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Todos os anos, chego a esta altura do ano com aquela sensação de que não sei se irei aguentar mais um ano disto. Que atingi o limite das minhas forças. Todos os anos é mais difícil. Todos os anos há problemas novos. E discussões. E dores de cabeça. Todos os anos me sinto a pior mãe do mundo ao longo de nove longos meses. Todos os anos suspiro de alívio quando, finalmente, isto acaba - e acaba cada vez mais tarde. Desta vez só acabou esta semana com a publicação das notas dos exames do 9º ano e a confirmação de que o rapaz lá conseguiu ser "aprovado", porque ele quando se esforça até consegue, o problema é que na maior parte do tempo não lhe apetece esforçar-se muito. Portanto, prova superada. 

Para o ano logo se vê.

Até lá, respiramos.

A vida não fica perfeita só porque já não temos que pensar na escola mas fica mais leve, com menos obrigações, com menos stress, com menos motivos para nos zangarmos. É aproveitar. É aproveitar mesmo, o máximo possível, ainda que este ano a cabeça continue cheia de milhentas outras preocupações e a respiração se faça com dificuldade. Não temos muitos motivos para sorrir nos dias que correm, mas temos este: os rapazes estão de férias. 

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publicado às 19:59

My favourite things por You Sun Nah.

 

Podia queixar-me do trabalho e dos meus chefes, podia queixar-me dos meus filhos, das contas para pagar, da falta de tempo, da falta de paciência, da falta de perspectivas. Teria bons motivos para me lamentar, não duvidem. Mas hoje não me apetece. Hoje apetece-me fingir que está tudo bem e continuar a empurrar a vida com a barriga como se não fosse nada. Ouvir esta música. E o que tiver de ser, será.

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publicado às 16:07

25
Abr19

Parece simples

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Mas na verdade não é.

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publicado às 17:31

18
Abr19

C'est la vie

Claro que me entristeceu o incêndio da catedral de Notre-Dame, em Paris, mas não me parece que tenha sido uma catástrofe nem que tenha ali ardido "parte da humanidade" como vi escrito nos jornais. Uma casa é uma casa, não é uma pessoa. A história é importante mas é história, não é como se conseguíssemos ou sequer nos esforçássemos para guardar toda a nossa história. A Europa é a Europa, não é o mundo. Um símbolo é um símbolo, não é a vida. Este é o meu ponto de vista, respeito os que pensam de outra forma mas não me convencem que uma catedral queimada vale a minha consternação para além de um "oh, que pena".

Na nossa viagem de família a Paris estivemos à porta de Notre-Dame. Era o nosso último dia e a fila era enorme. A Cecília contou aos miúdos a história do Corcunda mas não entrámos. Já não teremos oportunidade de ver "aquela" catedral tal como era. C'est la vie, diriam os franceses. A vida é feita daquilo que fazemos e também daquilo que não fazemos. 

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publicado às 09:14

Bia Ferreira, Cota não é esmola

Estas últimas semanas não têm sido fáceis. Muito trabalho (bom trabalho, mas muito). O Pedro esteve doente. Depois eu estive doente. E nem me atrevo a queixar-me muito porque nos dias que correm, com tanta coisa má que acontece à nossa volta, uma gripe nem sequer é doença que valha a pena mencionar. Estas últimas semanas não têm sido fáceis. Também porque o mundo está um lugar cada vez mais perigoso.

Mas depois ouvimos esta Bia brasileira e maravilhosa e, nem que seja por uns instantes, acreditamos que coisas boas ainda vão acontecer.

Coisas boas vão acontecer. (repetir quantas vezes forem necessárias)

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publicado às 16:44

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(isto apareceu-me hoje nas memórias do Facebook. de há três anos. e continua a fazer todo o sentido)

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publicado às 09:13

17
Out18

Circo

Tenho cada vez menos paciência.

Para pessoas que não me interessam. Para conversas que não me interessam. Para trabalhos que não me interessam. Para coisas em geral que não me interessam. Tenho cada vez menos paciência para multidões. Para os restaurantes da moda. Para a moda em geral. Para os eventos a que toda a gente vai. Para o facebook. Para o instagram. Para os blogues. Para os lives em todas as plataformas. Para as polémicas nas redes sociais. Para os likes. Para os grupos no whatsapp. Para o ruído. 

Tenho cada vez menos paciência para todo este circo.

Só me resta perceber se isso é sinal de grande maturidade ou de grande depressão.

