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A Gata Christie


Segunda-feira, 14.05.18

O que fazemos a pensar no ambiente

As notícias são alarmantes mas, de alguma forma, parece que não tocam a maioria das pessoas. O rio Tejo completamente poluído. A falta de água em países longínquos. A falta de água no nosso país. Os plásticos que se acumulam no mar. A destruição da Amazónia. E só estou a falar das notícias mais sonantes, há mais, muito mais. Como é possível que não estejamos todos preocupados?, é o que muitas vezes me pergunto. Na semana passada, falei com a Ana Pêgo, bióloga e educadora ambiental, responsável pelo projeto Plasticus Maritimus (é muito fixe, deviam seguir o link e ir lá ver) e ela dizia-me que, hoje em dia, aos três "R" da sustentatibilidade (Reduzir, Reutilizar, Reciclar) se deveria juntar um quarto "R", talvez ainda mais importante, para Recusar. Porque, diz ela, há coisas com as quais não devíamos mesmo ser condescendentes. São demasiado importantes. Fiquei a pensar nisso. O que faço eu para proteger o ambiente? Será suficiente? O que poderei mudar?

 

1. Limitar o consumo

Esta é uma coisa que faço naturalmente, não por motivos ecológicos ou filosóficos sequer, mas porque sou mesmo assim, desde sempre. Odeio comprar coisas. Roupas, sapatos, malas, brinquedos, móveis, cortinados, lençóis, o que for. Compro o mínimo possível. Em parte por questões financeiras, é óbvio, mas em grande parte porque é algo que não me dá prazer nenhum. Sim, gostava de ter uma casa toda em branco, com quadros nas paredes e objectos de design mas não tenho paciência. Digo sempre que vou comprar qualquer coisa mas acabo por ir adiando e por ir arranjando algo mais importante para fazer. Sim, gostava de abrir o armário e ter lá roupa gira para vestir. Mas não me lembro da última vez que comprei alguma peça de roupa para mim, acho mesmo que neste último inverno não comprei nada. Entretanto, percebi que esta aversão às compras é mais do que isso. É uma maneira de estar no mundo. De recusar o acessório e o superficial, de me centrar no que é importante. Na prevalência do ser sobre o ter. E também percebi que comprar só o que faz falta é uma atitude ecológica. Comprar menos para que se produza menos, para poupar os recursos, reduzir gastos energéticos, diminuir a poluição e evitar o desperdício.

2. Consumir com consciência

Aqui é mais difícil, confesso. Gostava de ser uma pessoa que sabe exactamente o que está a comprar - que boicota as marcas que usam mão de obra infantil e que não permitem tempos de descanso, as que destroem as florestas e poluem os rios. Não sou essa pessoa. Como consumo pouco desculpo-me dizendo que não hão de ser aqueles três pares de meias que vão mudar o mundo, mas sei que isto é só desculpa de mau pagador. Compenso evitando os sacos dos supermercados e escolhendo sempre que possível as embalagens maiores dos produtos, sejam detergentes ou iogurtes (já eliminei os pacotinhos individuais de leite ou de sumo da minha lista de compras). Estou muito mais atenta às embalagens desnecessárias. Evito palhinhas e talheres de plástico. Por outro lado, tento ter algum cuidado na alimentação - por uma questão de saúde mas também ambiental. Sou exigente na escolha dos ovos, preocupo-me com a origem da carne e do leite, por exemplo. Não sou fundamentalista com os legumes até porque a maior parte deles vão acabar na sopa e custa muito pagar caro por umas cenouras que vão acabar em puré. Falho muito, sei que tenho de melhorar mas vou me esforçando (e saber o que fazemos errado é meio caminho para mudar).

3. Reciclar

Cá em casa somos bons a reciclar. Todo o lixo é separado, todo, vidros, papéis e embalagens, sem distracções. Ainda levamos as tampas de plástico para a escola. E, claro, reciclamos tudo o que for possível, a começar pela roupa que vem do primo para o António, passa depois para o Pedro e ainda segue viagem para mais alguém (ou então transforma-se em esfregão). O mesmo para a minha roupa, os livros e os brinquedos. Verificamos sempre se há a quem sirva antes de pensar em pôr no lixo. Eu reciclo tanto que até os cortinados da sala ou os individuais da cozinha vieram reciclados da casa da minha irmã. 

