continuam vivas mas que na verdade morrem para nós. Limpei os olhos e fui buscar os miúdos à escola. Estava estranhamente tranquila naquele momento, enquanto caminhávamos pela estrada de benfica e falávamos da escola, da festa do amigo do Pedro no dia seguinte e das coisas do costume.

Como nos espectáculos, a vida tem sempre de continuar.

E continuou.

Somos capazes de até ter dado umas gargalhadas.

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por Gata às 09:58

Sexta-feira, 03.11.17

Hoje

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por Gata às 17:04

Terça-feira, 05.09.17

Sou como sou

Isto é tão bonito que até me emocionei na primeira vez que vi este vídeo:

 Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Quand j’ai envie de rire
Oui je ris aux éclats
J’aime celui qui m’aime
Est-ce ma faute à moi
Si ce n’est pas le même
Que j’aime chaque fois
Je suis comme je suis
Je suis faite comme ça
Que voulez-vous de plus
Que voulez-vous de moi

Je suis faite pour plaire
Et n’y puis rien changer
Mes talons sont trop hauts
Ma taille trop cambrée
Mes seins beaucoup trop durs
Et mes yeux trop cernés
Et puis après
Qu’est-ce que ça peut vous faire
Je suis comme je suis
Je plais à qui je plais

Qu’est-ce que ça peut vous faire
Ce qui m’est arrivé
Oui j’ai aimé quelqu’un
Oui quelqu’un m’a aimée
Comme les enfants qui s’aiment
Simplement savent aimer
Aimer aimer…
Pourquoi me questionner
Je suis là pour vous plaire
Et n’y puis rien changer.

O filme foi realizado por Marion Auvin em 2014. O poema de Jacques Prévert (1900-1977) é uma ode à liberdade. Pode ter interpretações mais ou menos sexuais, para mim é apenas isto: não estar dependente da aprovação dos outros para viver a nossa vida. Estou sempre a voltar a isto. A lutar pela liberdade de sermos o que queremos ser, sem temer o juízo dos outros. É impossível, eu sei. Mas é mais uma luta a juntar a outras lutas pessoais e quotidianas. E é mesmo isto que me apetece dizer-vos neste momento em que nos preparamos para mais um

bom ano novo.

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por Gata às 09:58

Domingo, 23.07.17

Nunca esquecer

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(o mundo seria tão melhor se as pessoas pensassem bem antes de criticarem os outros)

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por Gata às 21:36



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