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10
Jul19

Sem palavras

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Da página 72 kilos

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publicado às 22:37

Ora aí está uma pergunta tramada. A pergunta atravessa o filme Índice Médio de Felicidade, de Joaquim Leitão, que vi esta semana na RTP1, e ficou a ecoar-me na cabeça tal como já tinha acontecido quando li o livro do David Machado há três anos.

De zero a dez, quão feliz sou eu?

Vamos lá pôr tudo numa balança. Os dias bons e maus nos trabalho. Os dias bons e maus dos meus filhos. A frustração por não ser melhor no trabalho. A frustração por não ser melhor em casa. As discussões com o meu adolescente. A família lá longe. A loucura dos dias. A conta bancária diminuta. As viagens que não vou poder fazer. Os pequenos privilégios que, apesar de tudo, tenho na minha vida. Os livros, os filmes, os concertos, os espectáculos. As pessoas que vou encontrando. Os sonhos que ficam por cumprir. As pequenas coisas boas que me vão acontecendo. Os amigos que estão presentes. Os amigos que estão ausentes. As conversas boas. A solidão cada vez maior. As gargalhadas que vou dando. As lágrimas que tantas vezes guardo. Os bons momentos. Os outros momentos. De zero a dez, quanta felicidade é esta?

Faço contas, penso em números. No livro e no filme, uma das coisas que fica clara é que este índice de felicidade pode mudar rapidamente, com pequenas coisas. Isto é verdade. Às vezes, basta um telefonema, uma notícia, uma pessoa, um momento, basta uma coisa qualquer para fazer com que tudo valha a pena e com que esqueçamos todas as coisas más (ou então, o contrário). Num momento sou a pessoas mais infeliz do mundo e só me apetece fugir, daí a um bocadinho já estou optimista e confiante, a achar que vou dar a volta a isto (ou então, o contrário). 

De zero a dez, quão feliz sou eu? E, mais importante ainda, o que é que eu posso fazer para aumentar esse número? Essa é que a verdadeira questão.

(já agora, o filme não é uma obra prima, mas não é nada mau)

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publicado às 17:29

10
Mai19

Sete anos

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publicado às 18:46

09
Mai19

Recomeços

"Vladimir: We could start all over again perhaps.
Estragon: That should be easy.
Vladimir: It's the start that's difficult.
Estragon: You can start from anything.
Vladmir: Yes, but you have to decide."

Waiting for Godot (1952), Samuel Beckett

 

No fim-de-semana fui ao Teatro Nacional D. Maria II ver o espetáculo Conversations Out Of Place, uma criação de Ivana Müller, e lembrei-me muito de Godot - e não foi só porque, tal como na peça de Beckett, também aqui o palco está praticamente vazio, apenas com uma árvore. Quatro personagens caminham perdidas numa floresta, não sabemos muito bem quem são nem de onde vêm, imaginamos que procuram o caminho de regresso a casa mas sem nunca alcançá-lo. Passam-se dias, semanas, meses. E nada mais lhes resta se não continuar a mexer-se (em câmara lenta) e a falar, pois enquanto se mexerem e enquanto falarem continuarão vivos. Mesmo que a deteterminada altura já não consigam lembrar-se para onde se dirigem nem porque continuam a caminhar. As conversas repetem-se mas já não interessa nada do que digam. É só preciso continuar. Tal como Estragon e Vladmir estão presos naquela encruzilhada, passam a vida a dizer "vamos" mas nunca vão, também estas personagens estão presas neste movimento permanente. A mensagem acaba por não ser tão desesperante quanto a de Godot mas não deixa de nos pôr a pensar. Estamos perdidos nesta floresta, e isso tem tanto de assustador como de desafiante. Iremos alguma vez encontrar o caminho para casa? Ou, como disse a minha amiga Cláudia, colocando o foco no livre arbítrio, teremos coragem para romper com o rame-rame da vida e fazer um verdadeiro esforço para encontrar o outro (para nos encontrarmos) ou seguimos a nossa vidinha fazendo aquilo que é esperado de nós, sem qualquer entusiasmo, sem objectivo?

Podemos sempre começar. Ou começar de novo. Mas para isso temos que decidir fazê-lo. Essa é a parte verdadeiramente difícil.

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publicado às 08:08

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Há tantos dias em que me apetece deitar a toalha ao chão. Nem imaginam. E depois há dias em que arregaço as mangas e vou lá, contra ventos e marés, não sou eu o capitão do meu navio?, ou lá como é que dizem os livros de auto-ajuda. Nunca desistir, nunca desistir, nunca desistir. Nem de nós nem dos outros. Ora vamos lá ver se conseguimos.