4. Poupar

Ui. Ponto crítico. Luto todos os dias contra o desperdício. Seja na comida, guardando restos em tuperwares e comendo tudo antes que se estrague (nem sempre acontece). Seja na energia - apagar luzes, desligar electrodomésticos, evitar acender luzes, encurtar os banhos, fechar as torneiras. Tanto ainda por batalhar aqui... Uma vitória: há já uns meses, quando se começou a falar da seca, decidimos colocar um balde na banheira, para a água que corre enquanto esperamos que saia a água quente. E depois usamos a água do balde na sanita. Não dá muito - evitamos três descargas diárias, mais coisa menos coisa. Mas já é alguma coisa. Os miúdos aderiram imediatamente. A casa-de-banho tem andado um bocadinho mais badalhoca mas paciência. É a nossa pequena contribuição.

5. Agir

Ainda outro dia houve uma campanha muito gira para pôr os miúdos a plantar árvores em Lisboa e eu andei a ver o site e a fazer planos mas depois aconteceu qualquer coisa que nos trocou as voltas e não fomos. Isto acontece-nos muito e é contra isto que temos de lutar. Temos que nos envolver mais. Este é um problema cívico. É preciso alertar toda a gente para os problemas da falta de água, do excesso de detritos, da destruição da natureza, da poluição extrema, do excesso de plástico, do aquecimento global. São problemas nossos e dos nossos filhos e netos. Que nos afectam directa ou indirectamente. É preciso passar a palavra. E fazer o que está ao nosso alcance. Por exemplo, escrever um post sobre o asunto. 

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por Gata às 21:12

Domingo, 15.04.18

A felicidade nas coisas pequenas (XXXV)

Foi uma semana cheia de imprevistos, desilusões, coisas más, desmotivação geral, chuva e hormonas aos saltos. Mas também foi uma semana com:

A Marta Gautier a explicar a diferença entre "alfas" e "betas" no espetáculo Pessoas Estranhas.

Almoçar sozinha (entretida com as conversas das outras mesas) a comida bem boa de A Luz Ideal.

As vidas banais da série Easy, no Netflix.

Fazer biscoitos. Molhá-los no leite morno.

Jantar em casa de amigos. Beber vinho. Trocar confidências. Gargalhar.

Cometer loucuras, porque é bom.

O jogo que importa foi ganho pelos nossos miúdos.

Os abraços deles (mesmo quando são umas pestes). 

Um fim-de-semana inteiro quase offline. Neste momento, desligar é a palavra de ordem cá em casa.

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Quando te sentires a perder o pé, flutua. Recupera o fôlego. E continua.

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por Gata às 22:38

Terça-feira, 10.04.18

Como era suposto

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E isto aplica-se a quase todos os aspectos da nossa vida. 

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por Gata às 23:11

Quinta-feira, 08.02.18

Respirar

1. Fui almoçar ao Mezze, o restaurante de comida do médio Oriente no Mercado de Arroios que abriu em setembro do ano passado e que tem também como missão fomentar a integração de refugiados sírios. Tenho acompanhado o projecto nas redes sociais mas ainda não tinha tido oportunidade de lá ir. Aconselho mesmo. Boa comida, boa onda. Não vos consigo dizer o que comi (e também não tirei fotos) mas era tudo bom e em quantidade mais do que suficiente. Não é propriamente barato (paguei 17 euros) mas vale a pena a experiência. Fiquei com vontade de voltar e experimentar outros pratos.

2. Fui ao cinema. Tenho visto muitos filmes no computador, admito, mas esta é sempre uma solução de recurso. Nada se compara a ver um filme no grande ecrã. Gosto mesmo de ir ao cinema, mesmo que seja numa matiné às duas da tarde, numa sala quase vazia, só com meia dúzia de velhotas. Fui ver o Phantom Thread/ Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson, com Daniel Day-Lewis e Vicky Krieps. É a história de um estilista muito conceituado, requisitado pela senhoras da alta sociedade, na Londres na década de 1950. E de como a jovem Alma consegue penetrar nesse seu mundo cheio de regras e de rotinas. É um filme muito bonito. Muito bem realizado. Muito bem interpretado. Com uma música obsessiva de Johny Greenwood. Cheio de mistérios e de vestidos lindos. É também um filme sobre aparências. E sobre o amor (parece que andamos sempre a falar do mesmo). E de como o amor nem sempre é como nós achamos que devia ser.

