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Acordar sem planos. A casa em silêncio num domingo de manhã. A Rita Lee só para disfarçar. Combater a preguiça e ir para a rua. Andar de metro. Passear a pé, por entre os chuviscos. Comer bagels no Pois Café. Deixar-me ficar no quentinho com um café americano e o livro novo da Isabel Allende. As fotografias do Alfredo Cunha. Fugir da chuva. Uma súbita vontade de tricotar. Comprar dois novelos de lã. Sentar-me no sofá a contar malhas e carreiras enquanto passam filmes românticos na televisão. Abraçá-los muito quando eles chegam com as suas mochilas e conversas e risos que me desarrumam a casa e o coração. 

Enquanto houver abraços está tudo bem.

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A exposição "O Tempo das Mulheres", de Alfredo Cunha está no Torreão Poente, Museu de Lisboa (no Terreiro do Paço) até 31 de janeiro.

publicado às 10:01

As alterações climáticas, o plástico, a carne de vaca e a Greta Thunberg, o Valete, a violência doméstica, o poder da música e a liberdade artística, os homens e as mulheres, as casas de banho mistas e os brinquedos para meninos e para meninas (ainda? sim, ainda), a campanha, as eleições, uma candidata gaga, ser de esquerda ou direita, o Tarantino e o Almodóvar, os putos, a escola, os horários, os trabalhos de casa, os testes (a rotina toda de volta), os homens, ai, os homens, o sexo (qual sexo?), envelhecer, adoecer, os medos, dizer a palavra cancro muitas vezes, celebrar a vida, sempre, as notícias, as notícias falsas, os cliques, o jornalismo em decadência, os jornais em agonia (e tanto que havia a dizer sobre isto), as mudanças que desejamos, as mudanças a que a vida nos obriga, as pessoas de que gostamos e as pessoas de que não gostamos. Gargalhadas. Muitas. E abraços.

Nunca subestimem o poder terapêutico das boas conversas e das boas amizades. 

E ainda isto, por causa de angústias várias:

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publicado às 14:25

18
Set19

Ilusões

Setembro também é isto: aquele momento em que me delicio por vê-los tão crescidos, cada um à sua maneira, em que ainda não há testes nem muitos trabalhos, em que eles todos os dias têm novidades para contar e parecem entusiasmados e em que ainda acredito (acreditamos todos, acho) que isto tem tudo para correr bem. Pode ser que este ano os putos estejam mais concentrados e eu não tenha que me chatear tanto, penso, porque não?, pode ser...

E depois acordamos.

publicado às 23:41

04
Set19

Regresso

Ao segundo dia de trabalho, a tendinite voltou a dar um ar da sua graça. A minha agenda parece um jogo de tetris, mas na fase final, em que já estamos desesperados sem saber onde encaixar as peças. Ontem almocei em frente do computador e, só ao fim do dia, com a cabeça a latejar, me apercebi que tinha passado nove horas ali enfiada, sem sequer sair para apanhar ar. Hoje saí de casa antes do sol nascer para mais um turno na fábrica. E, cereja no topo do bolo, irei trabalhar no fim-de-semana.

Houve uma altura, há muito tempo, em que gostava de setembro. Da sensação de recomeço, depois das férias. Do cheiro dos livros novos, dos cadernos em branco, daquela incógnita antes de conhecer os professores e os colegas e as matérias que iria estudar, de regressar às rotinas e do conforto de vestir um casaco nas noites que ficavam mais frescas. Depois comecei a trabalhar. E setembro não só perdeu o seu encanto como passou a ter o sabor de uma falsa partida: aquele novo começo que na verdade não é mais do que um regresso ao rame-rame do costume (e temos que nos dar por contentes, ao menos há um rame-rame a que voltar, não é?).

Sei que envelheço por causa da pele enrugada nas mãos e das manchas na cara ("tens pano", anunciou-me a minha mãe outro dia, e eu fui olhar-me no espelho com atenção para ver este nevoeiro que me cobre a pele), dos quilos que se acumulam nas ancas e da ferrugem nas articulações. Também sei que envelheço por causa disto: cada vez morrem mais pessoas à minha volta, não tenho paciência para me chatear com merdices e não gosto de setembro. 