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publicado às 20:01

11
Mar19

À bolina

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É assim que levamos a vida. Todos os dias enfrentamos dificuldades, contrariedades, frustrações, desilusões. Uma solidão inconfessável. Um cansaço brutal. Aquela sensação de que estamos a falhar em todas as frentes. A culpa que nos consome. As derrotas que nos deixam de rastos. E no entanto é preciso não desistir. Navegamos à bolina na esperança de um dia chegarmos a bom porto.

Caraças. Podia ser um bocadinho mais fácil, não?

 

Imagem da página 72 Kilos

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publicado às 10:09

23
Jan19

Malabarismo

Viver é como fazer malabarismo. Vamos ver quantas bolas conseguimos pôr a girar ao mesmo tempo. O trabalho, os miúdos, a casa limpa e arrumada, a família, os amigos, as contas para pagar, o amor, a despensa cheia, a saúde, os livros que queremos ler... Só que, ao contrário do malabarismo, na vida, quantas mais bolas estiverem a girar mais fácil a coisa fica. Mesmo. Até porque, assim, se, por algum motivo, deixarmos cair uma destas bolas, ou seja, se alguma coisa correr mal, teremos sempre outras bolas com que brincar.

Pensei isto no domingo à tarde enquanto via um grupo de rapazes de 14, 16, 18 anos, por aí, a brincar aos circos numa tenda montada no pátio de uma prisão. E também pensei (mais uma vez) como é tão fácil esquecermo-nos da sorte que temos.

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A fotografia é do Álvaro Isidoro/ Global Imagens.

E a reportagem que escrevi pode ser lida AQUI.

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publicado às 21:32

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publicado às 08:28

03
Jan19

Descomplicar

Fui ver as Conversas Sérias da Marta Gautier e trouxe de lá algumas coisas para pensar e esta música dos Titãs que se chama Epitáfio e que fala de como tantas vezes perdemos tempo com coisas que não valem a pena em vez de nos concentrarmos naquilo que é realmente importante. Esse tem sido um caminho que me tenho esforçado por fazer nos últimos anos. Ainda não consigo completamente, como é óbvio. Ainda há muita coisa que me ocupa a cabeça e me tira noites de sono (quase sempre coisas relacionadas com os putos ou com trabalho). Ainda me irrito muito e desatino e perco o controlo (tantas vezes) e digo coisas absolutamente desnecessárias. Ainda desespero por vezes quando as coisas não são exactamente como eu gostaria e percebo que não consigo controlar tudo o que acontece na minha vida ou à minha volta. Mas, acreditem, já consegui livrar-me de muita tralha. Mesmo muita. Cada vez mais me afasto de conversas e de situações irrelevantes. Cada vez mais sei aquilo que (e quem) me interessa. Aceitar as imperfeições, minhas e dos outros. Encontrar a felicidade nas coisas pequenas. Dar o meu melhor a quem o merece. Escolher muito bem as minhas batalhas. Ignorar tudo o resto. É um caminho. Quero que seja o meu caminho, mesmo sabendo como é difícil.

Vamos lá, 2019.

"Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr"

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publicado às 09:47

22
Dez18

Nearness

Ontem à noite, no CCB, a Gisela João cantou isto. À sua maneira, como fez com o Silent Night ou com o Nature Boy, como se fossem fados acompanhados por uma orquestra e por um trio de jazz. E eu até me emocionei em alguns momentos. Porque é tão bonito. E porque é isto o importante da vida. 

"I need no soft lights to enchant me
If you will only grant me
The right to hold you ever so tight
And to feel in the night
The nearness of you"

The nearness of you, aqui por Ella Fitzgerald & Louis Armstrong

 

Não vale a pena guardar por escrito as coisas más que nos acontecem. Não vale mesmo. Não quero guardar as discussões, as injustiças, as idiotices, as pessoas que me magoam, o tempo mal gasto, os tropeções, as tristezas, as lágrimas, a solidão. De tudo isso não quero guardar se não uma vaga memória. Um sinal, apenas, para me recordar dos erros que não quero repetir. Quero guardar, isso sim, os abraços apertados, as gargalhadas partilhadas com quem importa, aquele dia em que fomos todos ver o Bohemian Rhapsody e saímos de lá a cantar We will rock you como se todos os dias fossem felizes (e depois tive que explicar aos putos o que é a Sida), quero guardar os nossos fins de tarde na praia, as férias (as férias, as férias), o sol quente na pele, a felicidade no rosto deles, os momentos que passamos com os nossos amigos, as palavras bonitas, a cara dos miúdos, de boca aberta de espanto a verem a magia Impossível do Luís de Matos, as borboletas na barriga quando damos um beijo e nada mais interessa. Por estes dias quero que seja assim. Que a vida desabe à nossa volta, não quero saber. Vou fechar os olhos, ouvir a Ella ou a Gisela, e só vou pensar em coisas boas.

Feliz natal.

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publicado às 09:45


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