 3. A música de Sufjan Stevens. A música que ele fez para Call Me By Your Name e as outras, algumas que eu já conhecia e outras que não conhecia. Tem sido a minha banda sonora nos últimos dias.

Ainda não fui ver o mar. Mas um dia de folga a meio da semana, com isto tudo e ainda a passear sozinha ao sol pelas ruas de Lisboa, em silêncio, pode ser suficiente para recuperar a energia. Respirar. Para não sufocar.

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por Gata às 11:23

Domingo, 04.02.18

O Gato

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Os miúdos andavam há anos a pedir um animal. Um cão, era a sua primeira opção. Mas quando lhes explicava que não tínhamos condições para ter um cão faziam como a Amélia e pediam um gato, um hamster, um coelho, um piriquito, um peixe, uma tartaruga, o que fosse. Um animal. Eu sempre reticente. A vida já era tão complicada como era, íamos agora complicá-la ainda mais? Mas depois conhecemos este gatinho adorável. Um gato de rua, habituado a saltitar por entre quintais numa aldeia no Alentejo e a lutar pela sua sobrevivência. A lutar mesmo. Era ainda bebé quando, numa escaramuça com outros gatos, perdeu um olho. A minha madrinha levou-o ao médico, tratou dele e acolheu-o enquanto procurava alguém que o quisesse adoptar. Quando os miúdos o conheceram, em outubro, ficaram logo apaixonados. Mais o António do que o Pedro (o Pedro adora animais mas, já se percebeu, é mais uma "dog person", a sua maneira de interagir com os bichos tem mais a ver com corre, lança, brinca do que com colinhos e miminhos). Fizeram-me a cabeça em água e eu sempre a dizer que não. Até que um dia, o António, com aquele jeititinho dele, disse que já sabia o que queria de prenda de anos. Não havia como continuar a resistir, pois não?

Fomos buscá-lo há uma semana. Chamámos-lhe Bandido, em homenagem ao gato da avó, que os miúdos adoravam e que morreu há uns anos. O Bandido era grande companheiro do António quando ele era bebé. A primeira palavra que ele disse não foi mãe nem pai, foi "babo" (gato). Ainda tentei que lhe chamassem David Bowie mas não sei porquê os miúdos não acharam graça. Também seria giro que se chamasse Gato, só Gato, numa homenagem à Gata original, 20 anos depois. Mas não. Ficou Bandido, nome de gato só com um olho mas super mimoso. Lá temos que passar a vida a aspirar e a mudar areias e a acender velas para afugentar os maus cheiros. Lá temos que ter mais a preocupação de ter comida de gato em casa e gastar ainda mais dinheiro e levá-lo ao veterinário e provavelmente até levá-lo de férias connosco. Não, não havia necessidade nenhuma disto, há que reconhecer. Mas até agora tem sido uma alegria.

E no meio de todas as preocupações e stresses e discussões e testes e tudo e tudo, quando tudo parece perdido e só nos apetece ficar debaixo das mantas até que o inverno acabe, e mesmo assim olhamos para a frente e não vislumbramos um raio de sol em lado nenhum, o facto de o Bandido ter entrado na nossa vida, enredando-se nas nossas pernas a ronronar de felicidade, não só nos salvou este catastrófico início de ano como nos recordou aquilo de que tantas vezes nos esquecemos: tudo está bem quando temos um prato de comida e um colo quentinho.

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por Gata às 08:42

Domingo, 28.01.18

Era só isto

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Assim por uns dias. Sozinha. E depois voltava.