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publicado às 19:13

13
Out18

Da beleza

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Sentada na plateia, a deliciar-me com o espetáculo Os seis concertos brandeburgueses, de Anne Teresa de Keersmaeker, pensei na sorte que tenho. Por poder desfrutar de tamanha beleza. Por poder ficar ali, durante duas horas, a ouvir a música de Bach (tocada ao vivo por uma orquestra, o que faz toda a diferença) e a deixar-me levar pelos movimentos dos bailarinos. Maravilhosos. 

Era exactamente aquilo que eu precisava ontem à noite.

A semana foi horrível. Discussões com os putos, trabalho merdoso, angústias várias, aquela sensação de que estou a fazer tudo errado (é oficial: o efeito das férias já passou, estamos de volta ao momento em que estávamos antes de junho). E a culminar: antes de ir para a Culturgest, passei num velório, para dar um beijinho a um amigo que acabou de perder a sua pessoa. 

Só me apetecia fugir.

E depois isto. Deixar-me ir. A tensão a desaparecer do corpo e o sorriso a instalar-se na cara. Sim, sou mesmo uma pessoa com sorte. Mas às vezes esqueço-me.

mais uma sessão esta tarde, às 19.00. Aproveitem.

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publicado às 09:48

"Life is not just about glory", disse o Cristiano Ronaldo depois de ganhar a Liga dos Campeões e quando já se preparava para deixar o Real Madrid. Nem tudo se resolve com milhões. Até o Ronaldo quer estar num clube onde se sinta amado.

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O pontapé de bicicleta, contra a Juventus, a 3 de abril de 2018

 

Queria ter coisas importantes e bonitas para escrever aqui mas nem sempre isso acontece ou então sou eu que estou numa fase em que nada me parece suficientemente importante ou bonito para estar aqui. há coisas importantes de que não me apetece falar. e há coisas bonitas, que são as do costume e as que me salvam sempre da voragem dos dias. isto passa, como sempre. entretanto vejam os jogos de mundial que de vez em quando há por lá coisas bonitas a acontecerem. ou em alternativa vejam o ténis, que também tem valido muito a pena.

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publicado às 23:12

Em dezembro de 2001, o romancista americano Michael Peterson ligou para o 911 pedindo ajuda para a mulher que tinha caído das escadas. Quando os médicos chegaram, poucos minutos depois, encontraram a mulher de Peterson morta e ensanguentada. Todo o cenário, com o sangue nas paredes, parecia mais de um crime do que de uma simples queda nas escadas. E o principal suspeito era o marido, que era a única pessoa que se encontrava em casa nessa noite.

The Staircase, que está disponível no Netflix, é uma série documental realizada pelo francês Jean-Xavier de Lestrade entre 2001 e 2012 e que acompanha todo o processo judicial de Michael Peterson - do ponto de vista da defesa. São 13 episódios de 45 minutos. Às vezes torna-se um pouco cansativo, confesso. Mas para quem se interessa pelo modo como a justiça funciona é fascinante. Ver como os advogados pensam, acompanhar todos os passos do inquérito, os testemunhos dos filhos, a investigação ao passado daquela família, as provas, as dúvidas, as simulações do tribunal, o que dizem os cientistas, como decidem os jurados. As voltas e reviravoltas. 

Foi crime? Foi acidente? Foi ele? Não foi ele? 

Independentemente do que seja a verdade, há aqui muita matéria para reflectir.

Primeiro, que nunca poderemos saber realmente o que se passa dentro da casa das outras pessoas, o que falam, como se relacionam, o que escondem. Podemos achar que conhecemos as outras pessoas mas não poderemos ter a certeza de nada.

Depois, que nenhuma pessoa resistiria a uma investigação total à sua vida. Por muito que nos consideremos honestos e transparentes, todos temos segredos, todos já mentimos em alguma ocasião, todos temos as nossas coisas, que nos parecem coisas sem importância mas que, quando expostas numa sala do tribunal, fora do contexto, se podem transformar em coisas muito importantes.

Finalmente, é impossível ficarmos indiferentes ao desgaste que esta família sofre ao longo destes anos. O Peterson que aparece no último episódio a ouvir a música de Leonard Cohen é um homem completamente diferente daquele que vimos no início, a contar como, antes de tudo acontecer, passou o serão a beber um copo de vinho e a conversar com a mulher, Kathleen, na beira da piscina. 

É uma pena que a vida não seja como um conto da Agatha Christie, sempre com um desfecho claro e um criminoso atrás das grades. 

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publicado às 23:25


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