E ainda nem começaram as aulas.

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publicado às 09:59

Todos os anos, chego a esta altura do ano com aquela sensação de que não sei se irei aguentar mais um ano disto. Que atingi o limite das minhas forças. Todos os anos é mais difícil. Todos os anos há problemas novos. E discussões. E dores de cabeça. Todos os anos me sinto a pior mãe do mundo ao longo de nove longos meses. Todos os anos suspiro de alívio quando, finalmente, isto acaba - e acaba cada vez mais tarde. Desta vez só acabou esta semana com a publicação das notas dos exames do 9º ano e a confirmação de que o rapaz lá conseguiu ser "aprovado", porque ele quando se esforça até consegue, o problema é que na maior parte do tempo não lhe apetece esforçar-se muito. Portanto, prova superada. 

Para o ano logo se vê.

Até lá, respiramos.

A vida não fica perfeita só porque já não temos que pensar na escola mas fica mais leve, com menos obrigações, com menos stress, com menos motivos para nos zangarmos. É aproveitar. É aproveitar mesmo, o máximo possível, ainda que este ano a cabeça continue cheia de milhentas outras preocupações e a respiração se faça com dificuldade. Não temos muitos motivos para sorrir nos dias que correm, mas temos este: os rapazes estão de férias. 

publicado às 19:59

My favourite things por You Sun Nah.

 

Podia queixar-me do trabalho e dos meus chefes, podia queixar-me dos meus filhos, das contas para pagar, da falta de tempo, da falta de paciência, da falta de perspectivas. Teria bons motivos para me lamentar, não duvidem. Mas hoje não me apetece. Hoje apetece-me fingir que está tudo bem e continuar a empurrar a vida com a barriga como se não fosse nada. Ouvir esta música. E o que tiver de ser, será.

publicado às 16:07

25
Abr19

Parece simples

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Mas na verdade não é.

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publicado às 17:31

18
Abr19

C'est la vie

Claro que me entristeceu o incêndio da catedral de Notre-Dame, em Paris, mas não me parece que tenha sido uma catástrofe nem que tenha ali ardido "parte da humanidade" como vi escrito nos jornais. Uma casa é uma casa, não é uma pessoa. A história é importante mas é história, não é como se conseguíssemos ou sequer nos esforçássemos para guardar toda a nossa história. A Europa é a Europa, não é o mundo. Um símbolo é um símbolo, não é a vida. Este é o meu ponto de vista, respeito os que pensam de outra forma mas não me convencem que uma catedral queimada vale a minha consternação para além de um "oh, que pena".

Na nossa viagem de família a Paris estivemos à porta de Notre-Dame. Era o nosso último dia e a fila era enorme. A Cecília contou aos miúdos a história do Corcunda mas não entrámos. Já não teremos oportunidade de ver "aquela" catedral tal como era. C'est la vie, diriam os franceses. A vida é feita daquilo que fazemos e também daquilo que não fazemos. 

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publicado às 09:14

Bia Ferreira, Cota não é esmola

Estas últimas semanas não têm sido fáceis. Muito trabalho (bom trabalho, mas muito). O Pedro esteve doente. Depois eu estive doente. E nem me atrevo a queixar-me muito porque nos dias que correm, com tanta coisa má que acontece à nossa volta, uma gripe nem sequer é doença que valha a pena mencionar. Estas últimas semanas não têm sido fáceis. Também porque o mundo está um lugar cada vez mais perigoso.

Mas depois ouvimos esta Bia brasileira e maravilhosa e, nem que seja por uns instantes, acreditamos que coisas boas ainda vão acontecer.

Coisas boas vão acontecer. (repetir quantas vezes forem necessárias)

publicado às 16:44

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(isto apareceu-me hoje nas memórias do Facebook. de há três anos. e continua a fazer todo o sentido)

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publicado às 09:13


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