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por Gata às 22:03

Segunda-feira, 01.01.18

2017 a modos que assim

Tenho dificuldade em fazer um balanço de 2017. Foi um ano tépido. Sem muito que se lhe diga. Sem viagens inesquecíveis. Sem paixões arrebatadoras. Sem mudanças drásticas nas nossas vidas. Foi um ano de altos e baixos, como todos, cheio de momentos bons e de momentos maus e de momentos que são apenas a vidinha a arrastar-nos para a frente. Repito-me, eu sei, mas é a verdade. Valha-nos a felicidade nas coisas pequenas. O sorriso dos putos cada vez mais crescidos. O cheiro de um bolo no forno. O colo das minhas pessoas. Olhar o mar. A alegria de voltar a casa, no Alentejo. Os livros, os filmes, as músicas e toda a arte que nos enriquece. Os amigos, até mesmo aqueles que quase não vejo mas que estão sempre presentes. O amor que pomos nos pequenos gestos. O ano termina e fico feliz com a certeza de que estou a fazer o melhor que posso, o que acho mais correcto, aquilo em que acredito - na minha vida pessoal, profissional, social. E estas são as únicas armas que tenho para enfrentar este 2018 que ainda agora chegou e já tem tudo para correr mal.

"Absolute Beginners", David Bowie

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por Gata às 12:30

Terça-feira, 05.12.17

Que venha o natal

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Não fizemos a árvore de natal logo no dia 1, porque eu estava a trabalhar e os miúdos estiveram em casa dos avós, mas, no domingo à noite, tivemos o nosso momento "entrar no espírito de natal" com direito a gorros vermelhos na cabeça e cantorias ao som da Mariah Carey e tudo e tudo. Que venha dezembro, rapidamente e em força, para nos fazer esquecer este novembro horrível que vivemos. Ainda há testes esta semana e trabalhos para terminar no fim-de-semana, ainda não comprei uma única prenda nem tenho grandes ideias sobre o que vou comprar, tenho um orçamento muito muito muito limitado, ah, e ainda tenho de trabalhar, claro, mas, sinceramente, na minha cabeça já estou no Alentejo, a aquecer-me na lareira e a comer pastéis de grão.

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por Gata às 09:55

Domingo, 26.11.17

Como é que conseguem?

Acabei de escrever as minhas lamentações e fui dar uma volta pela internet. No meu facebook e no meu instagram encontro gente no Vietname, na Tailândia, no Japão, nos Açores, gente a conviver no Alentejo, a passear por Lisboa e a apanhar sol na praia, crianças a brincar, amigos que se encontram, em jardins, em exposições, em concertos (agora foi o Mexefest, antes tinham sido o Father John Misty, os Xutos, The National...), a tomar brunches em esplanadas, a beber copos algures por aí.

Definitivamente, estou a fazer algo de errado na minha vida. Algo de muito errado. Só que (a não ser deixar de trabalhar nas folgas, como aconteceu no domingo passado e voltou a acontecer este sábado, sem qualquer compensação, o que me desarranjou completamente a agenda) não tenho a mais pequena ideia do que poderei mudar.

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por Gata às 22:19

Domingo, 26.11.17

Rame-rame (2)

Precisava de mais horas na minha vida. Estas não me chegam. Para trabalhar, para tratar da casa e ir às compras e preparar as refeições, para os treinos e jogos de futebol, para as aulas de bateria, para os trabalhos de casa, para ajudar os miúdos a estudar para os testes (esta semana, quatro dias de aulas, o Antonio vai ter quatro testes e o Pedro dois; na próxima semana, mais quatro dias de aulas, cada um deles tem três testes) - e eu a trabalhar aos fins-de-semana, sem maneira de me escapar, este que passou, o outro que aí vem, eu estourada, a adormecer todas as noites no sofá, embrulhada na manta, nem um filme consigo ver. Precisava de mais horas na minha vida, porque também precisamos de tempo para descansar e para passear e para não fazer nada, e não temos tido nada disso. Já nem digo tempo para mim, mas tempo para nós, para nos lembrarmos como gostamos uns dos outros e como é não estarmos sempre a implicar e a discutir, vai arrumar a roupa, vão tomar banho, desliga o telefone, vai estudar, venham para a mesa, despachem-se. Precisava mesmo de mais horas na minha vida.

Precisava de tempo. Para viver.

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por Gata às 18:16



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